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NA COLUNA À DIREITA TODAS AS PUBLICAÇÕES ORDENADAS POR TEMAS

 

11 Novembro 2018

A ÉTICA E A ESTÉTICA.

No programa “O Eixo do Mal” desta noite, Pedro Marques Lopes, comentador que aprecio não pela ideologia mas pela verticalidade das suas intervenções, insurgiu-se contra a fogueira em que se vem queimando o deputado José Silvano e a deputada que saiu a terreiro assumindo que foi ela que “inadvertidamente” terá marcado a presença ao deputado, que àquela hora andava por terras do Norte fazendo pela vida do seu partido.
PML pergunta se foram os 138 euricos que levaram J. Silvano a solicitar à sua colega deputada que lhe marcasse presença.
Não, não foram os 138 euricos, caro PML.

O que levou J. Silvano a solicitar a marcação de presença, e por mais do que uma vez (pelo menos são as que se conhecem), foi a imagem de ausência reiterada de deputados em sessões plenárias, sendo que há sessões em que a AR se apresenta de tal modo despida de deputados, que suscita ao comum dos cidadãos sérias dúvidas quanto à seriedade e integridade das pessoas que elegeram, quando juntam a estas ausências os múltiplos casos de “esquemas” mais ou menos manhosos para extorquir “euricos” ao erário público, que ao eleitor custa aceitar, partindo do princípio de que os representantes da nação, se não são sérios, têm pelo menos que o parecer.
E essa é a questão.

Os 138 euricos são um almoço normal e barato para o sr. deputado José Silvano.
Mas a imagem de ausência reiterada no parlamento, para o qual foram eleitos por sufrágio e pressuposto de integridade ética pelos cidadãos que se dignaram ir votar na sua eleição, essa custa a aceitar por quem labuta todos os dias pelos parcos euricos de subsistência e olham o cumprimento de um dever de honra e dignidade quase como um sacrifício dos eleitos no simples sentar nas cadeiras da chamada casa da democracia.
Os 138 euricos o deputado José Silvano até os devolve com juros se necessário for, desde que isso limpe a imagem pouco abonatória com que sai deste episódio.
Mas a imagem devassada na sua integridade política e moral essa não há juro que a limpe por maior ou menor agressividade que se arvore em conferências de imprensa determinadas quando a casa já arde, podendo tudo ter sido evitado com um simples soprar de fósforo mal este se incandesceu.

Acrescentar apenas, se necessário fosse, que uma deputada que ao fim de três anos de parlamentar faz um login na plataforma de um colega de bancada que está ausente e não sabe que isso determina a sua presença fictícia, tendo-o feito por mais do que uma vez, ou nos quer tomar por tolos ou a tolice arrasta a própria deputada, deixando evidente não possuir estatura para tão nobre cargo de representação dos eleitores que a elegeram.
Ao fim e ao cabo estamos a falar de quê? Do costume ou dos nossos costumes…?

 

20 Outubro 2018

Poema

 

RENASCER…

Irrompeste na minha vida como raio de sol rasgando a última nuvem da tempestade.

Iluminaste as colinas do meu corpo como dádiva de um céu novo.
Sem querer, querendo, retemperei todos os meus anseios e senti que renascia.

Quis limpar todo o tempo em que naufraguei até ti e quase gritei um abraço com que te quis absorver em mim…
… Mas com dois dedos calaste os meus lábios e disseste:
– Folheia-me a partir desta página e soletra comigo os capítulos que vierem; não mais que isso.

Serenei o meu desejo e inebriei-me na placidez dos teus sentimentos e doce candura dos teus olhos.

O tempo, o meu tempo, recomeçou ali e quase não respiro desde esse dia com medo de te perder.

Olho-te todos os dias com o mesmo encanto do primeiro momento e saboreio aí uma espécie de dádiva dos deuses que rejeito.

Alimento esta paixão como o recém-nascido que se aninha no colo quente do ventre materno.

Saboreio o teu beijo com a avidez de sôfrego em oásis do deserto e quase naufrago na sensualidade dos teus olhos cerrados.
E eu vejo tudo… Quero ver e guardar tudo como imagem imorredoira.

Não sei porque recomeço todos os dias uma mesma paixão de sabor sempre novo.
Sei que no templo da sabedoria dos que entendem as loucuras do coração não me entendem… Chamam-me louco.
Sempre sorrio… Louco, eu sei…! Porque afinal eles nada sabem sobre a verdadeira alquimia do amor.
Eles não entendem que possamos existir assim…
… por vezes nem eu…
Por isso te afago quando perto ou longe e me deixo povoar nos sonhos pelo teu suave abraço que me enternece e inebria.

Por vezes não sei se sonho, não sei se existo…
… mas sei que acordo em cada dia que te tenho e te sinto, quando folheio em delírio a página seguinte deste livro cujo desfecho final nunca ansiamos e desejamos que jamais aconteça.

O dia já nasceu…
… virei a página nova de hoje…
Já reli a primeira linha mil vezes…
… Vou deixar a segunda linha para mais tarde…

P. Cabrita

 

20 jun 2018

 

SINDICATOS DOS PROFESSORES OU RELACIONADOS COM A EDUCAÇÃO.
STOP, Fenprof, FNE, ASPL, SPLIU, SIPPEB, SEPLEU, Pró-ordem, Fepeci, Fenei, Sipe.
Sim, é este o ramalhete.
E eu faço perguntas simples:
– Com tanta capelinha serei obrigado a concluir que o movimento sindical dos professores é dirigido por um bando de oportunistas, provavelmente todos professores, que não querem dar aulas e preferem o remanso do horário zero subsidiados pelo erário público?
– Estes formadores percebem que são um exemplo desastroso para os alunos que era suposto formarem e edificarem nos planos da ética e elevação moral e cívica?
– A razão e luta dos professores não se dilui nesta dispersão oportunista de agentes pseudo-defensores da classe, da qual se apartam abstendo-se de exercer a sua função docente?
– O professor fez a sua formação para dar aulas e formar ou para exercer a função de sindicalista?
– A necessidade de um sindicato que defenda os interesses da classe encontra alguma justificação nestes grupinhos que frequentemente se digladiam politicamente, na maior parte das vezes veículos de promoção pessoal que sempre encontra apaniguados entre grupos de amigos ou apaniguados políticos?
– Alguém me explica porque não há greves nos hospitais ou estabelecimentos de ensino privados?
– É verdade que o sindicalismo em termos de número de associados anda pelas ruas da amargura? E isso deve-se a quê? À confiança ou desconfiança no sindicalismo brotado no 25-4, estrutura que ainda não conseguiu evoluir nestes mais de 40 anos de democracia, a não ser o refinar do contorno das leis que condicionam as greves?
– A greve, na sua essência, foi implementada para pressionar os patrões e os capitalistas, ou para esbulhar os sindicalizados do seu salário e os utentes dos serviços que paralisam apenas em benefício de uns quantos, prejudicando de forma contundente todos os que nada têm a ver ou beneficiar com as greves?
– Os sindicatos já alguma vez deram conta dos seus inúmeros desaires nos objetivos das paralisações que promovem?
– Tem que ser assim e não há outro caminho, porquê? Porque é a única forma de manejar os cordelinhos das marionetas por parte das estruturas partidárias (todas elas) que utilizam a fórmula para o exercício dos seus desígnios político-partidários?
– Por que me cansei há muito deste sindicalismo de pacotilha…?
– Quando se determinam os professores em criar a sua Ordem de Professores independente de qualquer estrutura politico-partidária que deturpa a razão e os verdadeiros interesses da classe…?

 

1 Jun 2018

Caros amigos.

No próximo sábado, 2 de junho pelas 18 horas, estarei na Feira do Livro (Stand B13 – Editora Âncora) para uma sessão de autógrafos no âmbito do livro “Revolucionário Improvável”, uma biografia de João Cristina, um algarvio que se exilou aos 19 anos (1954) para combater o Estado Novo, tendo regressado ao país depois do 25 de Abril.
Tendo em conta que a receita das vendas deste livro, por opção do autor e do biografado, se destinam a instituições de solidariedade, fica o convite para um encontro e um contributo para uma boa causa, bem como a oportunidade de alguns amigos em adquirirem este trabalho, conforme desejo que alguns me têm feito chegar.
Lá vos espero.

Foto de Pedro Cabrita.

 

26 Maio 2018

EUTANÁSIA I

Não sei calcular a dose de hipocrisia que vai correndo por estes dias na abordagem deste tema.
Já foram ouvidas, ou vão ainda ser, toda uma miríade de pessoas e instituições a saber; organizações religiosas (praticamente de todos os credos e confissões), pessoas (importantes), organizações laicas, partidos políticos, deputados, instituições de solidariedade e outras pouco solidárias, médicos, enfermeiros e ainda um infindável etcétera de figuras que normalmente se sentem no direito de debitar opinião, quando os temas são transcendentes.
Portanto tudo gente de boa saúde ou padecendo de um ou outro achaque sem grandes motivos de preocupação quanto à aproximação do seu fim terreno.

