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Na defesa dos meus interesses, enquanto cidadão

Na minha freguesia ocorreu recentemente uma inovação nos serviços prestados à população.

Sem grandes preocupações de informação, ou auscultação, quanto à opção que iria ser tomada, a Câmara de Sintra, assim de um dia para o outro, tomou a decisão de recolher todos os contentores de lixo arrumadinhos em lugares próprios, substituindo-os por outros de maior volume, metálicos e de tecnologia bem mais avançada.

A Junta de Freguesia protestou pelo todo do procedimento, mais a circunstância dos novos contentores, tendo em conta o seu volume, não poderem ocupar os lugares específicos dos anteriores, sendo colocados, na maior parte dos casos, ocupando um lugar de estacionamento automóvel, no já limitado parque da freguesia para esse efeito.

Na altura achei que as queixas da Junta tinham alguma pertinência, mas que, com jeito, os novos contentores se acomodariam melhor e os lugares para as viaturas, numa boa parte, haveriam de ser restituídas. Até porque os novos contentores dispõem de um mecanismo essencial para a contenção dos maus cheiros, bem como a proliferação de moscas e outros insectos menos desejáveis; a tampa do contentor fecha automaticamente após cada utilização. É a velha história de, se calhar, não se pode ter tudo, ou que tudo tem um preço.

Mas as coisas não são assim tão simples, nem se limitam a este plano de observação.

Por um lado porque os contentores não vão poder acomodar-se como os anteriores, tendo em conta o que a seguir se refere; por outro há uma outra questão de fundo bem mais grave e socialmente preocupante, senão calamitosa.

Uma noite destas, vinha eu chegando a casa por volta da meia-noite, quando reparei que o camião do lixo procedia à recolha do conteúdo dos contentores.

Espevitado pela novidade dos novos caixotes fiquei um pouco por ali para verificar como funcionava aquele novo processo, tendo em conta que estes novos caixotes são metálicos e bem mais pesados.

O camião encostou-se ao contentor, colocado perto da minha porta, o motorista accionou os mecanismos na consola da viatura, sem ter que se levantar do seu lugar, dois braços metálicos pegaram no caixote descarregando-o, pousando de seguida suavemente no seu lugar, bem junto à estrada, partindo para o próximo, tendo demorado menos de um minuto nesta operação. Comecei por perceber a razão da colocação dos novos contentores ali mesmo à beirinha da estrada e não nos anteriores locais mais contidos.

Fiquei um pouco mais à espera para ver onde vinham, os homens do lixo, que estava habituado a ver dependurados na traseira dos camiões aos três e aos quatro, os quais coadjuvavam o camionista naquela tarefa, recolhendo outros elementos depositados fora dos contentores e arrumando à mão os antigos depósitos de lixo nos seus lugares específicos.

Nada. Ninguém mais.

Ou seja; eram quatro ou cinco pessoas por camião, passou a uma única.

Para o Sr. Presidente da Câmara o golpe é de mestre. Para um qualquer empresário ou economista de uma empresa, poder reduzir custos desta forma é ouro sobre azul e, descoberta a fórmula, terá ainda direito a um prémio por méritos especiais de produtividade por redução de despesas, ou objectivos mais que ultrapassados.

Do ponto de vista do patrão ou empresário o mérito será alvo de loas e encómios a que se junta a felicidade de um gráfico em linha vigorosamente ascendente.

Voltando às traseiras do camião do lixo, medito um pouco na falta de quatro funcionários (por enquanto, ainda seres humanos) que terão perdido o emprego.

Lesto e diligente, dei-me ao trabalho de verificar nos últimos Diários da República se ocorreu alguma transferência de algum destes funcionários da limpeza para os quadros da Caixa Geral dos Depósitos, como ocorre com alguma frequência com outros funcionários da mesma função pública…, mas tanto quanto já li, nenhum foi ainda bafejado com essa mudança de local de trabalho; nem que fosse para recolher o lixo produzido pela Caixa. Todo o lixo…

A minha dúvida é a seguinte: qualquer empresa ou instituição (Estado incluído) tem por objectivo essencial reduzir custos com pessoal por via da informatização ou robotização dos serviços.

