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Considerações e propostas de alteração às leis do jogo.

PROPOSTAS DE ALTERAÇÃO ÀS LEIS DO FUTEBOL

Ponto 1

Considerandos:

É sabido que quanto maior é a dimensão duma modalidade desportiva mais dificil se torna proceder a alterações das suas regras.

Esse facto ganha maior relevo quando se trata do Futebol que tanto pode ser jogado num imponente estádio de mais de cem metros de comprimento com um relvado cuja beleza e cor a todos contagia, como num pelado, género “quintal”, onde a relva nunca passará dum qualquer tufo de erva daninha, mas em qualquer dos casos, sempre de acordo com as leis do jogo, ou seja; tudo legal, tudo Futebol.

Julgo ser, em grande parte, este o motivo que tem conduzido as autoridades que dirigem a alto nível o Futebol a não empreender determinadas alterações de fundo em devido tempo.

É verdade que esta letargia em que o Futebol viveu durante décadas, onde as alterações ou quase não existiram, ou foram meros enfeites para não se dizer que não se mudou nada, tem vindo ultimamente a ser alterada com algumas tentativas de altera­ções mais ou menos profundas, nomeadamente aquelas que têm por objectivo combater a violência, um mal que vem de longe mas que se acentua nos dias de hoje.

Contudo, procederam-se a mudanças que, ou fruto duma necessidade urgente de mudar qualquer coisa, ou por outro motivo qualquer, não nos parecem acertadas, porque injustas, e nada pior para uma peleja desportiva que um qualquer sopro de injustiça. Ninguém aceita as “injustiças” do árbitro, quanto mais aquelas que possam emergir das próprias leis do jogo.

Neste caso estão, em minha opinião, duas situações para as quais gostaria de sugerir soluções alternativas que, se necessariamente polémicas, não o serão mais que as actuais leis vigentes, que não deixam de se constituir em situações donde emerge um evidente sabor a injustiça.

Refiro-me concretamente;

– À expulsão do jogador que fora da sua grande-área trava, sem violência, um jogador adversário que claramente se encaminhava para a baliza com evidentes possibilidades de conseguir o golo, ou corta com a mão a bola conduzida pelo mesmo jogador em igual circunstância de concretização iminente;

– À expulsão do jogador que, com a mão, impede clara e intencional­mente uma bola de entrar na sua baliza.

Considero as duas situações injustas e lesivas de qualquer espírito desportivo que se confina no princípio da igualdade de condições à partida, nomeadamente igual número de jogadores, como um dos principais pressupostos que torna justa e indiscutí­vel a verdade de qualquer resultado final.

Este direito de igualdade de elementos em campo à partida, e ao longo do jogo até final, não poderá ser coarctado senão por via de uma das duas situações seguintes:

qualquer acto violento,

ou de desrespeito pelo árbitro, pelo adversário ou pelo público.

Não pode ser admissível que um atleta seja excluído do jogo por tentar, ainda que por meios não legais facilmente puníveis pelas leis do jogo, mas nunca violentos, impedir a concretização do adversário, quando é para esse efeito que ele lá está, e é nesse sentido que converge toda a dinâmica orgânica de envolvimento técnico-táctico da equipa.

É no mínimo desprovido de qualquer sentido de justiça, excluir um jogador que sobre a linha de golo instintivamente procure impedir um golo com a mão, quando é essa a sua missão permanente, jogos e jogos a fio; ou seja, impedir a todo o custo o golo ad­versário.

Terá sempre um sabor a injustiça penalizar um jogador com a sua exclusão, quando não violentamente procurou defender as suas cores, sendo-lhe de imediato reti­rada a possibilidade de se redimir por uma falta cometida e que necessariamente irá já penalizar toda a sua equipa, sim, embora não da forma actual, mas como a seguir propo­mos.