E eu pergunto:

– E para quando ouvir os verdadeiros e imediatos interessados; os que se encontram nesta altura em verdadeiro sofrimento e sem qualquer esperança de vida? Os que podem precisar de um alívio imediato ou a breve prazo? Os que não podem usar e beneficiar da expressão “a minha vida” porque afinal a vida não é dele, ou afinal nunca foi, mas sim propriedade de todos os outros?

Afinal, porque nasço sem o pedir e até para morrer a minha vontade não conta e me obrigam a continuar a viver quando em perfeita consciência eu não quero?
Pior um pouco; porque razão a “minha vida” tem que ficar dependente de interesses inevitavelmente obscuros e eleitoralistas de políticos que ao fim e ao cabo infernizaram a minha vida, e aqui naturalmente sem aspas?
Se nem da minha vida ou vontade sou dono, sou dono de quê afinal?
Mas ainda e por fim; na perspetiva de muitos, se Deus me deu a bênção e graça da vida, na sua infinita misericórdia vai condenar-me ao sofrimento quando a vida me deixou de fazer sentido? Neste contexto a dádiva da vida traz como condição uma não concessão de morte?

 

28 Maio 2018

EUTANÁSIA II

A fina hipocrisia política da A. R.

Alguns partidos ainda se deram ao trabalho de mascarar os seus interesses partidários e eleitoralistas dando uma espécie de liberdade de voto aos seus deputados numa matéria de consciência individual. Estes recusaram essa liberdade preferindo o carneirismo politico/partidário e seguiram a “voz do dono”.
Outros, desprezando essa mesma liberdade ab inicio, fizeram falar mais alto o “dono da voz”.
Se o ridículo e a hipocrisia matassem teríamos tido hoje um colapso cardíaco generalizado na A. R.
Salvo raras e honrosas exceções a enorme maioria dos deputados de cada bancada votou de acordo com a “consciência hipócrita ” de cada direção partidária.
Da próxima façam-me o favor de explicar com alguma antecedência o que entendem por liberdade e consciência individual só para eu me orientar quando for chamado a votar em deputados com um estranho conceito de liberdade e consciência individual.

 

17Maio 2018

Terror em Alcochete.

O ato de terrorismo ontem perpetrado em Alcochete agita as opiniões mais descabeladas e outras de grande oportunidade política como convém em determinados momentos e circunstâncias. Como de costume.
Ontem à noite Paulo Andrade, ex-dirigente do SCP e nesta altura membro do painel do programa “O Dia Seguinte” da SIC-Notícias, afirmava que isto era uma vergonha para o governo e para o Estado. “Este governo é uma vergonha!”, disse.

É possível.
É provável que o governo e o Estado tenham alguma dificuldade em penetrar num mundo que se arroga autónomo e quase impenetrável, onde os números se contam sempre por milhões e dessa forma se procuram resguardar como uma espécie de “cosa nostra” onde nem o Estado entra porque têm leis próprias, órgãos próprios e regimes jurídicos específicos.
É provável que, não obstante, o Estado e o governo tenham sempre o poder de entrar em circunstâncias, como parece ser o caso, onde a suspeita dos crimes possam cair na alçada dos tribunais comuns. É o que está a fazer nesta altura.

Mas caro Paulo Andrade.
Afinal quem é que praticamente todos os dias acirra nas TV’s as turbas de associados dos chamados três grandes, insinuando a desonestidade dos árbitros e dos dirigentes como se de meliantes e criminosos à solta se tratassem?

Afinal quem apazigua ou educa os ânimos da turba quando consomem mais de meia hora a discutir os centímetros de um fora de jogo mal assinalado, ou um penalti salvador que possa mascarar o mau desempenho da nossa equipa, quando mais de metade dos comentadores desportivos nem sabe do que está a falar?

Quem utiliza a miríade de programas dito desportivos para se promover social e financeiramente à custa das chamadas aos milhares de valor sedutor de 0.60€ + IVA que os papalvos não regateiam em nome da defesa e honra das suas cores, levando como “cartilha” a imperiosa missão de atacar as equipas adversárias a qualquer preço desde que se ganhe ou destrua o “inimigo”?

Quando é que percebem, senhores paineleiros, que há uma responsabilidade pedagógica que vos colocam nas mãos paga a peso de ouro e que os senhores desbaratam em nome da vossa própria clubite doentia que, consciente ou inconscientemente, fomenta o aparecimento de casos como o de ontem em Alcochete?

Quando entendem senhores pseudodesportistas dos painéis de comentadores “desportivos” que pactuam com os interesses financeiros das empresas de televisão que a única coisa que almejam é o lucro, fomentando a guerrilha no desporto para depois voltarem a lucrar com as guerras abertas no terreno da mesma forma que o farão numa qualquer guerra do Golfo, como está a acontecer hoje com o caso de Alcochete?

Por fim meu caro Paulo Andrade. Quando assumem as vossas responsabilidades pelo incremento de violência nos estádios, quando colocam em causa a hombridade e decência de todos os protagonistas do nosso futebol e depois vêm lamentar que o Estado ou o governo não põe mão na turba assanhada por vós ou não previne eventuais fatalidades que os senhores incendeiam todos os dias?

 

14 Maio 2018

Jorge Jesus. Um rei de pés de barro…?!

E ao 3º ano, Jesus não ressuscitou…

Diz o Jorge que os desaires desta ponta final se “ficarem” a dever ao número de jogos que a equipa fez.
Portanto, nada a ver com o planeamento da época e gestão de esforço dos atletas, tendo também em consideração algumas aquisições de jogadores já fora de prazo.

Isto suscita-nos umas quantas dúvidas:

1- O planeamento foi feito só para as competições nacionais, o que faz pensar que o J.J. não contava ir tão longe nas competições da Europa?
2- Pela amostra dos últimos jogos, em que a equipa anda de rastos (palavras de J.J.), imaginemos que o Sporting tinha sido apurado na 1ª fase, ou tinha eliminado o A. de Madrid e continuava na prova. Nessa perspetiva teríamos o Bruno de Carvalho a ter que jogar a médio, o Marta Soares na ala de mangueira na mão e o Dr. Barroso no banco de suplentes…?
3- O “trenador” mais bem pago de Portugal e de muita Europa já se deu ao trabalho de questionar a equipa técnica (área da aquisição e gestão da condição física) a fim de perceber porque razão os jogadores andam nestes últimos jogos a pedirem para serem substituídos por que estão de rastos?
4- A aquisição de Wendel com a supervisão de J. J., na condição de craque vindo do país do feijão preto e boa carne, jogou 1 hora e 45 minutos nesta época, tendo ficado na Academia de Alcochete a “encher” (aquisição de massa muscular)? Então o Bruno Fernandes e o Coentrão não precisavam também de “encher”?
5- Rúben Ribeiro; adquirido à meia-noite para jogar às 8:30 do dia seguinte, se fosse necessário, tornando-se num indubitável valor na garantia do técnico, “desaparecido em combate” sem qualquer justificação, a não ser ter demonstrado não ter nível suficiente para um lugar no Sporting? Também a “encher” em Alcochete, ou deu-se mal com os ares da capital?
6- Uma equipa base praticamente ao longo da época e que se apresenta no último e decisivo jogo de rastos, verificando-se que ao longo da época a gestão desta equipa base foi feita apenas por lesão dos chamados “titulares indiscutíveis”, podia apresentar-se em condições físicas aceitáveis? J. J. entende ou aceita que o acondicionamento e gestão da condição física dos jogadores é fundamental ao longo de toda uma época como o provou ao mundo J. Mourinho? J.J. não acreditou no banco que ele próprio sancionou nas aquisições efetuadas?

Há uma peneira que tapa quase todos os males que o sol faz quando em excesso.
Chama-se Bruno de Carvalho, uma espécie de coveiro que tomou conta do cemitério e que, na condição de coveiro, se limita a enterrar mortos, só que neste caso ele próprio se encarrega de assinar também a certidão de óbito.

Contudo, J. Jesus por mais que procure sacudir a água do capote sentando-se ao lado dos jogadores procurando deixar de fora a peneira que o há de salvar de uma queimadura solar grave, não tem qualquer forma de alijar as suas responsabilidades, salvo se, exigindo ser pago a peso de ouro porque era o “melhor trenador de Portugal e mais além”, foi um bluff conforme vêm sugerindo as e-toupeiras recentemente emergidas, que vêm agora lançar alguma luz sobre o famigerado “colinho” com que os seus apaniguados de Alvalade se queixavam no antanho.

Os tempos são de definição e clarificação de responsabilidades.
Os pontos de fuga são diminutos e a turba, ainda que acéfala, é quem mais ordena.
Hábil em fintas e passos a rasgar, aguardam-se os próximos decretos do Rei da Tática.

Três anos sem qualquer ressuscitação é muito tempo.
É certo que o exemplo é apenas nominativo. Mas a J. C. bastaram-lhe 3 dias… E nunca treinou o Benfica…

 

10 setembro 2017

Livro “Revolucionário Improvável”

História de um revolucionário anti fascista algarvio, nascido nos arredores de Tunes, que aos 19 anos saiu do país exilando-se em Paris, depois Londres e Bruxelas, a fim de integrar o grupo de revolucionários que, a partir do exterior, combatiam o regime Salazarista. Esteve fora do país cerca de 50 anos, dos quais dedicou 20 à luta armada.

…/…

Clique aqui para entrar na página

https://pedrocabrita.wordpress.com/livros-publicados/livro-revolucionario-improvavel/

31 maio 2017

Intervenção no âmbito da problemática dos Capitães Milicianos na Guerra Colonial formados a partir dos COM em Mafra, durante a presentação do livro “Capitães do fim… do quarto império” de António Inácio Nogueira.

Forum Tivoli 31-5-2017

Durante muito tempo convivi muito mal com aquilo que me aconteceu por volta do dia 8 de junho de 1970. Sempre considerei que tinha sido vítima de uma enorme violência, se não mesmo de um crime, ficando a aguardar até hoje que a História fizesse justiça.

Com um simples apontar de dedo fui indigitado para o eventual desempenho da função de comandante de uma companhia de caçadores em teatro de guerra.

Digo escolhido e apontado a dedo porque assim o foi literalmente. Integrei o 1º Curso de Comandantes de Companhia a partir dos COM em Mafra.

Naquela bela tarde por volta das 14:00 horas sob um sol abrasador e sufocante, como sempre ocorria naquela parada da EPI, o aspirante do Q.P. que comandava o pelotão, chegou para a instrução da tarde.

Sem rodeios disparou seco mas titubeante:

“Parece que vai haver aí um curso de Comandantes de Companhia e eu vou ter que escolher 10 instruendos para irem prestar provas de aptidão”.

De realçar o “… parece que vai haver…”. A decisão era tão fresca e desaustinada que nem o aspirante acreditava muito na sua real concretização. Muito menos nós, os dez escolhidos a dedo, que de imediato fomos conduzidos a uma sala de aula onde nos sentámos temerosos como no dia do primeiro exame da 4ª classe.

A situação era inédita e retumbante aos sentidos de todos nós.

Clique aqui para ler o artigo na íntegra:

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15JAN17

Carta aberta à Srª Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Albufeira, D. Marlene Silva.

Vai ser lançado em breve a biografia de João Martins (Cristina), um revolucionário que viveu exilado em Paris, Londres e Bruxelas, donde lutou contra o regime de Salazar nos anos 50 e 60.

Entre outras ações, participou no célebre desvio do avião da TAP com Palma Inácio, Mortágua e outros.

Para a edição do livro foi inicialmente solicitada uma participação financeira por parte de determinada editora, pelo que se solicitou uma participação das edilidades de Silves, Lagoa e Albufeira, participação esta posteriormente revertida em valor superior, a qual apenas se exigia fosse atribuída a instituições de solidariedade social.

As duas primeiras acederam, a CMA recusou terminantemente invocando motivos de difícil entendimento e compreensão, recusando nós quaisquer juízos de valor.

Da resposta enviada à Sª Vereadora se publica a presente carta aberta.

Ex. ma Srª Vereadora da Cultura da C.M. de Albufeira
Ainda estou um tanto estupefacto com o presente email que acabo de receber de V/ Ex. cias.
Das duas uma:
– Ou ainda não entenderam a proposta honesta que vos fazemos;
– Ou então…, nem nos parece assertivo adjetivar esta segunda hipótese, deixando ao V/critério a liberdade para se auto intitularem quanto ao conteúdo do email que tiveram por bem remeter-me.
Talvez expondo as coisas com maior linearidade entendam (e de uma vez por todas) que há duas pessoas de bem, (coisa que também vai sendo raro encontrar, o que no V/ entendimento será ainda, e aparentemente, uma singularidade bem mais acentuada) que se dispuseram a criar um trabalho literário (ou seja, relativo à cultura, coisa que contávamos dizer-vos alguma coisa), solicitando um apoio financeiro (com retorno integral e, veja-se bem, com lucro), que V. Ex. cias recusam linearmente com uma inominável justificação de “… não poderá a CMA atribuir apoios financeiros a particulares ou a entidades cuja figura jurídica tenha intuito lucrativo e comercial.
Resumindo e simplificando o essencial daquilo que Vos enviámos:
1- Os autores dedicaram-se esforçadamente a um trabalho literário e humanista, do qual não usufruirão 1 único cêntimo  em seu proveito resultante das vendas (todas as vendas) que vierem a ocorrer nas apresentações e retornos posteriores do livro, revertendo integralmente para as autarquias participantes todos os valores obtidos. Repetindo, porque se nos afigura estranho que tal não tenha sido entendido nem à primeira, nem à segunda; os autores (João “Cristina” e Pedro Cabrita) entregam na íntegra todos os valores a obter nas vendas dos livros, cobrindo, com lucro para as entidades cooperantes, todas as verbas empenhadas. Torna-se assim muito estranha a invocação de “entidades cuja figura jurídica tenha intuito lucrativo e comercial...”. Salvo se a Srª Vereadora da Cultura da CMA se refere à própria Câmara como a entidade cuja figura jurídica está impedida de usufruir de lucro ou participante em atividade comercial…
2- A CMA não tem qualquer obrigação de participar na concretização de trabalhos de índole literária, nem mesmo quando eles se dedicam a figuras emblemáticas da oposição revolucionária e clandestina ao Estado Novo, ou seja, figuras que, com desprezo pela própria vida, se empenharam por todos nós, aqueles que sofreram na pele a opressão política e social de Oliveira Salazar. É uma opção. Também não cabe ao pelouro da Cultura, aqui representado na pessoa da Srª. Vereadora, o dever representativo da sua função social e política de apoiar uma obra literária com a qual possa eventualmente estar, política ou sociologicamente, em confronto, mesmo que a personagem central dessa obra seja um cidadão algarvio e muito próximo da cidade de Albufeira, onde parte da saga do livro decorre.
Mas a CMA, na pessoa da Srª Vereadora, não pode escudar-se em argumentos falaciosos e desconexos com a realidade para se escusar a uma participação num trabalho de índole literária que tem um envolvimento político histórico, onde milita uma personagem que muito diz e honra os algarvios em primeiro lugar e os portugueses logo a seguir.
A Srª Vereadora tem responsabilidades e obrigações políticas, sociais e culturais para com os seus munícipes, sejam quais forem as orientações ou tendências dos mesmos. Representa todo um município e não apenas aqueles que a elegeram.
Por outro lado, afigura-se deslocado e quase pejorativo a disponibilidade que o pelouro da cultura da CMA manifestou na aquisição de dois ou três exemplares do livro “História breve de um revolucionário improvável“, logo que seja editado.
De modo algum o aceitaremos.
No exercício de uma obrigação que me cabe enquanto professor na divulgação da cultura, compromisso que receio bem claudicar em grande medida na CMA na figura da Srª Vereadora do pelouro, farei chegar à Biblioteca Lídia Jorge os três exemplares que a vereação se dispunha a adquirir (diria, sem ofensa, algo que se nos afigurou com um certo sabor a esmola), mas que fazemos questão de o tornar numa oferta graciosa da nossa parte (que nos perdoe este quase pleonasmo), porque o livro, mesmo sem o apoio do CMA será em breve uma realidade no panorama literário e político deste nosso país, tão mal tratado que vai nesses dois planos por quem tem obrigações de sobra para o fazer. Naturalmente que os três exemplares levarão inscritas dedicatórias apropriadas que espero não deslustrarem a Biblioteca Lídia Jorge.
Dizer-lhe por fim o seguinte:
– João “Cristina” não tem qualquer filiação ou inclinação partidária. Foi apenas um opositor ao regime que foi deposto em 25 de Abril de 74, continuando hoje honrado pelo que fez sem qualquer retorno político ou outro.
– Das três Câmaras já contatadas já há respostas afirmativas, o que coloca em mau destaque a “minha” CMA.
– Sou natural de Guia-Albufeira e, enquanto munícipe de nascimento, é meu desejo manifestar-lhe a minha consternação pela forma pouco curial como a “minha autarquia” aborda as questões da cultura, sendo que esta é já a segunda vez em que sou maltratado pela vereação da Cultura da CMA, o que reservo para uma infeliz coincidência e não, espero bem, por qualquer resquício de persona non grata, que não me faz qualquer sentido.
– Tomaremos a iniciativa de transmitir ao Sr. Presidente da CMA todo este processo, embora se nos afigure que a Vereação já o deva ter feito.
– Dizer-lhe que nos sentimos na obrigação de dar público conhecimento deste enfadado acontecimento, o que faremos pelas vias que tivermos por ajustadas.
Gratos pelo tempo que nos dispensaram, fica a CMA e a sua vereação da cultura desde já desobrigadas de qualquer outra justificação ou préstimo, pressentindo nós como ajustadas as que nos foram apresentadas.
Cordialmente
Pedro Cabrita e
Pel´o João “Cristina”

 

 

 

21SET2016

Açores – S. Miguel 

Por Maria Herculana

Macaronésia – o nome é originário do grego para “ilhas abençoadas” ou “ilhas afortunadas”, utilizado pelos antigos geógrafos para as ilhas a oeste do estreito de Gibraltar (Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde).

