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ANGOLA – Viagem às Mabubas (Por Maria Herculana P. Martins)

Viagem que agita a muita saudade de todos os que integraram a Companhia de Caçadores 3441 em Angola (Mabubas Maio 73 – Dezembro 73), que mão amiga nos traz por sugestão minha e que reproduzo com muito gosto e consideração.

Não apenas pela memória mas pela qualidade da escrita cuja intensidade nos reproduz quase ao vivo cores, formas e odores duma África que se nos entranha na pele e por lá se arreiga para sempre.

Com um abraço, e por certo o agradecimento, de todos quantos vão gostar de reviver de forma tão intensa uma viagem que dista 39 anos da nossa memória colectiva.

PC

 

 

MABUBAS

 Junho 2012

Ontem passámos o dia fora.

Após uma semana em casa, toda a excitação do passeio de domingo. Saímos de manhã, com

destino à agora reactivada Barragem das Mabubas. Esteve vinte anos sem funcionar, devido à guerra!

Uma sugestão de passeio feita insistentemente pelo Leonel Cabrita, que ali esteve aquartelado no comando de uma companhia, antes do regresso a Portugal.

A minha casa é a que fica mais próximo da barragem, é fácil localizá-la! Junto da casa

havia uma acácia vermelha, linda quando estava em flor! De manhã era um regalo para

a vista ir à janela e ver aquele lago, quase a transbordar! Às vezes tínhamos de fazer

descargas… e lá ficava Caxito inundada…”. E, de seguida, um pedido: “Traga-me uma

reportagem fotográfica!”

Pela janela do carro vou observando a paisagem natural e humana.

Do nada, no meio do nada, surgem bairros. São sempre precedidos de grandes placas.

“Aqui é o Paraíso”, tenta convencer uma delas. Prédios todos iguais, vinte, trinta, contrariam a lógica da extensão infinita do terreno, e justificam a lógica do lucro por m2. Chegam a atingir 15 andares, sem que se vislumbrem infra-estruturas que os sustentem.

Na berma da estrada, barracas improvisadas, tendas de bens essenciais confirmam a notória apetência pelo comércio. Existe simbiose, uma espécie de mescla branco-negro. Estão ligados por uma necessidade recíproca mas com objectivos diferentes.

A curtos intervalos, placas que a velocidade do carro e a dimensão das letras não permite ler na totalidade. Em caracteres maiores: “Caros concidadãos”, depois, pelas palavras soltas que vou distinguindo, “proíbe” qualquer coisa, fala em”crime” e termina com “severamente punido”.

Como estas placas são intercalados por outras que anunciam “Reserva Fundiária. Proibida

Ocupação”, talvez estejam relacionadas entre si.

Vou lendo as palavras exóticas que indicam zonas e povoações, algumas ainda na minha

memória: Camama, Cabolombo, Cassamba, Benfica, Zango, Viana, Cacuaco, Catete,

Zonas arborizadas alternam com as de vegetação rasteira.

De passagem lobrigo A Quinta do Destino e placas, muitas placas em chinês, algumas sem

tradução.

Mais um complexo de prédios – rosa choc – autênticos paralelepípedos de dez andares

rasgados com janelinhas pequeninas, todas iguais, como um desenho infantil, coroados por

platibandas salientes (que me fazem lembrar o topo de uma móvel rústico). O cúmulo do kish, perfeitamente inesperado… ou talvez não, neste país onde tudo acontece.

Paramos para abastecer o carro de gasolina. Em Angola a maioria dos carros utiliza gasolina – o gasóleo é de má qualidade. O preço? Uma agradável surpresa – 60 kuanzas/l, ou seja menos de 0,50€! Estamos num país produtor de petróleo!

E continuamos pela auto-estrada a perder de vista, ladeada de onde em onde por aldeias de

minúsculas casas de chapa ondulada, de ramos entrelaçados recobertos de barro ou de

pequenos blocos (tijolos) de cimento.

Na cidade e arredores a insegurança banalizou-se e os assaltos a habitações, à mão armada,

repetem-se. As pessoas tentam defender-se. As janelas são reforçadas com barras de ferro

verticais. As moradias são rodeadas de altos muros, encimados, muitas vezes, por rolos de

arame farpado.

