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– Crónicas e desmandos…

12JUL2010

Crónica 7

Pois VIVA ESPANHA e viva o Paul também…

Ficam-me sérias dúvidas se isto será bom para os polvos, ou um azar que lhes bateu à porta.

Por parte dos holandeses sobram-me mais certezas que outra coisa: não voltarão a comer polvo tão cedo, se é que o hábito já lhes estava enraizado.

Pelo lado dos espanhóis a questão coloca-se dúbia: ou se vão atirar ao molusco cefalópode como homenagem, ou não lhe tocam durante uns anos por respeito, admiração e agradecimento.

Decidam-se; os polvos aguardam com alguma ansiedade a prenda (possivelmente envenenada) que o Paul lhes proporcionou.

Terminou o Mundial e como é hábito nestas alturas, diz-se: ganhou o melhor.

Ainda que por vezes este “melhor” nos deixe um saborzinho acre a deixar a dúvida se o melhor não ficou para trás, vítima da ausência de um sopro de melhor sorte, num daqueles momentos em que não brilhou a famigerada estrelinha de campeão.

Desta vez tudo correu com normalidade e como prognosticado. O que nem sempre acontece. E teria bastado uma nesga de sorte à equipa da Holanda, que bem a teve à sua mercê por duas ou três vezes, para que tudo se desmoronasse pelas bandas dos castelhanos.

Ganhou, de facto, a melhor equipa, a mais homogénea quanto ao equilíbrio das suas três linhas, e a mais ligada em termos de entrosamento entre os seus jogadores, tendo em conta a estrutura base suportada na equipa do Barcelona.

Trata-se de uma selecção bem construída, onde se elevaram os interesses de Espanha e se amarfanharam as conveniências clubistas e mais corajosamente as regionalistas. “Tal como sempre acontece em Portugal, graças à Srª do Caravagio e outras senhoras de outros caravagios de menor sensibilidade apelativa nesta altura…”.

De salientar ainda a excelente condição física apresentada pela selecção espanhola, algo que frequentemente se esbate no esquecimento, subtraindo àqueles que no silêncio do anonimato conferem o alimento imprescindível para que tudo o resto funcione. Mas que são frequentemente lembrados sempre que, na ausência de melhores explicações, é necessário encontrar em algum lado os responsáveis pelos desaires técnico-tácticos.

Cumpriu-se também uma máxima com alguma tradição nos mundiais e europeus: a equipa campeã normalmente não começa bem.

Como curiosidade sem paralelo, julgo eu, ocorre a circunstância da Espanha ter ganho todos os jogos que venceu pelo mesmo resultado de 1-0. O mais magro de todos, mas também, frequentemente, o mais enganador.

Este facto permite alguma laboração especulativa sobre a equipa, os jogos que disputou, os resultados que obteve e alguns comentários sobre umas quantas lucubrações vertidas nas noites televisivas.

Ao longo destes mais de 30 dias muito se ouviu falar de tácticas, organizações defensivas e ofensivas, esquematizações de envolvimento e contenção, figuras geométricas envolventes e enleantes, posicionamentos esquemáticos triangulares, quadrangulares, em losango e não sei se mais alguma figura geométrica mais complexa, mas sempre muito bem articulada, espaços sombra e outros com luz mais intensa, enfim, um sem número de meandros que jamais imaginei poderem ser lidos nesta coisa linear como é o futebol, assim visto e admirado como o vejo, vai para mais de 50 anos.

Nada como pessoas bem falantes para que uma qualquer realidade se transforme em algo transcendente e quase fantasmagórico. A retórica arrasta, de facto, multidões e também apanha papalvos, moscas desprevenidas e um ou outro mosquito basbaque.

Na TV juntaram-se treinadores, alguns aficionados (leia-se, arrebatados), jornalistas especialistas, futebólogos (já tínhamos politólogos), candidatos a treinadores ou seleccionadores, comentadores, génios tácticos, génios da lâmpada, sabões (um derivado de sabichões, mas mais virados para tira-nódoas mais difíceis) e mais um “cem” número de outros com liberdade para torturarem o futebol e a sua simplicidade de processos.

Percebe-se melhor agora porque razão o país é complexo.

Nós onde pegamos temos sempre a propensão para complicar tudo. Até o que já é complicado, quanto mais as coisas simples.

Dei comigo a pensar o que fazem ali perdidos nas três estações televisivas alguns dos intervenientes comentaristas do Mundial 2010, quando grassa pelo país uma desconfiança já estafada quanto às escolhas do melhor treinador para cada uma das equipas das nossas Ligas caseiras.

Escutando com a tenção aquilo que foi sendo debitado noite após noite, dir-se-ia que somos um alfobre de Mourinhos, faltando apenas dar-lhes uma oportunidade, et voilá…!

Coisa que já não me espanta nada que venha a acontecer, bastando para isso que o Natal enjeite mais um camelo do presépio, ou o burro de chocolate se derreta com a luminosidade do clarão de um ou outro destes opinadores de excelência.

De um modo geral todas as equipas foram escalpelizadas até à medula, como soe dizer-se. Também porque era necessário encher os programas. Não se pode falar duas horas de futebol, dizendo apenas coisas acertadas e interessantes, porque repetitivas e naturalmente monocórdicas.

