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28 SET 2019
TANCOS (de lavar roupa suja)
Use sabão azul…
Resumo muito resumido…
– A tropa (FA) tinha à sua guarda os paióis com o armamento que se constitui em propriedade sensível do Estado. A si cabia zelar pela sua integridade e segurança. E isto desde sempre, ou seja, desde há, pelo menos, 10 governos atrás.
– Numa hora em que se encontravam a dar lustre às botas para o desfile na parada, não havia um único cabo disponível para ficar de guarda à porta dos paióis. Um único cabo.
– Um grupo de rapazes, numa folga do gamanço do dia-a-dia, e avisados por um militar sério integrado nas FA de que naquela noite até podiam encostar um TIR e levar uma Chaimite, resolve pegar nuns carrinhos de mão, sem sequer se preocuparem em olear os eixos para evitar ruídos, e nas calmas esvaziar um paiol do material sensível à guarda da tropa.
– O material tinha de antemão um comprador mal definido que na hora da transacção deu de “frostes” por motivos que não se conhecem. Provavelmente o material era de má qualidade, inadequado ou obsoleto e na hora esquivaram-se.
– E assim, o grupo de rapazes numa folga do gamanço do dia-a-dia, ficou com uma batata a escaldar nas mãos e tratou de encontrar forma de se ver livre dela. Bom portuga que se preze, rouba e vai vender o produto do roubo ao seu legítimo proprietário por preço de ocasião. Nós “semos” assim desde 1143.
– E desta forma o grupo de rapazes com a batata quente nas mãos, frustrado o negócio, tratou de sacudir a água do capote e diligenciou o retorno do produto do roubo ao estilo… “pronto… está aqui o fogo de artifício todo, a gente “estava-se” a brincar, isto foi só para demonstrar que a tropa anda a dormir…”
– E aparece a polícia. Mas como a minha é sempre melhor que a tua, em vez de uma apareceram duas. A PJM e a PJ. E desatam cada uma a dar lustre ao seu cágado na linha de… o meu é mais brilhante que o teu.
– E lá aparece a chatice da devolução do produto do roubo, coisa pouco normal no país, onde o normal é “… gamou, gamou, está gamado”. Contudo, neste malfadado país acontecem coisas muito estranhas.
– A PJM, com o seu cágado reluzente ao colo, é quem entra no cambalacho da devolução do material e trata de negociar o “achamento” como uma proeza sua e assim lixarem os do outro cágado. Já no ar pairavam as promoções por mérito, dependendo do clube do chefe, coisa a que nos dedicamos muito.
– Inchados com o “feito e a proeza” tratam de o comunicar em surdina ao ministro “Azaredo” … Este, entalado que vinha pelas hienas da política, admite que acaba com o problema bem resolvido e que as coisas se vão recompor a bem de todos. E vai daí, cala-se para não frustrar as ações policiais em curso, aparentemente em bom curso.
– Mas a política tem coisas muito próprias e cá no burgo são assim: se fala e estraga a ação de recuperação das armas é um desmancha-prazeres e um aselha; se se cala no mesmo sentido é um oportunista que também quer os louros da glória, depois de ter levado no toutiço pelo roubo das armas como se lhe coubesse estar de guarda nessa noite aos paióis e se tivesse baldado e ficado a dormir na caserna. Tudo isto quando nos últimos 10 governos ninguém lhe passou pela cabeça de que os paióis ao cuidado dos militares não estavam seguros e bem guardados.
– E vai daí… chega a malfadada política e lá aparece o Tancos de lavar roupa suja. O ministro sabia ou não sabia e eis o “to be or not to be…!” Se sabia deveria ter dado com a língua nos dentes e eventualmente frustrado as ações em curso. Mas se não sabia… deveria saber…Porquê? Porque sim…! E isto num país onde o CM ou CMTV sabem mais dos inquéritos do Ministério Público do que qualquer governante.
– Mas divaguemos um pouco sobre um quadro ligeiramente diferente. Imaginemos que tudo isto tinha ocorrido na vigência do governo anterior, o que seria bem possível, a não ser que Aguiar Branco se dispusesse a fazer uma ronda pelos paióis de Tancos naquela noite.
Teríamos então um Coelho a Passos de mergulhar num Rio… ou uma certa honorabilidade na política e a sensatez cuja ausência nos desvirtua a imagem de um país com honra e História como poucos se podem orgulhar?
Claro que nunca o saberemos. O que sabemos é que tudo voltará a acontecer, variando apenas os protagonistas. Isto enquanto a varredela que falta não acontecer.

 

25JUL 2019

Com a devida vénia transcrevo a troca de email’s com o jornalista JVP a propósito duma intervenção sua no Jornal Expresso.

Caro João Vieira Pereira

Antes do mais agradeço a amabilidade em me responder.

Hercúleo seria também tentar contrapor com argumentos elaborados, se os soubesse elaborar.

Mas também ambos sabemos que no plano da política/finanças/governação a argumentação não tem fim e as variantes ideológicas ainda acrescentam outras cambiantes e níveis de dificuldade à questão. Pelo que não irei por aí.

Contudo deixo-lhe também lá no sítio breves, muito breves, repiques, sem jeito nem desafio  à polémica. Para isso já nos bastam os tremendos debates televisivos donde pouco se extrai.

Caro Pedro Cabrita

Agradeço o seu email e comentário. Não tenho dúvidas que uma releitura de todos os artigos que fui escrevendo sobre Mário Centeno ao longo dos anos lhe davam todas estas respostas, mas antevendo tal tarefa herculana e até fastidiosa, deixo alguns  comentários possíveis (noutra cor) por debaixo de cada um dos pontos que enumera.

JVP

 

…/…

Pergunto:

– Parecendo o JVP uma pessoa ilustrada na governação das finanças, será capaz de nos dizer como faria para alcançar todos estes desideratos que elege como elementos negativos da governação Centeno, ou vai ficar-se pela enumeração dos eventuais erros ou falhas da governação de M. Centeno, sem qualquer contraponto, como é uso neste nosso país de especialistas da crítica, mas sem ideia nenhuma de como fazer, a não ser de que “está mal!”?

 

JVP

Eu sou jornalista, não ministro das Finanças e não pretendo ser. Reporto-me a factos. Temos a carga fiscal mais alta do país, a despesa estrutural não para de aumentar, e neste anos não foi feita uma única reforma estrutural. Ou seja num contexto de bons ventos limitámo-nos a gerir a bonança.

Resposta

Tendo em conta o ponto (complexo) em que estava o país aquando da mudança de governo, com praticamente quase tudo por fazer depois do difícil período da crise, acha o JVP  que seria o tempo aprazado para reformas estruturais de vulto, quando as classes menos favorecidas vinham de uma delapidação dos seus bens de sobrevivência, salários e pensões?!

Não entende que urgia aliviar esse garrote (necessário ao tempo, não contesto) de modo a não só melhorar alguns rendimentos como dessa forma procurar agitar um pouco as águas na economia, como é dado adquirido que veio a acontecer, uma manobra a todos os títulos elogiada em Bruxelas e que terá valido o convite a Centeno?

Não entende que foi um passo ajustado, o qual PPC apelidou de “diabólico” e praticamente o afundamento do país, uma evidente contestação à política seguida o que faz supor que aquela que PPC se preparava para seguir tinha todos os condimentos para eventualmente não resultar?

“Limitámo-mos a gerir a bonança”… diz.

A bonança caiu do nada, ou fizemos também por isso, com o crédito que o país granjeou e p.e. levou ao derrube de praticamente todas as taxas de juro?

Quando à “carga fiscal mais alta do país…”, sabe tão bem como eu que a afirmação carece de alguns ajustamentos. Importa saber que impostos aumentaram e quais os que desceram ou se mantiveram, bem como sobre que classes recaíram, sem esquecer as compensações foram feitas em alguns setores.

Mas já agora poderia facultar-me uma receita de como governar um país depauperado baixando impostos e, já agora, implementando as tais “reformas estruturais”. Falamos de milagres…?

 

– Entende que aquilo que foi alcançado e elogiado internacionalmente é de pouca monta e era possível fazer mais e melhor considerando o enquadramento que o país trazia da crise que atravessou? Entende que era possível fazer tudo de uma só vez, ou havia prioridades básicas de sustentação?

 

JVP

Não é possível fazer tudo de uma vez, mas também não é admissível que não se faça nada. Os elogios internacionais resultam da necessidade da Europa apresentar um caso de mínimo sucesso. NO dia em que começar a correr mal a Europa vai ser a primeira a dizer que está tudo mal.

 

Resposta

Discordo, se me permite. 

“… não se faça nada…”  é má vontade do JVP  e tende a destruir com uma simples frase “alguma coisa” que se fez, para não dizer do “bom trabalho feito” nas circunstâncias conhecidas, tratando-se, como é evidente, apenas de um ponto de vista diferente. O seu, claro.

Discordo também dos “elogios internacionais e da necessidade da Europa de apresentar um caso mínimo de sucesso”.

É engano meu ou a “Geringonça” (um apodo viscoso e politicamente uma sátira transformada em sapo de engolir…) nunca foi bem vista na Europa, e em boa parte do planeta, por conter uma certa mistura politicamente corrosiva que todos previam vir a tornar-se num fracasso ou tragédia grega? Como tomar isso como um sucesso por parte da Europa…? Outro sapo…?

A Europa elogiou para se enfeitar ou o convite a Centeno para presidir ao Eurogrupo foi apenas para tramar o Marques Mendes… com a piada MM de “brincadeira do 1º de abril”?

E já agora; as agências de rating ter-se-ão também deixado levar pelo belo canto da “sereia Centeno” ou o que ocorreu foi o reconhecimento de uma boa política, tendo em conta  o contexto e circunstâncias da governação em que este governo tomou o poder?

“No dia em que começar a correr mal…” Espero isto que não seja um desejo… 

Mas olhe; agora que as contas estão equilibradas, cumpridos que estão as regras apertadas da CEE, não acha que é chegado o momento das famigeradas reformas estruturais e este país tem então alguns bons pés para andar? 

Eu tenho alguma fé nisso. Seria bom que o JVP também… e em si simbolizo uma certa imprensa, diria…, “descrente…”

– Há no seu horizonte nacional e internacional, de pessoa da comunicação social bem informada, um ministro de finanças capaz de conseguir tudo aquilo que foi alcançado e mais o que elege como “inconseguimento” (que saudades tinha desta palavra), tendo em conta o panorama recebido da governação anterior?

JVP

Este Governo recebeu o pais a crescer e as tarefas ingratas feitas. Recebeu o esforço todos dos contribuintes e distribuiu por alguns. Qualquer um faria melhor.

Resposta

“O país a crescer… e as tarefas ingratas…”

Diz-se que quando se bate no fundo… qualquer degrau é uma alívio, mesmo que a escada se mostre um Bom Jesus de Braga.  

Mas a crescer como e com que medidas de crescimento, ou as “famigeradas reformas estruturais”?

Alia esse crescimento aos 78 mil milhões injetados pela Troika? À venda de quase tudo o que eram empresas que davam lucro? Cortes nos salários e pensões e a pretensão nunca negada por PPC de corte na Segurança Social, Saúde e Educação, conforme o Expresso de 7/4/2013? 

“Qualquer um faria melhor…”

Como? Assim…?

– “Deixar para o próximo pagar”, como refere, vislumbra que o PS não estava a contar ser governo na próxima legislatura e nessa perspetiva deixa as finanças depauperadas para “quem vier que se amanhe”?

 

JVP

O Centeno pelos vistos prefere ir para o FMI.

Resposta

Lá me regressa a ideia de que o meu caro amigo volta a manifestar um desejo.

Não se aborreça comigo.

Sei bem como é este jogo da política. Quando os nossos adversários se revelam bons, o maior desejo é que “bazem”…

Mas dir-lhe-ei.

Não sei se vai. Mas se assim o entender, e se for convidado, merece-o como prémio e acredite o meu Caro JVP que se for é mesmo por mérito. Ou discorda? Se discorda… aquela malta lá do FMI não deve andar lá muito bem. É que nestes contextos eles não costumam meter os pés pelas mãos, nem dão passos importantes por via dos bonitos olhos de quem quer que seja.

Vá por mim, JVP. O homem é bom e o país há-de agradecer-lhe mais tarde ou mais cedo.

 

– Numa só e única pergunta: entende o JVP que, enquadrando o país na crise latente que dura há cerca dos tais 45 anos de democracia, era possível fazer tudo aquilo que agora nomeia como falha, mais aquilo que a generalidade da opinião financeira mundial refere como um feito notável? Se assim for deixe-nos uma breve ideia do como e garanto-lhe que tem lugar numa qualquer nova governação que por aí vier.

 

JVP

Nunca tivemos uma oportunidade como esta. Um diagnostico difícil mas com boas perspetivas de tratamento. Mas tratar uma doença crónica com aspirina não é solução

Resposta

Boa metáfora.

Só faltará dizer-me que o “Diabo” afinal não veio porque tratou da dor de cabeça com as aspirinas que refere…

Não sei porquê, mas tanto quanto é possível perspetivar, fica-me a ideia de que as “perspetivas de tratamento” do PPC não se configuravam lá com muito bom aspeto. Pelo menos estas, que o próprio abominou, funcionaram. Não ao gosto do JVP, mas funcionaram. Já as do PPC… nunca o saberemos. Provavelmente vamos ter que esperar que regresse e, já agora, não se percebe muito bem porque razão o homem se foi embora e desistiu aparentemente do país e das políticas fantásticas que tinha em agenda.

Um dia saberemos.

Mas há ainda um pequeno pormenor que gostaria de lhe deixar.

O pagode é muito vulnerável aos políticos. E tem especial afeição por aqueles que lhes dão um melhor-estar que outros, que nem tanto.

Neste sentido o JVP faz alguma leitura da generalidade das sondagens que por aí se derramam para o próximo ato eleitoral? Poderemos falar aqui de alguma soberania ou sabedoria popular, ou voltamos à manipulação das consciências?

 

– Por fim, e não me leve a mal, mas as suas intervenções semanais a isso me conduzem:

quando diz que “Portugal deve apoiar sem reservas a ida do M. Centeno para o FMI” trata-se de um desejo de “ver-se livre” de um incompetente na governação das finanças em Portugal ou “vamos despachá-lo” e enganar a malta do FMI…?

 

JVP

O meu desejo é verdadeiro e nada irónico. Desejo mesmo que Portugal consiga ter como presidente do FMI um português. Tinha-mos todos a ganhar. Sobre o Centeno, já escrevi que ele deve suceder a si mesmo como Ministro das Finanças. Para provar do mal que fez e então mostrar que é mesmo bom. Com vendo a favor e os contribuintes espremidos todos seriam bons ministros das Finanças.

Resposta

O Centeno, sinto-o, é aquilo a que na gíria se chama … “o seu odiozinho de estimação…”

E faz-me alguma espécie que Bruxelas e agora o FMI se tenham lembrado de um inútil destes que passou os quatro anos a “espremer os contribuintes…”, aumentando salários, pensões, retirando sobretaxas do IRS e vários etc’s que não refiro só para não o maçar.

Os meus cumprimentos JVP.

Garanto-lhe que vou continuar a lê-lo, mas com a impertinente esperança de que o meu Caro Amigo reconheça que o Centeno, no mínimo, é um gajo porreiro que sabe de finanças…

Pedro Cabrita

 

Com os cumprimentos de um leitor apenas atento e crítico, como lhe compete a cidadania de que se acha investido.

 

Pedro Cabrita.

 

 

24JUL 2019

Caro João Vieira Pereira (JVP)
Leio sempre o seu apontamento no Expresso e isso permite-me perceber que os “seus amores” não são claramente o PS ou o governo, o que me parece normal e razoável por se tratar de uma opção e direito de cidadania.
Contudo isto traz alguns perigos quando se trata de um jornalista.
Uma coisa são as minhas opções político/partidárias, outra aquilo que opino num jornal quando ostensivamente me revelo um renitente crítico e detrator do partido que governa ou tudo o que com ele se manifeste, tornando-se quase obsessiva essa sua necessidade de desvirtuar tudo quando se enquadra neste plano.
Sem pegar na generalidade de críticas que faz semanalmente ao governo e seus governantes, uma prerrogativa de jornalista, chamou-me à atenção o “Centeno e o FMI” do Expresso de sábado passado (20Jul).
Não vislumbro, nos 45 anos da nossa democracia, um ministro das finanças que tenha granjeado maiores elogios externamente (que é onde a opinião se revela mais limpa de “dores partidárias”) do que o Mário Centeno.
A ponto de alguns opinadores da nossa pátria se terem referido à sua eventual ida para a presidência do Eurogrupo, quando surgiu a notícia, como uma mentira do 1º de Abril. O nosso inefável M.M. ainda não se recompôs totalmente desse tiro pela culatra.
Mas agora surge a notícia de que o voo poderá ser outro e bem mais alto e já ninguém se atreve a referir-se a essa eventualidade como um desvario politiqueiro pelo simples facto de que o homem granjeou uma clara admiração nas altas esferas planetárias, mas aqui neste santuário de “gente virtuosa” continua-se a procurar encontrar fórmulas de denegrir o trabalho de Mário Centeno porque o enquadramento político e eleitoralista o parece exigir.
Diz:
“Teve todas as condições para fazer um ótimo trabalho (estabilidade social e política, crescimento económico e juros zero), mas deixou um país com a maior carga fiscal de sempre, com os serviços públicos à beira da rutura e sem investimento público. Ao mesmo tempo promoveu o crescimento da despesa estrutural. O caso típico de quem deixa a conta para o próximo pagar. No entanto acho que Portugal deve apoiar sem reservas o seu nome para liderar o FMI.”
Pergunto:
– Parecendo o JVP uma pessoa ilustrada na governação das finanças, será capaz de nos dizer como faria para alcançar todos estes desideratos que elege como elementos negativos da governação Centeno, ou vai ficar-se pela enumeração dos eventuais erros ou falhas da governação de M. Centeno, sem qualquer contraponto, como é uso neste nosso país de especialistas da crítica, mas sem ideia nenhuma de como fazer, a não ser de que “está mal!”?
– Entende que aquilo que foi alcançado e elogiado internacionalmente é de pouca monta e era possível fazer mais e melhor considerando o enquadramento que o país trazia da crise que atravessou? Entende que era possível fazer tudo de uma só vez, ou havia prioridades básicas de sustentação?
– Há no seu horizonte nacional e internacional, de pessoa da comunicação social bem informada, um ministro de finanças capaz de conseguir tudo aquilo que foi alcançado e mais o que elege como “inconseguimento” (que saudades tinha desta palavra), tendo em conta o panorama recebido da governação anterior?
– “Deixar para o próximo pagar”, como refere, vislumbra que o PS não estava a contar ser governo na próxima legislatura e nessa perspetiva deixa as finanças depauperadas para “quem vier que se amanhe”?
– Numa só e única pergunta: entende o JVP que, enquadrando o país na crise latente que dura há cerca dos tais 45 anos de democracia, era possível fazer tudo aquilo que agora nomeia como falha, mais aquilo que a generalidade da opinião financeira mundial refere como um feito notável?
Se assim for deixe-nos uma breve ideia do como e garanto-lhe que tem lugar numa qualquer nova governação que por aí vier.
– Por fim, e não me leve a mal, mas as suas intervenções semanais a isso me conduzem:
Quando diz que “Portugal deve apoiar sem reservas a ida do M. Centeno para o FMI” trata-se de um desejo de “ver-se livre” de um incompetente na governação das finanças em Portugal ou “vamos despachá-lo” e enganar a malta do FMI…?
Com os cumprimentos de um leitor apenas atento e crítico, como lhe compete a cidadania de que se acha investido.

21 JUL 2019

CRISTINA ESTEVES JORNALISTA RTP PAGA POR MIM

Ontem, a propósito dos incêndios, Cristina Esteves no programa 360 teve a atitude “jornalista” mais verrinosa anti-estrutura da proteção civil que se possa imaginar. Numa entrevista via telefone com o vice presidente da câmara da Vila de Rei conseguiu quase irritar o senhor com a verrina e má intenção das perguntas.

Acintosa e mal intencionada procurou em cada pergunta levar o entrevistado (do PSD) para a crítica à estrutura que gere os incêndios, mesmo sem se saber do ponto da situação, consequências e origens.

Da circunstância, já conhecida, dos cinco focos de incêndio que ocorreram praticamente em simultâneo, nem uma palavra, nem uma abordagem. Porque, como se deve compreender, cinco focos de incêndio com início ao mesmo tempo e em locais estratégicos são circunstâncias normais neste país que nem merecem referência.

Cinco focos de incêndio a ocorrerem no momento exato em que o PS iniciava a apresentação do seu programa de governo foi também uma circunstância fortuita como é fortuito tudo o que acontece nos incêndios em Portugal.

A entrevista a Jaime Marta Soares e Domingos Viegas foram elucidativas.

Ambos os entrevistados a explicar a complexidade e dificuldade do combate aos incêndios e a Cristina a querer levá-los para a responsabilidade de alguém a quem apontar desde já o dedo, forma indireta de atingir, desde logo, o governo.

A Cristina é uma má jornalista que vai sendo empurrada para os cantos disponíveis da RTP.

Mas acima de tudo revela um mau caráter que importa denunciar e esperar alguma ação por parte de direção da RTP, coisa que vem sendo pouco visível nos últimos anos.

Não se pede nem se deseja controlo de informação.

Apenas isenção e jornalismo limpo e construtivo.

A SIC, TVI e CM são estruturas de informação suficientemente tendenciosas, pelo que a RTP se deve escusar de engrossar esta coluna.

O jornalismo tem princípios e normas deontológicas.

Que a RTP se assuma como baluarte dessas mesmas regras já que o que resta se eximiu de as seguir.

 

17JUN 2019

Quem não sabe estar – Um canalha não sabe
Acabei de ver os primeiros minutos do programa “Quem não sabe estar”, ou coisa do género, uma imitação dos talk shows das televisões dos EUA. Este de hoje, na TVI, convenceu-me: o personagem que apresenta aquilo é um canalha. Chama-se Ricardo Araújo Pereira – com graça ou sem graça, com guinchinhos ou trejeitos a questão moral: ele é um canalha.
O que distingue um canalha de um tipo decente é a atitude perante os indefesos. O canalha humilha os indefesos. Os pides eram canalhas, não pela ideologia, mas por torturarem, violentarem pessoas indefesas. Eram canalhas porque podiam ofender sem correrem riscos. Foi o que o pretenso cómico Ricardo Araújo Pereira fez com Armando Vara, hoje, há pouco.
Armando Vara está preso e foi exposto, por gente de baixo carácter, numa comissão da Assembleia da República. Mandava a decência que a dita comissão de deputados não promovesse o espectáculo do aviltamento de um cidadão preso, trazido algemado à Assembleia da República.
Ao aviltamento promovido pelos deputados, correspondeu o dito cómico com uma canalhice guinchada e histérica. O homem, neste caso, o Vara não se pode defender: vá de o utilizar para ganhar a vida. Presumo que se Vara fosse um criminoso de sangue, um assassino com um gangue atrás, o Ricardo não se atreveria a humilha-lo e a utilizá-lo para pagar o seu cachet. Podia sempre receber de troca um tiro, uma tareia. Mas, perante o Vara, o Ricardo sente-se imune. É um cobarde, além de canalha.
Conheço, de o viver e de ter de decidir a vida e a morte de prisioneiros, a situação de olhar nos olhos aqueles de quem somos os senhores da vida e da morte. Sei a canalhice que é fazer humor com essa situação, mesmo que seja necessário matá-los.
A rábula de Ricardo Araújo Pereira sobre um preso é reveladora de um carácter, de um canalha que não tem a noção da dignidade. Vara pode ser o que quisermos e o que um tribunal disse que era, mas nenhuma pessoa de caráter tem o direito a humilhar quem foi julgado, quem a sociedade tem à mercê.
Ricardo Araújo, na sua rábula sobre Vara, emparelhou-se (de parelha de bestas) com o chamado juiz Moro no processo contra Lula.
Havia risos e gargalhadas na assistência da rábula do Ricardo Araújo Pereira. Também os há no Brasil de Bolsonaro e Moro, também oshavia nos autos de fé da Inquisição. Também os houve nas execuções pela guilhotina na Revolução Francesa.
Ricardo Araújo Pereira merece-me um vómito com esta rábula. Alguns riram alarvemente. Gente que vive em pocilgas. Ricardo Araújo Pereira revelou que podia ser ele a arrastar prisioneiros presos pela trela, ou por se colocar atrás de um mastim para os humilhar, depois de os prender e os deixar indefesos.
Os cobardes têm rosto.

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Gente que não sabe estar.

A politiquice rasteira tem que vir logo ao de cima quando se aborda um tema onde esteja um político. Esvai-se-nos de imediato o bom senso, o equilíbrio e a sensatez e a primeira coisa que ocorre é o hastear da nossa bandeira politicóide em defesa dos nossos e a qualquer preço. Vara foi processado, tramitado e condenado. Encontra-se a cumprir pena mantendo todos os restantes direitos que daqui sobram, entre eles o direito de ser tratado com a dignidade que todo o ser humano merece. O que aqui está em causa é o achincalhamento humorístico de alguém que se encontra na condição de preso. Apenas isso. Na verdade na conhecida mó de baixo, onde se torna mais fácil colocar o pé em cima, redundando frequentemente num ato de cobardia. O humor não deve promover julgamentos políticos ou outros. O RAP tem piada e é um símbolo nacional do riso, descambando frequentemente para o escárnio frio e desumano das entidades da política, onde é possível encontrar sempre quem esteja de acordo, bastando para isso exibir o BI clubístico (desportivo o político). RAP revela falta de tempo para melhor escolher os seus alvos do escárnio. É o que dá tocar tantos instrumentos ao mesmo tempo, especialmente quando se está em alta e nos sentimos estimulados para o exagero sem preço. Razão pela qual num dos últimos programas do Governo Sombra, mal este começou, o Ricardo foi apanhado num desconformado bocejo. Gente que não sabe estar; talvez ao RAP lhe faça bem uma breve revisão da sua forma de estar como o foi p.e. o escárnio exaustivo que fez da boca de um político (escarnecido como um defeito até à exaustão) que se apresentava a eleições e que glosou em dois ou três programas consecutivos. RAP defende que no humor vale tudo; pois isso, bem sabemos, dá jeito a quem vive da galhofa maledicente sem qualquer filtro quanto à dignidade dos outros. A inteligência serve para ser usada com critério e essencialmente para “saber estar”. Há momentos em que RAP extravasa o bom senso e espezinha a condição de pessoas cuja dignidade lhe deveriam merecer um outro e melhor respeito. Fora de causa o uso oportuno da zombaria dos políticos naquilo em que são férteis, ou seja, a conhecida podridão da política, deixando de parte a sua condição de privação de liberdade ou defeito físico.

 

8jun 2019

A INSANIDADE DO NOSSO FUTEBOL OU O ESPELHO DA NAÇÃO…?

Apontamento.

Estas cláusulas de rescisão, perfeitamente absurdas, pespegadas como selos nas testas das mercadorias, que valem apenas para procurar elevar o valor desportivo do jogador, fazem lembrar a estória do merceeiro que vendia o bacalhau ao dobro do preço do mercado porque dizia que o bacalhau era caseiro.

Procurando pôr os pés na terra, tivemos um Portugal-Suiça nesta Liga das Nações, onde se apresentou a nova estrela deste nosso areópago futebolês surgido do nada, mas em meses aureolado de um novo Messias redentor que vem salvar o défice da nossa honra e a dívida da nossa consciência.

Jogando num totobola, onde nunca acertei nada, eu pago para ver se o F. Santos opta por colocar o menino de ouro dos 120 milhões a jogar de início contra a Holanda ou se fica no banco a ver jogar o Ronaldo e a aprender a crescer. É preciso ter consciência de que, se o selecionador tivesse tido coragem para não meter o J. Félix de início e perdesse o jogo, arriscava-se a ter um clamor nacional tão grande que o podia levar à destituição de selecionador nacional e não sei se não chicoteado na praça pública ali da 2ª circular ou mesmo no Marquês..

Cá no burgo é assim que as coisas funcionam; se me tocam nos deuses ou nos anjos é bem pior que um vilipêndio de família.

E assim lá continuamos “cantando e rindo, levados levados sim” por estes três miseráveis “F’s” que nos trazem cada vez mais pendurados na cauda física e social da Europa, que nos vai tolerando até que um dia ocorra por aí um lusitanexit que nos reponha onde sempre estivemos nestes últimos 9 séculos; amarfanhados aqui no cantinho lusitano, mas agora já sem caravelas que nos levem em busca das arcas perdidas das áfricas e orientes.

 

18Maio 2019

“BENFICA OU MORTE”
Pichagem no muro da casa do árbitro Jorge de Sousa, nomeado para o último jogo da Liga.
E nada acontece em termos de investigação.
É normal. É o futebol… são coisas da bola e por hábito o melhor é não mexer muito.
E assim vai a vida aqui nesta Sicília…
Ah, mas o árbitro e família estão sob proteção policial.
Haja Deus…
“Benfica ou morte”.
Sim, foram dois ou três palermas.
Mas uma democracia com 45 anos de vida ainda gera palermas destes sem que os “democratas” daí paridos se dêem ao trabalho sequer de procurar desconspurcar esta pobre imagem de uma Sicília que se afirma da família da mais antiga civilização planetária.
Não nos ficaria mal sermos nós próprios a riscarmo-nos deste mapa de povos que ditaram a História ao mundo e fazermos o caminho inverso dos migrantes que nos procuram fugindo dos palermas deste mesmo género que ainda vegetam nas Sicílias do centro africano. Aí estaríamos porventura no lugar certo.
A nossa eficaz esponja, já nauseabunda de tanta “limpeza”, voltará a passar e com uma só passagem voltará a limpar a porcaria dos nossos eternos palermas.
Mas havemos de sobreviver ancorados nos três eternos FFF que nos trazem felizes, contentes e cada vez mais segregados do convívio da decência e elevação.
O que importa é que “semos campeões”…! O resto é… c***** e andando…

9Maio 2019

PAGAMENTOS DE COMISSÕES NOS LEVANTAMENTOS EM ATM’S.

E lá vêm eles de novo com pezinhos de lã preparar-nos para mais uma contribuição (in)voluntária para os desastres banqueiros da nossa “pobre” banca.

