3 comentários

Exercício Físico. Dietas. Perder peso. Quês e Porquês.

EXERCÍCIO FÍSICO PORQUÊ E PARA QUÊ?

Para muitos, o exercício físico parece ser mais uma modernice dos nossos tempos, mais concretamente uma “moda” instituída na segunda metade deste último século, sendo, no entanto, cada vez maior o número de pessoas que adere à sua prática.

Uns porque ouvem dizer que faz bem, outros porque disso têm consciência, quando obstinadamente se não deixam vencer pela preguiça das primeiras aulas e do sacrifício que lhes é exigido, e começam a usufruir de outro bem-estar que os entusiasma.

Por fim, ainda alguns que o fazem exactamente por moda, sendo mais as vezes que não frequentam o ginásio que aquelas em que conseguem vencer as desculpas mais esfarrapadas para mais uma falta e uma nova promessa de que “… a partir de amanhã é que vai ser.” Estes últimos são os chamados “ginastas psicológicos”.

Ou seja; dizem que andam na ginástica, indo lá uma vez por outra, e isso é suficiente para que psicologicamente se sintam bem consigo próprios.

Como costumo dizer, o exercício físico não deve ser encarado como uma espécie de comprimido que se toma numa determinada altura do ano com um fim específico bem determinado.

Isso resulta nas dores de cabeça, ou em momentos de precariedade pontual de saúde, mas não na manutenção de uma boa forma física duradoura.

Mas afinal, o que é o exercício físico, para que serve e porquê?

Não é por acaso que é neste último século, e mais concretamente na segunda metade, que a necessidade do exercício físico orientado aparece, diversificando as suas formas e mercado de oferta, à medida que foram aumentando os seus adeptos.

Este é indubitavelmente o século do automóvel e da televisão, dois factores que determinaram uma transformação radical na evolução dos hábitos do homem.Instrumentos imaginados e construídos para o bem-estar dos humanos, ambos vieram rapidamente a transformar-se num factor de extraordinária contundência negativa para a estabilidade física e psicológica da humanidade.

Só a extraordinária evolução da medicina e a descoberta de centenas de novos medicamentos, terá impedido o aumento repentino de doenças provocadas pelo sedentarismo e consequente acréscimo da morbilidade daí resultante.

A realidade a que poucos dão atenção é que o homem de hoje é herdeiro de uma geração com milhões de anos que sempre andou a pé.

Até há relativamente pouco tempo, sempre que precisava de se deslocar no exercício das suas tarefas do dia a dia, era normalmente a pé que o fazia. Caçava, trabalhava a terra, fugia dos animais que o perseguiam, lutava, comunicava à distância com outras comunidades e sempre que o fazia era a pé, ou por vezes montando animais que apenas aumentavam a velocidade de deslocação, mas que o mantinham em pleno exercício, desenvolvendo paralelamente uma boa dose de esforço.

Repentinamente (e cinquenta anos são apenas duas linhas do enorme livro em que se escreve a história do homem) o automóvel, o comboio, o autocarro eliminam este autêntico exercício físico natural, que era exercitado todos os dias e a todo o momento.

O organismo humano deixa, de um momento para o outro, de ser solicitado para uma determinada carga de esforço físico, que lhe vinha mantendo a funcionalidade dos seus órgãos e estruturas, desde há séculos.

O consumo de energia a que o organismo estava tradicionalmente habituado, baixa consideravelmente.

Mas o homem continua a ingerir a mesma quantidade de alimentos e, de um modo geral, mais e melhores alimentos, bem como melhor confeccionados, considerando a melhoria generalizada da sua qualidade de vida.

O ser humano tende a buscar o prazer e o bem-estar, contornando o desconforto e tudo aquilo que o possa incomodar ou molestar, a que se poderia acrescentar, “… o que não deixa de ser humano…”

A energia que não é consumida é armazenada na forma de tecido adiposo (gordura) em várias zonas do nosso corpo, como todos de um modo geral sabemos.

Contudo, são as artérias e veias que mais sofrem com esse aumento de moléculas de gordura que passam a circular no sangue, sem que sejam consumidas, depositando-se nas suas paredes com os inconvenientes gravosos que se conhecem.

As estruturas musculares e articulares, deixaram, por seu turno, de ter o uso a que foram habituadas durante séculos.Perdeu-se massa e qualidade muscular e articular.

O coração, o principal órgão do corpo humano, deixa de ser solicitado para esforços médios de curta e longa duração; em suma, deixa de treinar no dia a dia e baixa o seu rendimento.

Numa linguagem mais simples, torna-se preguiçoso.

Agora, sempre que solicitado esporadicamente não responde convenientemente, sobrevindo o cansaço imediato e impeditivo de prolongar o esforço por muito tempo.

Costuma dizer-se que o homem é um animal de hábitos.