Quem gere os dinheiros da Segurança Social anda às aranhas alarmando toda a gente, proclamando que o dinheiro a breve prazo vai secar naquela instituição. Assim sendo, e tendo em conta o presente panorama, como podem aumentar ou manter-se os valores descontados pelos trabalhadores para a S.S., se cada empresa reduz quase todos os dias postos de trabalho, aumentando assim os seus lucros e reduzindo drasticamente os descontos a redistribuir pelos que se vão aposentando, ou carecendo de apoios do estado, que lhes minguem a total ausência de recursos por perda do posto de trabalho, pontual ou permanente?

Claro que na perspectiva do patronato (termo que, embora a sonoridade recolha alguma conotação política, não o tem neste caso) tudo corre sobre rodas. Menos despesa, mais lucro e o resto não é comigo, mas sim com os políticos.

Mas então e do lado dos que perdem o emprego? Ficam à espera da solidariedade dos patrões? Dos subsídios de autêntica esmola colectados pelo Estado, cada vez mais parcos? Percorro os últimos séculos e não encontro memória de uma tal solidarização ou algo semelhante. Aliás, os tempos vêm-se mostrando cada vez menos solidários com quem trabalha e vê a sua subsistência depender duma quase boa-vontade do patrão.

Ainda nos lembramos da implementação das caixas Multibanco, uma modernização que revolucionou os lucros dos bancos e fez perder 2/3 da mão-de-obra que operava aos balcões.

Qualquer pequeno balcão antes deste incremento tinha 6 ou 7 funcionários. Hoje, 2 ou 3 mantêm a mesma ou melhor eficiência, graças à informatização dos serviços e, em grande parte, às caixas Multibanco.

Contudo, após anos de prosperidade da banca com esta medida, há um pequeno golpe de asa de abutre que ameaça implementar uma pequena “esmola” de 1 euro, ou euro e meio, pela utilização dos serviços (estúpidos, no sentido da inteligência da máquina, mas de ouro) da caixa Multibanco.

Estou em crer que apenas por um destes dois motivos: ou a aquela caixa, que fala connosco e tudo, ameaça entrar em greve com tanto trabalho em cima e pouca remuneração, ou o funcionário que duramente tem que proceder ao recarregamento da mesma, exige aumento extraordinário de vencimento, sem se aperceber quão valioso é o seu emprego.

Não querendo ser mais ingénuo que o provinciano que comprou o eléctrico nos Cais do Sodré, não estou a ver outra razão…

Este insaciável galifão banca sabe que pode fazê-lo e, mais tarde ou mais cedo, fá-lo-à, porque o verdadeiro poder está no dinheiro e em mais nenhum outro poleiro. E fá-lo-à em nome da modernidade e dos “novos tempos”, uma expressão espessa e escura ainda por esclarecer, no sentido de podermos entender o que é novo e o que são os tempos.

Recentemente tenho sido contactado via correio electrónico por todas as empresas de prestação de serviços no sentido de aderir à factura electrónica (EDP, Brisa, Gás, Água, Internet e TV, etc).

A música é celestial.

A sua facturinha nunca falha, fica à distância de um clique, pode consultá-la demoradamente no seu monitor, você nunca mais fica enervadíssimo à espreita do carteiro que lhe traz o correio com a mesma, poupamos as arvorezinhas, coitadinhas, não imprimindo uma folha de papel por consumidor, mais o envelope, enfim, um manancial de vantagens.

O que é certo é que grande parte destes conceitos é verdadeiro. O poupar do papel, por exemplo, gera uma onda de sentimento ecológico, onde todos nos sentimos de bem com a nossa consciência, colaborando.

Mas o incongruente ocorre no dia seguinte quando a mesma empresa, preocupadíssima com a poupança das arvorezinhas, nos enche a caixa do correio com publicidades em cascata, utilizando papel da melhor qualidade e em quantidades absurdas.

Claro que a verdade é outra.