Não é de modo algum justo que se violente a verdade desportiva dum espectá­culo como o Futebol, e consequentemente o próprio espectador que o paga e lhe dá su­porte, tornando desigual a continuidade do confronto

Tal só poderá ser admissível por qualquer acto violento, ou desrespeitoso, como atrás se referiu.

As infracções puníveis pelas leis do jogo sem apelo à exclusão do atleta são inú­meras e ocorrem a todo o momento do jogo.

A expulsão do jogador com posterior castigo individual e imediata penalização da equipa por inferioridade numérica, só tem sentido pelos motivos já salientados e, por outro lado, parece-me ser uma boa forma de isolar e evidenciar o acto violento ou conduta antidesportiva, como os únicos que conduzem à exclusão do jogador do jogo.

A conduta violenta e antidesportiva não pode ser misturada com outra, qualquer que ela seja. O acto violento tem que ser banido do Futebol e a sanção mais dura de expulsão definitiva do jogo tem que ser exclusiva desta atitude.

O jogador que procura em última instância defender as suas cores cometendo, quantas vezes sem qualquer outra intenção, uma falta não violenta não pode ser consi­derado em atitude antidesportiva. O antidesportivismo é a violência e o desrespeito pelas três componentes do jogo: jogadores, árbitro e público.

O anacronismo da situação passa ainda pelo seguinte:

– Se um jogador trava um adversário por meios não legais, mas não violentos, numa zona considerada de fraca probabilidade de obtenção de golo, ou porque a locali­zação dos jogadores no campo assim o permite admitir, a sua equipa é punida com uma falta sem quaisquer consequências para o jogador;

– Mas se tudo acontece igual mas em zona de probabilidade de obtenção golo, volta a ser marcada a mesma falta e, como medida de “compensação” de um hipotético golo, cria-se uma desigualdade numérica para todo o jogo; ou seja, dão-se de bandeja várias probabilidades de obtenção de outros golos como benefício para a equipa que terá eventualmente ficado privada de um único e hipotético golo apenas.

Nada de mais injusto, por excessivo e descabido peso da medida disciplinar.

Como proceder então?

Proposta 1

Torna-se claro que é necessário compensar a equipa que não pode ser espoliada do principal objectivo do jogo (o golo) que com mérito próprio o construiu até determi­nada zona do campo. Também sem perder de vista que o Futebol continua em busca de formas que permitam aumentar o número de golos em cada jogo.

De forma simples e directa propõe-se o seguinte:

Situação A

– O jogador é impedido, por meios não violentos, e fora da grande-área, de seguir isolado para a baliza adversária com claras possibilidades de obtenção de golo; (é, e continuará sempre a ser, o árbitro a decidir se há ou não conduta violenta do jogador, ou a decidir se havia clara possibilidade de obtenção de golo, como aliás acontece agora);

– Um jogador que defende corta intencionalmente a sequência de um lance com a mão fora da grande área com iminente probabili­dade de poder ser concretizado em golo se o não fizesse;

Ou seja, situações que hoje proporcionam como castigo a exclusão do jogador e marcação dum livre no local onde foi cometida a falta.

Sanção proposta:

Marcação de grande penalidade, ainda que a falta seja cometida fora da grande-área, sem qualquer outra sanção para o jogador faltoso.

Comentários:

Uma hipotética questão que se poderia levantar desde logo, tem a ver com a distância da baliza em que se deve considerar que o jogador tem probabilidade de obter golo. É naturalmente um critério reservado ao árbitro, da mesma forma que hoje determina a expulsão ou não do jogador, pelo que, em termos de critério de decisão, tudo na mesma.

1- O jogador não deve ser punido com cartão amarelo porque não cometeu qual­quer acto violento, ou de indisciplina.

2- A probabilidade de golo mantém-se em proporções muito semelhantes; ou seja, jogador isolado probabilidade de golo muito semelhante á marcação de grande pe­nalidade.

3- Não há qualquer prejuízo, e por vezes até algum benefício, para a equipa que sofre a falta.

