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Voar

Em mim viveste um tempo de angústia que um dia reviverás.

Quantas vezes embalei o teu choro de encontro ao soluçar surdo e angustiado do meu peito.

E o que ri de medo quando deste o primeiro trambolhão e vi os teus olhos muito abertos em busca de mim.

Na doença, o teu sono foi a minha vigília.

Nem dei pelas minhas rugas enquanto via o teu crescer.

Neste dia vamos continuar de mão na mão. Nesta encruzilhada onde nos vamos separar hoje, serás, por fim, tu quem vai escolher o rumo e o trilho.

Contudo, uma inevitável ansiedade seguirá de longe e perto os teus passos e o teu caminho.

Uma dor de medo percorrerá latente o vazio de sons conhecidos, ecoando pelos recantos que só eu ouço dentro de mim.

O teu indubitável sucesso trará por fim o meu sossego e o consenso de uma paz longamente perseguida.

Toma por fim as asas com que te agasalhei e voa alto, bem alto!

…ainda assim não passara um só dia que não te contemple e te guarde no aconchego quente e acolhedor da solidão do meu peito.

Pai…

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