A ética e a estética

No programa “O Eixo do Mal” desta noite, Pedro Marques Lopes, comentador que aprecio não pela ideologia mas pela verticalidade das suas intervenções, insurgiu-se contra a fogueira em que se vem queimando o deputado José Silvano e a deputada que saiu a terreiro assumindo que foi ela que “inadvertidamente” terá marcado a presença ao deputado, que àquela hora andava por terras do Norte fazendo pela vida do seu partido.
PML pergunta se foram os 138 euricos que levaram J. Silvano a solicitar à sua colega deputada que lhe marcasse presença.
Não, não foram os 138 euricos, caro PML.

O que levou J. Silvano a solicitar a marcação de presença, e por mais do que uma vez (pelo menos são as que se conhecem), foi a imagem de ausência reiterada de deputados em sessões plenárias, sendo que há sessões em que a AR se apresenta de tal modo despida de deputados, que suscita ao comum dos cidadãos sérias dúvidas quanto à seriedade e integridade das pessoas que elegeram, quando juntam a estas ausências os múltiplos casos de “esquemas” mais ou menos manhosos para extorquir “euricos” ao erário público, que ao eleitor custa aceitar, partindo do princípio de que os representantes da nação, se não são sérios, têm pelo menos que o parecer.
E essa é a questão.

Os 138 euricos são um almoço normal e barato para o sr. deputado José Silvano.
Mas a imagem de ausência reiterada no parlamento, para o qual foram eleitos por sufrágio e pressuposto de integridade ética pelos cidadãos que se dignaram ir votar na sua eleição, essa custa a aceitar por quem labuta todos os dias pelos parcos euricos de subsistência e olham o cumprimento de um dever de honra e dignidade quase como um sacrifício dos eleitos no simples sentar nas cadeiras da chamada casa da democracia.
Os 138 euricos o deputado José Silvano até os devolve com juros se necessário for, desde que isso limpe a imagem pouco abonatória com que sai deste episódio.
Mas a imagem devassada na sua integridade política e moral essa não há juro que a limpe por maior ou menor agressividade que se arvore em conferências de imprensa determinadas quando a casa já arde, podendo tudo ter sido evitado com um simples soprar de fósforo mal este se incandesceu.

Acrescentar apenas, se necessário fosse, que uma deputada que ao fim de três anos de parlamentar faz um login na plataforma de um colega de bancada que está ausente e não sabe que isso determina a sua presença fictícia, tendo-o feito por mais do que uma vez, ou nos quer tomar por tolos ou a tolice arrasta a própria deputada, deixando evidente não possuir estatura para tão nobre cargo de representação dos eleitores que a elegeram.
Ao fim e ao cabo estamos a falar de quê? Do costume ou dos nossos costumes…?

 

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