A sugestão da opção pela factura electrónica visa unicamente eficiência (nas cobranças), redução de despesas e, obviamente, diminuição de pessoal. Nem o carteiro mais se engana na entrega da conta para pagar, atrasando o seu recebimento, nem são mais necessários funcionários para procederem à envelopagem (se bem que em parte já automatizada) e despesas de correio com o envio da correspondência. Tudo isto à conta das saúdes, quer das arvorezinhas, quer da empresa.

Note-se bem que, após a informatização do sistema, mais que pronto nesta altura, bastará um único funcionário com apenas um clique para que esteja à sua disposição o seu próprio clique para dispor da sua facturinha, mais ou menos risonha, que lhe há-de aparecer no monitor.

Não dando muita atenção ao caso, aderi na primeira proposta que me enviaram. Posteriormente recusei todas as outras e vou exigir o retorno à primeira forma daquela.

Isto enquanto não ocorrer algum benefício para mim, enquanto consumidor, e não for determinado um qualquer contributo social por cada redução de pessoal, em consequência da modernização da empresa.

Nas ofertas que me têm sido feitas, ainda retorqui questionando de quanto era o meu benefício, tendo em conta a redução das despesas para comigo. A resposta foi cordial, com a promessa de que as opiniões dos clientes eram importantes para a empresa pelo que o assunto iria ser estudado. Fiquei com a ideia de que terá sido mesmo um computador que me escreveu.

Posteriormente a resposta veio de facto; não havia nada para ninguém… Só para a empresa. Então, assim sendo, ficamos assim, retorqui.

Obviamente que se entende que as empresas vivam em função dos lucros e que procurem reduzir despesas de modo a obtê-lo mais facilmente. Uma empresa com dois trabalhadores, se reduzir um, diminui as suas despesas com pessoal em 50%, reflectindo esse decréscimo na despesa nos lucros.

O que está em causa é a questão social que esta autêntica explosão informática veio trazer. A ideia inicial de que no futuro o computador trabalha e o homem descansa, dando largas ao ócio e à boa vida, está a redundar numa falácia que urge reconverter quanto antes.

Só uma parte do conceito é verdadeira.

Na verdade o computador trabalha desalmadamente, não se queixa, opera dia e noite, produz quase tudo melhor e com maior eficiência, mas… só “um homem” pode ir jogar golfe e divertir-se, enquanto a máquina funciona sem parar. O dono da empresa. Os “restantes homens” foram para casa por falta de trabalho, sobrevivendo de algumas migalhas que o estado lá vai soltando, enquanto as tiver.

Dizem-me que o capitalismo, não sendo perfeito, é o menos mau de todos.

Nesta altura, e tendo em conta este panorama, não tenho alternativas para contrapor ao modelo. Mas que urge dar uma volta à situação, urge. O que não faltam por aí são candidatos a novos marxistas ou trotskistas.

Não sei. Mas talvez não fosse descabida uma ou outra medida que estancasse esta diminuição evidente das necessidades de mão-de-obra, mascarada agora com uma crise que não consegue explicar tudo. Há quem dela se aproveite para despedir trabalhadores, não por via das vicissitudes da mesma, mas porque, na verdade, não necessita de uma boa parte deles. E a ver vamos, quando a crise passar, quantas empresas retomarão a laboração com o mesmo número de funcionários.

Porque não por cada despedimento de um funcionário por via da modernização da empresa esta ficar obrigada ao pagamento à Segurança Social de uma parte substancial daquilo que pagava enquanto tinha o trabalhador ao serviço?

Porque não obrigar as empresas a um determinado número mínimo de trabalhadores de acordo com o valor de capitais movimentados, ou outra referência que melhor repartisse socialmente os seus lucros em forma de oferta de emprego?

Porque não tributar as empresas num determinado valor exclusivamente destinados à S.S. sobre os lucros que obtém, quando a sua produção estivesse dependente em determinada percentagem de informatização ou robótica?

Eu sei. Na perspectiva de um economista ou empresário isto é injusto e impraticável, senão inconcebível. Mas por cada um deles façamos a mesma pergunta a 500 ou 1000 desempregados sem direito a subsídio de desemprego, ou qualquer outro auxílio estatal que lhe suporte a sobrevivência

É que o reverso de tudo isto parece-me alarmante.