4- O hipotético golo, (que é o que se admitiu com a expulsão do jogador), conti­nua com valor igual, sendo sempre polémico, e nunca conclusivo, qual das duas probabi­lidades é mais provável de se concretizar:

— se o jogador que ia isolado, e que nunca saberemos se marcaria o golo;

— se a grande penalidade, que pode ou não ser transformada.

Parece-nos uma compensação perfeitamente adequada e equilibrada.

O que a acção do jogador faltoso provocou foi a anulação da hipotética obtenção dum golo por parte do adversário. O que se propõe como pena é retomar a hipotética obtenção desse mesmo golo em favor da equipa prejudicada. Nada mais deve acontecer sob pena dum acréscimo de algo perfeitamente despropositado e que nem uma equipa fez por merecer, nem a outra por desmerecer.

Neste contexto deve considerar-se também a expulsão do guarda-redes quando comete uma falta não violenta dentro da sua área de baliza dando lugar à marcação de uma grande penalidade. Se o árbitro determina grande penalidade fica reposta a verdade desportiva e nada mais deve ser concedido à equipa prejudicada pela acção do guarda-redes.

Mas verifiquemos a contrária, que pode ainda ser mais injusta em termos de re­sultante.

No caso da falta cometida fora da grande área, admitamos que o jogador é expulso, é marcada a falta no local onde foi cometida e daí não resultou golo.

A equipa com menos um jogador remete-se á defesa e os quadros possíveis po­dem ser os seguintes:

1- Até final do jogo a equipa acaba por não sofrer golo nenhum;

* (Acabou portanto por beneficiar da falta cometida pelo seu jogador que evitou um hipotético golo);

2- Por um golpe de sorte, ou mesmo mérito, a equipa faltosa, além de não sofrer golo al­gum, ainda consegue marcar um golo e ganha o jogo, beneficiando dum sistema de contra-ataque que pelas circunstâncias foi obrigada a adoptar;

* (Da desvantagem ainda conseguiu retirar vantagem).

3- O mais provável é assistir-se a um “massacre”, permita-se esta gíria militar, com um jogo naturalmente feio, em que uns só defendem e outros só atacam, por méri­tos e deméritos claramente duvidosos e normalmente fora dos propósitos iniciais de cada equipa;

4- Parece-me inequívoco que se estragou o espectáculo.

5- Decorre ainda que, da exclusão do jogador, poderá ainda vir a beneficiar posteriormente uma terceira equipa que nada tem a ver com aquele jogo.

Por fim, e apenas a título de curiosidade, ressalta-se que esta medida a ser empreendida não seria uma originalidade do Futebol; o Andebol já a pratica há muito e com bons re­sultados.

Um jogador que caminhe isolado para a baliza adversária com claras possibilida­des de obtenção de golo e é impedido de prosseguir, qualquer que seja o local do campo, é determinada a marcação dum livre de 7 metros, (vulgo, grande penalidade), contra a equipa que comete a falta.

Situação B

– O jogador impede a bola de entrar na sua baliza, intencionalmente com a mão, sendo indubitável que a bola ia entrar caso o jogador não actuasse.

Sanção proposta:

O árbitro determina golo, sem qualquer sanção de expulsão, ou outra, para o jogador faltoso.

Comentários:

Nada mais justo.

O jogador não tentou ludibriar ninguém para merecer ser punido individualmente. Não há qualquer atitude antidesportiva. Tanto assim é que, na actualidade, ele “sabe” que vai ser expulso. Este “sabe” pretende significar que o jogador não tem tempo para qualquer raciocínio; logo, trata-se duma falta não premeditada cujo castigo, a ter lugar, nunca poderá ser o da exclusão do jogador.

Acontece é que instintivamente apenas tentou defender a sua baliza. Tendo-o conse­guido por meio ilegal, tal tentativa não pode ser considerada como válida nem conseguida. A equipa que não obtém um golo limpo e legal, vendo-o anulado por meios ilegais pelo adver­sário, não pode ser prejudicada com a não contabilização desse mesmo golo cujo mérito lhe pertence.

E repare-se:

– Se o jogador tentasse defender a bola com a mão e ela entrasse, era golo sem qualquer sanção disciplinar para o jogador. Então que seja golo para a equipa que o construiu e merece e a mais nada essa mesma equipa tem direito.

Atribuir à equipa prejudicada a possibilidade de concretizar esse mesmo golo, (que seria o seu único prejuízo), com a marcação duma grande penalidade, (calculemos em números redondos, com 90% de probabilidades de obtenção de golo), e oferecer ainda como medida de “compensação” a exclusão dum jogador para todo o jogo, é ne­cessariamente um excesso e a atribuição dum enorme benefício, que o beneficiário nada fez para merecer.

Pode ainda acontecer uma equipa ser espoliada dum golo, falhar a grande pena­lidade e, como na situação anterior, acabar por sofrer essa mesma equipa um golo e perder o jogo.

De igual forma, relativamente à situação anterior em que o Andebol já utiliza a medida preconizada, neste caso é o Basquetebol que já adoptou a ideia há muito e sem qualquer contestação.

Sempre que a bola lançada ao cesto, e já em trajectória descendente, é impedida de entrar, os dois pontos são considerados mesmo que a bola não entre.

É uma medida mais que justa, sem necessidade de mecanismos paralelos que só complicam e defraudam o espectáculo.

Ponto 2

 

Contabilização de tempo perdido

Parece incontroverso que o tempo real de jogo é muito inferior aos 90 minutos de tempo oficial para cada encontro de Futebol. A utilização de várias bolas melhorou substancialmente este problema, bem assim como o tempo concedido ao guarda-redes (6 segundos) para repor a bola em jogo.

Mas continua por solucionar o tempo de jogo consumido com estratagemas de que os atletas lançam mão, nomeadamente na simulação de lesões, ou demora na saída do terreno de jogo do jogador substituído.

Do mesmo modo, substituições nos últimos momentos da partida com evidente propósito de queimar tempo, um logro que subtrai verdade desportiva ao futebol e o empobrece.

Proposta 2

Sempre que o árbitro entenda haver perda de tempo ocasional, ou propositado, que prejudique o normal desenvolvimento do jogo, deve, ao determinar a paragem do jogo, sinalizar ao 4º ár­bitro uma contagem de tempo colocando as duas mãos em forma de T, de forma a ser claramente visto por todos (público, jogadores e técnicos). Durante este pe­ríodo de paragem, admoestará o jogador em questão, se for caso disso, mas o tempo perdido está a ser contabilizado para ser reposto no final de cada tempo do jogo.

O 4º árbitro accionará um cronómetro próprio de contagem de tempo consumido (tempo morto) que interromperá a novo sinal do árbitro logo que o jogo recomece ou, mesmo na ausência desse sinal, logo que verifique que o jogo seguiu o seu curso nor­mal. As comunicações via rádio agora implementadas podem também agilizar o processo.

Estas paragens de tempo serão anotadas pelo 4º árbitro, obstando qualquer falha de cronómetro e serão objecto de registo no relatório.

No final de cada meio tempo regulamentar, o 4º árbitro verificará o total de tempo cronome­trado e mostrará a placa correspondente aos minutos realmente perdidos (podendo ocorrer um arredon­damento para o minuto anterior ou posterior aos trinta segundos).

O árbitro determinará (sempre) contagem de tempo para desconto no final de cada tempo regu­lamentar nos seguintes casos:

– Substituições; (pondo fim ao tempo gasto pelo jogador substituído para sair do relvado invocando cansaço, numa óbvia atitude de consumir tempo; tempo este que o árbitro raramente considera na sua totalidade nos descontos)

            – Lesões que impliquem entrada em campo de meios médicos de apoio ou assistência;

            – Qualquer outra circunstância que o árbitro considere intencional no sen­tido de queimar tempo provocada pelos jogadores, público ou outros intervenien­tes, como é o caso da demora intencional de reposição de bola em jogo.