O corpo humano não o é menos.O corpo de um atleta é um corpo saudável e de alto desempenho porque é treinado e exercitado para uma função específica acima das necessidades médias do comum dos cidadãos.

Um organismo sedentário desempenha (mal) o quotidiano mínimo e, quando sujeito a um aumento ligeiro das suas necessidades, reage pior e de forma incapacitante, tornando-se igualmente incapaz de reagir a agressões externas, quaisquer que sejam as formas em que se manifestem.

E assim somos chegados à necessidade da nossa aula de ginástica.O exercício físico dirigido, não é mais do que procurar exercitar a ancestralidade de movimento e esforço físico herdados dos nossos antepassados de milhões de anos, que o automóvel e a televisão vieram subverter duma forma abrupta e perigosa para a humanidade em termos de saúde física e mental.

Quando recorrentemente se diz que a função faz o órgão, isso não significa senão o reconhecimento de que só o exercitar duma qualquer estrutura lhe proporciona o equilíbrio e a funcionalidade desejada, para a qual foi concebida.

O próprio automóvel, construído pelo homem um pouco à sua semelhança, carece de uma certa rodagem para atingir a sua melhor performance. Um automóvel parado é uma máquina presa e com menor desenvoltura que uma outra bem rodada e bem exercitada para a função para a qual foi criada.

De um modo geral, todos temos mais ou menos consciência de tudo isto.

A questão está em tomarmos a iniciativa de procurarmos romper com o imobilismo em que fomos comodamente caindo, quase sem darmos por isso.

Há quem pergunte, e se interrogue com frequência, sobre qual será o melhor exercício, a melhor ginástica. Essa dúvida não deve colocar-se como determinante para tomarmos uma decisão que nos leve a empreender uma qualquer atitude que nos conduza à decisão de promover o exercício físico.

A dúvida deve ser equacionada apenas na intensidade do exercício e na sua adequação à idade e capacidade do indivíduo.

Se não se pode usufruir do conhecimento de um técnico habilitado, que se caminhe apenas; que se imite o que faziam os nossos antepassados. De preferência caminhe em passo rápido e sem parar durante 20 a 30 minutos por dia (ou sempre que o puder fazer) utilizando percursos planos quanto possível.

A partir das primeiras experiências, aumente ou diminua o tempo, ou o passo, de acordo com a sua sensibilidade. No fim do seu treino nunca deve ficar exausto, mas apenas um pouco cansado. O melhor controlo é o do próprio. E não esquecer que não há duas pessoas iguais.

Aprenda a sentir o prazer do esforço físico moderado. Há quem pense que quanto mais cansado melhor. Nada de mais errado.

Tudo o que agride o organismo de uma maneira violenta, desgasta e nada constrói.Se arranjar companhia, tenha em conta que o seu parceiro pode ser mais ou menos resistente à fadiga que você.

Logo, ao caminharem, ou correrem, juntos, um dos dois pode estar em grande sacrifício com grandes probabilidades de, a breve prazo, revelar vontade de desistir. Neste contexto alguém pode ficar sem parceiro de treino a breve prazo…

Faça o seu treino e deixe a sua companhia fazer o dela. No fim, tendo percorrido distâncias diferentes, ambos fizeram o treino adequado às suas capacidades no momento.

Por fim parece-nos útil e ajustado que tenhamos conhecimento de algumas descobertas que vão acontecendo neste domínio.

Alguns estudos recentemente realizados nos Estados Unidos, concluíram que a prática do exercício físico regular tem ainda outras virtudes, para além daquelas que já se conheciam quanto aos efeitos imediatos no bem-estar e na saúde.

Assim, chegou-se à conclusão que o tempo de exercício físico em número de anos de prática tem efeitos efectivos no prolongamento do tempo médio de esperança de vida.

Ou seja, quanto mais cedo for iniciada a prática regular do exercício físico, maior poderá ser, genericamente falando, a esperança de vida do indivíduo.

Por outro lado, estudos mais recentes levam a concluir que os praticantes do exercício físico regular estão claramente menos sujeitos a contrair doenças mortais (como o são por exemplo as do foro oncológico) do que aqueles que levam uma vida sedentária.

Por fim, um curto apontamento que poderá desiludir muitos dos leitores

Se está a pensar fazer ginástica apenas quando tiver, ou se tiver, necessidade de emagrecer, tire daí o sentido.A surpresa poderá ser ainda maior quando verificar que em vez de emagrecer aumentou de peso na balança.Não vá a correr trocar a balança. Ela deve estar certa.

Mas atenção. Você não engordou.

Em princípio, deverá ter emagrecido. O que ocorreu foi um aumento da sua massa muscular (resultante do exercício físico), que é mais pesada, em troca de alguma gordura (tecido adiposo) que poderá ter perdido. O exercício físico correctamente executado não produz emagrecimento suficiente para provocar resultados satisfatórios. Normalmente a refeição seguinte repõe os consumos da sessão de exercício físico.O exercício físico produz essencialmente saúde e bem-estar.