É estranho verificar que aqui, no meio destas casas minúsculas e miseráveis, pelo simples

facto de serem construídas em blocos de cimento, as casas, que continuam minúsculas e se

adivinham igualmente miseráveis, ganhem o direito a ostentar os inevitáveis gradeamentos

verticais nas janelas e portas.

Por toda a parte se vêem crianças, muitas crianças, descalças, semi-nuas, cobertas de tecidos cuja cor já nem se adivinha, correndo, brincando, remexendo montes de lixo ou,

simplesmente, olhando os carros que passam a alta velocidade.

Há um mundo lá fora que corre à velocidade do carro, mas em sentido contrário, a que não

pertencemos, com que não nos identificamos, de que nos sentimos distanciados, que, com

algum desprezo, consideramos quase imutável, que nem ficou cativo dos seus costumes

ancestrais, nem conseguiu pular o tempo presente. Um mundo de gente sem a mínima

consciência de como é grande e poderoso o seu país.

O cacimbo adensa-se um pouco e os embondeiros, grossos troncos encimados por ramos nus, tomam um aspecto quase fantasmagórico.

Muitas casinhas dispersas pela leve ondulação do terreno dão à paisagem o ar ingénuo de um presépio.

E eis que, a norte de Cacuaco, surge o ISPA – Instituto Superior Politécnico de Agricultura,

ladeado de terrenos cultivados.

Panguila – uma aldeia, de maiores dimensões, com bastantes casas de blocos de cimento,

comércio em barracas improvisadas, escola com vasto recreio onde os miúdos disputam uma futebolada.

Aparece a Universidade Metodista de Cacuaco!

Aproximamo-nos do nosso destino.

Há um rio que corre e o verde irrompe luxuriante na paisagem.

E, mais uma vez, o oportunismo comercial. À beira rio, negros lavam carros; explora-se

mais um negócio.

Alguns quilómetros adiante, sob um toldo, um trapo sujo suspenso de quatro varas espetadas no chão, dois sofás esventrados. Num senta-se o vendedor do monte de pneus que o tosco letreiro indica “Vende-se”.

Montanhas de pedra moída e uma fábrica artesanal de pequenos blocos (tijolos) de pedra e

cimento para construção. Agachados, alguns rapazes vão dispondo os moldes em linhas

paralelas para secarem ao sol.

Nova zona em construção “Zona Residencial Panguila”. E nada mais se abarca com o olhar.

Eis se não quando surge a indicação de um Resort (quem diria?) “O Ninho do Musseque” que fica terra adentro e não se divisa da estrada.

Estamos na zona de Caxito. As tabuletas indicam Porto Quipiri, Barra do Dande, Ambriz.

Cruzamo-nos com os inevitáveis candongueiros – Toyotas Hiaces azuis. (iáces como aqui lhes chamam) transformados em mini-autocarros que circulam por todo o lado. Começaram

ilegalmente (daí o nome) mas foram institucionalizados… e sempre de lotação esgotada. A sua dimensão permite-lhes serem mais rápidos (na cidade) do que os autocarros maiores, têm percursos muito definidos e organizados e, apesar de se pagar mais, as pessoas preferem-nos.

A paisagem continua sempre diferente. De um lado da estrada montes escalvados, cor de

barro, a cor de África, do outro, vegetação rasteira, tão coberta de pó, que se diria

acastanhada. E sempre, sempre, os embondeiros, os ancestrais embondeiros.

À direita um pequeno lago – oásis azul rodeado de verde.

A tabuleta anunciava Quipiri.

Deixamos a auto-estrada, recém-construída, que continuava sabe-se lá até onde.

Viramos para a direita.

Muda o aspecto da paisagem. Uma aldeia: uma casa grande ostenta o emblema do MPLA e a frase “MPLA – Trabalhar para Vencer”, uma igreja, um posto médico, um rio, vegetação

luxuriante, pela primeira vez algo semelhante a agricultura. Estufas, na maioria abandonadas.

Tenho a desconfortável impressão de que algo de muito grave ali se passou. Não vejo

ninguém, apesar da importância que a aldeia parece ter pela dimensão das suas casas

solidamente construídas no tempo do colonialismo.

Atravessamos uma zona de produção de açúcar: de cultivo e fabrico. Não avisto nada que se

assemelhe. O grande edifício da fábrica abandonado e em ruínas. O meu filho comenta que

“os amigos cubanos” conseguiram fazer arrasar tudo isso para poderem exportar açúcar para Angola, além de pilharem a maquinaria, mais moderna do que a sua. E tudo em nome da amizade e do apoio a Angola na luta pela independência. Tudo tem um preço; até a amizade e cooperação.

Estamos na zona da antiga Fazenda Tentativa, a maior da zona com perto de 300km de “picadas” no seu interior.

Agora Caxito.

Uma igreja futurista, circular, um minimercado de nome Super Nzumba (com a indicação de

Entrada e de Saída sobre as estreitas portas), minúsculas casa de chapa ondulada. Novamente um musseque semeado de casas de blocos de cimento com o gradeamento nas portas e janelas.

Curioso, como o esquema, a tipologia das casas, se repete sempre igual, sempre com as

mesmas características, apesar de separadas por tão grandes distâncias.

Subitamente, a estrada fica ladeada de densa mata em que sobressaem enormes cactos e

embondeiros. Mas tão bruscamente como surgira, a mata acabou.

Viramos uma estrada de terra a caminho das Mabubas.

À entrada da povoação, uma placa dá-nos a boas vindas.

Do lado esquerdo pequenas casas alinham-se, habitadas umas, degradadas e abandonadas outras, uma loja minúscula “Casa Comercial OK” (com a inevitável indicação de “Entrada” e “Saída” sobre as duas portas).

Esta indicação, existente em todas as casas de comércio, minúsculas, improvisadas, toscas,

não pode deixar de me causar perplexidade, não só pela dimensão da casa e movimento de

clientes, como pelo facto de servirem uma população analfabeta.

Um pouco mais à frente, um casarão pintado de branco, ostenta: “Meninas Lda”. Não

apurámos qual seria o negócio…

Pessoas deambulavam, passavam de umas casas para as outras, indiferentes à nossa presença

Do lado direito o terreno ergue-se, formando um pequeno monte sobranceiro à barragem. No cimo, as casas. Da estrada apenas se avistam as que se alinham exteriormente.

Estacionámos o carro no largo, junto à barragem.

Dois militares: um logo à entrada, outro displicentemente encostado ao paredão que dá para o lago, conversava com uma rapariga.

Uma corrente e uma tabuleta com 4 caracteres chineses, traduzidos para os nossos, barrava-nos o acesso à passagem sobre a barragem. O guarda a que me dirigi confirmou que não se poderia passar.

Alguma conversa depois, aceitámos a condição de entregarmos os nossos documentos. Enquanto folheava um passaporte, a pergunta: “Está aqui dinheiro? Não quero

que depois diga que estava aqui combu (palavra nativa para dinheiro)”. Era a perspectiva da “gasosa” explicitada… pela negativa…

Só então nos deixaram ir e começámos a caminhar pelo paredão admirando a beleza daquele imenso lençol de água rodeado de vegetação tão luxuriante que quase não se descortinava donde corria o rio. A água que corria do outro lado era pouca – quatro pequenas cachoeiras que iam alimentando o pouco mais que riacho.

Subimos ao miradouro, do lado do rio, de onde se podia admirar toda a bacia de água rodeada da frondosa vegetação. O ar estava parado. Não corria aragem e o lago era um imenso espelho a que apenas a falta de sol subtraía beleza.

O que deveria pertencer ao mecanismo da antiga comporta lá está, enferrujado, mas dignamente conservado no seu abrigo.

Retrocedemos e, depois da “gasosa” que garantia a devolução dos documentos, demos uma

volta de carro pela parte alta. Surpreendeu-nos a quantidade de casas bem alinhadas que não se adivinhavam da estrada. Eram belas construções, com telhados de quatro águas Tal como as casas da rua de baixo, umas em bom estado, outras degradadas e abandonadas e ainda algumas a serem recuperadas. Fora o antigo aquartelamento onde o alojamento dos militares estava em perfeita simbiose com a habitação dos civis, alternando as casas duns com as dos outros. Durante a recuperação da barragem serviram de alojamento a quem lá trabalhou.

Curiosamente, nesta zona não vimos vivalma.

Estava na hora de regressar. A mesma tabuleta que nos recebera, despedia-se de nós: “Bom regresso. Voltem Sempre. Visitem-nos mais vezes”.

De volta a Panguila, esplanadas muito toscas alinhavam-se na berma da estrada servindo peixe do rio (cacusso e choupa) acabado de pescar, grelhado e acompanhado de feijão com óleo de palma e farinha de mandioca, batata-reina e banana-pão cozidas e molho de salada (cebola picada – muita, azeite, limão e água). Sentámo-nos a uma mesa coberta de cetim branco sobre um tecido verde, desfiado nos lados em que havia sido rasgado da peça de pano que servira para cobrir todas as mesas. Decorava-a uma jarra meia de bagos de arroz com um ramo de flores de plástico cor de laranja.

Pedimos o prato único. A alternativa era “com molho ou sem molho”. Claro que quisemos

com molho (que enchia uma tigela) Chegava-nos o cheiro do peixe a ser grelhado. E, só por

esse cheiro, nós já apreciávamos a sua frescura. Ao cheiro também vinham as moscas, não

muitas mas indolentes, lentas, preguiçosas…

Enquanto esperávamos, apareceram raparigas, tez luzidia, vindas sabe-se lá donde, a fazer

venda de laranjas, hortaliça, ginguba (amendoim) descascado e torrado, CDs, artesanato,

jindungo (piri-piri), maruvo (seiva de palmeira)… Aproximavam-se, sozinhas ou aos pares,

quase sempre um ar tímido ou submisso, pedindo um balúrdio pelo que vendiam, geralmente de má qualidade. À contraproposta afastavam-se, argumentavam ou, aceitando o regateio, acabavam por ceder. Desapareceram quando começámos a refeição.

Deliciosa refeição, posso afirmar!

Ainda no regresso, parámos nos mercadinhos à beira da estrada.

Não existiam bancas, nem mesmo improvisadas – tudo era exposto sobre panos, no chão de

barro poeirento. Mas os produtos agrícolas: frutos (vulgares e exóticos), legumes e hortaliças, raízes e tudo o mais que conhecemos e podemos imaginar são dispostos cuidadosa, quase artisticamente numa policromia única de verdes, brancos, amarelos, laranjas, vermelhos. Os tomates colocados em pratinhos de seis com um maior no meio, também são vendidos aos baldes, mas não é raro o balde estar “cabetula”, quer dizer, com uma arte que me espanta, conseguem colocar os tomates apenas do bordo para cima deixando o balde vazio ou quase, com a aparência de estar acagulado.

As crianças correm de um lado para outro com enormes canas-de-açúcar que, uma vez

vendidas, são partidas à catanada.

O regateio é usual porque os preços são, na maior parte das vezes, superiores aos praticados na cidade.

Aqui, não restam dúvidas de que estamos em África! Há um cheiro indefinível no ar, uma

poalha castanha quase invisível que suavemente, muito suave e lentamente cobre tudo. Há

uma mescla de cores, de produtos exóticos. Há uma maneira de vestir que vai do traje mais

tradicional, túnica ou pano amarrado na anca e lenço enrolado na cabeça, (quase turbante, às vezes), de cores garridas e desenhos caprichosos, ao mais moderno. E mulheres, mulheres de todas as idades, deambulando, caminhando, vendendo, de pé, sentadas ou acocoradas. E crianças, sempre muitas crianças brincando ou ajudando na venda, bebés transportados às costas seguros pelo pano (que tem múltiplas funções) enquanto a mãe carrega qualquer objecto à cabeça.

Observo as nativas. Muitas das jovens angolanas são mulheres bonitas, delgadas, de altas

pernas e ostentam cabelos lisos e compridos, mercê de alisamentos e extensões. As outras

pintam-nos de cores garridas e contrastantes ou enfeitam-no com contas coloridas, muitas, que dançam ao movimentar-se.

De vez em quando pára um carro e para ele se precipitam com canas-de-açúcar na mão ou

carregando à cabeça alguidares de abacaxi, bananas, tomate, verduras variadas, dispostas a, mais uma vez, iniciar o regateio de preços.

Neste país TUDO é muito caro. 1Dólar vale 100 Kuanzas, pelo que os preços pedidos são

sempre assustadores e apenas depois de lhe tirarmos dois zeros nos tranquilizamos um pouco mais.

Como não achar excessivo se 1kg de laranjas custa 500 kz, um vulgar gelado 550Kz e um

bilhete de cinema 2000 kz? A refeição à beira da estrada? 2000kz por pessoa, mas num

restaurante vulgar 3500kz (sem vinho…).

Regressamos a casa.

Novamente a indicação de povoações com nomes exóticos: Cabolombo, Sapú, Kassame,

Kikuxi, Zango. Uma oficina de reparação de carros – Tchiwata Auto, tabuletas da EDIFER e

da INOTEC.

Depois de quilómetros e quilómetros, finalmente chegámos.

Tudo fica tão distante, neste país!

Quase nos esmaga esta grandeza!

O meu filho diz “Este país não é para fracos … nem para vítimas ou derrotados. Temos de dar sempre a volta por cima e aparentar que tudo está a correr bem. Uma cara bem disposta e um sorriso nos lábios é uma das regras para se saber aqui viver”

                                                                                         Maria Herculana

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13 comments on “ANGOLA – Viagem às Mabubas (Por Maria Herculana P. Martins)

  1. Uma excelente pintura em forma de texto …

  2. Olá… gostei da sua narração… mas já procurei e não encontrei. Qual é a distância de Luanda à Barragem das Mabubas?!..
    Muito obrigado
    Fernando Neto

  3. A narrativa é duma amiga (Mª Herculana P Martins). A barragem das Mabubas fica a cerca de 60 Km para norte de Luanda, logo depois do Caxito.

  4. Adorei o texto aqui relatado.Recordo com saudades a localdade de Mabubas, local em como militar permaneci nos primeiros meses do ano de 1975.Tenho bem presente o pedido de uma jovem africana(minha lavadeira de roupa) de Nome EVA, que jamais esquecerei, em que o pedido era este ” Sinô Vieirra, mi leva no Puto”.Recordo como ela ficou triste quando lhe disse : Eva, não te posso levar,pois sou casado e com uma filha e sem condiçoes para te ajudar. Aí , ela insiste dizendo ” Não fa mal , mi leva no Puto. Sabendo eu o que a seguir se desenrolou com a guerra civil, aquilo que mais gostaria era saber se ainda hoje vive já não indo o desejo de a reencontar.Para ti EVA , com vida ou sem ela vai um ai de saudade.

  5. Boa noite!

    Gostei do seu comentário ao meu texto sobre Mabubas e ainda que o levou a evocar com saudade o tempo lá passado, embora fossem tempos de guerra.
    Seria realmente interessante saber que aconteceu a Eva. Missão impossível, não é?

    Obrigada pelas suas palavras
    Maria Herculana Amado

  6. Obrigado fico eu pelo apreço ao meu relato. Apesar de me encontar numa missão a qual não escolhi, registei na minha memória aquela gente com a sua genuina humildade, bem como as caracteristicas paisagísticas.Mais digo ,se tivesse condições económicas gostaria de voltar a Angola e mais ainda reencontrar aqueles que comigo partilharam bons e maus momentos.Quanto á menina (na época)Eva, diria que não é fácil reencontra-la mas impossível não o é.Mas entendo que morrerei com essa esperança, como é lógico .

  7. Muito sinceramente não gostei nada da narrativa. Chamar analfabeto a uma sociedade é de muito mau tom. Queres tornar a sua estória bonita pegando nos aspectos negativo de uma sociedade agastada pela guerra. Angola só é um país desde 2002 . Sempre viveu em clima de guerra por isso não deve contar como tal mas mesmo assim teve capacidade de olhar olho nos olhos com outros países ditos do primeiro mundo. olha que Portugal tem coisas bem pior que angola. Tivesse Portugal passado pelo mesmo e não sei como é que seria. Li a estória na esperança de saber mais sobre a casa junto à barragem com a acácia ao pé e não li nada ou seja das Mabubas não falaste nada simplesmente falaste com um guarda e falaste bem de umas casas que estavam bem alinhadas porque foram construídas pelos portugueses. Normal! Tenho muito orgulho em ser angolano ainda mais por ter nascido nas Mabubas no bairro da antiga cerâmica. E outra coisa , quando a açucareira foi destruída os cubanos já estavam todos em Cuba. Olhando para os angolanos e sabendo o que eles viveram todos esses anos com a guerra tiro o meu chapéu porque nunca vi nenhum angolano triste, estão sempre com um grande sorriso a sorrir pra vida depressão não faz parte do nosso ser. Sou angolano com muito orgulho!!!!