Comentários:

Entre outras vantagens:

– O árbitro deixa de ter dúvidas se a lesão do atleta é efec­tiva e carece de assistência médica, ou é um mero expediente para queimar tempo. O árbitro deixa de ter que assumir essa responsabilidade, não correndo mais o risco de ad­mitir que o atleta está a tentar queimar tempo, quando afinal se encontra verdadeiramente lesionado.

– Por outro lado, o atleta deixa de ser tentado a iludir o árbitro no sentido de queimar tempo que corra a seu favor. Porventura a maior virtude desta nova regra.

– O guarda-redes não colherá qualquer vantagem na demora propositada de reposição de bola em jogo através do pontapé de baliza, tendo em conta que o árbitro determinará a contagem de tempo morto, enquanto procede à amostragem do cartão respectivo e a anotação correspondente. Como sabemos, o guarda-redes por vezes queima tempo na reposição da bola em jogo pelo custo de um cartão amarelo do qual não resulta qualquer prejuízo, nem directo nem indirecto, por se tornar fácil controlar o número de cartões amarelos que lhe acarretarão um jogo de suspensão.

É óbvio que ganha o espectáculo, sendo indubitável que aumenta o tempo real de jogo, diminuindo até, por óbvia inutilidade, o número de paralisações e este afigura-se-me, de facto, o maior ganho desta medida.

Diminuindo claramente as paralisações, ficam naturalmente resolvidas algumas dúvidas levantadas por aqueles que contrapõem afirmando que o jogo em si pode exceder demasiado o tempo habitual de jogo, conflituando com as transmissões televisivas e outros aspectos concorrentes.

Nada de mais enganador. Basta que se anotem as mais que evidentes simulações de lesão que ocorrem em cada jogo, as quais tenderão a não ocorrer porque obviamente inconsequentes.

Paralelamente diminuem substancialmente as opções, por vezes estranhas e duvidosas, do árbitro na tomada de decisão de reentrada do jogador em campo depois de assistido, deixando frequentemente um certo sabor a punição extra promovida arbitrariamente pelo árbitro por óbvia suspeita de falsa lesão. O jogador que sai lesionado deve ser de imediato autorizado a reentrar logo que recuperado, devendo mesmo poder ser autorizado pelo 4º árbitro, ainda que de modo a não tornar possível a sua participação imediata num lance próximo do local por onde vai reentrar em campo.

Põe-se fim às substituições nos últimos minutos com o expediente, mais que evi­dente e nada desportivo, de queimar tempo.

(Esta última questão pode também ser solucionada na actualidade, implementando uma nova regra que proíba as substituições nos últimos cinco minutos de jogo. Uma substituição a cinco minutos do termo do jogo não faz qualquer sentido táctico. Contudo, em caso de lesão ela será por certo verdadeira, tendo em conta as regras de contagem de tempo consumido na assistência e substituição do atleta, tempo que será reposto no final do encontro.)

O tempo a acrescentar no final do jogo deixa de ser um critério, sempre discutível, do árbitro, acrescentando-se ao jogo o verdadeiro tempo perdido.

Há quem argumente que o tempo de jogo poderia ser demasiado com prejuízo para o esforço dos atletas. Tal não tem qualquer cabimento porque o tempo reposto no final é um tempo não jogado, logo de repouso.

Ponto 3

Acção do Guarda-redes

Proposta 3

Qualquer bola recolhida pelo guarda-redes dentro da sua área em condições legais para que este a possa recolher com as mãos, deverá ser sempre reposta em jogo no tempo estipulado de 6 segundos, mesmo que o guarda-redes a receba com os pés.

Caso o guarda-redes receba a bola com os pés e pretenda continuar com ela desta forma, após decorridos 6 segundos desde que a recebeu não poderá agarrar a bola com as mãos, passando a funcionar como qualquer jogador de campo, mesmo que dentro da sua área de baliza.

Põe-se assim termo à retenção da bola com os pés com o único propósito de “queimar tempo”, obrigando à pressão de um jogador adversário que frequentemente se tem que deslocar de uma distância considerável para o efeito. Um preceito sem qualquer sentido.

Trata-se de um claro expediente de utilização abusiva das regras do jogo que permitem ao guarda-redes utilizar as mãos dentro da sua área.

Da aplicação desta regra afigura-se claro que o guarda-redes deixará de captar a bola com os pés, por se tornar óbvia a ausência de qualquer vantagem.

Contudo, a empreendê-lo, a pressão que vier a ocorrer tem outro significado dado que o guarda-redes passa a funcionar como qualquer jogador de campo, após ter a bola nos pés mais de 6 segundos.

Ponto 4

Introdução de um novo cartão e sua função

Proposta 4

Propõe-se a introdução de um novo cartão (cartão azul) com amostragem nas seguintes faltas ou circunstâncias:

– Corte de um lance com os braços ou mãos em zona do terreno que não prenuncie eminência de corte de uma jogada susceptível de proporcionar golo.

– Obstrução à reposição rápida de uma bola em jogo na marcação de uma falta.

– Jogar a bola depois do árbitro ter interrompido o jogo, com clara intenção de queimar tempo, ou impedir a marcação rápida duma falta.

– Discutir de forma exuberante, por gestos ou palavras (não ofensivas), as decisões do árbitro.

Peso disciplinar e equiparação do cartão azul:

– Dois cartões azuis = a um amarelo

(Consequentemente, dois cartões azuis e um amarelo = a cartão vermelho)

– Três cartões azuis = cartão vermelho (Esta medida procura evitar que o jogador abuse de faltas leves, quando a finalidade do cartão é impedir a exclusão por duas faltas leves)

Nota: A acumulação de cartões amarelos (5) para cumprimento de um jogo de castigo mantém-se igual, contando dois cartões azuis como um amarelo. Caso o jogador atinja a soma de 3 cartões azuis e 4 amarelos, será suspenso por um jogo, mantendo no seu registo um cartão azul para nova contagem subsequente.

A instituição do cartão azul pode colher ainda uma outra vantagem que tem a ver com o forçar de um cartão amarelo no final de um jogo, quando esse jogador já conta 4 amarelos, de modo à instituição táctica de um jogo de castigo num momento adequado ao quadro competitivo da equipa. Sendo normalmente uma falta leve, a amostragem do cartão azul pode, em determinadas circunstâncias, impedir o uso deste estratagema, mais uma vez pouco desportivo.

Comentário:

A introdução de um terceiro cartão justifica-se no intuito de subtrair de vez a amostragem do cartão amarelo em situações de faltas leves, circunstância que somada a uma falta de mediana gravidade implica a exclusão do jogador, o que volta a desvirtuar o jogo e a própria competição.

Entenda-se assim, e importa reforçar esta ideia, que nenhuma das faltas que implique a amostragem do cartão azul compreende qualquer acto violento, ficando a repressão deste apenas conferida ao cartão amarelo e vermelho.

Ponto 5

Dois árbitros em campo

Considerações:

Por mais que procure encontrar uma única explicação plausível para que o futebol não utilize dois árbitros em campo, não descortino uma que seja.

Nem valerá a pena acenar com as modalidades cujo rectângulo de jogo é várias vezes inferior em termos de dimensão e utilizam dois ou mais juízes de campo, ainda que se alvitre a especificidade dessas modalidades.

O escrutínio do Futebol hoje em dia é de tal ordem minucioso que a observação do rigor das faltas obriga inquestionavelmente a uma apreciação mais rigorosa, tornando abstrusa a ideia de um só homem para controlar o que ocorre em mais de 6.000 m2.

Tanto quanto me apercebo, o obstáculo que ainda parece colher algum apoio passa pela eventual dualidade de critérios que dois árbitros possam exibir na avaliação de lances semelhantes.

Ora tal não tem qualquer cabimento, até porque na actualidade, e desde sempre, existem dois árbitros auxiliares que exercem a sua função de acordo com a mesma eventual dualidade de critérios, que se procura equilibrar na troca de campo que as equipas promovem ao intervalo. Pelo que, desta forma, o argumento cai pela base.

Sem mais considerações preambulares.

Vantagens de dois árbitros em campo:

1-      Redução substancial do espaço a percorrer pelo árbitro, permitindo-lhe acompanhar os lances com maior proximidade e, logo, maior discernimento e garantia de melhor avaliação dos lances faltosos. Essencialmente junto das áreas de baliza onde os erros, a ocorrerem, se tornam mais graves e por vezes decisivos. O árbitro deixará ainda de procurar um posicionamento táctico que lhe permita sair rápido em caso de um contra-ataque, prejudicando muitas vezes o melhor ponto de observação do lance ainda em evolução junto de uma das áreas. Nestas duas perspectivas, trata-se de um ganho incomensurável.

2-      Do ponto anterior resulta uma enorme vantagem subsequente que é a de permitir que o árbitro se retire da actividade numa idade bem mais avançada, permitindo que a experiência acumulada ao longo dos anos se venha a traduzir numa melhor capacidade de análise, avaliação e decisão. Um ganho de qualidade que nos parece substancial e incontornável. Todos os grandes árbitros deixaram um sabor amargo a perda quase irreparável, quando tiveram que se retirar por via dum critério cronológico estabelecido. O Futebol só tem a ganhar com a melhor qualidade das arbitragens.

3-      Melhor controlo de lances que ocorrem no terço central do campo, por via de dois ângulos ou perspectivas opostas, bem como dupla perspectiva de controlo de lances de bola parada nas áreas, mesmo não implicando que o árbitro do campo contrário se tenha que aproximar muito da outra área nesta circunstância de lance de bola parada.

4-      Melhor controlo das linhas da área de baliza em lances rápidos de contra ataque, discernindo com maior clareza as faltas que ocorrem dentro ou fora da área.

5-      A possibilidade de avaliação ponderada dos lances mais controversos, tendo em conta que duas cabeças conduzirão forçosamente a uma melhor ponderação de alguns lances duvidosos; em caso de dúvida a conferência entre os dois proporcionará por certo um juízo bem mais rigoroso e concertado. (Convirá esclarecer que na perspectiva de dois árbitros em campo, um será sempre o árbitro principal, prevalecendo a sua decisão em caso de discrepância de análise e avaliação dos lances de maior controvérsia. As equipas de pares de árbitros serão sempre formadas por árbitros da mesma categoria, alternando entre si, e jogo a jogo, a qualidade de árbitro principal, a qual será sempre atribuída apenas por uma questão de capacidade de decisão de qualidade, no caso de ausência de unanimidade na avaliação de lances controversos.)

6-      Melhor capacidade de observação das ocorrências no seio da aglomeração de jogadores quando se gera um conflito onde se torna necessário avaliar questões de ordem disciplinar. Frequentemente o árbitro intromete-se entre os jogadores ou é rodeado por estes em caso de conflito, perdendo o controlo do todo dos acontecimentos. Este apoio de coadjuvação por parte dos árbitros auxiliares nem sempre ocorre de forma efectiva, tendo em conta a distância a que por vezes se encontram.

7-      Possibilidade de uma melhor coordenação com o árbitro auxiliar na avaliação de alguns foras-de-jogo, especialmente em lances rápidos de contra ataque, onde a conjugação estratégica dos dois permita um posicionamento adequado à leitura da movimentação rápida dos jogadores, que o árbitro auxiliar nem sempre consegue acompanhar.

8-      Por fim, parece-nos elementar que o ónus que nos dias de hoje recai por inteiro sobre uma única entidade, o árbitro (mesmo que o responsável por um eventual erro grave seja o árbitro auxiliar… é o que vamos tendo.), passará a diluir-se pela equipa de dois, tornando menos contundente e oneroso o peso da responsabilidade. Este ponto deve ser considerado como complemento importante do ponto 5.

