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Livro “O Último Inferno” (Excertos)

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Publicação Editora Prefácio

Uma História de pouca terra e muito mar …

Deixemos em sossego as três últimas naus que, moribundas, pairam sem vento frente ao Restelo – derradeiros baluartes da nossa soberania e reinado sobre os mares negros do medonho e desconhecido – e sigamos o rio Tejo meia légua a montante, vogando no intrépido curso do tempo que escorre fluido e imparável a jusante.

Continuemos, contudo, no trilho de navegadores que teimam em partir do Tejo na demanda das rotas do oiro e da glória que quebrem as amarras da miséria de lusos confinados à minguada faixa de terra erguida por Viriato e Afonso Henriques, sustentada depois em pertinazes e audaciosas batalhas contra Roma e Sarracenos.

Pedaço de pátria que se viria a revelar curto na dimensão do desejo de crescer e expandir o abraço fraterno que sempre quisemos dar a todos os povos do mundo, e estreito numa eterna raiva da opressão castelhana que nos encostou ao mar, na esperança de que viéssemos a sucumbir numa rendição pela força das armas que, secular e pacientemente, em vão empreenderam.

Uma fronteira de mar temeroso e sombrio, transformado em portão de uma nova liberdade que escancarámos ao mundo, por onde brandimos o punho cerrado erigido a Castela, proclamando a soberania do desejo de querer ser português e não outra coisa qualquer, embora condenados a ter que enfrentar muitos gigantes Adamastor – todos aniquilados, em terra e no mar – numa luta desigual e sem temor das vozes que, piores que ventos de proa, nos empurravam de volta às praias, donde partíamos de pé descalço e vela remendada a abarrotar de sonhos e desejos de conquistas. Uma nesga de terra com gente dentro.

De gente desamarrando o destino e soltando as velas do anseio de querer palmilhar as ondas do abismo em busca de si mesma e de outros mundos que lhe dessem as asas duma liberdade sempre sonhada, mesmo correndo o risco de se afundarem em cada peleja de vaga arremessados para as profundezas dos oceanos, donde se erguiam trôpegos e sem norte, mas marinheiros ressuscitados para nova viagem de horizonte e infinito desconhecidos, onde se perdia o olhar mareado e turvo dos balanços do cesto da gávea.

Gente que amalgamava na marinhagem a fidalguia, homiziados e outros tantos menos afortunados, unidos num mesmo desejo de redenção da sorte, crentes na contemplação e mão protectora dos céus, conformada nos mandatários do divino de assento permanente à mesa do rei.

Gente e soldados crentes que era a pátria que lhes rogava o sacrifício de por ela pelejarem e por ela sucumbirem, numa espécie de imolação em nome dos senhores da pátria e de um eterno quinhão de Deus que, dando-lhes a aspereza da vida, dela vem ainda demandar contas e recompensa.

Cinco séculos de uma História de glória contada nos solavancos de mar alteroso da própria História.

Quinhentos anos de pelejas de mar, pirateio de almas e usurpação do fruto da terra agreste e selvagem.

Cinco séculos de submissão e mordaça.

Uma eternidade por fim agonizada num último naufrágio de uma nau-pátria envelhecida – desnudando os madeiros carcomidos pelo tempo e pelo sulcar incansável de uma perpetuidade de ondas – incapaz de resistir a uma última vaga da História que nos atirou por fim de volta às praias do Restelo, de mastro quebrado e vela desfeita, eternamente pobres, e uma renovada brecha aberta num orgulho novo que nos voltará a atirar de volta ao destino de romper fronteiras e marear a vida num outro lado do mundo.

Um tempo novo amarfanhado de novas causas decalcadas de uma mesma História de gestos e desejos soletrados vezes sem conta.

E sempre um mesmo anseio de romper o espartilho de um mar, que, embora vencido, acabou por nos naufragar o futuro, e de uma fronteira castelhana sustentáculo de um orgulho secular de lusitanos empertigados contra toda uma horda de invasores que sempre fomos capazes de escorraçar e proclamarmos o desejo de sermos nós próprios e nunca escravos da vontade alheia.

Um novo mar desafiador e pérfido mas, por vício do hábito, uma mesma História a percorrer, um sofrimento igual a que nos fomos acostumando, deixando o destino e a fé nas mãos de Deus e dos céus, donde continuaremos a esperar, plácida e inexoravelmente, que tudo nos chegue por obra e graça do divino.

Derradeira viagem, ainda de pano erguido…… e peito alcandorado às ondas agrestes da História…

Acostado ao cais de Alcântara ergue-se imponente o Vera Cruz de proa ainda apontada à barra.

Símbolo do que resta da gloriosa armada do passado, derradeiro testemunho das ilustres linhas de África, Índia e Brasil.

Linhas que descendem das rotas da fama traçadas a prata, ouro e pimenta por Gama, Cabral e dezenas de outros de menor vulto, mas a mesma raça, nos mapas deixados ao mundo como herança da grandeza e génio de um povo de pouca riqueza mas força de alma capaz de recomeçar tudo de novo as vezes que a História quiser.

Saudados pelas mesmas lágrimas que cerca de quinhentos anos atrás já corriam no Restelo – vincadas pela censura dos eternos velhos de razão temperada pela tarimba da miséria marcada nas rugas que lhes sulcam a face – mais de dois mil marujos (que o serão por dez dias) de pouco traquejo no manejo das velas da sorte, vão-se amontoando nos porões mais profundos da nau, dispostos em camadas de vómito que hão-de verter na mareagem alterosa do equador, já de olhos postos na torna-viagem[1] que os trará de novo à vida e ao frio caloroso das brenhas da serra alva, donde desceram amarrados de pensamento e vontade.

Por fim, desembarcados, meio tontos e perdidos, no cais de Luanda, depois de zurzidos pelo temperamento agreste do mar, hão-de mergulhá-los sem perda de tempo na tempestade de cafres[2]que quinhentos anos depois – ainda de pé descalço – teimam em querer de volta a terra queimada pelo sol que lhes marca a pele do negro do carvão. Uma terra vermelha assim tingida pelo desejo de conquista e ambição de súbditos e sucessores de Sua Majestade el-rei D. João II, num letargo de quinhentos anos, enobrecendo pouco ou nada a memória dos que quiseram construir um império de magnificência e não foram além de um repetido exercício de opressão.

Os tempos percorreram lentos todos os séculos que por ali passaram.

O sol fustigou, não apenas a pele, mas também a consciência de liberdade dos que naquela parcela de África se viram nascer, esperando um dia fazer daquela a sua terra. Os desejos foram sendo calcados sob o peso dos próprios tempos. O silêncio das grilhetas amarfanhado pelo som surdo do pilão que, na cadência da dor, ia esmagando um a um os bagos da solidão, que a longa noite entorpecia numa bebedeira única de ressaca sempre adiada. Um vasto império de sol, gente e riqueza desmedida.

Um magro pecúlio de repartição, de humanidade e até respeito pela própria consciência daqueles que, enfeitiçados pelos eternos apelos do mar, usurparam e fizera condenar ao silêncio cinco séculos de História plenos de gente e raças, que jamais fomos capazes de irmanar.

A nossa verdadeira História de África não acaba aqui. Começa agora.

…/…

Falava-se de minas que despedaçavam viaturas inteiras e reduziam a ferros retorcidos aquilo que segundos antes eram verdadeiras fortaleza em movimento, transportando a valentia dos que se achavam donos e senhores da vida, alheios à adversidade e crueza da guerra, como se de uma longínqua probabilidade se tratasse. Nem os intimidava – por ausência da convivência próxima com o horror – o cemitério de ferros retortos e meio calcinados, ainda amontoados a um canto do quartel, à espera de serem transladados para a longa vala comum da retaguarda da guerra. Medida atenta dos generais das praias do Mussulo, procurando não deixar corroer o ânimo e o destemor dos que viram os companheiros desaparecerem num ápice das suas noites de bebedeiras, cozinhadas numa estranha mistura de temperos de euforia, medo e desejos de fugirem e apearem daquela loucura de conviverem meses a fio com a morte que os farejava como animal esfaimado, acometendo sem aviso nem comiseração.

Ficara a notícia de emboscadas no mato e nas picadas, verdadeiras tempestades de fogo de um só trovão, que ribombava por tempo interminável, sem origem definida mas alvo certeiro, que varavam vários com uma só bala perfurante.

Actores, que naquele palco não passavam de simples figurantes, tombando a compasso com a morte fútil de peões de tabuleiro, sacrificados por um rei ufano e distante, que os contabilizava como números de riscar e abater ao activo, logo que inúteis. Números. Números apenas.

Número de baixas das NT[3], eufemismo de mortos e estropiados esquecidos no dia seguinte pelos mandantes da guerra, mas vivos para sempre na memória dos que os viram tombar. Número de IN[4] abatidos ao activo e contabilizados como troféus de vitória; uma mera ilusão que se invertia com a conquista de mais três por cada um que caía.

Número de armas apreendidas ao inimigo; algumas menos mortíferas que catanas de gume rombo, mas parcelas activas de estatísticas políticas que ajudavam a convencer os que pagavam o tributo da guerra e outros que a queriam sem fim à vista. Número de mortos em acidente; um alívio de consciências que se opunha aos que pereciam varados pelas balas do inimigo, ou desfeitos pelo sopro estrondoso das minas, como se a dor da morte compreendesse a virtude da sua causa.

Número de comissões e proventos amealhados; número de galões e estrelas, que ornamentam os ombros e enfeitam a vaidade; número de fitinhas, que decoram o peito e enfatuam a pose, conquistadas no mesmo evento em que dezenas de anónimos morreram de arma na mão, sem honra, sem proveito, ou sequer lembrança.