Se a sua ideia é perder peso só há (infelizmente) uma forma: comer menos e essencialmente melhor.

Mas se porventura se decidir por uma dieta (sempre orientada por técnico especializado) é importante que tome consciência que é essencial que faça exercício físico em simultâneo.

Tome consciência que por cada 5Kg de peso que perder numa dieta, 4,5Kg é massa muscular e apenas 0,5Kg é tecido adiposo. Decepcionante, não é?Ocorre é que, nem o organismo reage bem a esta perda de massa muscular, nem há qualquer vantagem que tal aconteça.

Com a prática simultânea do exercício físico durante o processo de dieta, pode manter-se a massa muscular e eliminar apenas o tecido adiposo, este sim, desnecessário e incómodo.Quando se decidir por uma dieta acompanhada de exercício físico (recomendado), preocupe-se pouco com a balança. Essencialmente não se desiluda com o pouco peso que irá perdendo. Usufrua antes do seu bem-estar, admire a melhoria sensível da sua silhueta e, para o bem e para o mal, constate a necessidade de comprar roupa mais justa.

Não esqueça os números acima apresentados.

Por fim um conselho e um alerta.

Duvide das dietas rápidas e milagrosas.

Uma boa dieta (de efeitos duradouros e realmente eficaz) deve ser lenta não devendo a sua duração ser inferior a nove meses a um ano. Assim, parece que não deverá haver tempo a perder.

Se ainda não se decidiu, mexa-se… em todos os sentidos.

Não se esqueça que, em termos de saúde e bem-estar, o futuro não é amanhã mas sim já hoje.

Quanto mais cedo se decidir, mais tempo tem pela frente para usufruir dos resultados.

Pedro Cabrita

Anúncios

3 comments on “Exercício Físico. Dietas. Perder peso. Quês e Porquês.

  1. Gostei imenso desta explicação global. Acho que a explicação sobre a (não) perda de peso resultante do exercício físico, devia estar afixada nas paredes dos ginásios, para os praticantes e também, para alguns monitores/as, pois a parvoíce é mais que muita: desde mandarem executar os exercícios em bastante esforço, para se ver resultados (dizem elas),como a rapidez que imprimem nos mesmos, como se não se devesse previlegiar a forma correcta de os executar. Eu que pratico regularmente, vejo que são muito poucas as pessoas que sentem prazer em se “mexer”, tentando até fugir dos exercícios que exigem um maior treino. Até parece que ao fugir deles os outros ganhem com isso … Enfim, não há palavras!

  2. É preciso entender que nos ultimos anos muita coisa mudou, o sedentarismo aumentou e o consumo de calorias também. Os especialistas recomendam andar a pé 30 minutos por dia, pois a maioria da pessoas nem isso faz. É preciso mudar o estilo de vida, e mudar os hábitos alimentares, eu utilizo suplementos alimentares á 4 anos, todos os dias e sinto muita diferença.

    • Não entendo a necessidade, ou opção, dos suplementos alimentares.
      Tudo o que o organismo exige é uma alimentação regrada e diversificada. Tudo o que for ingerido a mais o organismo, ou acumula, ou elimina, pura e simplesmente, incluindo suplementos alimentares, cuja necessidade não é observável de forma palpável.

      Os 30 minutos diários a pé é uma sugestão saudável.
      Contudo, ela não é aplicável a uma multidão de pessoas por múltiplas vicissitudes:

      – A actividade profissional não o permite.

      – A disponibilidade psicológica é frequentemente nula.

      – A alimentação errada resulta, na maior parte das vezes, da indisponibilidade de tempo e condicionalismos profissionais.

      – Há uma diferenciação de organismos enorme. Os 30 minutos diários a pé para uns é ouro, tendo em conta os seus hábitos de sedentarismo quase puro; para outros pouco mais que nada, por via do baixo consumo de energia resultante desses 30 minutos de marcha, versus a quantidade de calorias diariamente ingeridas.

      A alimentação saudável e em doses regradas é o princípio básico de uma boa saúde.
      O problema é convencer meio mundo que seja a mudar de hábitos alimentares, especialmente os maus hábitos.

      A vida também não é fácil.
      O discurso de uma pessoa saudável e com bons hábitos alimentares é assim uma espécie de música celestial.
      Os problemas colocam-se é para aquelas pessoas que não os têm, não os podem ter, ou preocupam-se pouco com isso, enquanto o organismo não se queixar, frequentemente tarde demais.

      Se reparar, a essência do texto converge mais nesta tipologia de pessoas; aquelas que cometeram, e continuam a cometer, erros, mas revelam alguma disponibilidade para um combate tardio, mas em todo o caso um combate, à obesidade e baixa disponibilidade orgânica para um bom desempenho social.

      Obrigado pelo seu contributo.

      Pedro C.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: