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Jesus – da Bíblia para o Sporting…

27 de junho de 2015

A ascensão de J. Jesus foi um longo processo conseguido através de resultados interessantes em equipas de segundo plano, mas com maior relevo naquelas que podem almejar um brilhante 4º ou 5º lugar que dê acesso às competições europeias e aos almejados milhões que permitem respirar e esconder aqui e ali a pobreza contratual e de sobrevivência em que navega o futebol português. Equipas onde, aparentemente, só a Playstation permite ombrear com os chamados grandes, na versão correta de J. Jesus, os mais beneficiados pelo sistema, leia-se, arbitragem.

Como viria a ter plena razão quando, saltando da Playstation, saboreou sem amargos de boca os prazeres do “in dubio pró grande”, tendo aí os rótulos que proclamava começado a sofrer pequenas alterações; “Limpinho, limpinho…” passou a constituir-se numa das novas versões de J. J. quando a Playstation deixou de fazer sentido e foi arrumada na prateleira.

Chegado, por mérito próprio, a um grande – logo o dos seis milhões (um “mito urbano” repescado pelo nosso 1º Ministro e que carece de prova a sugerir um referendo nacional…) – saboreou logo ali o doce remanso de um plantel cuja qualidade podia permitir ter lesionada meia equipa e castigada a outra metade, mantendo mesmo assim um elevado nível de produção de jogo, de modo a que nem se notasse a falta dos habituais titulares. A imagem é forçada mas plagia com alguma sobriedade a realidade. O plantel do S. L. e Benfica em todos estes anos foi um luxo em número e qualidade, no que toca ao consumo interno, e é neste contexto, por agora, que nos devemos mover para melhor entender os méritos e deméritos de J. J..

Tenhamos por princípio e realidade que, ao longo destes seis anos com J. J., o Benfica teve como único adversário o F.C. do Porto. O Sporting terá passado pelos piores momentos da sua existência e apenas candidato acima do 3º lugar na imaginação prodigiosa dos seus consecutivos presidentes e uma inesgotável esperança dos seus leais e indefetíveis adeptos.

Ora neste período o Benfica foi três vezes campeão e o F.C.P. outras três, sendo do senso comum que os três títulos conquistados por J. J. corresponderam a momentos complicados do seu adversário direto, nomeadamente na escolha dos técnicos; experimentalismos que correram mal, com explicações das opções menos aceitáveis ainda. A ideia que nessa altura começou a correr foi a de que Pinto da Costa tinha chegado ao fim do seu reinado de ouro e que agora o ouro estava entregue ao bandido.

A conquista da Liga nesta última época fica também ela ensombrada por circunstâncias anómalas (para usar um termo apenas meio obscuro), mas, dir-se-á, normais no enevoado em que navega o futebol português, por aquilo a que se veio intitulando de “colinho”, título aconchegante que visa arbitragens no mínimo estranhas. Mas, também neste mesmo contexto, há ainda uma outra circunstância digna de relevo, cujo entendimento não pode nem deve ficar pelo esquecimento, se bem que as explicações nos possam levar a juízos pouco dignificantes e que, a bem de alguma sobriedade intelectual, nos escusamos de esmiuçar e encontrar dilucidações adequadas; referimo-nos ao facto de nesta época o S.L. e Benfica, nos 36 jogos que disputou, ter jogado 12 deles em superioridade numérica. É obra, para não dizer que é estranho, demasiado estranho, e creio que único no mundo. O S. L. B. viria a ser campeão com 3 pontos de avanço sobre o 2º classificado, mais duas vitórias que o mesmo 2º, mas também mais uma derrota que Porto e Sporting. Ainda de referir que nestes seis anos o Benfica venceu uma única vez a Taça de Portugal; são menosprezadas aqui as vitórias na Taça da Liga por motivos e estórias, demasiadas estórias, de que todos nos lembramos e guardamos memória, bem como o total descrédito em que a prova vem caindo.