Depois somos um país de pensadores, de génios incompreendidos e de ensacadores (gente que enche sacos; esclareço para o caso de qualquer outra vertente interpretativa, menos consentânea com o discurso aqui do exímio autor deste texto eloquente).

Ensacadores porque, desde que se foram instituindo programas televisivos para todos os gostos, idades e géneros, a entrar-nos em nossa casa com a facilidade de um clique, tornou-se imprescindível criar (en)sacadores que preenchessem todas aquelas horas a fio com que nos prendem ao sofá.

Falemos da selecção campeã. A Espanha.

E essencialmente tornemos as coisas simples.

Sem régua, esquadro ou compasso.

Todas as selecções se estudaram profundamente, porque hoje em dia nem é preciso sair de casa para se proceder a um estudo aturado sobre qualquer uma delas. Hoje quase toda a gente sabe até o comprimento do atacador de cada um dos jogadores adversários.

Todos conheciam em profundidade a equipa espanhola.

Toda a gente sabia que a equipa era homogénea e praticamente sem lacunas. Sabiam que a defesa era sólida, a sua capacidade de empreendimento atacante era temível, com um meio-campo, todo ele, de um luxo criativo invulgar e uma frente finalizadora temível.

Logo, todos os adversários empreenderam o mesmo sistema conta a Espanha: as três linhas compactas e bem recuadas de forma a retirar espaços de manobra à capacidade empreendedora do meio-campo e frente de ataque, concedendo o espírito de iniciativa à Espanha. Razão pela qual os espanhóis tiveram, praticamente em todos os jogos, uma relação de 60-40 no que toca à posse da bola.

E muito curioso foi ouvir dizer a um comentador da RTPN que a “… Espanha é uma equipa que gosta de ter a bola…!”, como se não ter a bola fosse desejo, propósito, ou sistema de alguma equipa.

A equipa espanhola teve genericamente 60% de posse de bola, sendo que praticamente metade desse tempo decorreu na zona delimitada entre a linha de meio-campo e a primeira frente da equipa adversária. E por aí se movimentou sistematicamente em busca de uma oportunidade de penetração, tipo formiguinha insistente e trabalhadora.

Daqui resulta o óbvio:

– baixa produtividade em golos;

– alta percentagem de posse de bola, em todos os jogos.

A Suiça acabou por ganhar o primeiro jogo porque tudo lhe correu bem no processo defensivo compacto que apresentou (à semelhança de, praticamente, todos os outros), acabando por ter a chamada sorte do jogo ao marcar um golo, quando dispôs apenas de uma ou duas oportunidades para o fazer.

Teve ainda uma outra vantagem conferida pela ainda frescura física dos seus jogadores, uma vez que se tratava do primeiro jogo.

Se fosse possível falar em papel químico no futebol, a presença da Espanha neste mundial e a postura de todos os seus adversários daria uma imagem perfeita dessa metáfora.

A própria Holanda adoptou esse figurino e, porque se tratava de uma final, apenas na parte final do jogo se estendeu um pouco mais no terreno em busca do golo que lhe daria o título.

Aliás na parte final do jogo ambas as equipas fizeram um esforço derradeiro no sentido de não levar o jogo para prolongamento, um suplício para um Mundial em fim de época, um último jogo de uma competição dura no número de jogos num reduzido período de tempo e, se tanto não bastasse, uma final de Campeonato do Mundo a decidir tudo num único jogo.

A sorte acabou por sorrir à Espanha.

Com mérito, com saber e com futebol de alta qualidade conferido por exímios praticantes e uma vontade férrea de vencer.

Vencer com arreganho não é um argumento que se conceda aos tíbios.

Nota final.

Julgo de salientar um breve pormenor que neste tempo de festa e exaltação vamos deixando passar em claro.

A extraordinária lição de fairplay, amizade e fraternidade protagonizada pelos adeptos holandeses e espanhóis em todos os recantos do mundo.

Algo a que já vamos ficando pouco habituados.

O Futebol e o Mundo agradecem.

P.C.

30JUN2010

Crónica 6

Portugal – 0 Espanha – 1

E tinha logo que ser o fidalgo mais rico a estragar tudo, quando, porque é rico, lhe deram o leme da nau para navegar em mar aberto, começando a ser evidente que se safa com alguma mestria apenas em águas de lago e mesmo assim, só com vento de feição.

E assim, lá se bateu, mais uma vez, com a caravela nos recifes do nosso ciclo habitual das Tormentas, deixando a Nação ainda mais deprimida do que já estava com a crise. Consta que Bartolomeu Dias fez aquilo com uma perna às costas, sem contrato, prémios de jogo, nem direitos de imagem…

A crítica é bem mais fácil depois de percebermos como falharam as coisas na prática. Todos sabemos como não era, depois de percebermos como foi.

As questões tácticas são sempre um mundo farto de ideias, golpes, armadilhas e guerreiros exímios em razão, mas que sabem que a sua razão só mesmo na playstation, como o J. Jesus quando estava no Braga. Agora já joga na relva mesmo.

