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Encerrado o episódio do saneamento político de A. Santos Silva na TVI 24

31jul2015

Fica um breve resumo para não dar muito trabalho a procurar o enredo. Um avivar de memória, esta nossa pobre memória que tão massacrada anda, “…um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio… sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas…”, no dizer de Guerra Junqueiro, 1896.

O programa “Os porquês da política” de Augusto Santos Silva (aparentemente um perigoso e incómodo socialista) em mais de um mês mudou, repentinamente, de horário e dia várias vezes consecutivas, por causa do futebol umas vezes, outras sem razão aparente, nem desculpa proclamada. Critérios editoriais, disseram… Entendemos.

Por mera circunstância, coincidência ou acaso, que um certo daltonismo de oportunidade poderá explicar…, os programas de M. Ferreira Leite-PSD e M. Rebelo de Sousa-PSD, estes na TVI, Marques Mendes-PSD (SIC), Morais Sarmento-PSD (RTP1) nunca foram alterados. Claro,apenas coincidências e circunstâncias.
No dia da entrevista do 1º ministro, com a data da entrevista conhecida havia dias, avisaram o A. S. Silva a meio da tarde do próprio dia… (como cortesia e consideração estamos conversados…) de que o programa ia ser substituído por um debate entre dois convidados… Esta é sem comentários. Falta de vergonha, ou acinte puro parece suficiente. A título de curiosidade um dos convidados para o debate, o engº Ângelo Correia, mal abriu a boca confessou que nem tinha sequer visto a entrevista… Excelente convidado. A. Santos Silva é conhecido pela contundência dos seus comentários cuja perspectiva ideológica não dissimula. Num período pré eleitoral como este entendem-se bem as verdadeiras razões para o silenciar. O governo domina nesta altura toda a comunicação social de televisão. TODA ! VERGONHOSAMENTE TODA. Havia apenas esta excrescência chamada A. Santos Silva para expurgar. Está feito. Resta-nos esperar que o daltonismo, não sendo uma doença tratável, não venha a afetar o povo português nas próximas eleições. Quatro anos de exclusão social dos mais desprotegidos (aumento mensurável da pobreza, com maior incidência nos idosos e uma em cada três crianças na miséria; números do INE…, instituição com a qual o governo agora está muito zangado…) bem como a destruição da classe média (uma clara opção política e ideológica), a que se veio juntar, circunstancialmente, o aparecimento de 28 novos milionários… (vá lá, não se perdeu tudo…), traduz bem o quadro com que nos confrontaremos no próximo ato eleitoral. Mas como a memória deste povo é curta e o futebol é que “induca”… (veja-se a promoção doentia que se faz do futebol em todos os canais; não é uma opção inocente) já acredito em tudo. Se calhar já tudo se esqueceu… e a culpa será sempre dos outros, os que têm sempre as costas largas e, como já foram julgados, calca-se mais um bocadinho e já nem dói. Os tais que deixaram a dívida em 97% e agora está em 130%. Com Salazar foi a mesma coisa; e teve que ser uma cadeira a resolver o problema… Esperemos que desta vez também, mas noutro sítio. Sem acidez intelectual nem obscurantismo politico/partidário. O que se debita aqui são factos sem tempero opinativo. Sem esquecer que o que queremos é o melhor para todos. Mas assim, não. Isto sim uma mera opinião.

Mas não resisto a recuar a 1896 com Guerra Junqueiro:

… ”Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida intima, descambam na vida publica em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na politica portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro (…)”

“Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do pais, e exercido ao acaso da herança, pelo primeiro que sai dum ventre, – como da roda duma lotaria”.

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