Os “novos tempos”, de que nos falam, poderão não ser tempos novos, mas outros semelhantes a penumbras requentadas da sociedade, que nos foram deixando máculas de difícil esquecimento.

Aumenta a população global, diminuem as necessidades de trabalhadores em todos os sectores da sociedade, por via da informatização e robotização dos serviços e mão-de-obra.

O desequilíbrio afigura-se-me evidente.

Será que historicamente ficamos a aguardar pela próxima guerra mundial que reduza substancialmente a população? Ou vamos conseguir isso por via de meia-dúzia de epidemias disseminadas em pontos-chave que determinem a sobrevivência dos mais apetrechados?

Ah! É verdade. Parece que afinal há água em abundância na Lua.

Será que é por aí que passa o futuro das próximas gerações…?

É que por aqui caminhamos para um quarto minguante com poucas perspectivas de retorno a um crescente da nossa minguada esperança.

P. Cabrita

9 comments on “Na defesa dos meus interesses, enquanto cidadão

  1. Pedro,
    É o segundo que leio no seu blog e suspeito que continuarei a encontrar pontos de convergência. Já agora vou fazer-lhe uma confidência:Quando se falava das pessoas que nos antecederam nas “Terras do fim do mundo”, no seu caso contaram-me que já numa fase algo adiantada do “cacimbo”, o Cabrita sentava-se no meio da pista de aterragem a ler um jornal e a tomar uma bica, por forma a reviver os tempos de lazer em qualquer esplanada do “puto”. Este episódio nada tem de especial para quem não tenha passado por lá. Mas para nós, sim. Devo dizer que este episódio, comparado com os meus (se ouvir falar num gajo que tinha por hobby apanhar os jacarés à mão e passeá-los pela “cidade”, e lhe disserem que era eu…só falo na presença do meu advogado…). Para não falar dos “incontáveis”. Isto para significar que alguma “loucura” controlada não faz mal a ninguém. Só comprova que não são estes pequenos e inócuos episódios que fizeram de nós seres destemperados. Julgo que,pelo contrário, fizeram de nós seres mais humanizados e atentos à realidade social. Não é fácil ter e manter a lucidez nos tempos que correm. A forma como equaciona estes assuntos é, chamar-lhe-ia assim, “utòpicamente realista”. Gostei muito de o ler.
    Vou continuar. E que diabo, há-de haver algum em que nâo concorde consigo… nem que seja no futebol. Um abraço.
    P.S. Se não houver inconveniente, tenciono, junto de amigos, divulgar este post. Posso?

  2. Caro Luís

    A cena que você descreve na pista de jornal e bica é, de facto, hilariante.
    Deu-me mesmo vontade de rir só de imaginar.
    Feliz, ou infelizmente, não fui eu.
    A C. Caç. 3441, que tive a enorme honra de comandar com 23 anos de idade, bateu o recorde de permanência naquele local inóspito, cujo tempo máximo de permanência, segundo os psicólogos, deveria ser de 12 meses.
    Por ali ficámos 18,5 meses, apenas cortados pelos 60 dias de licença repartidos em duas partes que nos concediam para aliviarmos o stress.
    Consumi todo esse tempo de licença enquanto estive na N’riquinha. Ou seja, logo aos nove meses (se calhar já com vontade de ir para a pista ler o jornal…), fui de licença. E nove meses depois fui de novo.
    Como vê, preservei-me…

    Mas para a grande maioria dos soldados, sem posses para para tais benesses, foram cerca de 550 dias nas areias cinza e escaldantes daquela ponta de leste que nos infernizou os sentidos e até a alma.

    Mas mesmo assim nenhum soldado se lembrou de ir ler o jornal para a pista, saboreando um bom café. Por três motivos: 1- nunca terão lido nenhum na vida, 2- não havia jornais por ali, 3- nem sequer bicas. A mixórdia que bebíamos de manhã ao pequeno-almoço, tinha como única função disfarçar o péssimo sabor do leite.

    Tome nota que não me coibiria de o assumir caso tivesse sido verdade.
    Cada um sofre as agruras da guerra de acordo com os seus sentimentos. Felizmente consegui resistir aos tormentos da N´riquinha. Talvez a minha condição e origem humilde me tivessem proporcionado os suportes necessários para tão grande provação.