Estive na ilha das “vacas felizes” e, embora não me tenha sido dado o privilégio de contemplar e de me embevecer com os seus sorrisos, não tenho dúvida de que elas só podem ser felizes.

Naquele verde único permanecem vinte e quatro sobre vinte e quatro horas e são rainhas absolutas onde os seus “servos” nem casa podem construir, porque em zona de pastagens é interdita a construção.

E então, a perder de vista, contemplamos o minifúndio, o microfúndio delimitado pelas hortênsias, soberbas em dimensão e em cor, sem que nada mais interrompa os vários cambiantes do luxuriante verde.

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https://pedrocabrita.wordpress.com/a-voz-dos-outros/acores-ilha-de-s-miguel/

 

INTERVENÇÕES NO FACEBOOK

4JUL2016

Portanto, nas doutas inteligências dessa desunião que dá pelo nome de União Europeia, o défice de 2015 ultrapassou os limites instituídos depois de cumpridas com rigor e zelo as determinações aconselhadas pela Desunião.
O défice de 2016, também cumprindo as mesmas regras fixadas pelo tratado, ficará bem abaixo dos limites instituídos. Haja deus que eles conseguiram concluir isso sem ajuda de ninguém.
Conclusão: quem cumpre bem as regras cumpre a sua obrigação, mas tem como prémio corrigir quem não foi capaz de cumprir no passado.
Brilhante. Isto tem um nome: pulhice política.
Em linguagem mais popular e rasteirinha:
– Nós politicamente não gostamos de vocês pelo que a nossa obrigação é fazer-vos a vida negra até que se ajoelhem.
Eu também achei que a ideia do BE em referendar a nossa continuidade na UE agora era um bocado descabida.
Mas com estes pequenos mimos a ideia voltou-me à cabeça com outras nuances; se me querem obrigar a ir por caminhos que conheço e não quero, prefiro sair já na próxima estação.
E chamem-lhe o que quiserem; mas de joelhos não!

 

23jun2016

Ontem a CMTV passou uma reportagem feita com pai de Cristiano Ronaldo, que já faleceu, onde o senhor estava visivelmente embriagado, falando e lamentando os problemas que causou à família.
Uma sarjeta será sempre uma sarjeta.
Um jornalismo sujo e vingativo só tem lugar nesse escoadouro.
Se o problema é o custo do microfone abre-se já uma subscrição pública.
Se a questão é mais uma forte dor do repúdio que se levantou contra a CMTV… é a vida.
A dignidade tem um preço.

Foto de Pedro Cabrita.

23jun2016

Sim, mas não chega para o CM e CMTV.
Para entender é necessário saber ler e soletrar uma história com pouco mais de uma década. A maior de sempre no nosso mundo do futebol.
Mais importante é a intimidade e chafurdar na insídia especulativa.
É um modo de vida; e vende neste país.

 

22jun2016

Chama-se … de antologia.
O golo marcado à Hungria se não for considerado o melhor golo do Europeu, proponho um referendo para um Portexit… Aquilo não foi um pontapé de fora da área sem oposição que entra na “toca do mocho” , podendo passar um metro acima ou ao lado. É arte pura; uma “aldrabice” envenenada que ludibriava os restantes 9 jogadores se por ali estivessem. Melhor que isto só aquele microfone voador que repousa com solenidade bem lá no fundo do lodo do lago.

14jun2016

A nossa Selecção tem sempre um antes e um depois.

No início de uma grande prova temos o melhor jogador do mundo, os jogadores mais tecnicistas do planeta, os botas de ouro do passado, os sapatos de prata (da Cinderela), sem dúvida a melhor equipa da prova e um caminho sempre a direito até ao cimo da montanha.

Durante; sofremos e fazemos sofrer desalmadamente o país inteiro, os jornalistas que alimentaram o ego nacional desfazem-se em críticas, batem em toda a gente (eles que foram os principais responsáveis por nos fazerem acreditar…) e no fim é sempre o mesmo:
A equipa acagaçou-se, nunca teve alma, nunca teve querer nem fibra, acoita-se atrás do melhor do mundo e dos emblemas de lapela dos maiores em qualquer parte do Universo, compram-se mil desculpas e… no próximo é que vai ser.

Habituámo-nos a sofrer e a ir a Fátima a pé e de trotinete durante as qualificações, levando um terço numa mão e a calculadora na outra. E essas procissões de fé têm resultado; acabamos por ir ao convívio dos maiores e de lá voltamos sempre de rabo entre as pernas e pequeninos que nem caganitas de coelho.

E vimos nisto há anos a fio.
Inclusivamente montámos um Euro porque era a única forma de o ganhar (os árbitros dão sempre uma ajudinha às equipas organizadoras, eu ouvi isso a um alto dirigente; claro, porque as receitas não convém que falhem…) e nem assim conseguimos enganar os Gregos.

Mas para este ano tivemos mais um peso às costas.
Já não nos chegava sermos os maiores, ter o melhor jogador do mundo, um treinador de outra galáxia e experimentado, uma plêiade de jogadores a jogar nas melhores equipas do mundo, uma equipa de dirigentes que é o máximo (um deles condenado a um ano e meio de prisão com pena suspensa por quatro anos; talvez a única selecção com um dirigente desta categoria… salvo o Brasil, não sei…), só nos faltava o Fernando Santos chegar-se ao pé da malta e dizer:

– Este ano vamos jogar para sermos Campeões da Europa…!!!
Era a cerejinha que faltava para esfrangalhar a insípida classe da nossa Selecção sempre que tem que provar todos os argumentos com que nos acena antes das viagens para os Europeus ou Mundiais.
Ao Fernando Santos agora só lhe resta dizer:

– Hei pessoal…! Eu estava a brincar…! Vamos lá voltar aos caminhos de Fátima e ás veredas da máquina de calcular….!

 Foto de Pedro Cabrita.
7jun2016

É preciso não ter mesmo ponta de vergonha na cara.
Só falta dizer:
EU ROUBEI, MAS METADE DOS CARAS DO CONGRESSO TAMBÉM ROUBARAM! LOGO, OU NÃO VAI NINGUÉM PRESO, OU VAMOS TODOS…
É neste país que vão ter lugar os próximos Jogos Olímpicos:
CITIUS, ALTIUS E FORTIUS…!
Que ironia…!!!

6jun2016

Francisco Assis.
Um político ciclicamente a carecer de provas de vida.

O maior problema deste homem é a definição e conceito próprio de democracia.
Ou estão comigo, ou estão contra mim.
Ou pensam o que eu penso, ou estão todos errados.

Assis tem-se movimentado com enorme afã na imprensa sempre que sente que há palco mediático de oportunidade e pode colocar-se em bicos de pés, proclamando-se contra a esmagadora maioria dos seus camaradas de partido.
Pode chamar-se coragem. Há também quem lhe chame tique de poder doentio, alicerçado numa retórica vazia de conteúdo programático, que não vai além de um certo rancor ideológico, também pouco consentâneo com a democracia parlamentar e eleitoral que qualquer político deve saber interpretar.
Mas também, e ainda, o saber interpretar o país e a necessidade de compreender que é possível promover mudanças importantes na sociedade, não estabelecendo como regra única apenas uma alternativa unívoca.
Mas quando se perde nas disputas eleitorais partidárias e por números que não oferecem dúvidas afigura-se que a atitude mais sensata (louve-se A. J. Seguro neste aspeto) é o recato e distanciamento do poder partidário que venceu por números eloquentes.