Considerações finais:

A velocidade da bola pode ultrapassar os 100 Km/hora.

– É humanamente impossível exigir a um único árbitro que acompanhe em proximidade e com critério de exigência e qualidade todos os lances de um jogo de futebol.

– É uma utopia admitir como possível a avaliação por um único homem – com um mínimo de critério de exigência e qualidade – de todas as ocorrências que sucedem num espaço com mais de 6.000 m2, ainda que acolitado por dois árbitros auxiliares, confinados às linhas laterais do rectângulo de jogo, logo condicionados por considerável distância, e empenhados em duas funções muito específica que os absorve quase por completo e lhes retira condições para quaisquer outras tarefas de avaliação com critério.

– O sal e a pimenta do futebol têm que passar a ser a sua qualidade e jamais o insuportável sabor a injustiça que o poderá vir a destruir lentamente, mesmo sem perder de vista que se torna completamente impossível eliminar em definitivo o erro.

Contudo afigura-se perfeitamente possível reduzi-lo em substância, elevando assim a grandeza do futebol e o usufruto da beleza com que atrai multidões aos estádios.

Ponto 6

Estudo

Regra do fora de jogo

Embora uma das regras que maior número de conflitos gera no futebol, parece fora de questão pôr termo ao fora de jogo, sendo consensual que a sua eliminação desfigurava o jogo retirando-lhe alguma beleza estratégica e de envolvimento táctico.

Mas afigura-se igualmente urgente procurar encontrar algumas soluções de contorno que melhorem a observação da regra e permitam suavizar a sua aplicação.

Deixo apenas como objecto de análise o seguinte estudo.

Como sabemos, o jogador apenas se considera em posição de fora de jogo a partir da linha de meio campo.

O presente estudo aponta para a criação de uma nova linha (sendo até admissível a abolição posterior da linha de meio campo, por inoperante) a cerca de 10 a 15 metros desta linha central (ou outro valor a estudar), a qual passará a determinar a linha a partir da qual se considera a posição de fora de jogo, agora determinada pela linha de meio campo.

Vantagens desta alteração:

1-      A alteração em si não belisca praticamente nada a lei e a forma de execução vigentes.

2-      O árbitro auxiliar passa a controlar apenas cerca de 35 a 40 metros de linhas de fora de jogo, tornando-o bem mais ágil no acompanhamento de lances rápidos. Menor espaço de controlo, logo menor probabilidade de erro por permitir um melhor posicionamento relativo ao movimento dos jogadores.

3-      Os jogadores passarão a ter essa linha como referência nas suas desmarcações, tornando-se igualmente uma referência claramente visível no terreno de jogo para o árbitro auxiliar.

4-      Possibilidade de uma melhor conjugação com um segundo árbitro (conforme item 7 da nossa proposta de dois árbitros) relativamente à observação conjugada do fora de jogo.

5-      Em termos tácticos do próprio jogo, diminuição do espaço de pressão por parte da equipa que defende, tendo em conta que se alarga a área onde não ocorre fora de jogo. Uma tal circunstância confere um maior espaço de manobra à equipa que ataca, criando indubitavelmente melhores condições para a organização atacante e consequentemente ocasionando maiores oportunidades de golo. Com esta alteração admite-se como provável a necessidade de alterações tácticas importantes na movimentação das equipas, o que não deixaria de ser uma inovação positiva tendente a melhorar o futebol no que toca a proporcionar um maior número de ocasiões de golo.

Pedro Cabrita

(Lic. Ed. Física)

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  1. […] Teoria do Treino do Guarda-redes * Parte III* Futebol – Treino da FinalizaçãoFutebol – Alterações às leis. Propostas*** O MEU MUNDIAL 2010 ***- Crónicas e desmandos…*** CRÍTICA SOCIAL E […]

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