    Contudo você aguçou-me a curiosidade.
    Já agora de onde veio essa informação?
    É que nunca a ouvi relativamente a alguém que estivesse estado na N´riquinha. Nem antes, nem depois.
    Não terá essa história sido protagonizada pelo seu próprio antecessor no comando do destacamento da Marinha no Rivungo, sobre quem se ouviam coisas do género…?

    Quanto aos seus “jacarés amestrados” esteja descansado que os compreendo muito bem. Aos jacarés, claro…

    A guerra é a guerra.
    Mas se quer uma definição bem mais portuguesa e terra-a-terra:a guerra é uma merda inventada pelos tais “senhores da guerra” que nunca pensaram pôr o cu nela. E assim sendo, tudo é aceitável. Basta lá ter estado para compreender.

    Vou chamar para aqui um ou outro companheiro da 3441 pode ser que se riam com essa história e possam dar mais uma achega.

    Entretanto, disponha.
    O blogue é público e foi construído para gerar controvérsia. Use e abuse.

    Quanto às nossas eventuais divergências sobre futebol… tanto quanto consigo entender, sábado em Alvalade eu jogo em casa e o meu amigo é visitante, certo?

    Um abraço

    Pedro Cabrita

    • Exactamente. Sou mais simpatizante do SLB. Sem ser militante. Gosto de desporto, sobretudo praticá-lo, incluindo futebol, que é magnífico, pena é a fauna dominante desse mundo que o abastarda e se serve dele para fins obscuros. Relativamente à cena da bica na pista de N´Rikinha, não é relevante quem o protagonizou. Nem me lembro quem mo contou. Hilariante e inócua como creio que disse no comentário anterior. “Que atire a primeira pedra quem…”. Outras ocorrências houve, essas sim com consequências gravíssimas. Todos os que lá passámos, ouvimos ou vimos factos que infelizmente não dignificam a condição humana. Ainda que comprendíveis à luz das condições de isolamento e/ou pressão psicológica dos que as viveram. Compreendíveis não significa, para mim, aceitáveis.
      Mas no caso que apresentei, e não sei se me exprimi com suficiente clareza, o que pretendia ilustrar era o facto de apesar de alguns de nós, incluindo-o a si, terem estado em cenário de guerra,ainda que no meu caso não tenha sido de grande intensidade operacional, essa experiência não nos retirou a capacidade de ver o mundo como ele é, e também como julgamos que deveria ser. Mais humano e justo.
      Curiosamente também bati o recorde de permanência naquela terra, 18 meses, quando o habitual era 9, e 12 pelo meu antecessor porque a administação da Marinha na altura lhe prometeu uma colar com uma lata dependurada, apesar de saber, e toda a Marinha, que ele padecia de doença grave do foro psiquiátrico. Mas isso são outras estórias. Ou talvez não. Um abraço

  3. … Quanto à do S.L.B…. nem todos somos perfeitos, não é…?

    Aquele abraço… e que ganhe o melhor…

    P. C.

  4. Não, de facto não havia nem esplanada, nem jornais nem café decente. Havia apenas um quantidade de tropas mortinhos por encontrar essas coisas e não conseguiam.