Se nesta perspetiva o registo é de um empate (3-3) com um único adversário direto, convenhamos que nas competições europeias, onde o Benfica se empenhou financeiramente para altos voos, o panorama também não deixa de ser pobre. Ainda nos recordamos do foguetório que por aí ocorreu quando a final da Liga dos Campeões se disputou no Estádio da Luz. O S. L. e Benfica praticamente já lá estava. E como sabemos, não esteve, nem sequer perto. Nos outros cinco anos a participação foi pobre ultrapassando uma vez apenas a fase de grupos. Na presente época um modestíssimo último lugar no grupo foi o pior que J.J. podia ter conseguido e conseguiu. Bem ao conhecido estilo de J. J., este veio logo proclamar que o objetivo era a conquista da Liga; mas apenas quando tudo se começou a prenunciar ir por água abaixo…

Falta referir que o S.L.B. esteve neste período em duas finais da Liga Europa. Liga Europa que J. J. sempre considerou a 2ª divisão do futebol europeu, pelo menos enquanto disputava a Liga dos Campeões… Regista-se o mérito de aqui chegar; ou seja, chegar a duas finais da 2ª divisão do futebol europeu. Infelizmente perdeu ambas.

E este é genericamente o palmarés de J. J. nos seis anos de S.L. e Benfica.

Ter um presidente com a bolsa das moedas de ouro presa à cintura e sempre disponível para a abrir e satisfazer os desejos e caprichos do treinador, sem questionar os quês e porquês, é uma barriga cheia que permite não só construir um edifício, como também cometer erros sem que se dê muito por eles. Os deméritos ofuscam-se, porque alguns resultados têm forçosamente que aparecer, mas também os méritos do presidente passam despercebidos porque o mediatismo se foca no cerne da obsessão do adepto e da imprensa; o treinador.

L. F. Vieira constitui-se nesta altura no melhor gestor financeiro do S. L. B. dos últimos 20 ou 30 anos, senão de sempre. É bem provável que comece já este ano a pagar uma certa dívida acumulada, a que não será por ventura alheia a presente debandada de J. J. dos ares do Seixal. Se a metáfora não for demasiado metafórica dir-se-ia que ao longo de todos estes anos o verdadeiro treinador/responsável pelos êxitos do clube foi L. F. Vieira, constituindo-se J. J. num bom adjunto. A impossibilidade das omeletes sem ovos continua um paradigma que ninguém consegue resolver.

Qual Jesus – o original – J.J. veio aglomerando atrás de si um cortejo de admiradores que não lhe regatearam aplausos, admiração e apoio ao longo dos seis anos em que permaneceu no S. L. B..

“Seis milhões” é muita gente, bastando que os indefetíveis se juntem na catedral em cada fim-de-semana num intenso aplauso de congregação e unidade, estádio quase sempre cheio, conseguindo mesmo, por artes de domínio de setores chaves do futebol, outrora veementemente condenados, que um(a) Capela se configurasse, num certo dia, maior que a própria catedral e iluminasse o santuário com o seu indefetível e declarado benfiquismo num eterno derby lisboeta.

Mesmo quando, noutras circunstâncias, J. J. falhou rotundamente uma época inteira e teve em cima de si um certo clamor de desgraça – um desvario doentio quando a derrota amaruja os sentimentos e fere essa necessidade antropológica do homem de vencer o seu adversário a qualquer preço, sorvendo daí uma espécie de placebo que funciona e dá bem-estar – dizíamos, mesmo aí J. J. obteve a complacência do presidente e a confiança necessária para continuar, voltando a Direção a funcionar como uma retaguarda imprescindível no apoio ao técnico. Nesta circunstância precisa ficamos à vontade para o dizer porque neste pequeno púlpito saímos em sua defesa, quando o fortuito foi capaz de desmoronar uma época inteira que tinha tudo para ser quase perfeita. Mas as vitórias têm uma enorme capacidade de limpar rapidamente nichos da memória onde se vão acumulando pequenos desaires a que jamais volveremos para encontrar uma explicação.

J. J. respira o jogo da bola vai para 50 anos. Foi lendo o jogo e entendendo a sua estratégia. Vestiu-se da nossa conhecida matreirice de povo sempre despojado de escola e fez-se à vida em terra de cegos, tornando-se rei, tal como um empresário da construção civil bem-sucedido na vida e podre de rico, ainda que sem o canudo da 4ª classe deixada por terminar. De igual forma com mérito, inegável mérito.

Nunca lhe terá passado pela cabeça sentar-se numa cadeira de escola onde se salta do jogo da bola para o Futebol, como ocorre por toda a Europa, sendo aí mesmo obrigatório e determinante para poder singrar na carreira. J. J. será talvez o único treinador na Europa a calcorrear o alto nível do Futebol sem qualquer formação de nível conhecida. E isso, mais tarde ou mais cedo, paga-se caro. Segundo J. J. no Futebol o importante não é a escola; “o importante é ter olho” – afirmação proferida numa sessão promovida pelo Prof. Manuel Sérgio na FMH. Não tardará muito que J. J. entenda que não chega. Que é muito importante ter olho, mas não chega. Se é que não terá já percebido isso esta época.

Durante seis anos o S.L.B. terá conseguido manter o melhor plantel (número e qualidade) das últimas duas décadas. Mas, quer queiramos, quer não, isso terá que ser averbado à engenharia financeira elaborada por L. F. V.. Poder-se-á perguntar se não há mérito do treinador que escolheu os jogadores. Sim, em parte; mas sem deixar de questionar os “contentores” de sérvios que vieram e desapareceram, bem como inúmeras escolhas de J. J. que nunca chegaram a ter sequer lugar na 1ª categoria e desapareceram sem deixar rasto. Quando o leque de escolha é a deitar por fora, a perspicácia do que escolhe esvai-se que nem areia fina da praia por entre os dedos. Volvendo ao “é preciso é ter olho”, é preciso também não errar tantas vezes. Bom mesmo é ter um presidente que não questiona as opções do técnico, abrindo os cordões à bolsa sempre que este o solicita, essencialmente para chegar a altos voos, com especial relevo nas competições europeias, de onde cintilam e caem os tais milhões que funcionam como oxigénio em agremiações de elevado estatuto salarial e correspondente ambição desportiva. Quando há uma escolha a fazer o risco de errar acontece. Mas quando levo 10 laranjas para casa e posso escolher as duas mais doces jogando fora as restantes, tudo se torna mais fácil. Problemático é quando a bolsa apenas dá para escolher duas as quais se têm depois de comer sem outra alternativa… a não ser a Playstation.

O “olho” de que J. J. se acha possuidor carece ainda de melhor explicação relativamente a alguns casos que ocorreram nas últimas épocas e que as vitórias, como sempre, camuflaram – qual simples “delete” de inebriar que o sucesso sempre produz – apagando sem deixar rasto opções estranhas que J. J. sempre transforma em golpes de mestre, alisados por uma imprensa que lhe é favorável, em boa parte porque a sobrevivência também se faz segurando os estandartes da festa que passa, mesmo quando o cortejo não leva o santo da nossa devoção. Na imprensa desportiva então a procissão é diária.

Apenas quatro casos que deixamos como paradigmáticos.

Rodrigo. Esquecido meses a fio nas margens do Seixal e tapado por Cardozo arvorado em figura de proa da equipa (praticamente marcador de livres e penaltis), nasceu num repente quando na final da Taça de Portugal Cardozo resolveu questionar o treinador com dois safanões em pleno relvado, ao que se diz trazendo ao de cima alguns maus tratos de carácter infligidos por J. J. ao longo dos tempos (consta que a veia colérica de J. J. também se enfurece demasiadas vezes com os seus jogadores). Cardozo apagou-se num repente (titularíssimo (??) no Benfica, por onde anda hoje poucos sabemos) e Rodrigo emerge que nem nova estrela de galáxia recente, faz esquecer de imediato Cardozo e, quem diria…, rende ao Benfica quase de imediato 45 milhões em pacote com André Gomes. Perante este quadro, e de certo modo questionado, J. J. explicou (para quem não tem “olho” para estas coisas…) que Rodrigo estava a ser trabalhado e entrou quando estava já maduro… Não tivesse Cardozo tido aquele “apodrecimento” momentâneo por onde andaria o amadurecido Rodrigo por esta altura… Convenhamos que, logo que titular, amadureceu demasiado depressa. L. F. Vieira que o diga…

Oblak. Suplente e praticamente sem utilização, “tapado” por Artur. Artur lesiona-se e Oblak ocupa o lugar quase por favor e algum temor (bem expresso) do técnico. Não compromete; antes pelo contrário. Mas Artur volta a ser opção posteriormente, até que as coisas lhe começam a correr mal e J. J., pressionado, dá o lugar a OblaK. Praticamente não aqueceu o lugar. Mediante excelentes exibições desapareceu do país quase sem dar cavaco a J. J. e ao Benfica (numa raiva que deixou bem patente na forma como praticamente “desertou”) e montou-se em Madrid; 16 milhões. É tido hoje como um dos melhores guarda-redes da Europa. Não tivesse tido Artur aquela infelicidade, e outras mais de carácter técnico que se lhe juntaram com prejuízos para o Benfica, por onde andaria hoje Oblak e que destino teria tido? Porque se distraiu J. J. ? Porque Artur tinha sido uma opção sua que era necessário demonstrar que não estava errada?

Matic. Paradigmático. Longos meses “tapado” por um Javi Garcia. Apenas entra como titular depois da venda de Javi ao Man. City, tornando-se de imediato num esteio na equipa. Breve história; comprado Javi Garcia pelo Man. City, pouco tempo depois o mesmo City oferece 25 milhões por Matic, mais o Javi Garcia de volta (tipo brinde)… Maior bofetada não podia ter ocorrido. Matic torna-se fundamental na equipa do Benfica e rende rapidamente 25 milhões pagos pelo Chelsea, que lhe oferece um contrato de cinco anos e meio. Javi, a opção de J. J., rumou ao futebol russo, obviamente numa despromoção desportiva. “Olho” a menos, ou mera distração? Quando levemente questionado J. J. voltou a invocar que o atleta estava a amadurecer no Seixal… Há muito sol na eira do Seixal e chuva quando faz falta para a maturação dos jogadores. Mas como se amadurece sem jogar? Porque, aparentemente, não percebeu J. J. a pérola que tinha entre mãos? Como calcular eventuais prejuízos desportivos para o clube? Matic é hoje apenas um dos melhores médios do futebol inglês e indiscutível na equipa que acaba de ser campeã.

Bernardo Silva. Breve história. Esteve nas mãos de J. J. tendo sido destinado pelo “olho” de J.J. ao lado esquerdo da defesa. Defesa esquerdo era a douta perspetiva de do treinador. Aí trabalhou até que J. J. lhe terá confidenciado que o melhor era procurar outras paragens porque no Seixal jamais haveria de amadurecer… Rumou ao Mónaco onde alguém com “olho” percebeu que B. Silva jamais seria um defesa esquerdo mas sim um  ala. Sem mais considerações é hoje jogador da seleção nacional. O Mónaco já recusou 35 milhões pelo jogador.

J. J. intitula-se como formador de jogadores; uma espécie de formador/educador. Em muitas ocasiões fez passar a ideia de que os jogadores por si trabalhados aprendem a ser melhores jogadores. Ora, a este nível ninguém ensina nada a ninguém. Os jogadores que chegam aos grandes clubes conseguem-no porque evidenciam qualidades técnicas suficientes para esse nível de prestação e exigência. A chamada “forma” adquire-se com o trabalho normal de uma equipa de futebol; não melhoram essa prestação porque os técnicos os ensinam a jogar futebol. Isso pode ocorrer nos regionais, não a este nível.

Um treinador tem vários níveis de intervenção no seio duma equipa de futebol. Mas essencialmente tem três fundamentais:

1- Atendendo às suas características, colocar o jogador no lugar certo. Ou seja; um jogador pode render 95% num determinado lugar, mas o técnico pode indiciar que noutra posição o jogador pode render 100%. Esse pormenor, por pequeno que possa parecer, conduz a equipa ao seu rendimento máximo de acordo com o potencial disponível.

2- Adaptar o sistema tático à capacidade de desempenho e qualidade técnica dos jogadores que conformam o plantel.

3- Explanar no terreno a opção tática mais adequada, tendo em vista o adversário que vai defrontar, sem esquecer a realidade do item anterior.

Neste contexto J. J. tem feito passar a ideia de que o tem conseguido de forma magistral. Essencialmente mover jogadores de determinados lugares para outros com melhor rentabilidade. Nunca o saberemos; neste aspeto apenas podemos voltar a conjeturar. Fica sempre no ar que “… presunção e água benta, cada um toma a que quer…”; e J. J. não prima por descurar muito este preceito.

Apenas dois casos;

Enzo Perez. Chegou ao clube como ala. J. J. entendeu dar-lhe outras funções mais interiores. Pareceu desempenhar bem o lugar; a imprensa assim o não deixou de elogiar. Adquirido pelo Valência por 25 milhões, e colocado no mesmo lugar, está a ser altamente contestado quer pelos adeptos e crítica, quer pelo técnico que o indicou; sete cartões amarelos em 10 jogos, o que indicia claramente incapacidade para o desempenho do lugar. Ou seja; alterado o nível de exigência o jogador, aparentemente, apagou-se. Dúvida que fica; terá sido boa a opção de J. J. na atribuição daquelas funções ao jogador? Ou o jogador estava bem onde gostava de estar?

Fábio Coentrão. Outro jogador que chegou ao Benfica como ala. J. J. achou que as características de F. Coentrão apontavam para outras funções e deslocou-o para defesa esquerdo. Do aparentemente bom trabalho realizado (na verdade as grandes exibições ocorreram quando desceu pela ala em função atacante) resultou uma transferência de 25 milhões para o Real Madrid. Aumentado o nível de exigência competitiva F. Coentrão começou a encontrar dificuldades. A crítica não o poupou e Mourinho chegou a questionar a sua prestação defensiva responsabilizando-o por alguns golos sofridos, uma vez que quando integrado no ataque e em ligação com Ronaldo Coentrão colhe boas referências. Ou seja; Coentrão quando no seu lugar de raiz funciona. Um pouco desagregado da equipa, F. Coentrão tem manifestado vontade de sair mas não encontra clube que pague a cláusula de rescisão. Tem manifestado vontade de regressar ao Benfica, assumindo assim uma despromoção do seu valor comercial. Curiosamente o Selecionador português no último jogo da Seleção colocou F. Coentrão na sua antiga posição; ala esquerdo, o que me parece uma atitude com algum significado e que não deixará J. J. bem colocado.

Há outros pormenores que levantam muitas dúvidas quanto às opções de J. J. na definição de posicionamentos ou funções de jogadores:

Cardozo a marcar pontapés de canto; Talisca a entrar na parte final dos jogos na posição de ala (algo que espantou o próprio jogador que deixou transparecer não conhecer o lugar); Ola John que não consegue definir-se na posição em que atua; posicionamento defensivo nos cantos com uma única linha de jogadores à zona, o que valeu três ou quatro golos sofridos pela equipa, com quase uma catedral inteira de mãos postas aos céus para que J. J. abandonasse o sistema, a que, contrariadíssimo, acedeu sem nunca conseguir explicar qual era a sua ideia. E por aqui se poderia continuar pelas estranhas opções do auto intitulado rei da tática, muitas delas diluídas nos golos de Jonas, uma autêntico achado que surgiu do nada e concretamente salvou a época do Benfica e de J.J.. Uma circunstância a que poucos deram relevo até agora. Importante mesmo foi a conquista da Liga. Como, pouco importa para alguns. Um Jonas em desgraça em Espanha que chega e em meia época faz mais golos que Lima, outra escolha e opção de J. J.. Desta vez nem dá para exercer a “cláusula” de jogador construído no seixal sob a batuta do treinador.

Porque lateral, ainda que importante, não vertemos análise sobre a iliteracia de J. J., nem nos inenarráveis episódios de total ausência de ética para com colegas de profissão jactados do banco de suplentes.  Ainda que nos custe entender como é que um homem público com 60 anos de idade seja incapaz de tornar no mínimo escorreita a sua forma de expressão. Tornar-se na maior fonte do anedotário português pode passar incólume quando os fiéis e idolatrantes se contam pelos tais “seis milhões”. É muita gente a tresler as gafes e a achá-las até engraçadas. Veremos quando os “seis milhões” atentarem melhor na “gafetaria” e ressabiar a desfeita do roubo, sim, desta vez mesmo perpetrado na Catedral e logo pelo rival de sempre. Fica-nos também uma outra dúvida: incapaz de soletrar com um mínimo de proficiência a língua materna, como pode este homem estudar o Futebol indo mais além do muito “portuga” jogo da bola? Terá começado a pagar essa insuficiência já este ano?

J. J. no Sporting.

As razões que levam Jorge Jesus a trocar o Benfica pelo rival de sempre, dificilmente serão conhecidas na sua totalidade. A não ser que venha a ocorrer um acesso de humildade que o leve a explicar-se na praça pública, circunstância a que não nos habituou ao longo da sua já longa carreira de treinador de futebol. O melhor que se poderá conseguir será enveredarmos pela tradicional conjetura tão usual no mundo da bola.

Há quem se incline para o lado do sentimentalismo (sportinguismo e apelos do pai em situação de saúde menos desejável) o que esbarra num obstáculo pouco saudável no âmbito da sensibilidade e afetos; os valores que o levam a mudar-se para Alcochete. Algo do género não deveria, ou não poderia, acontecer, tendo em conta os números do negócio, se bem que o “Amigos, amigos, negócios à parte…” continua em vigor e continuará por certo na mesma senda por muitos e bons tempos.

Noutra perspetiva e enquadramento do perfil de J. J., este, quando questionado sobre o seu futuro, deixou escapar recentemente que “… se fala para aí no Real Madrid e no Manchester United, mas eu não sei de nada…” (uma auto elevação desmedida bem ao estilo de J. J.. Nada abaixo do R M, ou do M. U. ). Contudo, a realidade deve ter-lhe caído nua e crua no regaço quando Jorge Mendes lhe indicou quem estaria na disposição de o contratar findo o contrato com o S. L. e Benfica. Parece que a Turquia seria a proposta mais alta no que concerne a nível desportivo e projeção europeia. Uma espécie de eldorado ao estilo de Bruma. Já o ano passado lhe terá sido ventilado o Milan, que J. J. “terá rejeitado” por falta de projeção na Europa do futebol, por não ter sido apurado para as competições uefeiras, mas de concreto nada se soube.

E assim, de projetos de alta-roda em alta-roda, se vai parar ao Sporting.

Sem alinhavar muito o futuro de J. J. no Sporting, se me pedissem para juntar duas pessoas incompatíveis no mundo do futebol português não hesitaria em juntar Bruno de Carvalho a Jorge Jesus. Dois egos desmedidos, ou o perfeito alter-ego um do outro. E assim se reduz muito o discurso que poderia ser elaborado sobre esta matéria.

Quando se junta um presidente de um clube convencido de que o sucesso duma equipa de futebol depende fundamentalmente do treinador e não da equipa, com um treinador que se acha possuído de uma tal aura capaz de fazer milagres – provavelmente apenas porque se chama Jesus – estão concertados os ingredientes necessários para um desastre. Mas resta uma esperança; que o Benfica se desarticule por completo (financeiramente e como equipa), o Porto também emagreça e Lopetegui (disse bem…?) continue mais a preocupar em arrear um “punhetaço” em quem se enganar no seu nome. E desta forma já será possível acreditar num certo equilíbrio, mesmo assim, caso o Braga e o Guimarães não se mantenham em bom plano.

Esta sim é uma prova de fogo para Jesus. Independentemente da equipa que Bruno de Carvalho consiga construir, sem esquecer que há bem pouco tempo desconhecia que orçamento teria para este ano, Jesus vai ter que provar a ele próprio como se constrói uma equipa de futebol nova em tempo recorde e como lidar com uma Formação que no Benfica apoucou chegando a denegrir a qualidade dos valores ali existentes.

Os tempos em Alvalade são de enorme esperança. Sempre a última coisa que se perde. O crédito em J. J. é total. É bem possível que o maior entusiasmo resida no facto do técnico ter sido surripiado ao rival da 2ª Circular. Os tempos o dirão. Mas atrevo-me a alvitrar que pena é não ter sido possível contratar um L. F. Vieira por cinco ou mais épocas, tempo necessário para estabilizar um Clube que bem carece de construir uma estrutura com futuro e nunca aventureirismos insípidos de gente inexperiente, apenas ditados pelo coração e desejos de promoção pessoal, para pior dos seus pecados, contra tudo e contra todos.

Apenas a talhe de foice, mas também prenúncio do que poderá constituir-se o futuro breve do S. C. de Portugal, o despedimento de Marco Silva, na sua forma e contornos, foi uma indignidade para não lhe chamar uma pulhice congeminada à distância, que não pode conformar-se com a dimensão ética e institucional de um grande Clube, o Sporting Clube de Portugal, de enorme história e grandeza. Não haverá êxitos desportivos futuros, ou outros, que apaguem tamanha torpeza, ficando a dúvida se a breve prazo haverá treinadores que se atrevam a entrar em Alvalade, só pelo receio de serem varridos sem pejo nem honra, suportados em argumentos que chegam a raiar o ridículo. Ninguém parece ter aprendido nada com os caminhos de Leonardo Jardim e agora Marco Silva; nem a esperteza e conhecimento acumulado de Jorge Jesus que aparentemente parece estar a contar com os favores dos céus.

Haja Deus…!

 

Pedro Cabrita

2 comments on “Jesus – da Bíblia para o Sporting…

  1. Gostei do que li. Uma boa análise dos últimos tempos do nosso futebol, ainda que centrada no JJ, Benfica, LFV, Sporting e mais alguns. Em termos de percentagem, concordo nuns 95%. É pena haver tantos factores exteriores a influenciar a verdade desportiva. É o que temos, mas não deixo de ter pena por ser assim. Um abraço.

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