Números, apenas números. Números que, no fundo, não iam além da matemática fria da mentira. Artifícios e meros jogos de embuste que deturpavam a frialdade dos valores com que nos queriam obscurecer o raciocínio, adiando uma verdade temida por uns e escondida por todos aqueles que fazem da guerra um modo de vida.

…/…

Já ardiam as primeiras cubatas, quando um estrondo enorme, acompanhado de uma nuvem de poeira, se fez sentir em pleno acampamento, atirando todos para o chão, num movimento instintivo que o ambiente de guerra já ensinara como a atitude mais sensata, na incessante luta pela conservação da vida.

Seguem-se momentos de ansiedade. Ninguém entende o que se passa. Não há tiros. Apenas um silêncio de sepulcro e um cheiro a explosivo detonado, que envolve ainda aquela tremenda explosão e lhes deixa uma sensação de hecatombe destruidora, irrompendo abrupta no semi-silêncio que pairava no acampamento.

O Capitão reforça a estratégia desde sempre inculcada nas tropas, gritando:

– Ninguém dispara!

Confuso, tenta compreender o que se passara.

A primeira avaliação que lhe vem ao espírito aponta-lhe para uma granada de morteiro disparada pelo inimigo a uma boa distância. Achou, no imediato, que era pontaria a mais, sendo que este tipo de arma requer um manejo bastante apurado e experimentado, habitualmente não reconhecido naquele inimigo. Além disso, não tinha sentido o impacte e a destruição provocada pelos estilhaços, que, em bocados de gume afiado, dilaceravam tudo num raio de dezenas de metros. Também não se ouvira a detonação da granada a sair do tudo do morteiro, embora isso fosse possível, se disparado de muito longe. A azáfama em que todos andavam, poderia também ter deturpado esse estampido, facilmente abafado por sons produzidos próximo.

Ainda deitado ouve um primeiro gemido meio abafado seguido de um grito de alguém.

– Mina! Mina! O Simões pisou uma mina! Num impulso o Capitão levanta-se e corre em direcção ao local da explosão.

– Enfermeiro! Rápido!

No chão, o soldado Simões está apoiado no cotovelo e agarra a coxa onde lhe falta toda a perna esquerda. Sangra abundantemente pelo que resta do joelho, em curtos esguichos que acompanham a compasso as batidas frenéticas de um coração assustado, e ainda incrédulo, quanto ao preço e à sorte que lhe coube em defesa da pátria.

– Um garrote, um garrote – grita o Capitão, admitindo que aqueles primeiros impactos de atrocidades de guerra, haveriam de perturbar todos, incluindo o enfermeiro, tão civil quanto inexperiente naquela sua especialidade militar, como aliás todos os que ali se encontravam, ainda que formados de uma cepa rija de marinheiros, que faziam da coragem um longínquo horizonte de vida, embora parcos no uso dos instrumentos de guerra, pelos quais haviam trocado meses antes o cabo do arado, ou o remo, com que venciam as asperezas da vida e os dias de menor fortuna.

Os efeitos de uma mina anti-pessoal eram ainda ali uma novidade para todos, excepto para o capitão que, à chegada ao local de estágio, cerca de um ano antes, se cruzara à porta do quartel com um soldado em evacuação, precisamente sem uma perna. Uma coincidência, logo aproveitada como um bom teste de capacidades à entrada, para um percurso que duraria mais três anos, e a melhor forma de iniciar aquela preparação condensada e apertada das durezas da guerra, como acentuaria então o comandante. Enquanto se encosta, pálido, ao peito do companheiro que o ampara, o soldado Simões percorre, um a um, todos os que o rodeiam, com um olhar de aflição e súplica, como se quisesse mendigar em algum deles o remédio e as forças que sentia esvaírem-se já por aquele fantasma de perna, ou mesmo tão só a esperança reflectida nos seus olhares, de que era possível vencer aquela primeira arremetida dos gadanhos da morte.

Depressa o Capitão compreende a armadilha em que haviam caído.

A sua aproximação havia de facto sido detectada. Astuto, o inimigo reunira todos os que faziam parte daquele agrupamento e fizera-os sair para outro lugar, armadilhando o acampamento. O chão é arenoso e propício ao disfarce de minas, por se encontrar muito pisado e remexido.

– Atenção! É provável que haja mais minas. Na medida do possível, pisar o chão já pisado. Evitar pisos suspeitos. Montar segurança, mantendo vigilância na periferia do acampamento. Alguns ainda se mostram confusos e assustados, complementando-se agora o desnorte com uma ordem de pisar um chão já pisado, quando todo o acampamento está repleto de pegadas. Atordoados, o discernimento esbate-se, e o medo toma conta de quantos se sentem ali encarcerados num chão traiçoeiro, que lhes pode desfazer o corpo e os deixa morrer lentamente esvaídos em sangue. Uma arma brutal que se aparta do instinto animalesco; bem pelo contrário, um expediente perpetrado por racionais, visando uma morte lenta, acompanhada de sofrimento físico e desgaste psicológico de quantos assistem, impotentes, ao deambular da morte.

