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O mesmo baile, as cenouras e os novos emigrantes…

Vai começar o baile…

Acabámos de ouvir o governador do Banco de Portugal afirmar que os funcionários do BdeP vão receber os subsídios de férias e natal, contrariando a determinação do governo que os corta a TODOS os funcionários públicos.

O fundamento invocado é o da “independência política”…

Portanto, ficam todos os restantes funcionários públicos e pensionistas a saber que não vão receber os respectivos subsídios por dependência política do governo…

Por mim acho que começou o baile.

Mil e um motivos vão ser invocados por quem pode fugir aos cortes.

Os deputados deverão vir a seguir e, por maior ordem de razões, os governantes vão achar-se igualmente independentes politicamente de qualquer coisa (ou inimputáveis, quem sabe…) para receberem os ditos.

Agora adivinhem quem vai ficar de fora desta nuvem de poeira e regabofe…?!?!?!?

Cada vez apoio mais a sugestão do 1º ministro, quando apontou a emigração como uma boa saída para os portugueses.

A pertinente questão da cenoura…

Afirma o Banco de Portugal que, a partir de agora, “…Os bónus dos banqueiros passam a estar indexados à riqueza efectivamente criada…”.

A notícia cai bem. A malta fica a saber que (em princípio…) não vai haver bónus à balda para os gestores bancários, como acontecia até aqui. É um alívio e um sossego.

Para mim é mais um descanso para a minha ingenuidade.

É que eu pensava que qualquer pessoa nomeada para um cargo, como qualquer funcionário, obrigava-se ao seu melhor desempenho, sendo remunerado de acordo com as responsabilidades que lhe eram conferidas e por aí se ficava.

Engano meu.

Há senhores que recebem bónus por trabalharem bem.

Além do chorudo do salário (normalmente superior ao dos pobretanas dessa Europa fora) os senhores têm uma cenourinha bem à frente do nariz que os fará cumprir “com mais rigor e empenhamento” as funções que lhes estão atribuídas. Falta-me saber se descontam no salário quando trabalham mal…

Percebo melhor agora porque são (injustamente) apelidados a generalidade dos funcionários públicos de malandros e preguiçosos:

… falta-lhes a cenoura..!

Os novos emigrantes…

Na falta de melhores notícias (melhores ou piores, tanto faz) descobriu com grande alarido a imprensa portuguesa que o sr. Alexandre Soares dos Santos resolveu transferir para a uma sucursal da Holanda o capital que detém na Jerónimo Martins.

Caiu por aí o Carmo e a Trindade ficando nalguns casos a ideia de que o senhor se mudava de armas e bagagens para a Holanda, deixando-nos aqui sozinhos a enfrentar o Passos Coelho e o Gaspar.

Iniciaram-se de imediato petições e movimentos meio terroristas de modo a boicotar o Pingo Doce, dando-lhe um amargo de boca como ele jamais terá sentido. A ideia era mesmo levar o homem à falência como castigo por nos deixar sozinhos a enfrentar o governo. A malta aqui não brinca com estas coisas. É uma das raras qualidades que temos. Se é para mandar abaixo, manda-se como deve ser.

A imprensa esqueceu, ou fez por esquecer, que o sr. Alexandre apenas engrossava a lista dos mais de vinte que já lá estão gozando, não o sol que pouco têm, mas a beleza dos diques da prosperidade económica que por lá impera.

Foi o pobrezinho do sr Alexandre que levou com toda a enxurrada e só não foi empurrado ali ao Tejo porque não o apanharam à mão. “Vai! Vai lá para a Holanda… mal agradecido!

O sr. Alexandre viu-se obrigado a vir à TV dar uma explicação. Uma explicação como deve ser.

E à terrível pergunta, “… o senhor está a fugir ao pagamento de impostos aqui em Portugal?”, a resposta foi clara como a água que fica em charco pestilento de fim de Inverno:

– Não! Claro que não!

Alívio nacional.

Vou continuar a pagar os mesmos 25% que pagava antes. Exactamente os mesmos 25%.

Alívio planetário.

-…! Silêncio do entrevistador.

E o sr. Alexandre explicou um pouco melhor: “… vou pagar 15% em Portugal e 10% na Holanda.”

Nada mais claro. O país deveria era estar agradecido a um mecenato destes. Por mim descansei. Afinal o sr. Alexandre continua patrioticamente a pagar os mesmos 25%. Como passam a ser distribuídos…, ele, obviamente, não se importa.

Mas o mais interessante deste episódio é que logo após ter anunciado que se pirava para a Holanda com uma malinha de cartão, pequena é certo, ocorreu algo inusitado.

No dia seguinte começaram a aterrar na Portela em Lisboa tudo quanto era empresas da Europa e do mundo a querer ocupar o lugar do sr. Alexandre.

Repare-se bem como um simples gesto de confiança no país pode gerar uma onda investidores que nos vão reduzir o desemprego a zero ou quem sabe se não nuns prometedores  -5%.

Mas o sr. Alexandre deu ainda uma outra explicação.

“Aqui não há mais crédito bancário”

E ele quer ser um investidor planetário. Secou a mama; a teta aqui deu para o investimentozito na Polónia (inaugurou há pouco a 1.000ª loja…) mas agora é necessário ir à procura de outra vaca.

Isto sim é um exemplo de patriotismo que nos deixa sossegados quanto ao futuro.

Clarinho como a tal água do charco.

Só me pergunto é quando volta a chover neste país.

PC

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