Já o tentaram em tempos mas perante a veemência dos protestos recuaram.
Voltam agora de novo ao aperto, mas com novos argumentos. Daqueles que costumam anestesias na água tépida do caldeirão ao lume.
Na verdade compreende-se que os salários dos banqueiros carecem de um ajustamento que os coloque ao nível da Sr Lagarde. Mas o argumento é maroto e apela à nossa depauperada memória.

Segundo os banqueiros trata-se de um serviço, pelo que deve ser pago.
Na verdade é difícil encontrar alguma coisa num banco que não tenha que ser paga.
Mas querem os pobres banqueiros, agora na sua inconsequente e manhosa astúcia, fazer-nos esquecer porque motivo resolveram enxamear dependências bancárias e todos os recantos deste país com ATM’s, nas quais apenas um funcionário promove a manutenção e disponibilidade de cerca 20 ou 30 dessas máquinas?

Querem fazer-nos esquecer de quantos postos de trabalho puderam prescindir com a implementação das ATM’s, desviando assim os depositantes dos balcões dos bancos onde se faziam filas para efetuar levantamentos e se aproveitava para outras solicitações (requisição de cheques, pagamentos de serviços e toda a panóplia de serviços que agora se fazem nessas máquinas milagrosas)?
Serão os senhores banqueiros capazes de contabilizar quantos milhões continuam a arrecadar com a implementação destes dispositivos?
Alguém se recorda de 10 a 15 funcionários numa pequena dependência bancária nos anos 80 e parte dos 90 e os 3 ou 4 atuais? Será possível darem-nos uma ideia de quantos milhões meteram e continuam a meter ao bolso com esta autêntica mina de ouro de redução drástica de postos de trabalho?
Vão esmifrar em meia dúzia de cêntimos os milhões de utentes por causa do papelinho do comprovativo de movimento que alguns, agora opcional, requerem? É essa a grande despesa do banco que importa ressarcir?
Então vai uma proposta simples. Cobrem pelo papelinho a quem o exige e deixem em paz quem lá vai buscar o seu dinheiro e prescinde do “papiro” do Egito, que na verdade é caro.

4Abril 2019

E VOLTAM AS RELAÇÕES FAMILIARES NOS GOVERNOS AO GRANDE TEMA DA ATUALIDADE.
PARECE QUE JÁ NINGUÉM SE PREOCUPA COM A ECONOMIA E AS CONTAS PÚBLICAS.

BREVE REFLEXÃO.

A ética. Sim a ética.
A ética é algo importante. Especialmente em países onde o significado da palavra dê para múltiplas deambulações especialmente as de ordem política.
Falar de ética soa bem porque navega pelos fundamentos da moral e as boas condutas do indivíduo, vestindo este a pele do simples cidadão ou do governante mais destacado pelo cargo que ocupa. E isso eleva qualquer das entidades a pedestais de elevação que definem e distinguem o bem do mal.

O tema da atualidade mexe e remexe o caldeirão da ética porque os malandros que estão parece que deturparam a etimologia do termo e a famigerada ética entrou em entropia e enlameou tudo quanto a ventoinha abarcou.
Bem sabemos que ética ou roubalheira, sendo elementos antagónicos, tanto dá um como o outro para se lhe pegar pelos ditos ou pelo rabo e agitar o bicho até que este deixe de espernear por exaustão. Exaustão, aqui, leia-se, objeticos políticos precisos e bem determinados e naturalmente almejados e alcançados.

Descobriu agora, e só agora, a oposição, que há elementos familiares no governo, embora a maior parte deles já venha de alguns anos a esta parte.
Determinado um profuso e inusitado esgaravatar veio a descobrir-se mais um ou dois casos e aí o caldo entornou e rolou para o fogo fumegando como costuma acontecer.
E logo as habituais virgens gritaram:
– Isto não pode ser . Comigo não, comigo nunca.

Mas as virgens sofrem habitualmente de um débito de memória que não sabemos se provém do estado (virgem) ou se adquirido por ausência de experiências que habitualmente inferem o conhecimento das coisas, como já o insinuava o velhinho Descartes.

Há pois elementos neste governo que são familiares. Vários; uns quantos, muitos, poucos… mas há.
Os que estão gritam que há uns quantos, os que querem estar clamam que são muitos.
Não tarda, na ausência de legislação, será aprovado um D. L. definindo quantos familiares podem fazer parte do governo e qual o nível de familiaridade. Se primos de segunda cabem três, mas primos de primeira cabe só um…

Fica-me a ideia de que este nepotismo de que os que querem entrar enchem a boca a ponto de já lhes dificultarem as palavras, é bem capaz de ser excessivo, a não ser que a “família” que é convidada para governar vá afinal governar-se e aí é bem capaz do assunto dizer mais à Judiciária que à politiquice.
Este intróito era bem capaz de ser escusado porque afinal o que mais me incomodam são dúvidas que deixava à reflexão de quem vai tendo paciência para me ler.

1- Gritada aos quatro ventos a infâmia dos que estão de que andam estes a convidar primos, tios, sobrinhos, netos, insinuando alguns até de que poderá também andar por aí algum parente em 10º grau diluído nos convites para a governação, e revolvida toda a herança democrática de 45 anos parece não ter escapado um único governo que tenha escapado ao delito (o país é pequeno…), pergunta-se: que moralidade poderá ter quem quer que seja para questionar esta questão se todos fizeram o mesmo?
2- Se todos fizeram o mesmo, na ausência de legislação apropriada, a questão passa ao número de casos? O termo ladrão não se aplica a quem roubou um milhão ou roubou cinco milhões?
3- Não há uma única acusação de incompetência dos familiares acusados de convites para integrarem os governos. Todos os governos. Mas então a competência é secundária em relação à proximidade familiar? Se afinal há competência a circunstância de se optar por um familiar infere nepotismo, ou seja, benefício em negócio?
4- Um familiar convidado a integrar um governo pela sua elevada competência e mérito passa a descartável apenas porque é familiar? Temos assim tantos crânios neste país que nos permitamos a escolhas de pura ética versus competência?
5- Alguém que tem a ambição de seguir a carreira política e para isso dedica a sua vida a formar-se com a máxima competência, caso veja um familiar entrar num governo está desgraçado e o melhor é parar a meio e mudar de profissão ou mesmo dar a volta à sua ambição inicial?
6- Não é possível um familiar oferecer melhores índices de confiança política do que um qualquer outro elemento, desde que isso não signifique trocar família por competência?
7- E a questão mais simples e próxima. Se todos os governos tiveram familiares nas suas composições, sem que haja regras definidas sobre esta matéria, porque razão de repente e agora surge toda esta indignação? Sinceramente não acredito que ocorra algo que mova esta questão: mas… estaremos por acaso em tempo de eleições…?

 

 

22MAR 2019

A JUSTIÇA…
AGORA SIM…!

– Um cérebro informático deu um arraso na podridão do Futebol caseiro e mundial e apenas revelou 10% daquilo que sabe.
– Os denunciados, de calças na mão, gritam que foram roubados. Roubaram-lhes as provas dos crimes cometidos, o que é chato…, como diria o Bruno… 
– Os que se apresentam na qualidade de roubados exigem que o “ladrão” seja detido e, se possível, que vá direto ao pelourinho, a ver se se cala em definitivo e quanto antes..
– Faz sentido; ladrão que rouba a ladrão já não tem qualquer perdão, quanto mais cem anos…
– E qual o sítio onde se esperaria que este caso fosse tratado com justiça…? Aqui, claro está. Onde a instituição justiça está considerada pelos portugueses abaixo de zero.

A minha aposta.

– O “ladrão” está lixado.
– Os criminosos justiçados…
– Ah…! Alô…! Estamos em Portugal…

… e viva a bola e a paráBOLA da nossa “justiça”.

Obs.
Em França e em Espanha, países do centro de África (convém ressaltar), os documentos foram considerados relevantes e os apanhados (criminosos ou fugitivos aos impostos e outras manigâncias), estão a contas com a justiça.
Em países do terceiro mundo é assim. Não há respeito pelos criminosos. Mas já o sabíamos.

 

27fev 2019

PCP e BE anunciam que vão recorrer a todas as vias para que seja contado o tempo total dos professores.
Eis quando a demência política pelo voto a qualquer preço sai à rua e encarcera a pouca vergonha que ainda vegeta neste nosso desgraçado panorama partidário.
Há um partido que governa e que recusa abastardar-se comprando votos com o dinheiro público que lhe dariam uma desejada maioria absoluta para governar.
Há declarados apoiantes desse governo que se vendem por uma espécie de prato de lentilhas, mesmo que no preço vá o que resta da dignidade e a cara dos seus dirigentes.
O medo de que se reduzam a meros objetos decorativos na AR, como vinha acontecendo, e se esvaia a esperança de conquista de mais eleitorado, desfaz a máscara dos putativos dirigentes “da classe operária” que no fim a hão de arruinar e entregar de mão beijada ao tão odiado “capital”.
Não se espera que o eleitor saiba discernir e desmascarar os contrabandistas do voto, como sempre tem vindo a acontecer.
Como dizia Junqueiro este “burro de carga e besta de nora” continuará “amorfo, fatalista e macambúzio” por mais um ou dois séculos, suportando a mesma bota cardada dos que o espezinham desde sempre.
Depois, quando o sufoco for já insuportável, terá um novo acesso de clarividência recauchutada na dor do sofrimento cíclico que o acorda uma vez por século. E fará uma nova revolução, de novo para nada, senão o diminuto gozo mediático de um poder efémero que logo a seguir entregará aos DDT deste nosso pequeno mundo.
Eis-nos dolorosamente a frio… Esmagados por um padrão de pedra dura que nos cairá em cima de tão carcomido e sem qualquer préstimo, como tantos que por esse mundo afora plantámos, por fim sem qualquer valor nem honra daqueles que os ergueram.
Eis-nos mais uma vez.

 

9 dezembro 2018

SE A HIPOCRISIA PAGASSE IMPOSTO NEM O DENTE DO SISO DA SRA. BASTONÁRIA ESCAPAVA AO CARIMBO DE “PAGO”.

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros (OE) escreveu esta sexta-feira ao primeiro-ministro a avisar que Portugal está perante “uma catástrofe e uma calamidade sem precedentes” com 5.000 cirurgias adiadas.

A Ordem dos Enfermeiros pede a intervenção urgente de António Costa para encontrar “uma solução para a carreira e para a contratação de mais enfermeiros”.

“Não será possível nos próximos anos recuperar desta catástrofe”.
Ana Rita Cavaco termina lembrando ao primeiro-ministro que a cada dia que passa são adiadas 500 cirurgias, “sem que exista uma negociação séria com os sindicatos”.

E eu digo:
É preciso não ter um pingo de vergonha na cara para tamanho cinismo e desprezo pelas pessoas, quando se promove o mais brutal ataque aos doentes (que não têm sindicato), por via de um conflito laboral, e depois vir dizer que há “uma catástrofe e uma calamidade sem precedentes”.

Pergunto-me se não há lugar a uma responsabilidade criminal neste despautério ou se em política vale mesmo tudo, porque é efetivamente um problema despudoradamente político que está em causa.
Uma greve de enfermeiros, que se dizem um garante da saúde e bem-estar das pessoas, jamais pode atentar contra elas sob que pretexto for.
A vida das pessoas não é uma arma de arremesso político nem laboral seja a que pretexto for.
A criação de um fundo de greve (que bom seria saber quem para ele contribuiu…) é a prova de que os enfermeiros, pela mão da sra. Bastonária, não olham a meios nem se preocupam com a “catástrofe e calamidade sem precedentes” que promovem para atingir os seus inomináveis fins.
Não esperem no futuro o mesmo respeito e admiração que os enfermeiros sempre nos mereceram
Há limites para tudo.
A sra. Bastonária não é uma dirigente representante de uma classe profissional. Ela é um instrumento político do Partido Social Democrático, estrutura partidária a que pertence.

 

 

6 Dezembro 2018

HOJE FAÇO GREVE AO BOM SENSO.

APETECE-ME DIZER DISPARATES.

DEFINIÇÕES:

Presidente de um Sindicato.

Pessoa que não trabalha, ou trabalha muito pouco, que renegou a sua profissão (médicos, enfermeiros e magistrados p.e.), mas recebe mais do que os seus sindicalizados.

Que passeia, vai à praia quando lhe apetece, levanta-se à hora do almoço e aparece na televisão, o que lhe proporciona um elevado estatuto de figura pública, um objetivo de vida de qualquer português que se preze. Neste país, aparecer nas TV’s é meio caminho andado para uma carreira.

É também um negociante. Negoceia com o governo as reivindicações dos seus filiados, uma função desgastante, tendo em conta que as negociações são tantas que de dois em dois meses está em negociações, ou leva anos a negociar uma alínea de cada vez, a fim de apresentar trabalho.

Sindicalizado

Pessoa que paga quotas para proporcionar as regalias que estão adstritas ao Presidente do Sindicato, o senhor que se regala com a vida que leva. Também conhecido por pagar quotas ao sindicato, mas quando precisa dele para resolver um problema laboral que o prejudica, o sindicato fecha-lhe as portas.

Sindicato

Antigamente: estrutura criada pelos trabalhadores para reivindicarem melhores salários, melhores condições de vida e regalias sociais e outras, que afrontava o patrão (rico e anafado, dono da fábrica, empresa ou da mina) e suspende por completo o trabalho até que o patrão (rico e anafado) ceda e desembolse uns trocos. Por vezes conseguia, outras não conseguia e voltava ao trabalho; outras ainda ficava pior.

Atualmente: estrutura que, se não marcar uma greve, não é sindicato não é nada e o Presidente arrisca-se a perder o lugar, porque assim não está lá a fazer nada.

Estrutura que deixa os patrões sossegados (coitados, também devem ter lá as suas dificuldades e se lhes marcam uma greve são capazes de se aborrecerem e despedirem os trabalhadores, além de fecharem as portas e deixarem os trabalhadores a pão e água… e um subsídio de desemprego miserável e com prazo…).

O sindicato é uma estrutura que ataca o Estado (ou seja, todos nós) por motivos vários:

  • Primeiro, porque sim.
  • Porque um sindicato existe para marcar greves. Senão não valia a pena.
  • Porque o Presidente do Sindicato tem uma agenda e acha que já passou muito tempo desde a última greve e já ninguém se lembra dele, nem da sua função. A lembrar; determinar greves.
  • Porque não trabalhar por estar em greve nem tem problema para alguns porque alguns sindicatos até têm um fundo de greve e paga os dias que não se trabalha. Quem não faz uma greve assim…? Além disso até há agora uma novidade (ilegal, mas que importa) que é um crowndfunding (fino isto…) que põe a oposição política a contribuir para os grevistas não trabalharem. Gosto disto, confesso.
  • Porque o Estado é rico, está podre de dinheiro, não despede os grevistas, não os ameaça com sanções e (alguns governos) borram-se de medo das greves por causa das eleições.
  • Porque toda a gente sabe que o direito à greve é inalienável. Assim sendo, é um direito e era o que mais faltava se não o exercessem.
  • Porque o partido a que o Presidente do Sindicato pertence determina a hora e dimensão da greve a levar a cabo de acordo com o seu calendário e ambições, ou necessidades, eleitorais.
  • Porque os partidos que estão na oposição apoiam e fomentam as greves como forma de luta política escabrosa e oportunista, mas os grevistas nem dão por isso porque o que está em causa “é a nossa luta” seja ela contra quem for, inclusive eles próprios.

E por fim, o menos importante, mas já agora fala-se nisto.

Os únicos prejudicados.

O povo, essa insignificância contra o qual se fazem todas as greves. Todas.

Que fica sem transportes, sem médicos, sem enfermeiros, sem professores, sem hospitais, sem cirurgias, sem segurança, no fundo, sem nada… e tudo porque a greve é um direito, a greve é afinal contra o Estado e o Estado, por azar, somos todos nós.

Um povo que paga os passes sociais e depois não tem transportes, que paga impostos e depois não tem médicos, enfermeiros, cirurgias quando dela precisa para não morrer, segurança e o que mais se arranjar por aí, porque de falta de imaginação nunca padecemos.

Peço desculpa.

Mas hoje deu-me para dizer disparates.

Na verdade, julgo mesmo que este país é realmente um verdadeiro disparate que caminha para o fundo duma ravina, sítio onde receio bem não haja o direito à greve. O que também me parece legítimo, como o dirá qualquer Presidente de Sindicato que se preze.

 

23 Novembro 2018

DAVID DINIS

“Costa não foi a Borba.”

Pois não Dinis.
O Costa não anda à cata dos afetos que o levem a uma reeleição. Nem procura as televisões que o projetem para novos mandatos. Ele ainda não aprendeu com o PR.

Se me deres, Dinis, uma única vantagem retirada da ida do teu Marcelo a Borba por 15 minutos, reconheço que tens toda a razão. Um dia ainda alguém se lembrará de questionar quem paga os milhares de litros de gasolina que o PR gasta nestas andanças. Uma boa questão, Dinis.
Se me deres uma única vantagem do mise en scéne dos políticos que aparecem nos desastres sociais, tens toda a razão Dinis.

É a imagem. É o reconforto pela presença e preocupação.
Mas se Costa lá tivesse ido Dinis, o teu texto teria tido o seguinte título: “Agora é tarde A. Costa, para verter lágrimas de crocodilo”.
Costa disse realmente que não sabia da gravidade do que se passava em Borba.
Mas se tu, Dinis, jornalista bem informado como és e tens obrigação de ser, se sabias o que se passava em Borba antes do acidente, é grave que não o tenhas denunciado.
Se todos os políticos, que agora se desunham em críticas sobre o que aconteceu sabiam e nada disseram, é grave Dinis.

Provavelmente vais dizer que não é essa a tua obrigação. Pois sabemos.
A tua obrigação por natureza é politizar os casos depois de acontecerem. Retirar deles o sumo político que te serve de arma de arremesso e compõe a tua verrina anti Costa e o governo que lidera.

Pois é Dinis.
Costa não foi a Borba , mas o Dinis foi, mas pelo pior caminho que tem o jornalismo de facção e de pouca independência.
Vê lá Dinis se te lembraste de condenar os exploradores de mármore que esventraram o lugar até às entranhas de um desastre que toda a gente viu, mas ninguém fez nada por evitar, em nome da economia e do lucro desenfreado dos habituais exploradores de ocasião, donde uma horda de DDT comem tudo e continuam a não deixar nada, a não ser os desastres que alimentam uma espécie de hienas que pululam pela nossa desgraçada imprensa.
Mas o Costa é que não foi a Borba…
Isso sim é o problema do Dinis.

 

20 Novembro 2018

Toiros e touradas

E no Prós e Contras de ontem lá tivemos mais uma sessão de retórica falsa, defesa de valores tradicionais a preço de sofrimento de um animal que hipocritamente dizem defender e amar, para não falar já de uma postura marialva e mal educada, quase não permitindo que os interlocutores falassem, interrompendo e sobrepondo os seus argumentos sobre os demais, sempre que aquilo que diziam não lhes agradava.

Enfim, a Fátima Campos Ferreira mais uma vez não esteve à altura de um programa que se sabia polémico, permitindo a confusão e argumentação cruzada impedindo que se ouvissem ambos os lados com clareza.
Sintetizando… uma verdadeira tourada.

E lá ficámos sem saber o que pensam os aficionados da possibilidade de utilizar tecnologia apropriada para que não haja ferimento no animal e isso resolveria tanta coisa.
Conseguiu-se trazer um português residente no Canadá que veio dizer ter conseguido implementar as touradas naquele país, mas usando um velcro no lombo do animal onde as bandarilhas se fixam sem ferir o animal.
Ninguém relevou este assunto.
Ninguém teve a verdadeira oportunidade de desmascarar esta hipocrisia, relevando que o Canadá, um país decente, respeita as tradições até dos imigrantes, mas não tolera a barbárie que essas tradições, ainda com sabor a circo romano, se promovam na sua sociedade, tenham elas o cariz e os adeptos que tiverem.

De raspão alguém, cuja vetustez permite desculpar afirmações que atraiçoam o bom senso e a sanidade de quem as produz, ainda procurou defender que não há sofrimento do animal, invocando supostos e inenarráveis estudos científicos e certamente inquéritos a uma boa amostra de touros inquiridos que terão confirmado que na verdade o sofrimento é nulo e que aquela treta do sangue que lhes escorre das feridas até dá um certo jeito aos forcados e ao toureio apeado, porque ocorre uma certa perda de força que facilita a pega e a faena.
Afinal está tudo bem e siga a tradição.

Um médico veterinário, que procurou denunciar esta inenarrável e despudorada afirmação, foi conveniente e eficazmente abafado pelo ruído dos aficionados impedindo-o de falar, qual faena ao centro da praça, faltando apenas que lhe lançassem uma jaqueta e um par de sapatos que lhe haveriam de acertar na cabeça.
Um fanático dos touros, que se apresentou como professor – como anda esta classe deste o tempo em que éramos respeitados – apresentou um número de 3 milhões de aficionados em Portugal.
E assim se fabricam as albardas à vontade do dono.
Uma atividade com 3 milhões de aficionados só pode estar podre de rica e anda esta gente a esmolar um IVA de 6% contra os 23% que realmente é a imagem mínima que o Estado pode dar deste retrocesso civilizacional que se mantém e que a ministra da Cultura teve a inoportunidade de revelar, trazendo a público uma opinião pessoal que, deve dizer-se, deveria ter reservado para si.

Em 80% do tempo do programa mascarou-se o debate com as tradições populares e a necessidade de as preservar.
Mascarou-se e aldrabou-se o cerne da questão.
As tradições populares são duma riqueza incomensurável e representam a essência cultural de um país, sem a qual a sua identidade se dilui nos tempos e a dimensão de um povo se reduz a estereótipos sem significado nem dimensão social.

Mas a questão não é essa.
A questão era, e é, apenas a dimensão da brutalidade de alguns aspetos dessas tradições que ferem a sensibilidade de, “pelo menos…!”, 6 ou 7 milhões de portugueses, que não as querem projetadas nos ecrãs das suas televisões, nem divulgadas como tradições populares de um povo que se diz pacífico e de bons costumes, nem que os seus filhos a elas assistam.

Um sr. Presidente de Câmara (Alcochete, creio…) deu-se ao desplante de informar que o seu filho de oito anos o solicita para exercícios de toureio lá em casa, o que, no parecer do sr. Presidente, é o melhor exemplo de que aquela tradição vai criando raízes e se manterá pelos séculos que vierem.
Lamento dizer-lhe sr. Presidente que, noutro plano, o filho de um criminoso seguirá as pegadas do pai e exercitará lá em casa os desmandos do mesmo, porque é o crime que ele vê o pai frequentar todos os dias. Pelo que por aí tudo normal.
Não me admira nada sr. Presidente que um dia se for necessário matar uma galinha lá em casa o seu filho se ofereça para a tarefa, coisa que eu não sou capaz de fazer. Mas isso sou eu que sou pouco dado a alguns aspetos das nossas tradições populares, com especial relevo para as que se prestam ao gáudio pelo sofrimento animal.

 

11 Novembro 2018

A ÉTICA E A ESTÉTICA.

No programa “O Eixo do Mal” desta noite, Pedro Marques Lopes, comentador que aprecio não pela ideologia mas pela verticalidade das suas intervenções, insurgiu-se contra a fogueira em que se vem queimando o deputado José Silvano e a deputada que saiu a terreiro assumindo que foi ela que “inadvertidamente” terá marcado a presença ao deputado, que àquela hora andava por terras do Norte fazendo pela vida do seu partido.
PML pergunta se foram os 138 euricos que levaram J. Silvano a solicitar à sua colega deputada que lhe marcasse presença.
Não, não foram os 138 euricos, caro PML.

O que levou J. Silvano a solicitar a marcação de presença, e por mais do que uma vez (pelo menos são as que se conhecem), foi a imagem de ausência reiterada de deputados em sessões plenárias, sendo que há sessões em que a AR se apresenta de tal modo despida de deputados, que suscita ao comum dos cidadãos sérias dúvidas quanto à seriedade e integridade das pessoas que elegeram, quando juntam a estas ausências os múltiplos casos de “esquemas” mais ou menos manhosos para extorquir “euricos” ao erário público, que ao eleitor custa aceitar, partindo do princípio de que os representantes da nação, se não são sérios, têm pelo menos que o parecer.
E essa é a questão.

Os 138 euricos são um almoço normal e barato para o sr. deputado José Silvano.
Mas a imagem de ausência reiterada no parlamento, para o qual foram eleitos por sufrágio e pressuposto de integridade ética pelos cidadãos que se dignaram ir votar na sua eleição, essa custa a aceitar por quem labuta todos os dias pelos parcos euricos de subsistência e olham o cumprimento de um dever de honra e dignidade quase como um sacrifício dos eleitos no simples sentar nas cadeiras da chamada casa da democracia.
Os 138 euricos o deputado José Silvano até os devolve com juros se necessário for, desde que isso limpe a imagem pouco abonatória com que sai deste episódio.
Mas a imagem devassada na sua integridade política e moral essa não há juro que a limpe por maior ou menor agressividade que se arvore em conferências de imprensa determinadas quando a casa já arde, podendo tudo ter sido evitado com um simples soprar de fósforo mal este se incandesceu.

Acrescentar apenas, se necessário fosse, que uma deputada que ao fim de três anos de parlamentar faz um login na plataforma de um colega de bancada que está ausente e não sabe que isso determina a sua presença fictícia, tendo-o feito por mais do que uma vez, ou nos quer tomar por tolos ou a tolice arrasta a própria deputada, deixando evidente não possuir estatura para tão nobre cargo de representação dos eleitores que a elegeram.
Ao fim e ao cabo estamos a falar de quê? Do costume ou dos nossos costumes…?

 

20 Outubro 2018

Poema

 

RENASCER…

Irrompeste na minha vida como raio de sol rasgando a última nuvem da tempestade.

Iluminaste as colinas do meu corpo como dádiva de um céu novo.
Sem querer, querendo, retemperei todos os meus anseios e senti que renascia.

Quis limpar todo o tempo em que naufraguei até ti e quase gritei um abraço com que te quis absorver em mim…
… Mas com dois dedos calaste os meus lábios e disseste:
– Folheia-me a partir desta página e soletra comigo os capítulos que vierem; não mais que isso.

Serenei o meu desejo e inebriei-me na placidez dos teus sentimentos e doce candura dos teus olhos.

O tempo, o meu tempo, recomeçou ali e quase não respiro desde esse dia com medo de te perder.

Olho-te todos os dias com o mesmo encanto do primeiro momento e saboreio aí uma espécie de dádiva dos deuses que rejeito.

Alimento esta paixão como o recém-nascido que se aninha no colo quente do ventre materno.

Saboreio o teu beijo com a avidez de sôfrego em oásis do deserto e quase naufrago na sensualidade dos teus olhos cerrados.
E eu vejo tudo… Quero ver e guardar tudo como imagem imorredoira.

Não sei porque recomeço todos os dias uma mesma paixão de sabor sempre novo.
Sei que no templo da sabedoria dos que entendem as loucuras do coração não me entendem… Chamam-me louco.
Sempre sorrio… Louco, eu sei…! Porque afinal eles nada sabem sobre a verdadeira alquimia do amor.
Eles não entendem que possamos existir assim…
… por vezes nem eu…
Por isso te afago quando perto ou longe e me deixo povoar nos sonhos pelo teu suave abraço que me enternece e inebria.

Por vezes não sei se sonho, não sei se existo…
… mas sei que acordo em cada dia que te tenho e te sinto, quando folheio em delírio a página seguinte deste livro cujo desfecho final nunca ansiamos e desejamos que jamais aconteça.

O dia já nasceu…
… virei a página nova de hoje…
Já reli a primeira linha mil vezes…
… Vou deixar a segunda linha para mais tarde…

P. Cabrita

 

20 jun 2018

 

SINDICATOS DOS PROFESSORES OU RELACIONADOS COM A EDUCAÇÃO.
STOP, Fenprof, FNE, ASPL, SPLIU, SIPPEB, SEPLEU, Pró-ordem, Fepeci, Fenei, Sipe.
Sim, é este o ramalhete.
E eu faço perguntas simples:
– Com tanta capelinha serei obrigado a concluir que o movimento sindical dos professores é dirigido por um bando de oportunistas, provavelmente todos professores, que não querem dar aulas e preferem o remanso do horário zero subsidiados pelo erário público?
– Estes formadores percebem que são um exemplo desastroso para os alunos que era suposto formarem e edificarem nos planos da ética e elevação moral e cívica?
– A razão e luta dos professores não se dilui nesta dispersão oportunista de agentes pseudo-defensores da classe, da qual se apartam abstendo-se de exercer a sua função docente?
– O professor fez a sua formação para dar aulas e formar ou para exercer a função de sindicalista?
– A necessidade de um sindicato que defenda os interesses da classe encontra alguma justificação nestes grupinhos que frequentemente se digladiam politicamente, na maior parte das vezes veículos de promoção pessoal que sempre encontra apaniguados entre grupos de amigos ou apaniguados políticos?
– Alguém me explica porque não há greves nos hospitais ou estabelecimentos de ensino privados?
– É verdade que o sindicalismo em termos de número de associados anda pelas ruas da amargura? E isso deve-se a quê? À confiança ou desconfiança no sindicalismo brotado no 25-4, estrutura que ainda não conseguiu evoluir nestes mais de 40 anos de democracia, a não ser o refinar do contorno das leis que condicionam as greves?
– A greve, na sua essência, foi implementada para pressionar os patrões e os capitalistas, ou para esbulhar os sindicalizados do seu salário e os utentes dos serviços que paralisam apenas em benefício de uns quantos, prejudicando de forma contundente todos os que nada têm a ver ou beneficiar com as greves?
– Os sindicatos já alguma vez deram conta dos seus inúmeros desaires nos objetivos das paralisações que promovem?
– Tem que ser assim e não há outro caminho, porquê? Porque é a única forma de manejar os cordelinhos das marionetas por parte das estruturas partidárias (todas elas) que utilizam a fórmula para o exercício dos seus desígnios político-partidários?
– Por que me cansei há muito deste sindicalismo de pacotilha…?
– Quando se determinam os professores em criar a sua Ordem de Professores independente de qualquer estrutura politico-partidária que deturpa a razão e os verdadeiros interesses da classe…?

 

1 Jun 2018

Caros amigos.

No próximo sábado, 2 de junho pelas 18 horas, estarei na Feira do Livro (Stand B13 – Editora Âncora) para uma sessão de autógrafos no âmbito do livro “Revolucionário Improvável”, uma biografia de João Cristina, um algarvio que se exilou aos 19 anos (1954) para combater o Estado Novo, tendo regressado ao país depois do 25 de Abril.
Tendo em conta que a receita das vendas deste livro, por opção do autor e do biografado, se destinam a instituições de solidariedade, fica o convite para um encontro e um contributo para uma boa causa, bem como a oportunidade de alguns amigos em adquirirem este trabalho, conforme desejo que alguns me têm feito chegar.
Lá vos espero.

Foto de Pedro Cabrita.

 

26 Maio 2018

EUTANÁSIA I

Não sei calcular a dose de hipocrisia que vai correndo por estes dias na abordagem deste tema.
Já foram ouvidas, ou vão ainda ser, toda uma miríade de pessoas e instituições a saber; organizações religiosas (praticamente de todos os credos e confissões), pessoas (importantes), organizações laicas, partidos políticos, deputados, instituições de solidariedade e outras pouco solidárias, médicos, enfermeiros e ainda um infindável etcétera de figuras que normalmente se sentem no direito de debitar opinião, quando os temas são transcendentes.
Portanto tudo gente de boa saúde ou padecendo de um ou outro achaque sem grandes motivos de preocupação quanto à aproximação do seu fim terreno.

E eu pergunto:

– E para quando ouvir os verdadeiros e imediatos interessados; os que se encontram nesta altura em verdadeiro sofrimento e sem qualquer esperança de vida? Os que podem precisar de um alívio imediato ou a breve prazo? Os que não podem usar e beneficiar da expressão “a minha vida” porque afinal a vida não é dele, ou afinal nunca foi, mas sim propriedade de todos os outros?

Afinal, porque nasço sem o pedir e até para morrer a minha vontade não conta e me obrigam a continuar a viver quando em perfeita consciência eu não quero?
Pior um pouco; porque razão a “minha vida” tem que ficar dependente de interesses inevitavelmente obscuros e eleitoralistas de políticos que ao fim e ao cabo infernizaram a minha vida, e aqui naturalmente sem aspas?
Se nem da minha vida ou vontade sou dono, sou dono de quê afinal?
Mas ainda e por fim; na perspetiva de muitos, se Deus me deu a bênção e graça da vida, na sua infinita misericórdia vai condenar-me ao sofrimento quando a vida me deixou de fazer sentido? Neste contexto a dádiva da vida traz como condição uma não concessão de morte?

 

28 Maio 2018

EUTANÁSIA II

A fina hipocrisia política da A. R.

Alguns partidos ainda se deram ao trabalho de mascarar os seus interesses partidários e eleitoralistas dando uma espécie de liberdade de voto aos seus deputados numa matéria de consciência individual. Estes recusaram essa liberdade preferindo o carneirismo politico/partidário e seguiram a “voz do dono”.
Outros, desprezando essa mesma liberdade ab inicio, fizeram falar mais alto o “dono da voz”.
Se o ridículo e a hipocrisia matassem teríamos tido hoje um colapso cardíaco generalizado na A. R.
Salvo raras e honrosas exceções a enorme maioria dos deputados de cada bancada votou de acordo com a “consciência hipócrita ” de cada direção partidária.
Da próxima façam-me o favor de explicar com alguma antecedência o que entendem por liberdade e consciência individual só para eu me orientar quando for chamado a votar em deputados com um estranho conceito de liberdade e consciência individual.

 

17Maio 2018

Terror em Alcochete.

O ato de terrorismo ontem perpetrado em Alcochete agita as opiniões mais descabeladas e outras de grande oportunidade política como convém em determinados momentos e circunstâncias. Como de costume.
Ontem à noite Paulo Andrade, ex-dirigente do SCP e nesta altura membro do painel do programa “O Dia Seguinte” da SIC-Notícias, afirmava que isto era uma vergonha para o governo e para o Estado. “Este governo é uma vergonha!”, disse.

É possível.
É provável que o governo e o Estado tenham alguma dificuldade em penetrar num mundo que se arroga autónomo e quase impenetrável, onde os números se contam sempre por milhões e dessa forma se procuram resguardar como uma espécie de “cosa nostra” onde nem o Estado entra porque têm leis próprias, órgãos próprios e regimes jurídicos específicos.
É provável que, não obstante, o Estado e o governo tenham sempre o poder de entrar em circunstâncias, como parece ser o caso, onde a suspeita dos crimes possam cair na alçada dos tribunais comuns. É o que está a fazer nesta altura.

Mas caro Paulo Andrade.
Afinal quem é que praticamente todos os dias acirra nas TV’s as turbas de associados dos chamados três grandes, insinuando a desonestidade dos árbitros e dos dirigentes como se de meliantes e criminosos à solta se tratassem?

Afinal quem apazigua ou educa os ânimos da turba quando consomem mais de meia hora a discutir os centímetros de um fora de jogo mal assinalado, ou um penalti salvador que possa mascarar o mau desempenho da nossa equipa, quando mais de metade dos comentadores desportivos nem sabe do que está a falar?

Quem utiliza a miríade de programas dito desportivos para se promover social e financeiramente à custa das chamadas aos milhares de valor sedutor de 0.60€ + IVA que os papalvos não regateiam em nome da defesa e honra das suas cores, levando como “cartilha” a imperiosa missão de atacar as equipas adversárias a qualquer preço desde que se ganhe ou destrua o “inimigo”?

Quando é que percebem, senhores paineleiros, que há uma responsabilidade pedagógica que vos colocam nas mãos paga a peso de ouro e que os senhores desbaratam em nome da vossa própria clubite doentia que, consciente ou inconscientemente, fomenta o aparecimento de casos como o de ontem em Alcochete?

Quando entendem senhores pseudodesportistas dos painéis de comentadores “desportivos” que pactuam com os interesses financeiros das empresas de televisão que a única coisa que almejam é o lucro, fomentando a guerrilha no desporto para depois voltarem a lucrar com as guerras abertas no terreno da mesma forma que o farão numa qualquer guerra do Golfo, como está a acontecer hoje com o caso de Alcochete?

Por fim meu caro Paulo Andrade. Quando assumem as vossas responsabilidades pelo incremento de violência nos estádios, quando colocam em causa a hombridade e decência de todos os protagonistas do nosso futebol e depois vêm lamentar que o Estado ou o governo não põe mão na turba assanhada por vós ou não previne eventuais fatalidades que os senhores incendeiam todos os dias?

 

14 Maio 2018

Jorge Jesus. Um rei de pés de barro…?!

E ao 3º ano, Jesus não ressuscitou…

Diz o Jorge que os desaires desta ponta final se “ficarem” a dever ao número de jogos que a equipa fez.
Portanto, nada a ver com o planeamento da época e gestão de esforço dos atletas, tendo também em consideração algumas aquisições de jogadores já fora de prazo.

Isto suscita-nos umas quantas dúvidas:

1- O planeamento foi feito só para as competições nacionais, o que faz pensar que o J.J. não contava ir tão longe nas competições da Europa?
2- Pela amostra dos últimos jogos, em que a equipa anda de rastos (palavras de J.J.), imaginemos que o Sporting tinha sido apurado na 1ª fase, ou tinha eliminado o A. de Madrid e continuava na prova. Nessa perspetiva teríamos o Bruno de Carvalho a ter que jogar a médio, o Marta Soares na ala de mangueira na mão e o Dr. Barroso no banco de suplentes…?
3- O “trenador” mais bem pago de Portugal e de muita Europa já se deu ao trabalho de questionar a equipa técnica (área da aquisição e gestão da condição física) a fim de perceber porque razão os jogadores andam nestes últimos jogos a pedirem para serem substituídos por que estão de rastos?
4- A aquisição de Wendel com a supervisão de J. J., na condição de craque vindo do país do feijão preto e boa carne, jogou 1 hora e 45 minutos nesta época, tendo ficado na Academia de Alcochete a “encher” (aquisição de massa muscular)? Então o Bruno Fernandes e o Coentrão não precisavam também de “encher”?
5- Rúben Ribeiro; adquirido à meia-noite para jogar às 8:30 do dia seguinte, se fosse necessário, tornando-se num indubitável valor na garantia do técnico, “desaparecido em combate” sem qualquer justificação, a não ser ter demonstrado não ter nível suficiente para um lugar no Sporting? Também a “encher” em Alcochete, ou deu-se mal com os ares da capital?
6- Uma equipa base praticamente ao longo da época e que se apresenta no último e decisivo jogo de rastos, verificando-se que ao longo da época a gestão desta equipa base foi feita apenas por lesão dos chamados “titulares indiscutíveis”, podia apresentar-se em condições físicas aceitáveis? J. J. entende ou aceita que o acondicionamento e gestão da condição física dos jogadores é fundamental ao longo de toda uma época como o provou ao mundo J. Mourinho? J.J. não acreditou no banco que ele próprio sancionou nas aquisições efetuadas?

Há uma peneira que tapa quase todos os males que o sol faz quando em excesso.
Chama-se Bruno de Carvalho, uma espécie de coveiro que tomou conta do cemitério e que, na condição de coveiro, se limita a enterrar mortos, só que neste caso ele próprio se encarrega de assinar também a certidão de óbito.

Contudo, J. Jesus por mais que procure sacudir a água do capote sentando-se ao lado dos jogadores procurando deixar de fora a peneira que o há de salvar de uma queimadura solar grave, não tem qualquer forma de alijar as suas responsabilidades, salvo se, exigindo ser pago a peso de ouro porque era o “melhor trenador de Portugal e mais além”, foi um bluff conforme vêm sugerindo as e-toupeiras recentemente emergidas, que vêm agora lançar alguma luz sobre o famigerado “colinho” com que os seus apaniguados de Alvalade se queixavam no antanho.

Os tempos são de definição e clarificação de responsabilidades.
Os pontos de fuga são diminutos e a turba, ainda que acéfala, é quem mais ordena.
Hábil em fintas e passos a rasgar, aguardam-se os próximos decretos do Rei da Tática.

Três anos sem qualquer ressuscitação é muito tempo.
É certo que o exemplo é apenas nominativo. Mas a J. C. bastaram-lhe 3 dias… E nunca treinou o Benfica…

 

10 setembro 2017

Livro “Revolucionário Improvável”

História de um revolucionário anti fascista algarvio, nascido nos arredores de Tunes, que aos 19 anos saiu do país exilando-se em Paris, depois Londres e Bruxelas, a fim de integrar o grupo de revolucionários que, a partir do exterior, combatiam o regime Salazarista. Esteve fora do país cerca de 50 anos, dos quais dedicou 20 à luta armada.

…/…

Clique aqui para entrar na página

https://pedrocabrita.wordpress.com/livros-publicados/livro-revolucionario-improvavel/

31 maio 2017

Intervenção no âmbito da problemática dos Capitães Milicianos na Guerra Colonial formados a partir dos COM em Mafra, durante a presentação do livro “Capitães do fim… do quarto império” de António Inácio Nogueira.

Forum Tivoli 31-5-2017

Durante muito tempo convivi muito mal com aquilo que me aconteceu por volta do dia 8 de junho de 1970. Sempre considerei que tinha sido vítima de uma enorme violência, se não mesmo de um crime, ficando a aguardar até hoje que a História fizesse justiça.

Com um simples apontar de dedo fui indigitado para o eventual desempenho da função de comandante de uma companhia de caçadores em teatro de guerra.

Digo escolhido e apontado a dedo porque assim o foi literalmente. Integrei o 1º Curso de Comandantes de Companhia a partir dos COM em Mafra.

Naquela bela tarde por volta das 14:00 horas sob um sol abrasador e sufocante, como sempre ocorria naquela parada da EPI, o aspirante do Q.P. que comandava o pelotão, chegou para a instrução da tarde.

Sem rodeios disparou seco mas titubeante:

“Parece que vai haver aí um curso de Comandantes de Companhia e eu vou ter que escolher 10 instruendos para irem prestar provas de aptidão”.

De realçar o “… parece que vai haver…”. A decisão era tão fresca e desaustinada que nem o aspirante acreditava muito na sua real concretização. Muito menos nós, os dez escolhidos a dedo, que de imediato fomos conduzidos a uma sala de aula onde nos sentámos temerosos como no dia do primeiro exame da 4ª classe.

A situação era inédita e retumbante aos sentidos de todos nós.

Clique aqui para ler o artigo na íntegra:

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15JAN17

Carta aberta à Srª Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Albufeira, D. Marlene Silva.

Vai ser lançado em breve a biografia de João Martins (Cristina), um revolucionário que viveu exilado em Paris, Londres e Bruxelas, donde lutou contra o regime de Salazar nos anos 50 e 60.

Entre outras ações, participou no célebre desvio do avião da TAP com Palma Inácio, Mortágua e outros.

Para a edição do livro foi inicialmente solicitada uma participação financeira por parte de determinada editora, pelo que se solicitou uma participação das edilidades de Silves, Lagoa e Albufeira, participação esta posteriormente revertida em valor superior, a qual apenas se exigia fosse atribuída a instituições de solidariedade social.

As duas primeiras acederam, a CMA recusou terminantemente invocando motivos de difícil entendimento e compreensão, recusando nós quaisquer juízos de valor.

Da resposta enviada à Sª Vereadora se publica a presente carta aberta.

Ex. ma Srª Vereadora da Cultura da C.M. de Albufeira
Ainda estou um tanto estupefacto com o presente email que acabo de receber de V/ Ex. cias.
Das duas uma:
– Ou ainda não entenderam a proposta honesta que vos fazemos;
– Ou então…, nem nos parece assertivo adjetivar esta segunda hipótese, deixando ao V/critério a liberdade para se auto intitularem quanto ao conteúdo do email que tiveram por bem remeter-me.
Talvez expondo as coisas com maior linearidade entendam (e de uma vez por todas) que há duas pessoas de bem, (coisa que também vai sendo raro encontrar, o que no V/ entendimento será ainda, e aparentemente, uma singularidade bem mais acentuada) que se dispuseram a criar um trabalho literário (ou seja, relativo à cultura, coisa que contávamos dizer-vos alguma coisa), solicitando um apoio financeiro (com retorno integral e, veja-se bem, com lucro), que V. Ex. cias recusam linearmente com uma inominável justificação de “… não poderá a CMA atribuir apoios financeiros a particulares ou a entidades cuja figura jurídica tenha intuito lucrativo e comercial.
Resumindo e simplificando o essencial daquilo que Vos enviámos:
1- Os autores dedicaram-se esforçadamente a um trabalho literário e humanista, do qual não usufruirão 1 único cêntimo  em seu proveito resultante das vendas (todas as vendas) que vierem a ocorrer nas apresentações e retornos posteriores do livro, revertendo integralmente para as autarquias participantes todos os valores obtidos. Repetindo, porque se nos afigura estranho que tal não tenha sido entendido nem à primeira, nem à segunda; os autores (João “Cristina” e Pedro Cabrita) entregam na íntegra todos os valores a obter nas vendas dos livros, cobrindo, com lucro para as entidades cooperantes, todas as verbas empenhadas. Torna-se assim muito estranha a invocação de “entidades cuja figura jurídica tenha intuito lucrativo e comercial...”. Salvo se a Srª Vereadora da Cultura da CMA se refere à própria Câmara como a entidade cuja figura jurídica está impedida de usufruir de lucro ou participante em atividade comercial…
2- A CMA não tem qualquer obrigação de participar na concretização de trabalhos de índole literária, nem mesmo quando eles se dedicam a figuras emblemáticas da oposição revolucionária e clandestina ao Estado Novo, ou seja, figuras que, com desprezo pela própria vida, se empenharam por todos nós, aqueles que sofreram na pele a opressão política e social de Oliveira Salazar. É uma opção. Também não cabe ao pelouro da Cultura, aqui representado na pessoa da Srª. Vereadora, o dever representativo da sua função social e política de apoiar uma obra literária com a qual possa eventualmente estar, política ou sociologicamente, em confronto, mesmo que a personagem central dessa obra seja um cidadão algarvio e muito próximo da cidade de Albufeira, onde parte da saga do livro decorre.
Mas a CMA, na pessoa da Srª Vereadora, não pode escudar-se em argumentos falaciosos e desconexos com a realidade para se escusar a uma participação num trabalho de índole literária que tem um envolvimento político histórico, onde milita uma personagem que muito diz e honra os algarvios em primeiro lugar e os portugueses logo a seguir.
A Srª Vereadora tem responsabilidades e obrigações políticas, sociais e culturais para com os seus munícipes, sejam quais forem as orientações ou tendências dos mesmos. Representa todo um município e não apenas aqueles que a elegeram.
Por outro lado, afigura-se deslocado e quase pejorativo a disponibilidade que o pelouro da cultura da CMA manifestou na aquisição de dois ou três exemplares do livro “História breve de um revolucionário improvável“, logo que seja editado.
De modo algum o aceitaremos.
No exercício de uma obrigação que me cabe enquanto professor na divulgação da cultura, compromisso que receio bem claudicar em grande medida na CMA na figura da Srª Vereadora do pelouro, farei chegar à Biblioteca Lídia Jorge os três exemplares que a vereação se dispunha a adquirir (diria, sem ofensa, algo que se nos afigurou com um certo sabor a esmola), mas que fazemos questão de o tornar numa oferta graciosa da nossa parte (que nos perdoe este quase pleonasmo), porque o livro, mesmo sem o apoio do CMA será em breve uma realidade no panorama literário e político deste nosso país, tão mal tratado que vai nesses dois planos por quem tem obrigações de sobra para o fazer. Naturalmente que os três exemplares levarão inscritas dedicatórias apropriadas que espero não deslustrarem a Biblioteca Lídia Jorge.
Dizer-lhe por fim o seguinte:
– João “Cristina” não tem qualquer filiação ou inclinação partidária. Foi apenas um opositor ao regime que foi deposto em 25 de Abril de 74, continuando hoje honrado pelo que fez sem qualquer retorno político ou outro.
– Das três Câmaras já contatadas já há respostas afirmativas, o que coloca em mau destaque a “minha” CMA.
– Sou natural de Guia-Albufeira e, enquanto munícipe de nascimento, é meu desejo manifestar-lhe a minha consternação pela forma pouco curial como a “minha autarquia” aborda as questões da cultura, sendo que esta é já a segunda vez em que sou maltratado pela vereação da Cultura da CMA, o que reservo para uma infeliz coincidência e não, espero bem, por qualquer resquício de persona non grata, que não me faz qualquer sentido.
– Tomaremos a iniciativa de transmitir ao Sr. Presidente da CMA todo este processo, embora se nos afigure que a Vereação já o deva ter feito.
– Dizer-lhe que nos sentimos na obrigação de dar público conhecimento deste enfadado acontecimento, o que faremos pelas vias que tivermos por ajustadas.
Gratos pelo tempo que nos dispensaram, fica a CMA e a sua vereação da cultura desde já desobrigadas de qualquer outra justificação ou préstimo, pressentindo nós como ajustadas as que nos foram apresentadas.
Cordialmente
Pedro Cabrita e
Pel´o João “Cristina”

 

 

 

21SET2016

Açores – S. Miguel 

Por Maria Herculana

Macaronésia – o nome é originário do grego para “ilhas abençoadas” ou “ilhas afortunadas”, utilizado pelos antigos geógrafos para as ilhas a oeste do estreito de Gibraltar (Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde).

Estive na ilha das “vacas felizes” e, embora não me tenha sido dado o privilégio de contemplar e de me embevecer com os seus sorrisos, não tenho dúvida de que elas só podem ser felizes.

Naquele verde único permanecem vinte e quatro sobre vinte e quatro horas e são rainhas absolutas onde os seus “servos” nem casa podem construir, porque em zona de pastagens é interdita a construção.

E então, a perder de vista, contemplamos o minifúndio, o microfúndio delimitado pelas hortênsias, soberbas em dimensão e em cor, sem que nada mais interrompa os vários cambiantes do luxuriante verde.

Clique para continuar a ler:

https://pedrocabrita.wordpress.com/a-voz-dos-outros/acores-ilha-de-s-miguel/

 

INTERVENÇÕES NO FACEBOOK

4JUL2016

Portanto, nas doutas inteligências dessa desunião que dá pelo nome de União Europeia, o défice de 2015 ultrapassou os limites instituídos depois de cumpridas com rigor e zelo as determinações aconselhadas pela Desunião.
O défice de 2016, também cumprindo as mesmas regras fixadas pelo tratado, ficará bem abaixo dos limites instituídos. Haja deus que eles conseguiram concluir isso sem ajuda de ninguém.
Conclusão: quem cumpre bem as regras cumpre a sua obrigação, mas tem como prémio corrigir quem não foi capaz de cumprir no passado.
Brilhante. Isto tem um nome: pulhice política.
Em linguagem mais popular e rasteirinha:
– Nós politicamente não gostamos de vocês pelo que a nossa obrigação é fazer-vos a vida negra até que se ajoelhem.
Eu também achei que a ideia do BE em referendar a nossa continuidade na UE agora era um bocado descabida.
Mas com estes pequenos mimos a ideia voltou-me à cabeça com outras nuances; se me querem obrigar a ir por caminhos que conheço e não quero, prefiro sair já na próxima estação.
E chamem-lhe o que quiserem; mas de joelhos não!

 

23jun2016

Ontem a CMTV passou uma reportagem feita com pai de Cristiano Ronaldo, que já faleceu, onde o senhor estava visivelmente embriagado, falando e lamentando os problemas que causou à família.
Uma sarjeta será sempre uma sarjeta.
Um jornalismo sujo e vingativo só tem lugar nesse escoadouro.
Se o problema é o custo do microfone abre-se já uma subscrição pública.
Se a questão é mais uma forte dor do repúdio que se levantou contra a CMTV… é a vida.
A dignidade tem um preço.

Foto de Pedro Cabrita.

23jun2016

Sim, mas não chega para o CM e CMTV.
Para entender é necessário saber ler e soletrar uma história com pouco mais de uma década. A maior de sempre no nosso mundo do futebol.
Mais importante é a intimidade e chafurdar na insídia especulativa.
É um modo de vida; e vende neste país.

 

22jun2016

Chama-se … de antologia.
O golo marcado à Hungria se não for considerado o melhor golo do Europeu, proponho um referendo para um Portexit… Aquilo não foi um pontapé de fora da área sem oposição que entra na “toca do mocho” , podendo passar um metro acima ou ao lado. É arte pura; uma “aldrabice” envenenada que ludibriava os restantes 9 jogadores se por ali estivessem. Melhor que isto só aquele microfone voador que repousa com solenidade bem lá no fundo do lodo do lago.

14jun2016

A nossa Selecção tem sempre um antes e um depois.

No início de uma grande prova temos o melhor jogador do mundo, os jogadores mais tecnicistas do planeta, os botas de ouro do passado, os sapatos de prata (da Cinderela), sem dúvida a melhor equipa da prova e um caminho sempre a direito até ao cimo da montanha.

Durante; sofremos e fazemos sofrer desalmadamente o país inteiro, os jornalistas que alimentaram o ego nacional desfazem-se em críticas, batem em toda a gente (eles que foram os principais responsáveis por nos fazerem acreditar…) e no fim é sempre o mesmo:
A equipa acagaçou-se, nunca teve alma, nunca teve querer nem fibra, acoita-se atrás do melhor do mundo e dos emblemas de lapela dos maiores em qualquer parte do Universo, compram-se mil desculpas e… no próximo é que vai ser.

Habituámo-nos a sofrer e a ir a Fátima a pé e de trotinete durante as qualificações, levando um terço numa mão e a calculadora na outra. E essas procissões de fé têm resultado; acabamos por ir ao convívio dos maiores e de lá voltamos sempre de rabo entre as pernas e pequeninos que nem caganitas de coelho.

E vimos nisto há anos a fio.
Inclusivamente montámos um Euro porque era a única forma de o ganhar (os árbitros dão sempre uma ajudinha às equipas organizadoras, eu ouvi isso a um alto dirigente; claro, porque as receitas não convém que falhem…) e nem assim conseguimos enganar os Gregos.

Mas para este ano tivemos mais um peso às costas.
Já não nos chegava sermos os maiores, ter o melhor jogador do mundo, um treinador de outra galáxia e experimentado, uma plêiade de jogadores a jogar nas melhores equipas do mundo, uma equipa de dirigentes que é o máximo (um deles condenado a um ano e meio de prisão com pena suspensa por quatro anos; talvez a única selecção com um dirigente desta categoria… salvo o Brasil, não sei…), só nos faltava o Fernando Santos chegar-se ao pé da malta e dizer:

– Este ano vamos jogar para sermos Campeões da Europa…!!!
Era a cerejinha que faltava para esfrangalhar a insípida classe da nossa Selecção sempre que tem que provar todos os argumentos com que nos acena antes das viagens para os Europeus ou Mundiais.
Ao Fernando Santos agora só lhe resta dizer:

– Hei pessoal…! Eu estava a brincar…! Vamos lá voltar aos caminhos de Fátima e ás veredas da máquina de calcular….!

 Foto de Pedro Cabrita.
7jun2016

É preciso não ter mesmo ponta de vergonha na cara.
Só falta dizer:
EU ROUBEI, MAS METADE DOS CARAS DO CONGRESSO TAMBÉM ROUBARAM! LOGO, OU NÃO VAI NINGUÉM PRESO, OU VAMOS TODOS…
É neste país que vão ter lugar os próximos Jogos Olímpicos:
CITIUS, ALTIUS E FORTIUS…!
Que ironia…!!!

6jun2016

Francisco Assis.
Um político ciclicamente a carecer de provas de vida.

O maior problema deste homem é a definição e conceito próprio de democracia.
Ou estão comigo, ou estão contra mim.
Ou pensam o que eu penso, ou estão todos errados.

Assis tem-se movimentado com enorme afã na imprensa sempre que sente que há palco mediático de oportunidade e pode colocar-se em bicos de pés, proclamando-se contra a esmagadora maioria dos seus camaradas de partido.
Pode chamar-se coragem. Há também quem lhe chame tique de poder doentio, alicerçado numa retórica vazia de conteúdo programático, que não vai além de um certo rancor ideológico, também pouco consentâneo com a democracia parlamentar e eleitoral que qualquer político deve saber interpretar.
Mas também, e ainda, o saber interpretar o país e a necessidade de compreender que é possível promover mudanças importantes na sociedade, não estabelecendo como regra única apenas uma alternativa unívoca.
Mas quando se perde nas disputas eleitorais partidárias e por números que não oferecem dúvidas afigura-se que a atitude mais sensata (louve-se A. J. Seguro neste aspeto) é o recato e distanciamento do poder partidário que venceu por números eloquentes.

Quando se tem uma casa onde contestar a razão ou a verdade dos outros, esgrimindo a nossa, mas optamos por andar de rua em rua a dizer sempre a mesma coisa, algo que toda a gente já sabe, diria de ginjeira, soa a ressabiado, necessidade de palco, ou preparação para algo mais indecoroso que não passará certamente pelo desafio limpo dumas primárias num tempo longínquo que seja. Falta-lhe coragem e estatura, bastando para o efeito uma certa figura de desalinhado compulsivo, apenas por perceber que passado todo esta tempo lhe foge a oportunidade ambicionada de um poder a que se julga com direito.

Assis tarda a entender que a sua “coragem” não é entendida pela esmagadora maioria dos socialistas e que a sua ação, aparentemente consciente, em nada contribui para o trabalho do seu Secretário Geral e do Governo que lidera, tornando-se assim, também de forma consciente, num aliado da oposição que muito vem agradecendo a F. Assis esse apoio inusitado.
Parece claro e definitivo que Assis já entendeu que perdeu o partido e o seu futuro político, pelo que algum desespero que se vem notando não passará disso mesmo; desespero.

Nota em à parte:
Ficar-lhe-ia bem, em nome da transparência e clareza de princípios, demitir-se do lugar que ocupa na União Europeia. Bem sabemos que 18.000€ mensais dão algum jeito para os botões.
Mas a um homem que se afirma tão firme nas questões de carácter não ficaria mal uma tal atitude.

Foto de Pedro Cabrita.

2jun2016

Estou-me lixando para os anos de prisão pedidos pelo Ministério Publico. O que me interessa é se o Ministério Público defende os interesses dos cidadãos. Em resumo: o Ministério Publico já tem em lugar seguro os bens que o gangue do BPN roubou? É assim que tenho visto fazer com os gangues da droga, dos assaltantes de multibanco, dos arrombadores de vivendas, de contrabandistas. A judiciária, a GNR expoem os bens roubados: armas, viaturas de alta cilindrada, massos de notas. O resto é treta. Onde está o fruto do roubo deste gangue?

CMG

1jun2016

TENHO UMA IDEIA.

Já que colocam fotos de gente morta nos maços de cigarros, por que não colocar também fotos:

– de gente obesa em pacotes de batata frita,
– de animais torturados nos cosméticos,
– de acidentes de trânsito nas garrafas e latas de bebidas alcoólicas,
– de gente sem tecto nas contas de água e luz, e já agora…
– de políticos corruptos nas guias de pagamento de impostos ?

Não era uma boa ideia a do macaco…?

Foto de Pedro Cabrita.

22maio2016

Parece claro.
E talvez devamos procurar uma explicação para todo este ruído, mas noutro sítio, não aqui.

… e claro que a treta dos Panamá Papers foi uma jogada de chico-espertismo para vender jornais e minutos de TV bem pagos pela publicidade arregimentada. Custa-me ver um Pedro Santos Guerreiro a alinhar nesta farsa.
E a malta engole. De hábito em hábito já nem nos damos ao trabalho de discutir ou referir sequer o assunto.

TVI/Notícia sobre o Banif.
Faltam unhas ao “miúdo” Sérgio Ribeiro sequer para usar o anonimato das fontes e justificar aquela patacoada duma notícia explosiva semi desmentida minutos depois. Como se a ingenuidade fosse uma brincadeira na TVI.
Em 17 minutos desmente-se uma bomba para os contribuintes, mas o incomensurável direito à informação não suportou 17 minutos para confirmar a notícia antes de a colocar no ar.
Não nos façam de mais parvos do que vimos habitualmente a deixar-nos ser. Bem que o Sérgio Ribeiro não deixou de nos lembrar que não é um novato nestas coisas de economia. Claro que não; e por isso mesmo.
Aguardo com curiosidade a auditoria ao escalavrado jornalista A. Costa. Um rapaz com cartilha e duvidoso porte.
O assunto provavelmente morrerá. Mas vamos lá ter uma breve esperança na atuação da justiça, coisa a que nestes contextos estamos bem desabituados.

Sérgio Figueiredo, diretor de informação da TVI. Fotografia: Sara Matos / Global Imagens

https://www.dinheirovivo.pt/banca/banif-o-rodape-de-17-minutos-que-levou-a-fuga-de-depositos/sthash.jtwgO5SH.gbpl

8Maio2016

Os contratos de Associação explicados em 3 minutos…

https://www.leituras.eu/contractos-de-associacao-explicado…/

Foto de Pedro Cabrita.

29abril2016

Afinal é possível !
É possível a convivência entre o capital e o humanismo.

Retrato de um patrão que mandou passear a Nestlé e a Pepsi, preferindo sacrificar a rentabilidade a despedir trabalhadores: Eis Rui Nabeiro, o herói do Alentejo.

5Out2015

Quanto custa um amigo do peito.

António José Seguro saiu do Partido Socialista, mas deixou uma mina armadilhada no Largo do Rato. Chama-se Álvaro Beleza, um amigo do peito que, como sempre acontece com os amigos de verdade, nunca abandona quem o traz ao peito.

Uma mina armadilhada, se não for com relógio, detonará por contato, ou ao menor rumor. E foi o que aconteceu; só que neste caso foi por relógio, contato e rumor. Tudo no mesmo momento.

Álvaro Beleza foi ontem talvez a única voz de insurgência contra a não-vitória de António Costa nas eleições legislativas. Uma mina colocada com um determinado fim tem esse mesmo objetivo; detonar quando é preciso. Se tivesse sido necessário, ou ocorresse oportunidade de discursar, tenho a certeza de que Álvaro Beleza retiraria um discurso da algibeira com múltiplas páginas prontinho a ser debitado em defesa de uma certa honra de um amigo do peito perdida algures num campo de batalha.

Clique aqui para aceder:

https://pedrocabrita.wordpress.com/artigos-publicados/sociedade-e-politica/artigos-publicados/quanto-custa-um-amigo-do-peito/

 

31jul2015

Encerrado o episódio de saneamento político de A. Santos Silva na TVI 24.

Fica um breve resumo para não dar muito trabalho a procurar o enredo. Um avivar de memória, esta nossa pobre memória que tão massacrada anda, “…um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio… sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas…”, no dizer de Guerra Junqueiro, 1896.

O programa “Os porquês da política” de Augusto Santos Silva (aparentemente um perigoso e incómodo socialista) em mais de um mês mudou, repentinamente, de horário e dia várias vezes consecutivas, por causa do futebol umas vezes, outras sem razão aparente, nem desculpa proclamada. Critérios editoriais, disseram… Entendemos.

Clique aqui para continuar a ler:

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27jul2015

DENUNCIAR É PRECISO

Tenho promovido a denúncia do conluio imprensa-governação que ocorre no nosso país nesta altura, mas fica-me a ideia de que não nos vamos apercebendo da dimensão desta autêntica vergonha, perpetrada de forma silenciosa e discreta.

A proclamada liberdade de imprensa esconde jogos e deturpações de conceito, esquecendo ou vilipendiando a bel-prazer uma outra face de uma imprensa livre, onde foi abolido o lápis azul.
Refiro-me à isenção.

Ora a isenção implica a liberdade de proclamação de um tendência, mas tem que conferir a não eliminação do chamado contraditório. A isto chama-se imprensa limpa.
Nem nos damos ao trabalho de referir o panorama tablóide em roda livre neste país.

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27JUN2015

Jesus – Da Bíblia para o Sporting.

A ascensão de J. Jesus foi um longo processo conseguido através de resultados interessantes em equipas de segundo plano, mas com maior relevo naquelas que podem almejar um brilhante 4º ou 5º lugar que dê acesso às competições europeias e aos almejados milhões que permitem respirar e esconder aqui e ali a pobreza contratual e de sobrevivência em que navega o futebol português. Equipas onde, aparentemente, só a Playstation permite ombrear com os chamados grandes, na versão correta de J. Jesus, os mais beneficiados pelo sistema, leia-se, arbitragem.

Como viria a ter plena razão quando, saltando da Playstation, saboreou sem amargos de boca os prazeres do “in dubio pró grande”, tendo aí os rótulos que proclamava começado a sofrer pequenas alterações; “Limpinho, limpinho…” passou a constituir-se numa das novas versões de J. J. quando a Playstation deixou de fazer sentido e foi arrumada na prateleira.

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18MAI2015

“Vá pelas escadas…

… e arrisque-se a morrer…!”

Hoje no Jornal da SIC às 13h a mensagem era; “Vá pelas escadas…” e esqueça os elevadores.

A mensagem era suportada pela DGS (Direção Geral de Saúde, não a outra já extinta, mas que quase se adaptava…), o que já de si é muito grave, e era engalanada por um jovem (demasiado jovem) que explicava com aquela veemência que só os jovens conseguem exteriorizar, quando se deparam com algo que à primeira vista faz algum sentido, passando assim a uma verdade inquestionável; uma descoberta fantástica que vai revolucionar o mundo e ninguém ainda tinha dado por isso.

O jovem, de seu apelido Arriaga, brandia que subir escadas é fantástico porque resolve problemas cardíacos e de obesidade.

Esqueça o elevador; vá pelas escadas e em 3 minutos de manhã e outros 3 à tarde tem os seus problemas resolvidos; a ideia subjacente era taxativa e inequivocamente esta.

…/…

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27MAR2015

Henrique Neto igual a Henrique Neto.

Um Lusitano dos antigos.

Não haverá um único português que não proclame a sua disponibilidade para mudar o rumo do país, pôr termo à corrupção e, essencialmente, colocar todos os políticos na ordem; naturalmente na sua ordem.

Sim, porque a experiência diz-nos que aquele ideal de isenção, apartidarismo e distanciamento dos políticos que nos vêm sugando (legal e também literalmente) percorre cada português como vermelho é o sangue que lhe corre nas veias.

A iniciativa de Henrique Neto insere-se pois nesta espécie de divisa que nos anima a todos, mas confere algumas particularidades que importa invocar se quisermos entender melhor o que leva um cidadão nos seus 78 anos de vida empresarial intensa, mesclados de arrufos políticos mal digeridos e ao mesmo tempo mal explicados, a empreender uma candidatura à Presidência da República.

…/…

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6JAN2015

Processo preso nº44

Não nos adiantemos à Justiça, se a houver e a funcionar…

Mas esperamos que a Justiça não antecipe qualquer forma de pena antes do julgamento.

Uma prisão (preventiva(?)) para apuramento da eventual responsabilidade por crimes cometidos pode traduzir a confissão de que não há dados concretos apurados, ou suficientes, para acusar. Apenas indícios ou suposições. No fundo, precisam de tempo.

Se não há dados concretos, a determinação de prisão pode perfeitamente constituir-se num acto lesivo dos interesses e do bom nome de quem é detido, não havendo posteriormente meio de ressarcimento capaz ou suficiente que reponha a honra.

Que não se confunda a igualdade de todos os cidadãos perante a lei com o estatuto político de um ex-1º ministro. A boa ou má imagem política não se resume à mesma imagem do cidadão comum. A igualdade apenas deve ser conferida na aplicação de penas e exigência do cumprimento das leis, onde o estatuto se deve igualar entre o cidadão comum e o político, atrevendo-me a admitir até que o rigor possa ser mais exigente para com este.

O preso nº 44 do Estabelecimento Prisional de Évora não é um preso comum. É um ex-1º ministro com peso político cujo contorno de prisão preventiva pode condicionar o quadro eleitoral que se aproxima, não sendo posteriormente possível remediar uma situação que caduca no tempo, mesmo que a justiça venha mais tarde a fazer-se, venha ela a ter o desfecho que tiver.

O prejuízo pode ser do país e a justiça pode ser responsabilizada por deixar arder a floresta preocupando-se mais com uma única árvore, por muito apetecível que esta possa ser.

Nota:

Há uma questão que incomoda.

Porque razão os que concordam com a prisão preventiva estão na direita ou com o governo e os que a acham abusiva e incorrecta estão na esquerda ou no PS?

Nada a ver com política esta detenção…!

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26 de NOV2014

Finalmente prenderam o “gajo”.

Para descanso de mães e alguns bons chefes de família que veem assim o futuro de filhos e netos naturalmente preservado.

Prenderam o “gajo”, finalmente.

Descansa a inesgotável justiceira Felícia Cabrita, qual versão feminina do nosso super-juiz Baltazar Garzon Real, ainda a contas com aquela constipação que, renitente, tarda em deixá-la, fruto certamente de noites a fio pelas esquinas da investigação “jornalista”; abraça finalmente a paz de espírito a enorme comediante Manuela Moura Guedes, a quem Marinho e Pinto, certamente por má informação, admitiu que ela nem carteira de jornalista tinha, ou se a tinha a teria obtida nas Novas Oportunidades.

Sabemos agora que há outra alma que tão bem tem conseguido disfarçar a sua sanha anti-“o gajo que foi finalmente preso”, a jornalista Cristina Esteves, que recentemente fulminou a laser faiscante expelido daqueles olhos tremeluzentes o antigo Procurador-Geral da República Pinto Monteiro, numa entrevista na RTP onde despudoradamente insinuou actos de protecção da justiça ao “gajo que foi agora finalmente preso”. Só a paciência de um beirão habituado desde pequeno a enfrentar o frio e o gelo das faldas da Serra da Estrela permitiram não reagir com duas palmatoadas bem assestadas no furor da autêntica e desconhecida leoa da RTP, que repetidamente puxava a juba para trás num autêntico desafio ao estilo… “olha bem para mim…!” ou “… are you talking to me…!?”

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29/SET/2014

Breve questão de hierarquia…

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25SET2014

PARTICIPAÇÃO NUM FORUM

Alongamentos.

A polémica e o debate.

Permita-me regressar à liça dos alongamentos, não só porque é uma área que sempre mobilizou o meu interesse profissional, bem como algum trabalho de estudo, ainda que incipiente.
Conceda-me assim esta tentativa de contributo.

Julgo que à partida há que distinguir alongamento como treino e o alongamento na competição.
Para um alongamento em treino que permita aumentar progressivamente o comprimento e componente elástica de um conjunto de estruturas ou grupo muscular, parece continuar aceite que esse alongamento deve ser efectuado por períodos estáticos de 30/40 segundos, tendo sido observadas lesões mais frequentes se os períodos de alongamento estático ultrapassarem largamente esse tempo. Neste caso, a estrutura pode alongar-se mais, mas enfraquece a sua constituição.

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1SET2014

MÁS UMA CRÓINECA, AQUI DO ZÉ MARRACHE, MAS ESTA É DE SATISFAÇÃO…

Mês amigues.
É com uma alegria mesme daquelas que dêxam uma pessoa com o pêto inchado que vos venhe informar que o nosso amigue Rapose, finalmente, lá conseguiu arranjar um amigue no Algarve. Pode parecer mintira, mas é verdade.

Chama-se João Guerreiro e, diz ele, que é do Algarve. Li as palavras do homem nas Cartas ao Director no Expresse desta semana que um amigue meu, todo marafade, me emprestou.
Também achei graça ao Sr. Director do Expresse: sei que houve muites amigues que mandarem cartas marafadas com o amigue Rapose. Mas logue o Sr. Director havia de escolher uma toda babosa pró Sr. H.R. São feitios, eh cá sei…

Tá vendo amigue Rapose; é precise é saber procurá-los. Com jête mecêa vai ver que ainda arranja aí uma catrefada de amigues nesta terra onde se rabola todo entre o ódio e o amor a estes meio-sarracenes que tanto o irritam. É tude uma questão de paciência. Eles andem aí…

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25AGO2014

 

Carta aberta ao amigue Henrique Raposo (Expresso)

(Sotaque algarvio, com orgulho)

 

Desculpe lá mê amigue Raposa, pêçe desculpa, amigue Rapose, mas a gente aqui no Algarve nunca se deu bem com as letras. Vai daí os pôques que ajuntem três palavras nem pra isse têm tempe.

Levê uma semana pra ler a sua cróineca “Os Algarvios” no Expresse. As palavras são assim uma espéce de mar encrespade em que a gente sai duma onda e já está a levar com outra na fucinhêra que nos dêxa desalvorades com falta d’ar. Mas li tude. Perceber, nã percebi; mas li tude.

Dizem-me agora que mecêa levou na corneta (nã leve a expressão pra outre lade…) por mode das coisas que escreveu dos algarvios. Parece que vem dezer que nã foi bem aquile que escreveu que mecêa queria dezer e por’aí fora. Que afinal mecêa até gosta da gente e que só um ou outre é que tresmalha do rebanhe.

Atão vames lá ver:

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9JUL2014

OS EQUIPAMENTOS DESTE MUNDIAL 2014

Achei estranhas as camisolas usadas praticamente por todas as selecções neste Mundial.
Num ambiente quente e húmido as camisolas usadas são justas ao corpo.
Ainda pensei que fosse alguma evolução do equipamento, onde a estética confina obrigatoriamente com a secular ditadura da moda e de quem a implementa.
Contudo, li recentemente que a “ideia” circunscreve uma qualquer teoria que deambula em redor dum efeito pouco ou nada explicado de uma mirífica acção sobre a capilaridade de superfície, com influência no rendimento do jogador.

Lá bombástico é.

Portanto, nada a ver com uma esplendorosa negociata montada por uma “pequena” empresa que promove estudos científicos sobre este assunto, deixando de lado um ou outro lucro fabuloso, logo dissipado pelo interesse científico do estudo…

A bem do desporto e do bem-estar dos atletas, como está bem de ver…

Convicto que ando de que a fisiologia do corpo humano não se confina lá muito com modas abstrusas, nem sofre alterações ao ritmo das tatuagens do Meireles, dei em lembrar-me que a transpiração é um mecanismo de arrefecimento do corpo, funcionando como uma espécie de radiador dos automóveis no arrefecimento do motor.

Ou seja; o corpo humano aquece durante o esforço (tal como a febre), carecendo de arrefecimento a fim de não colapsar determinadas estruturas, especialmente as cerebrais, ou alterar o seu desempenho por abaixamento do nível de alguns sais minerais.

Esse arrefecimento é obtido pela evaporação da água (suor), fenómeno que produz frio. Ou seja, transpiramos porque o corpo aquece e carece de arrefecimento, o que remete para um erro frequente que é o de usar camisolas grossas, ou mais que uma, para emagrecer durante o treino. Um erro por vezes de consequências bem nefastas, porque o único efeito que se obtém é o de exaltar o mecanismo de arrefecimento do corpo com perda abundante de água e sais minerais, circunstância que gera um errado conceito de perda ou consumo extra de tecido adiposo.

Os alemães que o digam quando meteram 3 camisolas nos jogadores em treino para estes se aclimatarem ao ambiente dos jogos e rapidamente verificaram que o abaixamento de sais minerais como o sódio, potássio, cloro e magnésio proporcionavam um efeito nefasto bem mais grave que o próprio clima. Agora é ver os jogadores quase em tronco nu usando um colete estranho que, segundo se refere, liberta água e outros produtos compensatórios da desidratação. Aprendem depressa estes alemães.

Com a chegada do Verão é do senso comum o uso de roupa leve mas também larga, tornando-se por demais evidente que a circulação de ar entre o vestuário e a pele nos traz conforto pela fresquidão que se obtém, ao permitir-se uma maior evaporação do suor.
Torna-se assim um absurdo o uso de camisolas justas ao corpo implementadas neste Mundial, aumentando assim a transpiração e diminuindo o processo de evaporação/arrefecimento. O transtorno dos jogadores ficou ligado à agressividade do clima e jamais se concluirá que aquele equipamento complicou tudo.