  5. O meu comentário inicial visava elogiar o post do Pedro Cabrita. Ao aludir à simulação de “uma bica na esplanada na pista de N’Rikinha”, estava longe de imaginar o efeito que tal teria. Longe de mim insinuar algum desiquilibrio de alguém, tanto mais que nem conheci o agente desse eventual acontecimento. O que já referi ao Pedro Cabrita. Eu próprio, que não me considero excessivamente desiquilibrado, terei protagonizado alguns episódios quiçá mais caricatos, sem que tenha de me envergonhar deles. Aliás, quem mo contou, que francamente não lembro, até apimentou a cena dizendo que, à volta desse putativo camarada , circulariam berliets e unimogs para dar mais realismo à cena. Sobre os “luxos” daquele “resort”, todos os usufruímos de forma idêntica.
    Quando me refiro a jornais, quero dizer “pasquins requentados” que nos enviavam com um mês ou mais de atraso. Por acaso tinha-as mais fresquinhas e “contra a maré” (ou não fosse marujo), o “Notícias da Amadora”, que assinava, e que facultava aos camaradas do Exército que mo pedissem. Quanto ao café, concordo plenamente. Bebia o mesmo que vocês. Aliás também consumíamos a mesma massa e restantes géneros. Como se devem recordar, o abastecimento para o destacamento da Marinha era feito pela Companhia. O que era melhor era a carne de caça, que se conseguia obter com alguma abundância e que frequentemente partilhávamos com o destacamento do Exército, ou em refeição conjunta como convidados nossos (oficias, furriéis ou praças). O que não era mais do que a justa retribuição da amizade e companheirismo que nos era prodigalizado. Sobre os restantes confortos, também conheço bem. A frugalidade sempre foi boa companhia do espírito. DEvo salientar que, apesar de tudo, o período da minha vida em que lá estive, foi marcante,ainda que passando por esses aspectos menos bons das faltas de bens materiais e familiares, as relações pessoais e situações vividas, são inesquecíveis e o “filtro” do meu “disco rígido” encarrega-se de me fazer relembrar, sobretudo, os aspectos positivos. Daquela época guardo as melhores recordações quanto ao significado da amizade em situações de alguma dificuldade. Os comapnheiros da companhia que vos rendeu, convidam-me habitualmente para o almoço anual. Convite que aceito, sempre que me é possível, e com todo o agrado. Moro na Costa de Caparica, e se os meus interlocutores virtuais, quiserem tomar um cafézinho, um pouco melhor do que o de N’Rikinha, é só dizerem. Um abraço a todos

    • Calma Luís

      Acho que você terá depreendido mal a breve referência do Gabriel Costa.
      Ninguém suspeita de insinuações de desequilíbrios de ninguém. Aliás, uns mais do que outros, todos chegámos a um ponto em que o equilíbrio era difícil.
      Certamente que, com mais tempo, o Gabriel voltará aqui para esclarecer melhor o que terá querido dizer e tenho a certeza que não ocorre qualquer , digamos, indisposição dele acerca da sua dúvida, aliás aceitável, porque lhe terão contado, não foi você que a inventou.

      Quanto à sua comparência no nosso almoço anual, está convidado. Em princípio, assim tem sido sempre, esteja atento à última semana de Maio.

      C/ um abraço

      P. Cabrita

  6. Pedro,
    Não fiquei melindrado pelas palavras do Gabriel. Acho que muitas vezes, naquelas terras, e noutras, se fizeram “remakes” semelhantes a personagens do “beijo da mulher-aranha”, no que se refere à capacidade do homem sonhar e ser livre mesmo quando as condições são adversas a esse bem precioso. Estes nossos escritos sendo muito o reeinventar dessa nossa vivência, também podem ajudar a exorcizar eventuais traumas de quem os possa ter sofrido. Consciente ou inconscientemente. No meu caso, não me é doloroso, antes pelo contrário, “reviver” os episódios que todos protagonizámos. Talvez por isso possa transparecer nas minhas palavras algum empolgamento que não é mais que reflexo disso mesmo.
    Agradeço o convite formulado, tencionando comparecer para vos conhecer (se é que não nos conhecemos!?)e continuarmos “ao vivo e a cores” estas óptimas comunicações. Um abraço a todos

  7. Não me lembro bem do Luis. Contudo, tenho a ideia que o sua chegada ao Rivungo foi a bênção que livrou o destacamento de marinha do doido que o antecedeu.
    Assim sendo, acredito que lhe tenham vendido tão estranha história. Só não consigo perceber as razões. Ou era de alguém que não gostava do Cabrita ou, o mais certo, confundiu os nomes e as datas.
    Na verdade tal história nunca aconteceu enquanto ali estivemos e nunca ouvi falar que tivesse acontecido antes.
    Lembro-me muito bem das características de comando do Cabrita. Era muito novo e procurava levar a sua missão a sério.
    Dizer que teve esse comportamento é o mesmo que dizer que se viu o Presidente Cavaco Silva a fazer streep tease num cabaret nocturno.

    Egídio Cardoso

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