O Alferes Botelho dá-se conta da confusão instalada pela paralisia que transparece em todos. De olhar assustado, os soldados olham em redor de si, em busca de caminhos seguros que os tirem dali. De um chão limpo que os não despedace num breve e devastador momento que lhes marcará o ser para todo o sempre.

O Alferes procura sacudi-los daquele torpor que lhes tolda o raciocínio.

– Não se esqueçam que, aqui, os únicos que estão calçados somos nós…

…/…

A ausência de uma única razão capaz de justificar aquele martírio, esculpia-se num profundo e longo silêncio entrecortado pelo piado de aves nocturnas, que pareciam carpir aquela espécie de cortejo fúnebre alongado e inerte no trilho, roendo a noite já fria e inclemente que os fustigava da mesma sorte que aos animais em rondas de fome ao cheiro a carne morta que já se sentia no ar. – Meu Capitão. Falta o Braga. Ninguém sabe dele.

– …!?

Que merda…! Só faltava essa. Alguém o viu vivo depois do ataque?

– O Balelas diz que lhe parece tê-lo visto depois do Capitão amandar os dilagramas.

– O Balelas, o Balelas… O Balelas depois daquele fogachal todo até foi capaz de ter visto a Virgem Maria… Avisem os nossos Alferes que vou voltar atrás para procurá-lo.

Com mais três militares, o Capitão regressou ao trilho que já tinham palmilhado, trinando um assobio que se havia instituído para comunicação em situações nocturnas. Contudo, a única resposta que obtinha era o silêncio de algumas aves em preparativos para a sua faina nocturna – preenchendo a noite com múltiplos sons e harmonias – e assim interrompiam o seu gorjear, confusas pela originalidade daquele som novo que acometia a floresta.

Num instante um outro desespero confluía no quadro de angústia que se vinha desenhando desde aquela manhã.

Um morto, dois feridos, um deles em estado muito grave, uma evacuação abortada, uma noite de chuva intensa, um cacimbo cerrado, um percurso já perigoso para percorrer de dia, a ser feito de noite com três corpos em padiolas, com condições atmosféricas péssimas, e agora um soldado desaparecido, que não se sabe se está morto, se perdido, se apenas ferido e que não pode ser abandonado, sem que se encontre pelo menos o corpo.

O trinado percorre já toda a clareira e Pedrosa exagera na sua intensidade. Já não é bem um trinado que se ouve, mas um quase grito de aflição ressoando pela floresta envolta numa névoa espessa, tornando fantasmagórico o quadro fumegante que os envolve. – Parece que ouvi qualquer coisa, meu Capitão.

O silêncio faz-se absoluto. Não se respira por longos momentos. Um tímido e distante trinado de resposta chega envolto em suspeita de uma miragem, que carece de confirmação mais concreta. Pedrosa repete o sinal, com a resposta a chegar bem mais confiante e em claro tom de euforia de naufrago à beira de ser resgatado das ondas do mar e de uma morte certa.

Por fim o contacto.

– O que é que te aconteceu, pá – pergunta o Capitão sem definir bem se o tom era de censura, exasperação, se de alívio.

Tímido, e também sem conseguir discernir o pé em que se encontrava a disposição do Capitão, balbucia.

– Perdi-me…!

– Perdeste-te…!? Porra! Isso sabemos nós. Mas como é que te perdeste?

– Com o cacimbo desorientei-me e meti na cabeça que o trilho de regresso era para aquele lado. Dizia o Braga apontando para um determinado ponto perdido na neblina.

– Olhe, enfiei-me no trilho do acampamento e ainda andei um bom bocado até que me apercebi que estava sozinho…

– E enfias-te assim num trilho sem esperar por ninguém? Vais andando, andando e não achas estranho que ninguém vá atrás de ti…?

– Eu só ouvi o Capitão dizer: “Rápido, sair rápido…”. E eu saí… – Saíste e arrancas sozinho por aí fora, sem protecção, sem ligação com nada nem ninguém…?

– É que, quando não senti ninguém atrás nem à frente, pensei que era o último e desatei a andar mais depressa ainda, até que me apercebi que estava sozinho…

– Enfim, sempre em frente e fé na Nossa Senhora, não é Braga? – dispara o Capitão, agora já em tom bem mais claro, quanto à má disposição que o inundava.

– Pois! Até acho que foi Ela que me ajudou, meu Capitão… – …!?

– … Ela fez-me lembrar do Capitão ter dito que em caso de nos perdermos, devíamos voltar ao local donde tínhamos partido, ou então, parar. Vai daí, voltei para trás e fiquei aqui na clareira à espera. Já estava a ver que me deixavam aqui sozinho.

– Ai Braga, Braga. Grande memória a da Nossa Senhora… Agora vê se não te esqueces de Lhe acender uma vela.

– Aliás, tinha acabado de Lhe prometer que quando voltar vou a Fátima a pé.

– Esperemos que nesse dia não haja nevoeiro, Braga… – diz Pedrosa apressando-se já pelo trilho fora em passada rápida, quase um passo de corrida.

– Mas porquê, meu Capitão…? – pergunta ainda o Braga, enquanto tentava acompanhar o passo do Capitão e com óbvia pouca vontade de voltar a ficar para trás.

– Não sei Braga, não sei. Mas olha que se houver nevoeiro nesse dia, ou muito me engano ou ainda vão dar contigo, uma semana depois, na terra do Enguias, na praia de Monte Gordo, em busca de Fátima e da Nossa Senhora…

…/…

Um estrondo pavoroso irrompe demolidor e extraordinário da frente da coluna. Uma violência absurda e inqualificável. Um som fabuloso que estremece tudo e parece irromper do centro da terra. Que trespassa os tímpanos deixando um rasto de zunido paralisante que ensurdece momentaneamente, como se nos apartasse do mundo exterior.

O olhar de Pedrosa, repentinamente atraído por aquele colosso que retira qualquer veleidade à imaginação, apenas consegue vislumbrar pedaços de coisas indistintas que já caem dos céus por entre a enorme nuvem de fumo e pó que se ergue a menos de cem metros do local em que se encontra.

A estupefacção não chega a obter espaço ou permissão para se instalar. Todos já caem em molhe, incrédulos e confusos, arrastados pela travagem a fundo das viaturas.

Um silêncio de vozes que dura apenas um breve e impreciso instante em que se busca ainda o entendimento das coisas. Um torpor céptico que imobiliza o pensamento confundindo-se no espaço obscuro do pesadelo. Uma desconformidade do real que não dá tempo à recomposição das diminutas peças de um puzzle que em instantes se desconcerta, alterando por completo o sentido da linearidade.

– MINAAAA…! – grita Pedrosa numa voz de sufoco rouco, misto de angústia e raiva, enquanto procura desembaraçar-se dos três militares que lhe caíram em cima.

Sabia que as acções com minas vinham com frequência acompanhadas de emboscadas. Percebeu no imediato que estava na presença de um inimigo poderoso, disposto a aniquilar de forma devastadora.

– Abrigar… abrigar…!

Não deu tempo a que saltassem para o chão mais que dois ou três soldados. Como que um trovão que irrompe dos céus, abate-se sobre toda a coluna um tiroteio indescritível, mais parecendo tratar-se de um único tiro que começa e não mais termina.

O som é ensurdecedor. Cai abrupta uma total falência de vida. Um fim de mundo; de tudo.

Os tiros nos taipais metálicos das viaturas riscam o ar caldeando os primeiros gritos de dor dos que tombam varados por vários projécteis em simultâneo. Semeia-se nos vivos a incerteza do tempo que os separa da morte, ou se a morte não é já aquela sensação de existência oca, em que se deixa de sentir o corpo, e o que nele ainda sobrevive não depende já da razão, nem do próprio medo de não existir.

– Abrigar… abrigar…! – ouve-se, provindo de várias gargantas, que, roucas, procuram sobrelevar-se ao estrondo que domina todo aquele cenário demolidor.

O militar da auto-metralhadora, instalada na viatura, é quem primeiro responde, disparando ininterruptamente, ainda que vagueando a direcção dos tiros em múltiplos sentidos, por não ser claro o posicionamento do inimigo. O estrondo em uníssono prolongado, ecoa pelas cercanias, confundindo ainda mais a localização dos guerrilheiros.

Pouco dura a sua abnegação. Em poucos segundos é abatido pelas costas, de pouco lhe valendo a chapa de aço do escudo protector que tem pela frente.

Os pedidos de auxílio, daqueles que ainda em cima das viaturas ou no chão foram atingidos, entrecorta agora o som cerrado dos disparos de ambos os lados. São gritos de dor e desespero a que ninguém pode dar resposta. O fogo é ainda muito intenso, tornando impossível qualquer movimento para fora dos abrigos, onde cada um procurou proteger-se.

Pedrosa sente-se impotente para ordenar seja o que for. A alternativa é responder ao fogo, até que este abrande e permita coordenar uma qualquer acção de resposta que ponha fim à emboscada.

O local para a emboscada fora criteriosamente escolhido. O inimigo estava por certo bem entrincheirado, pois continuava a disparar sem descanso de uma posição alta, sinal de que teria poucas baixas e se sentia em vantagem.

Por fim é possível fazer passar algumas ordens, mercê de um ligeiro abrandamento do fogo. Um interregno breve, conseguido pela necessidade de mudança de carregador da arma, entretanto esgotado.

– Lançar dilagramas! Lançar dilagramas! – grita por fim Pedrosa, usando de toda a veemência, por achar que seria a única solução para refrear um pouco o ímpeto do inimigo, embora calculasse que o posicionamento dos militares que transportavam os dilagramas, pudesse não ser o mais favorável. Ou até mesmo que alguns tivessem morrido.

– Dilagramas! Dilagramas! – reforça ainda com algum desespero, no sentido de incentivar mudanças de posição dos atiradores, se fosse caso disso.

Soa o primeiro rebentamento de dilagrama, seguido de um segundo. Os efeitos são imediatos. O fogo inimigo refreia de forma clara, dando lugar, com maior clareza, ao clamor dos gritos de dor e desespero dos muitos feridos que pedem auxílio.

Por momentos instala-se alguma confusão, com os enfermeiros sem saberem para que lado se voltar. Da frente da coluna vem a primeira notícia de horror, imprecisa mas devastadora.

– Morreu tudo lá na frente…! Não se aproveita nada.

Pedrosa pede o rádio e emite ele próprio um pedido desesperado de auxílio para a companhia. Sabe que no aquartelamento apenas ficou uma viatura, que habitualmente estava avariada, ou fornecia peças às restantes. Ordena que se façam ao caminho e tragam todo o soro disponível. Segue também a informação, para a sede do batalhão, com o pedido de um número de evacuações indeterminadas a partir do aquartelamento para a madrugada do dia seguinte, uma vez que o local onde foram emboscados não oferece condições para a aterragem dos helicópteros. Mesmo que os houvesse.

Os tiros são agora esporádicos e distantes, sinal de que o inimigo deu por terminada a emboscada. Passaram cerca de vinte minutos desde o rebentamento da mina. Pedrosa ordena que se penetre na mata e ocupe pontos estratégicos no terreno, de forma a garantir a segurança da coluna.

Já é possível alguma movimentação segura ao longo da picada. Reina o desespero e a confusão. Mistura-se a agonia dos que se esvaem em sangue, com a impotência dos que os amparam, muitos incapazes de suster as lágrimas que rolam rosto abaixo, rematando uma angústia que não cabe mais dentro do peito.

Os meios de enfermagem de urgência, já escassos, esgotam-se nos primeiros feridos. São arvorados enfermeiros de ocasião. Há movimentações desesperadas e sem nexo. Alguns militares movem-se em silêncio, sem arma, com as mãos entrelaçadas sobre a cabeça, como se procurassem uma explicação, ou ainda uma solução de retorno ao minuto anterior à tragédia.

Os rostos não têm expressão. A palidez descoloriu-lhes a tez queimada por um sol insolente, sempre a fustigá-los com uma torrência de calor devastadora, que complementa o sufoco e os oprime.

O inimigo calou-se. A segurança está montada.

Pedrosa percorre a picada dirigindo-se à frente da coluna onde ocorreu o rebentamento da mina. O palco onde se encena uma tragédia de pavor, de onde todos fogem, porque a coragem, de uns quantos que sejam, tem limites. Um proscénio de animalidade humana, que nos emporcalha a racionalidade de que nos queremos hipocritamente orgulhar.

De uma das Berliet, que se encontra ainda meio atravessada e desgovernada na picada, corre um fino fio de sangue de dois militares que jazem na caixa da viatura trespassados por várias balas.

Por fim o horror.

O que resta da viatura que seguia à frente, não passa de um amontoado de ferros retorcidos ainda fumegantes, onde não é possível descortinar peças inteiras que identifiquem a sua função anterior. Apenas a traseira da viatura mantém o taipal, que entretanto está mergulhado na enorme cratera que se abriu no chão, enredado no molhe de ferros e alguns corpos, que parecem ter sido ali colocados numa encenação dantesca de horror descido aos infernos.

Em redor vêem-se cadáveres desmembrados e outros inteiros mas disformes. Feições irreconhecíveis. Botas que mantêm dentro, apenas uma parte da perna. Bocados de tronco, ainda envergando o camuflado, entretanto ensopado numa cor nova que lhe apaga o disfarce. Afinal, um artifício pouco engenhoso que de nada serviu, nem iludiu um inimigo astucioso e ávido de pátria, liberdade e glória.

Vêem-se espingardas ainda inteiras e bocados de outras, quebradas em pequenos artefactos, que perdem a dimensão mortífera que ostentavam minutos antes.

Nas árvores próximas pendem uma espécie de estandartes de morte que glorificam o que há de mais horrível na imaginação destruidora e assassina do homem. Dos corpos inertes e mutilados, flúem ainda as últimas gotas de vida que escorrem pela folhagem, indo por fim misturar-se com o pó do chão.

O silêncio é agora uma espécie de hino ao absurdo e ao ininteligível. Pedrosa está imóvel de olhos fixos no fundo da cratera, que sepulta aquele amontoado de ferros. A dois metros, sentado no chão, um soldado chora convulsivamente. Um outro, desarmado, tapa as orelhas com ambas as mãos, movimentando-se de um lado para o outro, como se estivesse perdido, ou não quisesse ouvir um único som mais daquela tragédia. Uma atitude de loucura momentânea, de quem presenciou de muito perto aquela hecatombe.

…/…

Sem aviso prévio, o Comandante de Batalhão compareceria na companhia dois dias depois, irrompendo intempestivamente pelo aquartelamento adentro, seguido por um séquito de três oficiais.

Sem delongas, entrou abruptamente pelo gabinete do capitão dando-lhe ordem de prisão, acusando-o de ser responsável pelos trágicos acontecimentos vividos na última operação, insubordinação e incumprimento do plano da operação.

Como se aguardasse há algum tempo por um tal desfecho, Pedrosa haveria de, calmamente, levantar-se da sua secretária, colocar a boina e postar-se em continência prolongada, até que finalmente o Comandante de Batalhão terminou a ladainha de acusações e lhe correspondeu. De seguida pediu licença para ir arrumar as suas coisas. Não soltou uma única palavra mais, o que visivelmente incomodou o Comandante.

– Nem ao menos quer saber porque razão vai preso?

Pedrosa, que já iniciara o movimento de saída, parou e, virando-se lentamente, disse:

– Não meu comandante. As razões são de Vossa Excelência e, por certo, são demasiado fortes para merecerem que se tenha deslocado até aqui, para pessoalmente me dar voz de prisão.

O comandante agitou-se de novo, incomodado com a postura do capitão, que mais parecia ter ingerido uma boa dose de calmante, deixando-o quase insensível à avalanche de peso hierárquico militar que lhe caía em cima.

– Mas sempre lhe digo. Está preso por incompetência operacional, responsabilidade pelas baixas ocorridas e atitudes desrespeitosas para com um superior, no decurso desta última operação. Além do mais, por incumprimento do planeamento e desleixo quanto às normas de segurança.

Pedrosa retomara a posição de sentido, entretanto desfeita, enquanto o comandante continuava a esmiuçar os motivos da detenção.

Aguardou alguns segundos e por fim disse:

– Sem querer argumentar sobre os motivos que conformam a minha detenção, fazia lembrar a Vossa Excelência que sou apenas um civil arvorado em oficial de guerra. Cumpro o melhor que sou capaz, aquilo que me ensinaram.

– Cale-se! Não se torne insolente para não complicar mais as coisas. Certamente que não foi isto que lhe ensinaram.

– De facto não foi, meu comandante. Ensinaram-me algo mais. Em quatro meses de treino operacional, o que me ensinaram, essencialmente, foi a obedecer às ordens dos meus superiores e a morrer pela pátria, sem questionar razões ou deveres para tanto sacrifício. O tempo foi deveras curto para aprender outros ensinamentos. Contudo, estou em crer que tenho cumprido, com todo o rigor, a primeira destas duas obrigações. A segunda, ainda não ocorreu, apenas por mera circunstância, ou falta de melhor de oportunidade. Mas ao ritmo a que estamos a honrar a dedicação à pátria, estou em crer que já não tardará muito.

O comandante olhou furiosamente Pedrosa nos olhos, sem balbuciar palavra. O indicador direito mantinha-se ainda em riste, como se estivesse pronto a disparar algo mortífero. Os olhos esbugalhavam-se proeminentes para fora das órbitas. As faces enrubesciam de cólera, como se de dentro do corpo algo reprimido quisesse sair e explodir. Havia formações de espuma que lhe afloravam aos cantos da boca. Como que buscava palavras ou ideias que não apareciam adequadas ao cenário que se desenrolava no gabinete do capitão. Um desejo de fuzilamento imediato, ao jeito das guerras de um passado não muito longínquo, e muito presentes no seu espírito, ter-lhe-á aflorado à consciência, em forma de um lampejo de ficção, logo apaziguado por um chamamento brusco à realidade, que o leva a irromper altivo e abrupto.

Como que regressado a uma falsa calma de difícil controlo: – Vá-se arrumar e apresente-se!

A notícia espalhou-se pelo aquartelamento como areia fina apertada em punho fechado. Cresce um burburinho no exterior, que aos poucos vai sendo audível no interior do gabinete, onde ocorre a detenção do capitão.

O comandante é informado, por um dos oficiais que o acompanhava, que há agitação no seio dos soldados, ao que este responde com um misto de alguma inquietação e altivez mal dissimuladas:

– Porquê? Há mais alguém para fazer companhia ao capitão? Vejam lá. Tenho lugar para levar mais meia dúzia de presos.

Pedrosa apresenta-se minutos depois, transportando um pequeno saco.

O comandante, sempre altivo na sua farda impecavelmente cintilante, determina de imediato que se ponham em marcha. Mas não chegam a dar mais de dois passos firmes e decididos fora do edifício.

Lá fora, a alguma distância, dispostos numa meia-lua mal ordenada, e de arma na mão, está praticamente toda a companhia vestindo camuflado. Era como se se dispusessem para mais uma operação no mato, ou prontos para uma guerra, cujo desfecho final se lhes apresentava ainda impreciso, tal como o inimigo, cujo rosto jamais conseguiram vislumbrar.

O comandante como que paralisa frente aos soldados. Passam-se breves momentos, instalando-se um inusitado silêncio que ninguém ousa quebrar. Por fim o comandante avança alguns passos, aparentemente firmes, toma a sua pose habitual de sobranceria em relação a tudo e todos, e pára, mão na cintura em ar de desafio. – Quem vos comanda? O que é que pretendem?

O silêncio permanece por mais alguns momentos, deixando no ar a ilusão de se ouvir a respiração apressada de quantos ali se encontravam.

É Enguias quem avança três passos ainda hesitantes, após alguns momentos de indecisão.

Veste um camuflado, onde se confunde o sujo com o desbotado, trazendo descosidos os bolsos laterais junto à coxa, pendendo desconcertados, como se chegados de uma refrega de caserna, que por vezes ocorria no calor do álcool e da guerra.

Caídas sobre as botas de lona – laceradas pelas espinheiras do mato – as calças descaem atrás arrastando no chão. Dois ou três botões mal abotoados ajudam a descompor a camisa que se abre no peito e deixa meia fralda de fora. O desmazelo com que se desarruma no fardamento, corresponde ao desalinho interior que o deixa aturdido e desconcertado de ideias, sem recobro de uma certa intempestividade que o caracterizava, momentaneamente aplacada sob o sol escaldante daquela manhã.

A postura, essa mantém a altivez e determinação de sempre. Cabeça levantada e peito proeminente, qual proa de embarcação afrontando as ondas da praia de um mar pérfido que o desafiava incessantemente em cada manhã de início de faina.

Puxando a culatra atrás, com o habitual gesto da palma da mão, introduz uma bala na câmara, cujo som metálico característico ficará na memória de todos quantos privaram de perto com a G-3 no palco da guerra. Um troado seco que marcava o momento determinante em que aquele utensílio passava de objecto decorativo de parada militar a verdadeiro instrumento letal, o qual, com um simples gesto, galgava a ténue fímbria que separa a vida da morte.

Não aponta a G-3 ao comandante. Mas mantém a arma segura com ambas as mãos, evidenciando prontidão para a usar. Uma atitude eloquente que dispensava a formulação de dúvidas que melhor esclarecessem as intenções.

– Ninguém nos comanda, meu comandante. Estamos aqui para lhe dizer que o nosso capitão fica. Para o levar vai ter que nos prender a todos. Vai ter que prender a companhia inteira. E também terá que dar voz de prisão a todos os que morreram há dois dias, porque, se fossem vivos, também estariam aqui ao nosso lado.

…/…

Deixemos em sossego as três últimas naus que, moribundas, pairam ainda sem vento frente ao Restelo…

… Restelo, onde jaz agora, petrificada e fria, a memória dos milhares de mártires que pereceram sem glória na derradeira batalha de África, sepultura comum que simboliza com propriedade o que resta do império de além-mar e glorifica as vozes dos eternos velhos do Restelo, quando, naquela mesma praia, se erguiam num mau presságio que, embora longínquo, acabou por conformar-se com a razão e a sabedoria.

Uma chama tremeluzente e amarelecida ilumina agora o que restou de cinco séculos de soberania sobre cafres, mares e medo do desconhecido.

O monumento de homenagem aos Combatentes do Ultramar, erigido em Belém, é um local frio, silencioso e sombrio, que simboliza com severidade o epílogo de uma das páginas mais negras da nossa História.

E nesse sentido, um marco que alguns desejam apagar e esquecer, mas que os mais de nove mil nomes cinzelados na pedra dura e fria jamais irão permitir que aconteça.

Pedro C.


[1] Viagem de regresso.

[2] Do povo banto da Cafraria – África Meridional. Proveniente do árabe cafir = infiel. Termo usado ao tempo das descobertas para denominar os indígenas que se iam encontrando nas costas de África nas arribações que se faziam a terra em busca de água e alimentos.

[3] Nossas Tropas.

[4] Inimigo.

2 comments on “Livro “O Último Inferno” (Excertos)

  1. Com a devida vénia se transcreve o texto da mensagem pessoal enviada por Daniel Gouveia, uma perspectiva que importa reter, por se tratar de alguém que por lá andou e tem, igualmente, tratado do assunto em variadas formas de índole literária.

    Porque importa procurar entender o horizonte em que foi escrito o livro, entendo que a genuinidade de algumas observações se podem constituir num prestimoso auxílio para procurar, também, compreender o que, verdadeiramente, “aquilo” foi (como refere O Daniel Gouveia).

    “Meu caro
    Já tive o gosto de pôr no seu «blog» uma coisa que andava para lhe dizer há bastante tempo.
    Considero o seu segundo livro um dos mais bem escritos e mais importantes para o conhecimento do que «aquilo» foi.

    Um grande abraço!

    Daniel Gouveia”

  2. Meu Caro Daniel Gouveia

    Agradecendo a estima e a bondade das suas palavras, esta minha intervenção confere apenas a intenção de o felicitar pela argúcia com que interpretou a linha e a perspectiva do livro, uma perspicácia a que não será alheia a sua experiência militar na Guerra Colonial, a que junta a vertente literária que vem percorrendo desde há muito.
    O meu bem-haja e as minhas felicitações.

    Pedro Cabrita

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