Daí que pouco importará avaliar, condenar e argumentar sobre este ou aquele pormenor táctico, bastando-nos aquela plêiade de entendidos que se esfalfam na TV por ganhar a vida vendendo verdades, que jamais terão oportunidade de provar. E eles sabem disso; por isso falam sem tento na língua porque a ausência de responsabilidade e oportunidade de provarem o que afirmam é a única táctica que sabem colocar correctamente no terreno de jogo.

Nesse sentido, deixemos apenas perguntas. Várias perguntas. Algumas levam anos sem resposta. Mas, mais tarde ou mais cedo, alguém terá que responder.

1-     Quem contratou C. Queiroz para Seleccionador Nacional, a que preço e com base em que palmarés individual do técnico, que o alcandorasse à pessoa indicada para a função? Se as houve, que explicações foram dadas? Que messianismo foi este?

2-     É verdade que a primeira condição imposta por C.Q. para vir treinar a Selecção Nacional (um desígnio que qualquer treinador português aceitaria com honra) foi o de auferir o mesmo vencimento (obsceno e inqualificável num país pobre à beira da falência) que vinha auferindo o Sr. Scolari ? (36.000 CONTOS/ mês; o “contos” em maiúscula expressa bem a minha inveja….)

3-     Quanto custa à FPF uma eventual rescisão do contrato com C.Q.? Quem é o responsável por esse contrato milionário e clausulas indecentes que o conformam?

4-     Quando alguns ilustres comentadores da nossa praça (indefectíveis amigos e seguidores do receituário teórico do prof.) defendem que C.Q. é “… o homem certo, no lugar certo”, fazem-no com base em quê? Na eloquência do técnico? Na sua vasta (e inequívoca) experiência que jamais conseguiu colocar na prática e no terreno? Na dolorosa ausência de títulos de prestígio que justificassem a sua nomeação? Na circunstância de C.Q. se ter transformado num caso de estudo do único técnico que teve todas as oportunidades do mundo e no mundo (enriquecendo os seus conhecimentos… e a sua bolsa) sem ter ganho o que quer que seja de palpável, que possa exibir como troféu pessoal, exceptuando a carreira de Manchester como adjunto e os êxitos nas camadas jovens nos longínquos anos de 89 e 91, de parceria com Nelo Vingada?

5-     Depois da nossa atabalhoada fase de qualificação (onde, sem estatísticas, aumentaram certamente o número de casos de ataque cardíaco nas urgências dos hospitais…), o que podíamos esperar da nossa participação neste Mundial? Que podíamos ser campeões no dizer no nosso feitor-mor de ilusões políticas e desportivas prof. Marcelo? Retirando aquela máscara dos 7-0 aos graciosos pigmeus do “querido líder”, voltamos para casa com zero golos marcados e dois empates. Mas não será isto o espelho desta selecção e da sua liderança? Quem teve o desplante de alimentar esperanças? Que esperar desta nossa imprensa que faz agora contas à vida com o vazio que fica, depois do desastre que foram fomentando, contribuindo decisivamente para esta nacional desilusão e instauração de um clima viciado e mentiroso?

6-     O que é afinal um capitão de equipa? Um miúdo craque, rico e vaidoso, que na primeira oportunidade morde a mão do dono? Quem nomeou C. Ronaldo como capitão de equipa da Selecção de todos nós? Como terão engolido isto, jogadores como Ricardo Carvalho, Bruno Alves, Tiago e Simão Sabrosa, ou mesmo Eduardo? Como se terão sentido capitaneados por um puto já podre de rico, vaidoso e sem o mínimo de qualidades para o exercício de um cargo que exige várias virtudes, entre elas a humildade e carácter? Como aceitar que um capitão de equipa afirme “… perguntem ao C. Queiroz…(pela justificação do desaire)”, sem que daí não resulte uma mea culpa formal pela sua inconcebível nomeação?

7-     Qual o treinador do mundo que convoca um jogador que vem de uma lesão de seis meses de paralisação e sem ter jogado qualquer jogo depois disso, para mais para um lugar de enorme desgaste físico e fulcral na manobra defensiva e atacante, devendo funcionar como autêntico pivot de todo o jogo? Por outro lado, que fará Mourinho com esta “descoberta” de C.Q. colocando Pêpe naquele lugar?

8-     Qual o treinador do mundo que convoca defesas laterais e depois adapta ao lugar um central sem méritos reconhecidos (nem a central, nem a lateral), coincidindo na circunstância de que foi mesmo por aí que o único golo da Espanha entrou, quando, intuitivamente, o Ricardo Costa se desviou para o centro da defesa, atraído pela bola?

9-     Qual o treinador do mundo que convoca um terceiro guarda-redes para a Selecção Nacional, que ainda hoje ninguém sabe quem é?

10-Porque se ri a bandeiras despregadas nesta altura Mourinho? Porque tinha C.Q. que tentar imitar Mourinho na estratégia neocatenaccio, quando uma coisa é o Inter outra é a Selecção Nacional, uma coisa é Mourinho e outra, bem distinta, é C. Queiroz?

11-Porque não houve um mínimo de coragem para retirar do jogo C. Ronaldo, quando este esteve mal em todos os jogos, tendo revelado, em determinados momentos, amuos, desinteresses e atitudes de desprezo do jogo, sempre que as coisas não lhe corriam bem, circunstância que ocorreu em quase todo o tempo em que esteve em campo? Porque não entendeu ainda C. Queiroz que C. Ronaldo, albergando todas as virtudes técnicas que possui, não funciona na Selecção colocado daquela forma, sabendo-se que tinha em Manchester, e tem em Madrid, 10 aios, que lhe fazem a cama e põem a mesa bastando-lhe depois devorar o prato? Porque leva C.Q. tanto tempo a entender porque razão C.R. não funciona na Selecção? Ainda não o conhece bem…?

12-Porque razão Deco (mal…!) se rebelou publicamente contra as opções do técnico, vindo posteriormente (depois de aconselhado, ou obrigado) a pedir desculpa, numa atitude inteligente por parte do jogador de se sair bem, mas deixando recado a todos os que o quiseram entender, ainda que tardiamente?

13-Porque razões (todas) os jogadores não entendem C. Queiroz? Porque razão um populista demagogo, chico-esperto, brasileiro e mau treinador conseguia ter a equipa na mão e C. Queiroz jamais o conseguiu? Quando entende o prof. que a linguagem de cátedra não funciona com o nono ano de escolaridade incompleto, ou mal enxertado? Quando percebe que a eloquência convence e deixa a babar de basbaque um Dias Ferreira, mas não leva à missa jogadores de futebol ainda habituados à linguagem do bairro pobre que os viu crescer, ou mesmo um desalinho em género e número de substantivo, ou tempo mal calibrado de verbo de um J. Jesus?

14-Porque nos parece mal contada a história do Nani? Porque é, uma fissura leve numa clavícula, motivo decisivo para prescindir do jogador? Podia acabar por fracturar? Podia. A acontecer, quanto tempo levaria a recuperação com intervenção cirúrgica? A ligação de C.Q. ao Manchester e a vinda pressurosa do médico do clube tem alguma coisa a ver com toda esta história, que indispôs o jogador, levando-o a mais um desabafo entre todos os que ouvimos, em mais um episódio cíclico deste nosso dobrar permanente do Cabo das nossas Tormentas da Selecção Nacional?

15-Como nos vamos sair disto? Depois do que fomos ouvindo e percebendo nas meias-palavras dos jogadores, como pode C. Queiroz continuar? Como lidar agora com C. Ronaldo depois do que fez, disse e como disse?

16-Quem vai pagar a conta?

…/… ora, lendo esta nossa malfadada história, em 2012 cá estaremos de volta para, inexoravelmente, repetir estas mesmas questões.

Nota (pequenina…)

Tão pequenina quanto o tamanho da nossa mentalidade.

Lidas e ouvidas as notícias após o desastre, já estão aliviadas as mossas que os castelhanos nos deixaram:

Atenção que… “… no lance do golo, o espanhol estava fora de jogo descarados 22 cm…!!!”

Que bom…

Que alívio…

Já me sinto melhor… Mas tenho dúvidas…

Analisado o lance pela 100ª vez… a mim parecem-me 23 cm.

Faz diferença. Faz-me menos pequenino. Um cm é algo de que a minha dignidade não abdica.

PC

A pedido do autor, junto no local próprio e em destaque o documento crítico enviado.

Pois…

Não li as cinco crónicas anteriores, mas, de todo, com a “seis” não concordo.

Discordo de que se tenha que ser matarruano com os matarruanos – sobretudo quando eles o não são senão por fruto de circunstâncias sociais. Já me chega a aldrabice de Rangel, Moniz & Cia, de que servem merda ao povo, pq é que o povo gosta. Se gostasse de ópera tb lhe ofereciam Maria João Pires. A minha interrogação é quem é Rangel, Moniz & Cia, para entenderem que estão predestinados a dar ao povo a merda que o povo gosta.

Quem pôs Cristiano Ronaldo com a braçadeira de capitão foi Scolari, e na altura não ouvi nem vi ninguém contestar – nem mesmo o Figo.

Carlos Queiroz foi o único seleccionador nacional que já conquistou dois títulos mundiais para Portugal. É certo que foram em juniores, mas foram os jogadores dessas equipas que permitem, ainda em 20p10, que Portugal se qualifique para as eliminatórias da copa do Mundo.

Em conclusão, defendo que C. Queiroz é um bom treinador e deve permanecer à frente da selecção.

Ab. A. Melo

N. B. – Será que esta minha discordante opinião pode circular de par com a tua assertiva crítica a C. Q.?

28JUN2010

Crónica 5

– Perscrutando a bola de cristal da História

Por Zandinga Júnior…

– Nenhum grande jogador de futebol atingiu um nível semelhante como treinador.

Logo, a Argentina não será campeã do mundo.

– Em Mundiais ou Europeus, normalmente, uma equipa que goleia num jogo, no seguinte ou tem dificuldades e não marca, ou não obtém mais que um ou dois golos, independentemente dos adversários.

Logo, a Argentina e a Alemanha têm grandes probabilidades de chegar ao fim do jogo empatadas a zero ou a um golo, levando o jogo para os penaltis, após prolongamento.

Obs:

Pelo sim, pelo não, convirá deixar claro que a história por vezes prega-nos algumas partidas…

Z. J.

– Corporativismos desnecessários

No programa televisivo da RTPN “À Noite, o Mundial”, o árbitro Paulo Paraty, convidado a pronunciar-se sobre os casos da arbitragem mais polémicos, enveredou pela defesa a qualquer preço dos seus pares, algo a que, em nome da verdade e do escandalosamente óbvio, não está obrigado. Percebe-se melhor agora o sentido da frase… “ a nossa arbitragem é tão boa como as melhores…”, afirmação já tão esfalfada, mas jamais provada.

No caso do golo negado à Inglaterra, golo que alteraria por completo a feição do jogo, tentou fazer crer que a posição do árbitro auxiliar podia ter sido prejudicada pelo corpo do guarda-redes e pelo ângulo relativamente à linha de golo.

As imagens provam claramente o contrário:

– nem o corpo do guarda-redes interfere na perspectiva do árbitro auxiliar;

– e daquele ponto, uma bola que bate mais de meio metro dentro da baliza… só o Paulo Costa a arbitrar jogos do F.C. do Porto se recusaria a ver, invocando que pestanejou no momento em que a bola bateu no chão…

Mas mais curioso é ver Fábio Capelo a festejar o golo dando-o de imediato como, praticamente, garantido, quando se encontrava a meio do campo, sem quaisquer outros indícios adjacentes de que a bola tinha entrado; o guarda-redes alemão até deu seguimento pressuroso ao jogo, num gesto pleno de fairplay, sendo ele o único que não teve quaisquer dúvidas de que a bola entrou escandalosamente na sua baliza, aldrabando-nos a todos; outro Henry que passa á história por ter vendido um carro eléctrico ao saloio… mas com fairplay… que faz toda a diferença…

Não sabemos quais são as intenções de Fábio Capelo. Mas daqui lhe deixava a ideia de promoção das armações e lentes dos óculos que usa, artefacto que, na verdade o árbitro auxiliar não usava.

Como prenda, ou com desconto, aproveitava e enviava um par a Paulo Paraty, dando assim um empurrão à arbitragem portuguesa. Melhor; dois pares. Um para a primeira parte e outro para a segunda, por via de algum embaciamento inopinado ao intervalo…

Mais interessante foi ainda a segunda questão relacionada com o corte com a mão do defesa brasileiro, quando a bola ia ficar à mercê de Cristiano Ronaldo, disparado que nem uma seta para a baliza adversária.

Paulo Paraty considerou a decisão da amostragem do cartão amarelo como correcta.

Justificação: tendo em conta a configuração do lance, nada garantia que a bola iria ficar à disposição de C.R. com excelentes hipóteses de concretizar.

Antes de colocar algumas questões a P. Paraty, insisto: se o Capelo não lhe oferecer o tal par de óculos, insista…

Questões (im)pertinentes:

– Se o defesa brasileiro teve a mesma perspectiva do árbitro e do P. Paraty (o lance não oferecia perigo imediato) porque razão cortou a bola com a mão correndo o risco de se excluído do jogo…? Instinto…?  Num passe longo…? Sim! Instinto! Instinto de que aquilo ia mesmo dar golo…!

– Se o árbitro tem que ter como válido que o lance vai ser de golo iminente se o corte com a mão não ocorrer, como vai poder avaliar se o jogador cortou o lance e a sua sequência só na Playstation, como diria o Jorge Jesus…?

Ó sr. Engenheiro! Não havia necessidade.

Em todo o caso Paulo… um abraço Paraty…

Ah… E não esquecer o Capelo…

PC

27JUL2010

Crónica 4

Flashes…

Portugal – Brasil

Nem caipirinha nem um bom tinto.

Para um Brasiu já apurado, onde bater no portuga é uma devoção, o jogo pode ter deixado a descoberto que o Brasil não está bem.

Quanto aos do “bom tinto”, se é verdade que o Brasil não traz a engrenagem afinada quanto nos habituou, embandeirar em arco pode ser a nossa costumeira utopia e um reinado de esperança que durará até Terça-feira, quando defrontarmos outros ”irmãos”, estes com maior tradição de nos guerrear, que os de além-mar.

Somos assim; qualquer coisita a gente faz uma festa e passamos do 8 ao 80 em menos de um sopro.

Mas vá reinando nova esperança, que de outra esperança se trata: a de que Carlos Queiroz, ao fim de tantos anos de experiência, consiga finalmente colocar em jogo tudo o que aprendeu e sabe. Já não era sem tempo.

Por outro lado, pode ser que ao fim de dois anos de treino os jogadores consigam finalmente compreender o discurso do Mister.

Ou terão os jogadores evoluído, ou o professor desceu finalmente à terra e entronizou por fim a linguagem do povão…

Alemanha – Inglaterra

O dinheiro, muito dinheiro, faz uma grande Liga e um grande futebol.

Mas não faz uma grande selecção, porque na hora das selecções é a debandada das águias, ficando os periquitos caseiros, cujos voos são bem mais curtos e rasteiros.

A crença nos valores da casa é tão parca que mais uma vez é reconhecido o baixo valor dos técnicos britânicos, recaindo a opção num técnico estrangeiro de renome.

A circunstância não deixa, por outro lado, e mais uma vez, de provar que os técnicos não fazem golos nem milagres, quando a matéria-prima, num conjunto de 15 ou 20 jogadores, se revela insuficiente para um bom Mundial.

Os ingleses entenderão isso mas não mudarão de rumo. Mais importante para os britânicos são os bons espectáculos que podem presenciar e viver como poucos ao longo de um ano inteiro, mesmo que em termos de selecção as desilusões se sucedam ano após ano. Feitio britânico.

Por outro lado, parece evidente que a globalização e mobilidade planetária dos jogadores acabou com os bombos de festa, exceptuando os filhos do “querido líder”, que irão certamente agora ser submetidos a “intenso treino”, que colmate o apartheid do mundo do futebol em que ainda se encontram.

Dava-nos jeito que a realidade inglesa se verificasse já com a Espanha, depois de vermos a Itália recolher a casa vergada pela idade e pela diáspora de quantos por ali se instalaram em busca de Ferraris e outros emolumentos.

Para estes três países (Itália, Inglaterra e Espanha), protagonistas das Ligas de maior intensidade competitiva, na hora certa poderá surgir a conta a pagar, numa prova onde a condição física é elemento fundamental para a obtenção do título de campeões do mundo.

A Itália terá pago cedo demais, a Inglaterra paga caro com uma inesperada goleada, restando a Espanha… e a nossa convicta esperança de continuidade do processo…

Sagrar-se-á campeã do mundo a selecção que melhor condição física vier a exibir na África do Sul.

Lembrar o ano de 1992 em que a Dinamarca foi campeã da Europa na Suécia, quando repescada à última da hora para substituir a Jugoslávia, ao tempo em guerra. Os jogadores na altura estavam praticamente já em férias, acabando por fazer uma prova excepcional, levando a circunstância a transformar-se num caso de estudo.

Contudo as conclusões não podiam ser concludentes, já que o fenómeno tinha outras variáveis cuja preponderância não foi possível avaliar nem correlacionar.

Argentina – México

Sem colocar em causa os méritos, supremacia e valor da equipa da Argentina, a sensação que fica é o do cintilar da eterna estrelinha de campeão.

O México tem duas oportunidades de golo, uma delas flagrante, com o guarda-redes batido e a bola a roçar o poste, para de seguida a Argentina fazer três golos, qual deles mais abstruso; o primeiro ilegal (fora de jogo de Tevez), o segundo numa infelicidade do defesa mexicano que entregou a bola de bandeja ao avançado argentino, quando a tinha sob perfeito controlo, e o terceiro, ainda que um grande remate, a ressaltar em dois defesas mexicanos e a ficar à medida de Tevez.

Estes os ingredientes imediatos do jogo e, no fundo, o que conta. No futebol, cada vez mais a bola é redonda…

Quanto a futebol, naturalmente a Argentina com maior domínio territorial e a equipa bem distribuída no terreno, a fazer valer os seus valores individuais, que nem precisaram de desequilibrar.

Messi sem precisar de se exceder, num claro controlo de esforço, tendo em conta o andamento do resultado.

Mas, obviamente, que o ânimo e a postura psicológica a partir de resultados sempre positivos e em crescendo ajudam muito, permitindo colocar a cabeça fria no jogo e explanar com mestria o saber e real valor dos jogadores da Argentina.

Na nossa convicção de que neste tipo de prova (Mundial ou Europeu, atendendo ao seu figurino) o campeão será sempre a equipa que mais sorte tiver nos momentos cruciais, a Argentina parece começar a configurar-se como potencial candidato, tendo em conta os quatro jogos já disputados, onde a felicidade do jogo nunca esteve arredada.

Começo a acreditar que aquela “mão de Deus” continua por aí…

Soltas…

– O golo não validado da Inglaterra traz de novo a terreiro a utilização de tecnologias que permitam resolver em breves segundos casos de flagrante injustiça e condicionamento de resultados, por vezes com claro sabor a escândalo.

Sem necessidade de lançar mão de processos sofisticadíssimos (chips na bola, ou outros), bem como a implantação de um árbitro de baliza, este é um caso onde uma simples câmara resolveria a questão em meros segundos.

A bola bateu mais de meio metro para lá da linha de baliza. É certo que não resolve todas as dúvidas. Mas um bom número delas pode ser facilmente solucionado e trata-se, por outro lado, de um mecanismo barato.

– O corte com a mão de um lance que isolava Cristiano Ronaldo por parte de um jogador brasileiro veio provar que as leis do futebol, afinal, variam bastante tendo em conta o momento, a circunstância e as equipas em confronto.

A lei é clara; a oftalmologia é que é variável…

PC

21JUL2010

Crónica 3

– Portugal 7 – Coreia  0

“… a gente semos assim… Quando apanhemos um desgraçado todo roto e a tremer de medo, a gente inté o come vivo e tudo…”

Que se pode concluir daqui?

O resultado faz jus à capacidade técnica dos jogadores que compõem a nossa selecção, mas responde mal quanto ao carácter, perseverança e força anímica, quando ela é o único elemento indispensável para poder contrariar a adversidade do jogo e as naturais dificuldades colocadas pelo adversário.

Agora a tendência é esquecer tudo o que de mau e negativo aconteceu até aqui.

Esquecer o péssimo jogo com a Costa do Marfim e os 35 minutos iniciais do jogo com os coreanos, com nível semelhante, onde foram estes os que mais se atreveram e quem mais e melhores oportunidades teve para fazer um golo. Estes mesmos que levaram os retumbantes 7-0…

E se tivessem marcado mesmo um golo, o que poderia ser este jogo? Ganhávamos por 7-1…? Claro que não.

A tremideira iria ser um doloroso sufoco até ao fim do jogo e a realidade conferida pela débil personalidade da selecção, ou seja, mais do mesmo, algo a que nos vamos habituando nos últimos anos.

Temos um Ronaldo ansioso por corresponder ao brilho áureo que lhe colocaram na cabeça e nos pés, falhando consecutivamente, mesmo nos terrenos onde normalmente é forte e temível.

Daqui resulta uma equipa, que todos fazíamos depender de Ronaldo, a deixar-se ficar órfão e sem saber para que lado se virar, sempre na lusitana esperança de que… mais tarde, ou mais cedo, o golo há-de aparecer… nem que seja por obra e graça do Espírito Santo, ficando a dúvida se este tem mesmo, ou não,  bom toque de bola… coisa que está ainda por provar…

E é praticamente isso que nos falta quase sempre: aparecer o golo.

Depois, a seguir, é quase sempre tudo bem mais fácil e até dá para golear uma equipa que, enquanto não perde, tem a moral em cima e complica; o Brasil que o diga.

Daqui para a frente permanecerá a incógnita.

Voltamos a adormecer à sombra desta bananeira (um êxito retumbante), ou os números e a exibição (apenas a da segunda parte, quando a tremideira se foi…) fornecem o toque necessário para colocar no chão tudo aquilo que sabem e que tão bem são capazes de demonstrar lá fora nos campeonatos onde brilham?

Ninguém sabe, ou pode predizer.

Nós semos assim…!

– Afinal Deus tem mesmo as duas mãos…

O segundo golo do Brasil com a Costa do Marfim foi construído e consumado de uma forma invulgar.

Se Maradona tinha invocado a mão de Deus na obtenção daquele célebre golo marcado com a mão contra a Inglaterra, desta vez Fabiano pode conferir que Deus tem mesmo as duas mãos que pode utilizar no mesmo lance… não vá o diabo tecê-las…

E andamos nós por aqui a queixarmo-nos que os grandes cá do burgo são sempre os privilegiados em algumas arbitragens mais ou menos manhosas. Ficámos afinal a saber que não estamos sós.

No topo competitivo do futebol planetário, um nome como o Brasil pode sempre implicar que se invoque o nome de Deus (ou dos deuses) para explicar determinadas atitudes de algumas equipas de arbitragem.

Muito se falou do golo que apurou a França para o Mundial.

Afinal, Deus existe… e o castigo divino aí está. Aquilo no seio da seleção francesa está bem pior que Saltillo…

Contudo, na presente situação, a questão que se coloca é a seguinte:

O gesto na verdade é tudo.

Após o lance protagonizado pelo jogador Fabiano (ajeitando a bola com o braço por duas vezes no mesmo lance que viria a dar em golo), perante os protestos dos marfinenses, o árbitro ainda quis tirar algumas dúvidas (poucas) que pudesse ter quanto à legalidade do lance e numa amena cavaqueira, bem documentada pelas imagens televisivas, confere com o jogador:

“…aquilo foi mesmo com o peito e não com o braço, não é mesmo cara…?”, questiona o árbitro.

“… limpo, seu juiz..! Como vê, eu nem trouxe os braços do balneário, mermão…!”, garante o Fabiano, com a cara mais honesta que Cabral já viu em dias da sua vida…

E a FIFA…? Não tem nada a dizer…?

O jogador mente descaradamente perante os olhos do planeta…, e o fairplay continua…?

– “Góstei…!!!!”

PC

18JUN2010

O MEU MUNDIAL

Crónica 2

Notas soltas…

1-A história é uma permanente repetição dos mesmos factos ou acontecimentos.

Os mundiais não fogem a essa realidade.

– As equipas que começam bem ou em grande forma, quase sempre acabam mal;

– Pelo contrário, equipas que começam mal, ou sem grande fulgor, vão longe e frequentemente são campeãs.

Esperemos para ver e seguir o comportamento da Argentina, Alemanha, Espanha, Inglaterra e Itália.

2- Outsiders

-Suíça pela excelente organização defensiva; vamos ver quando tiver a ousadia de se estender mais no campo;

– México pela homogeneidade e valor colectivo da equipa; pode ser um espinho inesperado no caminho dos tradicionais candidatos a campeões do mundo.

3- As ilusões das goleadas iniciais.

Uma selecção não é uma equipa com base estrutural e a organização de uma equipa de futebol que disputa uma liga nacional.

Soma normalmente os talentos nacionais e espera a capacidade do seleccionador para unir o grupo e atribuir-lhe uma identidade que fortaleça a coesão da equipa, bem como a implementação de uma determinada concepção de jogo simples e exequível, tendo em conta, precisamente, o pouco tempo para elaboração de esquemas de jogo mais complexos e elaborados. O seleccionador que não entender isto, falhará inexoravelmente.

Daí que as equipas que se apresentam nos mundiais se constituam numa espécie de “melão”, que só se saboreia, quanto à sua qualidade, depois de aberto.

Neste sentido, as goleadas de primeiro ou segundo jogo da prova, não permitem uma leitura linear do valor das equipas em confronto.

Ocorreu uma goleada pelo valor patenteado pela equipa que vence, ou foi a equipa perdedora que se apresentou com baixo nível de performance?

Parece exemplo disso a primeira goleada no jogo Alemanha-Austrália (4-0) para no jogo seguinte a Sérvia derrotar a Alemanha, sem muitos motivos de contestação, não obstante uma arbitragem algo controversa com alguns motivos de queixa para os bávaros.

Curioso foi escutar alguns comentadores da nossa praça (especialmente no programa O Dia Seguinte, onde o futebol parece estar a mais… o resto confere…) a embandeirar em arco com a performance da Alemanha no primeiro jogo. Era praticamente um já pré-campeão. Mas, quem sabe…?

4- Candidatos.

Não me lembro de um Mundial com tantos candidatos potenciais a erguer o troféu de Selecção Campeã do Mundo: Brasil, Alemanha, Espanha, Argentina, Itália, Inglaterra… e Portugal… isto nos intangíveis e ao mesmo tempo hilariantes comentários do prof. Marcelo…

Estes os potenciais candidatos de primeira linha, porque em segundo plano, e à espreita de uma oportunidade, a lista é bem capaz de ser igual ou maior.

4- Espinhos na garganta e… azia…

Tendo em conta a sua personalidade, Paulo Bento, se questionado sobre a sua relação e decisões relativamente ao guarda-redes Stojkovic, diria hoje que faria tudo da mesma maneira.

A teimosia e o autoritarismo confundem-se e conflituam frequentemente com a perseverança e a autoridade.

Paulo Bento terá deitado tudo a perder, condicionando até a sua carreira, por via da dificuldade em entender a diferença entre autoridade e autoritarismo exacerbado, por vezes bacoco, provável razão pela qual continua no desemprego, após ter saído do Sporting, onde teve uma oportunidade única de se alcandorar ao galarim mais alto do estrelato dos treinadores.

Tomar conhecimento que Stojkovic se tornou num dos melhores guarda-redes da Liga Espanhola e brilha agora no mundial pela selecção da Sérvia é um espinho difícil de arrancar e uma azia que dificultará muito as presentes e futuras digestões. As de Paulo Bento e as dos sportinguistas.

Ninguém em Espanha e na Sérvia conseguiu descortinar os defeitos de feitio ou personalidade de Stojkovic. Só o Paulo Bento. O que não deixa de ser, provavelmente, uma virtude…

Quem tem que aprender são os espanhóis e os sérvios, não Paulo Bento…

PC

16JUN2010

PORTUGAL E O MEU MUNDIAL 2010

Crónica 1

Pensar em voz alta.

– A nau vai de vento lateral e velas mal amanhadas. Quem sabe se não já com rombo e meia de água…

Lembrar os valentes navegadores com que desbravámos o mundo e os oceanos parece um insulto à coragem e bravura desses pés descalços que arremeteram de encontro ao desconhecido e ao abismo escuro dos infernos.

Esta nau que volta a arremeter o Cabo da Boa Esperança vai pejada de fidalgos, que outrora ficavam no remanso de Lisboa, enviando para a escuridão a arraia-miúda brava e destemida, temperada no sofrimento da fome e da miséria.

Estes são os fidalgos aperaltados de fina veste pouco ou nada habituados a sofrer pelo nome e dignidade do torrão encarcerado entre Castela e o mar, a que a marujada ainda chamava de Pátria, sem pejo de morrer por ela.

Esta a fidalguia que vai em busca da luzidia fazenda aguardando que esta lhe caia no regaço por obra e graça do nome e coroa de um ou outro rei que partiu em busca da riqueza arremetendo outros reinos de melhor poiso e esperança de nome e fortuna.

Sugestão do cronista:

– Da próxima levem a arraia-miúda que vive, sente e sofre pela Pátria e se identifica com a plebe que berra na rua até que a voz lhe doa, ou a fome a derrube sem mais alento para hastear o mastro da bandeira. E quando cair será na bandeira que encontrará a mortalha e o aconchego para o último suspiro.

Abaixo os fidalgos…!

Dúvida frouxa:

– Por que carga de água é que dois ou três brasileiros encravados na selecção portuguesa haveriam de jogar forte “contra” os seus, para mais quando nenhuma outra ambição pessoal lhes condiciona o carinho pátrio e arreganho canarinho…?

P.C.

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