Quando se tem uma casa onde contestar a razão ou a verdade dos outros, esgrimindo a nossa, mas optamos por andar de rua em rua a dizer sempre a mesma coisa, algo que toda a gente já sabe, diria de ginjeira, soa a ressabiado, necessidade de palco, ou preparação para algo mais indecoroso que não passará certamente pelo desafio limpo dumas primárias num tempo longínquo que seja. Falta-lhe coragem e estatura, bastando para o efeito uma certa figura de desalinhado compulsivo, apenas por perceber que passado todo esta tempo lhe foge a oportunidade ambicionada de um poder a que se julga com direito.

Assis tarda a entender que a sua “coragem” não é entendida pela esmagadora maioria dos socialistas e que a sua ação, aparentemente consciente, em nada contribui para o trabalho do seu Secretário Geral e do Governo que lidera, tornando-se assim, também de forma consciente, num aliado da oposição que muito vem agradecendo a F. Assis esse apoio inusitado.
Parece claro e definitivo que Assis já entendeu que perdeu o partido e o seu futuro político, pelo que algum desespero que se vem notando não passará disso mesmo; desespero.

Nota em à parte:
Ficar-lhe-ia bem, em nome da transparência e clareza de princípios, demitir-se do lugar que ocupa na União Europeia. Bem sabemos que 18.000€ mensais dão algum jeito para os botões.
Mas a um homem que se afirma tão firme nas questões de carácter não ficaria mal uma tal atitude.

Foto de Pedro Cabrita.

2jun2016

Estou-me lixando para os anos de prisão pedidos pelo Ministério Publico. O que me interessa é se o Ministério Público defende os interesses dos cidadãos. Em resumo: o Ministério Publico já tem em lugar seguro os bens que o gangue do BPN roubou? É assim que tenho visto fazer com os gangues da droga, dos assaltantes de multibanco, dos arrombadores de vivendas, de contrabandistas. A judiciária, a GNR expoem os bens roubados: armas, viaturas de alta cilindrada, massos de notas. O resto é treta. Onde está o fruto do roubo deste gangue?

CMG

1jun2016

TENHO UMA IDEIA.

Já que colocam fotos de gente morta nos maços de cigarros, por que não colocar também fotos:

– de gente obesa em pacotes de batata frita,
– de animais torturados nos cosméticos,
– de acidentes de trânsito nas garrafas e latas de bebidas alcoólicas,
– de gente sem tecto nas contas de água e luz, e já agora…
– de políticos corruptos nas guias de pagamento de impostos ?

Não era uma boa ideia a do macaco…?

Foto de Pedro Cabrita.

22maio2016

Parece claro.
E talvez devamos procurar uma explicação para todo este ruído, mas noutro sítio, não aqui.

… e claro que a treta dos Panamá Papers foi uma jogada de chico-espertismo para vender jornais e minutos de TV bem pagos pela publicidade arregimentada. Custa-me ver um Pedro Santos Guerreiro a alinhar nesta farsa.
E a malta engole. De hábito em hábito já nem nos damos ao trabalho de discutir ou referir sequer o assunto.

TVI/Notícia sobre o Banif.
Faltam unhas ao “miúdo” Sérgio Ribeiro sequer para usar o anonimato das fontes e justificar aquela patacoada duma notícia explosiva semi desmentida minutos depois. Como se a ingenuidade fosse uma brincadeira na TVI.
Em 17 minutos desmente-se uma bomba para os contribuintes, mas o incomensurável direito à informação não suportou 17 minutos para confirmar a notícia antes de a colocar no ar.
Não nos façam de mais parvos do que vimos habitualmente a deixar-nos ser. Bem que o Sérgio Ribeiro não deixou de nos lembrar que não é um novato nestas coisas de economia. Claro que não; e por isso mesmo.
Aguardo com curiosidade a auditoria ao escalavrado jornalista A. Costa. Um rapaz com cartilha e duvidoso porte.
O assunto provavelmente morrerá. Mas vamos lá ter uma breve esperança na atuação da justiça, coisa a que nestes contextos estamos bem desabituados.

Sérgio Figueiredo, diretor de informação da TVI. Fotografia: Sara Matos / Global Imagens

https://www.dinheirovivo.pt/banca/banif-o-rodape-de-17-minutos-que-levou-a-fuga-de-depositos/sthash.jtwgO5SH.gbpl

8Maio2016

Os contratos de Associação explicados em 3 minutos…

https://www.leituras.eu/contractos-de-associacao-explicado…/

Foto de Pedro Cabrita.

29abril2016

Afinal é possível !
É possível a convivência entre o capital e o humanismo.

Retrato de um patrão que mandou passear a Nestlé e a Pepsi, preferindo sacrificar a rentabilidade a despedir trabalhadores: Eis Rui Nabeiro, o herói do Alentejo.

5Out2015

Quanto custa um amigo do peito.

António José Seguro saiu do Partido Socialista, mas deixou uma mina armadilhada no Largo do Rato. Chama-se Álvaro Beleza, um amigo do peito que, como sempre acontece com os amigos de verdade, nunca abandona quem o traz ao peito.

Uma mina armadilhada, se não for com relógio, detonará por contato, ou ao menor rumor. E foi o que aconteceu; só que neste caso foi por relógio, contato e rumor. Tudo no mesmo momento.

Álvaro Beleza foi ontem talvez a única voz de insurgência contra a não-vitória de António Costa nas eleições legislativas. Uma mina colocada com um determinado fim tem esse mesmo objetivo; detonar quando é preciso. Se tivesse sido necessário, ou ocorresse oportunidade de discursar, tenho a certeza de que Álvaro Beleza retiraria um discurso da algibeira com múltiplas páginas prontinho a ser debitado em defesa de uma certa honra de um amigo do peito perdida algures num campo de batalha.

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31jul2015

Encerrado o episódio de saneamento político de A. Santos Silva na TVI 24.

Fica um breve resumo para não dar muito trabalho a procurar o enredo. Um avivar de memória, esta nossa pobre memória que tão massacrada anda, “…um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio… sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas…”, no dizer de Guerra Junqueiro, 1896.

O programa “Os porquês da política” de Augusto Santos Silva (aparentemente um perigoso e incómodo socialista) em mais de um mês mudou, repentinamente, de horário e dia várias vezes consecutivas, por causa do futebol umas vezes, outras sem razão aparente, nem desculpa proclamada. Critérios editoriais, disseram… Entendemos.

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27jul2015

DENUNCIAR É PRECISO

Tenho promovido a denúncia do conluio imprensa-governação que ocorre no nosso país nesta altura, mas fica-me a ideia de que não nos vamos apercebendo da dimensão desta autêntica vergonha, perpetrada de forma silenciosa e discreta.

A proclamada liberdade de imprensa esconde jogos e deturpações de conceito, esquecendo ou vilipendiando a bel-prazer uma outra face de uma imprensa livre, onde foi abolido o lápis azul.
Refiro-me à isenção.

Ora a isenção implica a liberdade de proclamação de um tendência, mas tem que conferir a não eliminação do chamado contraditório. A isto chama-se imprensa limpa.
Nem nos damos ao trabalho de referir o panorama tablóide em roda livre neste país.

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27JUN2015

Jesus – Da Bíblia para o Sporting.

A ascensão de J. Jesus foi um longo processo conseguido através de resultados interessantes em equipas de segundo plano, mas com maior relevo naquelas que podem almejar um brilhante 4º ou 5º lugar que dê acesso às competições europeias e aos almejados milhões que permitem respirar e esconder aqui e ali a pobreza contratual e de sobrevivência em que navega o futebol português. Equipas onde, aparentemente, só a Playstation permite ombrear com os chamados grandes, na versão correta de J. Jesus, os mais beneficiados pelo sistema, leia-se, arbitragem.

Como viria a ter plena razão quando, saltando da Playstation, saboreou sem amargos de boca os prazeres do “in dubio pró grande”, tendo aí os rótulos que proclamava começado a sofrer pequenas alterações; “Limpinho, limpinho…” passou a constituir-se numa das novas versões de J. J. quando a Playstation deixou de fazer sentido e foi arrumada na prateleira.

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18MAI2015

“Vá pelas escadas…

… e arrisque-se a morrer…!”

Hoje no Jornal da SIC às 13h a mensagem era; “Vá pelas escadas…” e esqueça os elevadores.

A mensagem era suportada pela DGS (Direção Geral de Saúde, não a outra já extinta, mas que quase se adaptava…), o que já de si é muito grave, e era engalanada por um jovem (demasiado jovem) que explicava com aquela veemência que só os jovens conseguem exteriorizar, quando se deparam com algo que à primeira vista faz algum sentido, passando assim a uma verdade inquestionável; uma descoberta fantástica que vai revolucionar o mundo e ninguém ainda tinha dado por isso.

O jovem, de seu apelido Arriaga, brandia que subir escadas é fantástico porque resolve problemas cardíacos e de obesidade.