    • Caro José
      O seu comentário surpreende-me.
      Gostaria de começar por um pedido: leia de novo o artigo e verá que ele foi escrito com o maior respeito e admiração pelo seu país e pelo seu povo.
      Quando digo que o povo das aldeias perdidas é analfabeto, também digo que é “Um mundo de gente sem a mínima consciência de como é grande e poderoso o seu país”. São constatações, José, não são insultos.
      Agora ponha isso de lado e verifique como fiquei deslumbrada com a paisagem de Mabubas (não falo da acácia, porque ela já não existe), como me deliciei com o peixinho fresco de Panguila, como me maravilhei da arte com que dispõem os produtos no mercado à beira da estrada, como senti o exótico do ambiente que me rodeava pelos cheiros, colorido das roupas, beleza das raparigas e até pela poalha que tudo cobre.
      “Tudo fica tão distante, neste país! Quase nos esmaga esta grandeza!” . Não sente admiração nesta frase ?

      Quanto à vossa boa disposição, não o menciono porque não vinha a propósito.
      Mas vou contar-lhe: Tive de pedir prorrogação do visto de estada no seu país. Passei muitas horas no Serviço de Estrangeiros, cuja sala estava cheia. As conversas e as risadas generalizavam-se e nunca ouvi um impropério. Fui tratada com toda a consideração por angolanos que, como eu, aguardavam, me trataram por “mamã” e “mãe”, me explicaram tudo pacientemente e até me deram a vez para ser atendida.

      Espero tê-lo convencido a ler de novo o artigo e ter compreendido que houve deslumbramento e objectividade no que escrevi e nunca má intenção .

    • Boa tarde José.
      Dizes que nasceste nas Mabubas, eu vivi ai entre 1966 e 1971, Trabalhei na fabrica do azulejo C C A e por mais que pesquise não encontro informação ou imagens referentes a ela na internete. Digo-te que trago sempre comigo Angola e oa Angolanos no Coração, sempre os respeitei e fui respeitado.
      Não sei se és desse tempo, sou filho do Cordeiro que tambem trabalhou na fábrica.
      Um abraço e tudo do melhor para esse povo.

      • Senhor Elísio lamento não poder dar mais referências ou lhe poder ajudar mas eu também ando em busca de informações . Eu sou filho de um português que só foi pra Angola em 1970 e eu nasci 12 anos depois . Adorava poder encontrar alguém que lá andou na altura que tivesse conhecido meu pai pra me falar mais sobre ele . Ele agora está com 91 anos e adorava saber mais sobre pelos olhos de outras pessoas…. Meu chama se joaquim Gregorio da Silva . Era mais conhecido pelo senhor Silva e foi trabalhar para a cerâmica.

      • Caro Elísio, a fabrica de cerâmica das Mabubas está completamente destruída. Os cubanos levaram as máquinas e as estruturas metálicas das coberturas e respectivas chapas foram roubadas por militares que as venderam para a sucata ou usaram para cobrir as suas casas.. Para além de ali ter estado em 73, com a C. Caç. 3441, ali trabalhei nos últimos anos. Tenho fotografias da aldeia que terei todo o gosto em lhe enviar se me indicar o seu email. Não reconhecerá a aldeia. Se visitar o blog www,angola3441.blogspot.com encontrará fotos da Barragem, que foi quase destruída pela guerra e reconstruída pelos chineses.
        Quanto ao José que lhe deixou um comentário ao seu post, posso dizer-lhe que conheci o pai e que a esposa angolana ainda é viva sendo cozinheira no meu estaleiro. Ele pode contactar-me deixando aqui o seu email.
        Cumprimentos
        Gabriel Costa

  8. Pode ser que haja notícias. Aguarde.

  9. Para o Elísio.
    Contacte petruscabritas@gmail.com para obter fotos de Francisca Gouveia Leite.
    Fotos obtidas por Gabriel Costa, conforme prometido.

    PC

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