Se esta deambulação teórica não passar disso mesmo, havemos de nos perguntar porque razão no Inverno nos sabe bem roupa bem junto ao corpo.

É bem provável que o “cientista” de camisolas com efeito sobre a capilaridade de superfície nunca venha a ler isto. E mesmo que lesse haveria de me esmagar com um cartapácio documental sobre o estudo, o qual eu só terminaria de ler aquando do próximo Mundial.

Mas estes “cientistas” nunca param.
Lembrar que no Mundial 2002 da Coreia cientificaram uma camisola com uma propriedade de arromba. Se bem se lembram, a camisola era impermeável pelo que não havia chuva que lá penetrasse, o que proporcionaria um enorme bem estar ao jogador. Teoricamente ficaria sequinho, mesmo que um dilúvio lhes saísse ao caminho. E era verdade. Só que “cientista” que se preze não pode pensar em tudo. Por vezes escapam pormenores como terá algumas vezes sucedido ao Albert… o Einstein.

É que a chuva na verdade não entrava; mas o produto era de tal modo de boa qualidade que o suor também não saía. Ou seja, os jogadores transpiravam que nem o Fernando Mendes encerrado em sauna, uma vez que a ventilação para o efeito de evaporação do suor diminuiu drasticamente. Claro que a bem da “pequena empresa” o assunto morreu muito antes da praia…

Dou-me em pensar que o “cientista”, se não é o mesmo, será da família.

PC

6JUNHO2014

A LIDERANÇA NO PARTIDO SOCIALISTA

O primado da virtude.

Chamemos as coisas pelos nomes.

Não se conhece político que se tenha dedicado à causa pública com a messiânica missão de bem-fazer aos seus concidadãos apenas pela dor ou constrangimento sorvido no sofrimento destes. Isso não existe. Nem aqui nem noutro lugar. A essência do homem é o que é e não aquilo que quase sempre nos quer fazer crer.

Assim sendo, deixemos logo de fora as inusitadas acusações de um dos candidatos quanto às ambições pessoais que terão motivado o seu oponente na decisão de disputar a liderança do partido. Na política “andamos todos ao mesmo”, dispensando-se discursos de altruísmo pacóvio que já não alienam nem iludem o eleitorado de tão cansado que anda e de tanto engano tragado.

O desafio de A. Costa à liderança do partido lançado a A. José Seguro tem apaixonado a opinião pública, dividindo perspetivas e conflituando pontos de vista, deixando a nu a eterna dúvida dos verdadeiros valores a ponderar nas escolhas que devem efetivamente ser feitas.

Mesmo que em simultâneo se debata o conflito do Governo com o Tribunal Constitucional, não há órgão de informação escrito, radiofónico ou televisivo que não traga ao debate público de hora a hora o momento atual da disputa de liderança no PS. “Salvam-se” as televisões generalistas que já têm o seu espaço devidamente devassado por uma espécie de genérico cultural de deglutição fácil a que chamam novelas.

As opiniões que se vão confrontando são tão diversas que se afigura complexo arrumá-las em menos de meia dúzia de patamares.

Conhecidos que são os dois planos em confronto – A. Costa a disputar a liderança e A. J. Seguro a defendê-la – os registos são interessantes.

Críticas a A. Costa:

– O momento não é o ideal; devia tê-lo feito antes;

– É um oportunismo político e pessoal;

– Ambição de poder;

– Traição; apoiou e agora quer destronar;

– Deixou que o outro fizesse a travessia do deserto e agora quer colher os frutos, etc, etc…

Apoiantes de A. Costa:

Um único argumento: o líder que está não serve, não chega:

– Não convence o eleitorado;

– Não intimida os adversários políticos;

– Sem passado político de vulto, não revela possuir estatura política nem governativa e muito menos experiência;

– Não tem discurso a não ser a verborreia política mais que enquistada;

-Em suma, nada faz prever que, na posse duma previsível vitória eleitoral (?), dê um mínimo de garantias de êxito ou substância governativa ao partido, às pessoas e ao país.

E aqui parece estar o cerne da questão.

O debate deixa a nu a tradicional tendência de discutir o redundante e as franjas – onde se inclui a cor dos olhos – em detrimento do essencial; ou seja, uma eventual melhoria e melhor bem-estar duma sociedade que clama por melhor país e melhores políticas.

A perspetiva de poder ter um líder com discurso, credibilidade consubstanciada numa indiscutível maioria absoluta obtida na cidade de Lisboa, farta experiência governativa e os famigerados, e nunca despicientes, cabelos brancos proclamados por tantos, pouco importará. Preponderante será a insídia, a calúnia, o supérfluo, o pormenor. É assim que sempre fomos; é assim que somos.

António Costa tinha um projeto político que era de transcendente importância para o partido; ganhar a Câmara de Lisboa, se possível de forma retumbante. Obteve-o sozinho, sem margem para dúvidas. Melhor dizendo, sem um único estalar de dedos de Seguro.

Esse, em meu entender, o principal motivo pelo qual não avançou para as eleições no partido. Contudo, fez questão de deixar um aviso ao candidato vencedor de que a oposição ao Governo deveria ter substância suficiente que conduzisse o partido a um retorno ao poder. É a natural ambição de qualquer partido. Seguro não pode apregoar ter sido surpreendido.

Parece por demais evidente que essa substância está bem longe de ter ocorrido, tornando-se desnecessária mais uma escalpelização dos recentes resultados eleitorais, com números que não oferecem dúvidas quanto à debilidade da liderança do Partido Socialista, enquanto partido com aspirações governativas.

A traição e ambição de A. Costa.

Propôs-se ganhar a Câmara de Lisboa, onde se senta sem sobressaltos da oposição. Propõe-se agora abandonar essa vitória retumbante e sossego político, nas suas palavras, por imperativos de consciência. Parece óbvio que o objetivo era, em primeira análise, servir o partido. Se assim não fosse deixar-se-ia ficar no remanso duma vitória folgada, quase sem oposição digna desse nome.

Mas resultaria mais; podia perpetuar-se na Câmara por mais dez anos e, à semelhança de outros, provavelmente com menos pujança até, apresentar-se a eleições para a presidência da República e vencê-las sem grande dificuldade. Prescinde aparentemente desse desiderato ainda, mas também, por imperativos de consciência. Afigura-se-me por demais esclarecida a traição e a ambição do candidato.

António Costa terá defeitos. Também virtudes.

Recordo um episódio ocorrido há muito. Era então ministro da Administração Interna e vivia-se mais um verão quente de incêndios com fogos semeados pelo país. No terreno, em mangas de camisa e assoberbado, foi abordado por uma jornalista ávida de apertar o político:

“Senhor ministro. O que nos tem a dizer sobre esta onda terrível de incêndios?”

A resposta, inusitada e lacónica: “Olhe! A única coisa que lhe posso dizer é que o País está a arder…! Tão simples quanto isso…!”. Tão lacónica e inusitada que a jornalista, esperando uma qualquer desculpa ou dourar de pílula,  embatucou e não teve outra questão mais a colocar.

Os discursos.

A principal e proclamada arma de A. J. Seguro para se alcandorar ao lugar de 1º Ministro é a “… garantia de que baixará os impostos, reporá as perdas dos pensionistas e reformados e nele encontraremos uma espécie de Super-homem que enfrentará tudo e todos, incluindo o que restar da Troika, no sentido de reestruturar a dívida e assim resolver todos os nossos problemas.” Falta apenas saber como o fará e o que acontecerá se os troikanos disserem apenas… “Não!!”, circunstância colocada de forma quase verrinosa pela jornalista Ana Lourenço em entrevista na SIC Notícias, quando lhe perguntou: “Mas vai negociar com quem…?”

Garante ainda que, mesmo ganhando com maioria absoluta, fará acordos com todos; direita, esquerda e o que mais houver. Tudo em nome do consenso.

Fica-me uma leve e estranha sensação de já ter escutado este discurso e receita de intenções por mais de uma vez nos últimos 30 anos. Aparentemente A. J. Seguro não aprendeu nada com o passado e mantém a linha do que foi apreendido nas carteiras da “J”.

António Costa, que ainda não apresentou o seu programa, afirmou apenas dois aspetos básicos:

– “É importante trazer à governação (sem que isso implique ao governo) partidos de esquerda com uma fatia importante no eleitorado que representam pessoas que votaram nesses partidos. Há que respeitar esse eleitorado. Algo que nunca foi feito, enquanto a direita não encontra quaisquer impedimentos para o fazer sempre que necessário para governar.”

– “O projeto a apresentar ao povo português será sempre um projeto a 10 anos e nunca um projeto para ganhar eleições na legislatura seguinte.”

Esta uma ideia que muito deambula no discurso político, mas sempre na boca de quem está por fora da governação e não faz intenções de por lá passar no seu horizonte mais próximo, de que é exemplar eloquente a figura expressiva dos conhecidos bonecos dos “Marretas”, o nosso inefável Dr. Medina Carreira.

Circunstâncias e apoios.

É curioso observar dois pormenores neste plano.

Apoios claros e significativos a A. J. Seguro:

Simpatizantes do Governo atual – que, ao mesmo tempo, não deixam de enaltecer e empurrar A. Costa para as presidenciais (vá lá saber-se porquê) – e os membros da estrutura partidária que elegeram Seguro e naturalmente ambicionam a partilha do poder na perspetiva duma vitória eleitoral em 2015.

Apoiam significativamente Costa a parte sobrante, com especial relevo para os mais antigos e experientes, sendo de elementar justiça que também aqui se encontrem candidatos com apetências governativas, sendo essa a essência do homem; governar e desfrutar do poder.

Resta enquadrar a marcação de primárias, por ordem e desejo do líder atual, para as calendas gregas, ou mesmo para lá do Oriente. Mesmo que se trate duma experiência inusitada no nosso quadro eleitoral e o país viva numa incandescência política de repercussões imprevisíveis.

Seguro quer ganhar tempo a qualquer preço. O verão será escaldante em caminhadas por todas as concelhias do partido onde as promessas de um deslumbrante Jardim do Éden florirão com um único Adão em campo e uma Eva amordaçada, não vá atrapalhar este veemente e intrépido desejo de A. J. Seguro de algum dia vir a tornar-se 1º Ministro de Portugal.

Confronto-me com a terrível realidade que nos vem martirizando há décadas e décadas a fio: receio bem que o genuíno mas ingénuo desejo de Seguro de chegar à governação do país se venha a conformar com a máxima lusitana de que vamos sempre tendo aquilo que merecemos…

P. C.

À sombra da azinheira.

2JUNHO2014

Passos Perdidos no Alentejo…

– Compadre Falências. Isto aqui debaixo da azinheira às vezes inté me parece a Assembleia da República.

– Na me diga que os deputados que aqui estão também têm a fama de trabalhar pouco e ganharem muito.

– Nada disso. É mais pela conversa. O compadre, ou anda a ver muito debate político, ou inscreveu-se p’raí nas Novas Oportunidades. É que muitas vezes nã chego a entender o que mecêa quer dezer.

– Atão diga lá onde é que se perdeu, compadre Jacinto. Tamém podemos montar aqui os Passos Perdidos…

– Pronto. Tá a ver? Que moenga é essa dos Passos Perdidos?

– Parece que têm por lá uma sala a que chamam dos Passos Perdidos. Histórias antigas. Também me parece que é por onde temos andado a maior parte do tempo; … perdidos.

– Nã anda muito longe da verdade, compadre. Mas a minha barafunda tem a ver com as últimas eleições e com as confusões que se vêm armando.

– Conte lá a ver se a gente desbarafunda isso.

– Atão; o Pi S ganhou. Os do governo levaram uma valente porrada; atão e agora vem o compadre Costa e quer mandar o Segurito da cadêra abaixo…? Atão quer dizer: se o homem perdia as eleições ela dava-lhe era um soco nas orelhas…

– É a plítica, compadre. O que o compadre Costa diz é que ganhou por poucos e que assim nã vamos lá.

– Nã vamos, quem? Os do Pi S, tá claro…?!

– Pois atão.

– Mas vamos lá a acertar isto melhor, compadre João Falências. O homem esperneia por todo o lado e diz que ganhou as eleições no partido, ganhou o Congresso dos socialistas e que, sendo assim, o polêro é dele.

– E foi. Até aqui, foi. E nã se pode queixar do Costa se lhe ter atravessado no caminho. O homem esteve quêto e quando foi altura até o apoiou. Mas dêxou-lhe o recado: “Ou te portas bem, ou eu (com sua licença agora, compadre, que o homem nã disse bem assim..) ou eu “CA**” na Câmara e venho por aí com os ditos em baixo e vai tudo à frente…!”

– Atão e tá-se mesmo a ver que agora picou-lhe mesmo a mosca na barriga…?!

– Se calhando… Mas o que o homem diz é que, com esta votação, mais coisa menos coisa, o Passos Coelho até se ri de folgado. E in chegando as eleições, com meia dúzia de tostanitos assim atirados como milho às galinhas,  inté é capaz de as ganhar outra vez e lá continua na governação.

– O que é uma porra, compadre. Tamém nã venho gostando do que vou vendo. Atão e mudando do Segurito pró Costa chega?

– Nã sei. Ninguém sabe. Mas olhe. Quem parece que nã tá gostando da conversa do Costa, além do Segurito, tá bem de ver, são os do governo. A gente ouve as notícias e o que agente ouve é eles dezerem que o Segurito é que é bom e que é uma vergonha o Costa querer deitar o homem abaixo.

– Essa tem graça, compadre Falências. Atão se se estão borrando, alguma coisa lhes chêra mal no Costa, salvo seja.

– Pois aí é que está a graça. Quando os do outro lado dizem que o que está é que é bom, nã sendo parvos, é de desconfiar.

– E já agora, que o compadre parece uma pessoa informada, o que acha do Costa? O homem tem jêto, ou na dança só mudam os sapatos…?

– Compadre Jacinto; tenho aqui um melanito pra si que trôxe lá do meu quintal.

– Mas atão pergunte-lhe pelo Costa e mecêa dá-me um melão…? E é bom o melão?

– Pois, cá está. Abra lá esse “Costa” pra ver se tá bom…

– Agora vou abrir o Costa… Entrou na mangação comigo o compadre…?

– Nada disso; faça de contas que esse melão é o Costa. Abra lá a ver se tá bom…

– ÃÃhh… Tou vendo, compadre João Falências. Temos que abri-lo pra ver se tá bom… É o que eu digo. Mecêa anda perdido aqui debaxo da aznhêra. Mecêa dava era cá um 1º mnistro…

– Mas olhe. Voltando ao melão sempre lhe digo: se os da governação nem podem ouvir falar no melão, quanto mais abri-lo para provar, ou muito me engano, ou é capaz de estar mesmo maduro.

– Assim sendo, tudo indica que vamos ter um ano bom pró melão.

– Agora sou eu que nã estou a apanhar o compadre Jacinto.

– Atão o compadre Segurito tamém nã vai ficar com um melão de todo o tamanho…?

– Ah grande malha, compadre Jacinto… Tá convidado pra meu adjunto…

– Primêro vamos lá atão ao melão… Depois ainda vou pensar nisso…

– Já se tá a pôr difícil e ainda nem o convidei. Isto é que vai um sequêro aqui no Alentejo…

In – Diálogos à sombra

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