Esqueça o elevador; vá pelas escadas e em 3 minutos de manhã e outros 3 à tarde tem os seus problemas resolvidos; a ideia subjacente era taxativa e inequivocamente esta.

…/…

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27MAR2015

Henrique Neto igual a Henrique Neto.

Um Lusitano dos antigos.

Não haverá um único português que não proclame a sua disponibilidade para mudar o rumo do país, pôr termo à corrupção e, essencialmente, colocar todos os políticos na ordem; naturalmente na sua ordem.

Sim, porque a experiência diz-nos que aquele ideal de isenção, apartidarismo e distanciamento dos políticos que nos vêm sugando (legal e também literalmente) percorre cada português como vermelho é o sangue que lhe corre nas veias.

A iniciativa de Henrique Neto insere-se pois nesta espécie de divisa que nos anima a todos, mas confere algumas particularidades que importa invocar se quisermos entender melhor o que leva um cidadão nos seus 78 anos de vida empresarial intensa, mesclados de arrufos políticos mal digeridos e ao mesmo tempo mal explicados, a empreender uma candidatura à Presidência da República.

…/…

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6JAN2015

Processo preso nº44

Não nos adiantemos à Justiça, se a houver e a funcionar…

Mas esperamos que a Justiça não antecipe qualquer forma de pena antes do julgamento.

Uma prisão (preventiva(?)) para apuramento da eventual responsabilidade por crimes cometidos pode traduzir a confissão de que não há dados concretos apurados, ou suficientes, para acusar. Apenas indícios ou suposições. No fundo, precisam de tempo.

Se não há dados concretos, a determinação de prisão pode perfeitamente constituir-se num acto lesivo dos interesses e do bom nome de quem é detido, não havendo posteriormente meio de ressarcimento capaz ou suficiente que reponha a honra.

Que não se confunda a igualdade de todos os cidadãos perante a lei com o estatuto político de um ex-1º ministro. A boa ou má imagem política não se resume à mesma imagem do cidadão comum. A igualdade apenas deve ser conferida na aplicação de penas e exigência do cumprimento das leis, onde o estatuto se deve igualar entre o cidadão comum e o político, atrevendo-me a admitir até que o rigor possa ser mais exigente para com este.

O preso nº 44 do Estabelecimento Prisional de Évora não é um preso comum. É um ex-1º ministro com peso político cujo contorno de prisão preventiva pode condicionar o quadro eleitoral que se aproxima, não sendo posteriormente possível remediar uma situação que caduca no tempo, mesmo que a justiça venha mais tarde a fazer-se, venha ela a ter o desfecho que tiver.

O prejuízo pode ser do país e a justiça pode ser responsabilizada por deixar arder a floresta preocupando-se mais com uma única árvore, por muito apetecível que esta possa ser.

Nota:

Há uma questão que incomoda.

Porque razão os que concordam com a prisão preventiva estão na direita ou com o governo e os que a acham abusiva e incorrecta estão na esquerda ou no PS?

Nada a ver com política esta detenção…!

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26 de NOV2014

Finalmente prenderam o “gajo”.

Para descanso de mães e alguns bons chefes de família que veem assim o futuro de filhos e netos naturalmente preservado.

Prenderam o “gajo”, finalmente.

Descansa a inesgotável justiceira Felícia Cabrita, qual versão feminina do nosso super-juiz Baltazar Garzon Real, ainda a contas com aquela constipação que, renitente, tarda em deixá-la, fruto certamente de noites a fio pelas esquinas da investigação “jornalista”; abraça finalmente a paz de espírito a enorme comediante Manuela Moura Guedes, a quem Marinho e Pinto, certamente por má informação, admitiu que ela nem carteira de jornalista tinha, ou se a tinha a teria obtida nas Novas Oportunidades.

Sabemos agora que há outra alma que tão bem tem conseguido disfarçar a sua sanha anti-“o gajo que foi finalmente preso”, a jornalista Cristina Esteves, que recentemente fulminou a laser faiscante expelido daqueles olhos tremeluzentes o antigo Procurador-Geral da República Pinto Monteiro, numa entrevista na RTP onde despudoradamente insinuou actos de protecção da justiça ao “gajo que foi agora finalmente preso”. Só a paciência de um beirão habituado desde pequeno a enfrentar o frio e o gelo das faldas da Serra da Estrela permitiram não reagir com duas palmatoadas bem assestadas no furor da autêntica e desconhecida leoa da RTP, que repetidamente puxava a juba para trás num autêntico desafio ao estilo… “olha bem para mim…!” ou “… are you talking to me…!?”

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29/SET/2014

Breve questão de hierarquia…

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25SET2014

PARTICIPAÇÃO NUM FORUM

Alongamentos.

A polémica e o debate.

Permita-me regressar à liça dos alongamentos, não só porque é uma área que sempre mobilizou o meu interesse profissional, bem como algum trabalho de estudo, ainda que incipiente.
Conceda-me assim esta tentativa de contributo.

Julgo que à partida há que distinguir alongamento como treino e o alongamento na competição.
Para um alongamento em treino que permita aumentar progressivamente o comprimento e componente elástica de um conjunto de estruturas ou grupo muscular, parece continuar aceite que esse alongamento deve ser efectuado por períodos estáticos de 30/40 segundos, tendo sido observadas lesões mais frequentes se os períodos de alongamento estático ultrapassarem largamente esse tempo. Neste caso, a estrutura pode alongar-se mais, mas enfraquece a sua constituição.

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1SET2014

MÁS UMA CRÓINECA, AQUI DO ZÉ MARRACHE, MAS ESTA É DE SATISFAÇÃO…

Mês amigues.
É com uma alegria mesme daquelas que dêxam uma pessoa com o pêto inchado que vos venhe informar que o nosso amigue Rapose, finalmente, lá conseguiu arranjar um amigue no Algarve. Pode parecer mintira, mas é verdade.

Chama-se João Guerreiro e, diz ele, que é do Algarve. Li as palavras do homem nas Cartas ao Director no Expresse desta semana que um amigue meu, todo marafade, me emprestou.
Também achei graça ao Sr. Director do Expresse: sei que houve muites amigues que mandarem cartas marafadas com o amigue Rapose. Mas logue o Sr. Director havia de escolher uma toda babosa pró Sr. H.R. São feitios, eh cá sei…

Tá vendo amigue Rapose; é precise é saber procurá-los. Com jête mecêa vai ver que ainda arranja aí uma catrefada de amigues nesta terra onde se rabola todo entre o ódio e o amor a estes meio-sarracenes que tanto o irritam. É tude uma questão de paciência. Eles andem aí…

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25AGO2014

 

Carta aberta ao amigue Henrique Raposo (Expresso)

(Sotaque algarvio, com orgulho)

 

Desculpe lá mê amigue Raposa, pêçe desculpa, amigue Rapose, mas a gente aqui no Algarve nunca se deu bem com as letras. Vai daí os pôques que ajuntem três palavras nem pra isse têm tempe.

Levê uma semana pra ler a sua cróineca “Os Algarvios” no Expresse. As palavras são assim uma espéce de mar encrespade em que a gente sai duma onda e já está a levar com outra na fucinhêra que nos dêxa desalvorades com falta d’ar. Mas li tude. Perceber, nã percebi; mas li tude.

Dizem-me agora que mecêa levou na corneta (nã leve a expressão pra outre lade…) por mode das coisas que escreveu dos algarvios. Parece que vem dezer que nã foi bem aquile que escreveu que mecêa queria dezer e por’aí fora. Que afinal mecêa até gosta da gente e que só um ou outre é que tresmalha do rebanhe.

Atão vames lá ver:

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9JUL2014

OS EQUIPAMENTOS DESTE MUNDIAL 2014

Achei estranhas as camisolas usadas praticamente por todas as selecções neste Mundial.
Num ambiente quente e húmido as camisolas usadas são justas ao corpo.
Ainda pensei que fosse alguma evolução do equipamento, onde a estética confina obrigatoriamente com a secular ditadura da moda e de quem a implementa.
Contudo, li recentemente que a “ideia” circunscreve uma qualquer teoria que deambula em redor dum efeito pouco ou nada explicado de uma mirífica acção sobre a capilaridade de superfície, com influência no rendimento do jogador.

Lá bombástico é.

Portanto, nada a ver com uma esplendorosa negociata montada por uma “pequena” empresa que promove estudos científicos sobre este assunto, deixando de lado um ou outro lucro fabuloso, logo dissipado pelo interesse científico do estudo…

A bem do desporto e do bem-estar dos atletas, como está bem de ver…

Convicto que ando de que a fisiologia do corpo humano não se confina lá muito com modas abstrusas, nem sofre alterações ao ritmo das tatuagens do Meireles, dei em lembrar-me que a transpiração é um mecanismo de arrefecimento do corpo, funcionando como uma espécie de radiador dos automóveis no arrefecimento do motor.

Ou seja; o corpo humano aquece durante o esforço (tal como a febre), carecendo de arrefecimento a fim de não colapsar determinadas estruturas, especialmente as cerebrais, ou alterar o seu desempenho por abaixamento do nível de alguns sais minerais.

Esse arrefecimento é obtido pela evaporação da água (suor), fenómeno que produz frio. Ou seja, transpiramos porque o corpo aquece e carece de arrefecimento, o que remete para um erro frequente que é o de usar camisolas grossas, ou mais que uma, para emagrecer durante o treino. Um erro por vezes de consequências bem nefastas, porque o único efeito que se obtém é o de exaltar o mecanismo de arrefecimento do corpo com perda abundante de água e sais minerais, circunstância que gera um errado conceito de perda ou consumo extra de tecido adiposo.

Os alemães que o digam quando meteram 3 camisolas nos jogadores em treino para estes se aclimatarem ao ambiente dos jogos e rapidamente verificaram que o abaixamento de sais minerais como o sódio, potássio, cloro e magnésio proporcionavam um efeito nefasto bem mais grave que o próprio clima. Agora é ver os jogadores quase em tronco nu usando um colete estranho que, segundo se refere, liberta água e outros produtos compensatórios da desidratação. Aprendem depressa estes alemães.

Com a chegada do Verão é do senso comum o uso de roupa leve mas também larga, tornando-se por demais evidente que a circulação de ar entre o vestuário e a pele nos traz conforto pela fresquidão que se obtém, ao permitir-se uma maior evaporação do suor.
Torna-se assim um absurdo o uso de camisolas justas ao corpo implementadas neste Mundial, aumentando assim a transpiração e diminuindo o processo de evaporação/arrefecimento. O transtorno dos jogadores ficou ligado à agressividade do clima e jamais se concluirá que aquele equipamento complicou tudo.

Se esta deambulação teórica não passar disso mesmo, havemos de nos perguntar porque razão no Inverno nos sabe bem roupa bem junto ao corpo.

É bem provável que o “cientista” de camisolas com efeito sobre a capilaridade de superfície nunca venha a ler isto. E mesmo que lesse haveria de me esmagar com um cartapácio documental sobre o estudo, o qual eu só terminaria de ler aquando do próximo Mundial.

Mas estes “cientistas” nunca param.
Lembrar que no Mundial 2002 da Coreia cientificaram uma camisola com uma propriedade de arromba. Se bem se lembram, a camisola era impermeável pelo que não havia chuva que lá penetrasse, o que proporcionaria um enorme bem estar ao jogador. Teoricamente ficaria sequinho, mesmo que um dilúvio lhes saísse ao caminho. E era verdade. Só que “cientista” que se preze não pode pensar em tudo. Por vezes escapam pormenores como terá algumas vezes sucedido ao Albert… o Einstein.

É que a chuva na verdade não entrava; mas o produto era de tal modo de boa qualidade que o suor também não saía. Ou seja, os jogadores transpiravam que nem o Fernando Mendes encerrado em sauna, uma vez que a ventilação para o efeito de evaporação do suor diminuiu drasticamente. Claro que a bem da “pequena empresa” o assunto morreu muito antes da praia…

Dou-me em pensar que o “cientista”, se não é o mesmo, será da família.

PC

6JUNHO2014

A LIDERANÇA NO PARTIDO SOCIALISTA

O primado da virtude.

Chamemos as coisas pelos nomes.

Não se conhece político que se tenha dedicado à causa pública com a messiânica missão de bem-fazer aos seus concidadãos apenas pela dor ou constrangimento sorvido no sofrimento destes. Isso não existe. Nem aqui nem noutro lugar. A essência do homem é o que é e não aquilo que quase sempre nos quer fazer crer.

Assim sendo, deixemos logo de fora as inusitadas acusações de um dos candidatos quanto às ambições pessoais que terão motivado o seu oponente na decisão de disputar a liderança do partido. Na política “andamos todos ao mesmo”, dispensando-se discursos de altruísmo pacóvio que já não alienam nem iludem o eleitorado de tão cansado que anda e de tanto engano tragado.

O desafio de A. Costa à liderança do partido lançado a A. José Seguro tem apaixonado a opinião pública, dividindo perspetivas e conflituando pontos de vista, deixando a nu a eterna dúvida dos verdadeiros valores a ponderar nas escolhas que devem efetivamente ser feitas.

Mesmo que em simultâneo se debata o conflito do Governo com o Tribunal Constitucional, não há órgão de informação escrito, radiofónico ou televisivo que não traga ao debate público de hora a hora o momento atual da disputa de liderança no PS. “Salvam-se” as televisões generalistas que já têm o seu espaço devidamente devassado por uma espécie de genérico cultural de deglutição fácil a que chamam novelas.

As opiniões que se vão confrontando são tão diversas que se afigura complexo arrumá-las em menos de meia dúzia de patamares.

Conhecidos que são os dois planos em confronto – A. Costa a disputar a liderança e A. J. Seguro a defendê-la – os registos são interessantes.

Críticas a A. Costa:

– O momento não é o ideal; devia tê-lo feito antes;

– É um oportunismo político e pessoal;

– Ambição de poder;

– Traição; apoiou e agora quer destronar;

– Deixou que o outro fizesse a travessia do deserto e agora quer colher os frutos, etc, etc…

Apoiantes de A. Costa:

Um único argumento: o líder que está não serve, não chega:

– Não convence o eleitorado;

– Não intimida os adversários políticos;

– Sem passado político de vulto, não revela possuir estatura política nem governativa e muito menos experiência;

– Não tem discurso a não ser a verborreia política mais que enquistada;

-Em suma, nada faz prever que, na posse duma previsível vitória eleitoral (?), dê um mínimo de garantias de êxito ou substância governativa ao partido, às pessoas e ao país.

E aqui parece estar o cerne da questão.

O debate deixa a nu a tradicional tendência de discutir o redundante e as franjas – onde se inclui a cor dos olhos – em detrimento do essencial; ou seja, uma eventual melhoria e melhor bem-estar duma sociedade que clama por melhor país e melhores políticas.

A perspetiva de poder ter um líder com discurso, credibilidade consubstanciada numa indiscutível maioria absoluta obtida na cidade de Lisboa, farta experiência governativa e os famigerados, e nunca despicientes, cabelos brancos proclamados por tantos, pouco importará. Preponderante será a insídia, a calúnia, o supérfluo, o pormenor. É assim que sempre fomos; é assim que somos.

António Costa tinha um projeto político que era de transcendente importância para o partido; ganhar a Câmara de Lisboa, se possível de forma retumbante. Obteve-o sozinho, sem margem para dúvidas. Melhor dizendo, sem um único estalar de dedos de Seguro.

Esse, em meu entender, o principal motivo pelo qual não avançou para as eleições no partido. Contudo, fez questão de deixar um aviso ao candidato vencedor de que a oposição ao Governo deveria ter substância suficiente que conduzisse o partido a um retorno ao poder. É a natural ambição de qualquer partido. Seguro não pode apregoar ter sido surpreendido.

Parece por demais evidente que essa substância está bem longe de ter ocorrido, tornando-se desnecessária mais uma escalpelização dos recentes resultados eleitorais, com números que não oferecem dúvidas quanto à debilidade da liderança do Partido Socialista, enquanto partido com aspirações governativas.

A traição e ambição de A. Costa.

Propôs-se ganhar a Câmara de Lisboa, onde se senta sem sobressaltos da oposição. Propõe-se agora abandonar essa vitória retumbante e sossego político, nas suas palavras, por imperativos de consciência. Parece óbvio que o objetivo era, em primeira análise, servir o partido. Se assim não fosse deixar-se-ia ficar no remanso duma vitória folgada, quase sem oposição digna desse nome.

Mas resultaria mais; podia perpetuar-se na Câmara por mais dez anos e, à semelhança de outros, provavelmente com menos pujança até, apresentar-se a eleições para a presidência da República e vencê-las sem grande dificuldade. Prescinde aparentemente desse desiderato ainda, mas também, por imperativos de consciência. Afigura-se-me por demais esclarecida a traição e a ambição do candidato.

António Costa terá defeitos. Também virtudes.

Recordo um episódio ocorrido há muito. Era então ministro da Administração Interna e vivia-se mais um verão quente de incêndios com fogos semeados pelo país. No terreno, em mangas de camisa e assoberbado, foi abordado por uma jornalista ávida de apertar o político:

“Senhor ministro. O que nos tem a dizer sobre esta onda terrível de incêndios?”

A resposta, inusitada e lacónica: “Olhe! A única coisa que lhe posso dizer é que o País está a arder…! Tão simples quanto isso…!”. Tão lacónica e inusitada que a jornalista, esperando uma qualquer desculpa ou dourar de pílula,  embatucou e não teve outra questão mais a colocar.

Os discursos.

A principal e proclamada arma de A. J. Seguro para se alcandorar ao lugar de 1º Ministro é a “… garantia de que baixará os impostos, reporá as perdas dos pensionistas e reformados e nele encontraremos uma espécie de Super-homem que enfrentará tudo e todos, incluindo o que restar da Troika, no sentido de reestruturar a dívida e assim resolver todos os nossos problemas.” Falta apenas saber como o fará e o que acontecerá se os troikanos disserem apenas… “Não!!”, circunstância colocada de forma quase verrinosa pela jornalista Ana Lourenço em entrevista na SIC Notícias, quando lhe perguntou: “Mas vai negociar com quem…?”

Garante ainda que, mesmo ganhando com maioria absoluta, fará acordos com todos; direita, esquerda e o que mais houver. Tudo em nome do consenso.

Fica-me uma leve e estranha sensação de já ter escutado este discurso e receita de intenções por mais de uma vez nos últimos 30 anos. Aparentemente A. J. Seguro não aprendeu nada com o passado e mantém a linha do que foi apreendido nas carteiras da “J”.

António Costa, que ainda não apresentou o seu programa, afirmou apenas dois aspetos básicos:

– “É importante trazer à governação (sem que isso implique ao governo) partidos de esquerda com uma fatia importante no eleitorado que representam pessoas que votaram nesses partidos. Há que respeitar esse eleitorado. Algo que nunca foi feito, enquanto a direita não encontra quaisquer impedimentos para o fazer sempre que necessário para governar.”

– “O projeto a apresentar ao povo português será sempre um projeto a 10 anos e nunca um projeto para ganhar eleições na legislatura seguinte.”

Esta uma ideia que muito deambula no discurso político, mas sempre na boca de quem está por fora da governação e não faz intenções de por lá passar no seu horizonte mais próximo, de que é exemplar eloquente a figura expressiva dos conhecidos bonecos dos “Marretas”, o nosso inefável Dr. Medina Carreira.

Circunstâncias e apoios.

É curioso observar dois pormenores neste plano.

Apoios claros e significativos a A. J. Seguro:

Simpatizantes do Governo atual – que, ao mesmo tempo, não deixam de enaltecer e empurrar A. Costa para as presidenciais (vá lá saber-se porquê) – e os membros da estrutura partidária que elegeram Seguro e naturalmente ambicionam a partilha do poder na perspetiva duma vitória eleitoral em 2015.

Apoiam significativamente Costa a parte sobrante, com especial relevo para os mais antigos e experientes, sendo de elementar justiça que também aqui se encontrem candidatos com apetências governativas, sendo essa a essência do homem; governar e desfrutar do poder.

Resta enquadrar a marcação de primárias, por ordem e desejo do líder atual, para as calendas gregas, ou mesmo para lá do Oriente. Mesmo que se trate duma experiência inusitada no nosso quadro eleitoral e o país viva numa incandescência política de repercussões imprevisíveis.

Seguro quer ganhar tempo a qualquer preço. O verão será escaldante em caminhadas por todas as concelhias do partido onde as promessas de um deslumbrante Jardim do Éden florirão com um único Adão em campo e uma Eva amordaçada, não vá atrapalhar este veemente e intrépido desejo de A. J. Seguro de algum dia vir a tornar-se 1º Ministro de Portugal.

Confronto-me com a terrível realidade que nos vem martirizando há décadas e décadas a fio: receio bem que o genuíno mas ingénuo desejo de Seguro de chegar à governação do país se venha a conformar com a máxima lusitana de que vamos sempre tendo aquilo que merecemos…

P. C.

À sombra da azinheira.

2JUNHO2014

Passos Perdidos no Alentejo…

– Compadre Falências. Isto aqui debaixo da azinheira às vezes inté me parece a Assembleia da República.

– Na me diga que os deputados que aqui estão também têm a fama de trabalhar pouco e ganharem muito.

– Nada disso. É mais pela conversa. O compadre, ou anda a ver muito debate político, ou inscreveu-se p’raí nas Novas Oportunidades. É que muitas vezes nã chego a entender o que mecêa quer dezer.

– Atão diga lá onde é que se perdeu, compadre Jacinto. Tamém podemos montar aqui os Passos Perdidos…

– Pronto. Tá a ver? Que moenga é essa dos Passos Perdidos?

– Parece que têm por lá uma sala a que chamam dos Passos Perdidos. Histórias antigas. Também me parece que é por onde temos andado a maior parte do tempo; … perdidos.

– Nã anda muito longe da verdade, compadre. Mas a minha barafunda tem a ver com as últimas eleições e com as confusões que se vêm armando.

– Conte lá a ver se a gente desbarafunda isso.

– Atão; o Pi S ganhou. Os do governo levaram uma valente porrada; atão e agora vem o compadre Costa e quer mandar o Segurito da cadêra abaixo…? Atão quer dizer: se o homem perdia as eleições ela dava-lhe era um soco nas orelhas…

– É a plítica, compadre. O que o compadre Costa diz é que ganhou por poucos e que assim nã vamos lá.

– Nã vamos, quem? Os do Pi S, tá claro…?!

– Pois atão.

– Mas vamos lá a acertar isto melhor, compadre João Falências. O homem esperneia por todo o lado e diz que ganhou as eleições no partido, ganhou o Congresso dos socialistas e que, sendo assim, o polêro é dele.

– E foi. Até aqui, foi. E nã se pode queixar do Costa se lhe ter atravessado no caminho. O homem esteve quêto e quando foi altura até o apoiou. Mas dêxou-lhe o recado: “Ou te portas bem, ou eu (com sua licença agora, compadre, que o homem nã disse bem assim..) ou eu “CA**” na Câmara e venho por aí com os ditos em baixo e vai tudo à frente…!”

– Atão e tá-se mesmo a ver que agora picou-lhe mesmo a mosca na barriga…?!

– Se calhando… Mas o que o homem diz é que, com esta votação, mais coisa menos coisa, o Passos Coelho até se ri de folgado. E in chegando as eleições, com meia dúzia de tostanitos assim atirados como milho às galinhas,  inté é capaz de as ganhar outra vez e lá continua na governação.

– O que é uma porra, compadre. Tamém nã venho gostando do que vou vendo. Atão e mudando do Segurito pró Costa chega?

– Nã sei. Ninguém sabe. Mas olhe. Quem parece que nã tá gostando da conversa do Costa, além do Segurito, tá bem de ver, são os do governo. A gente ouve as notícias e o que agente ouve é eles dezerem que o Segurito é que é bom e que é uma vergonha o Costa querer deitar o homem abaixo.

– Essa tem graça, compadre Falências. Atão se se estão borrando, alguma coisa lhes chêra mal no Costa, salvo seja.

– Pois aí é que está a graça. Quando os do outro lado dizem que o que está é que é bom, nã sendo parvos, é de desconfiar.

– E já agora, que o compadre parece uma pessoa informada, o que acha do Costa? O homem tem jêto, ou na dança só mudam os sapatos…?

– Compadre Jacinto; tenho aqui um melanito pra si que trôxe lá do meu quintal.

– Mas atão pergunte-lhe pelo Costa e mecêa dá-me um melão…? E é bom o melão?

– Pois, cá está. Abra lá esse “Costa” pra ver se tá bom…

– Agora vou abrir o Costa… Entrou na mangação comigo o compadre…?

– Nada disso; faça de contas que esse melão é o Costa. Abra lá a ver se tá bom…

– ÃÃhh… Tou vendo, compadre João Falências. Temos que abri-lo pra ver se tá bom… É o que eu digo. Mecêa anda perdido aqui debaxo da aznhêra. Mecêa dava era cá um 1º mnistro…

– Mas olhe. Voltando ao melão sempre lhe digo: se os da governação nem podem ouvir falar no melão, quanto mais abri-lo para provar, ou muito me engano, ou é capaz de estar mesmo maduro.

– Assim sendo, tudo indica que vamos ter um ano bom pró melão.

– Agora sou eu que nã estou a apanhar o compadre Jacinto.

– Atão o compadre Segurito tamém nã vai ficar com um melão de todo o tamanho…?

– Ah grande malha, compadre Jacinto… Tá convidado pra meu adjunto…

– Primêro vamos lá atão ao melão… Depois ainda vou pensar nisso…

– Já se tá a pôr difícil e ainda nem o convidei. Isto é que vai um sequêro aqui no Alentejo…

In – Diálogos à sombra

https://pedrocabrita.wordpress.com/artigos-publicados/sociedade-e-politica/dialogos-a-sombra/

 

 

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