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Sporting – Um extenso cemitério de treinadores

OUT 2012 

SPORTING – QUO VADIS…!

Um extenso cemitério de treinadores.

  Cenário dos últimos 30 anos

 Sporting –     39 Treinadores –  2 títulos – rácio   6,7%

 Benfica –      24 Treinadores –   8 títulos – rácio 26,7%

 F.C. Porto – 20 Treinadores –  19 títulos – rácio 63,3%

 Boavista  –   16 Treinadores –    1 título   – rácio   3,3% (27 anos na divisão principal)

A Direcção do Sporting Clube de Portugal prepara-se para contratar o seu 40º treinador nos últimos 30 anos. Uma média que não chega a um treinador por época (0,75).

O Presidente afirma que o Sporting “… não pode ser um viveiro de treinadores queimados”. Entretanto em ano e meio já queimou dois e traz chamuscado um terceiro.

O Sporting prepara-se assim para dar continuidade ao cemitério de treinadores que o Clube vêm promovendo, aparentemente sem tempo nem arte para sentar, reflectir e procurar inverter este insólito desígnio.

As sucessivas direcções – uns sem qualquer experiência do mundo complexo do futebol, apenas ávidos do protagonismo e proveito que o cargo proporciona, outros aparentemente sem terem aprendido o suficiente para não cometerem a catadupa de erros consecutivos que vêm perpetrando – reiniciam assim mais um logro, o 40º, perante a sua massa associativa, dando azo a mil e uma especulações nas redes sociais quanto aos nomes de possíveis treinadores, atitude com que vão entretendo e anestesiando os associados sobre qual será o melhor treinador para o Sporting. Porque razão dos 39 treinadores em 30 anos nenhum serviu para executar um trabalho sério e continuado, não importa analisar. Importa sim é discutir quem será o próximo da longa lista. “Apenas” mais um.

Já se definiu qual o perfil de treinador que queremos…”, afirma o Presidente.

O problema é que não há treinadores ideais para este Sporting e este estado de coisas, nem perfis patéticos que o definam.

Por outro lado, temos sérias dúvidas se haverá ainda algum perfil que aceite ser treinador neste Sporting, porque o que o S.C.P. pretende é um treinador que ganhe já hoje, ou o mais tardar amanhã de manhã sem falta.

O melhor treinador para o Clube será aquele que uma direcção experiente e competente determinar como válido, tendo em conta o seu passado e reconhecida competência. Alguém que se disponibilize para um projecto a médio prazo e a quem garantam estabilidade durante todo o período de vigência do contrato. Mas isso no Sporting tem sido uma utopia.

Encontrado o homem certo, tendo em conta o seu reconhecido valor profissional com provas dadas (um ponto final no bestial hoje, besta amanhã…!), é determinante conferir-lhe um contrato mínimo de 4 anos, entender e fazer entender à massa associativa que não há treinadores 100% vitoriosos e que não vencer uma ou duas Ligas, mesmo que consecutivas, não o torna incompetente e muito menos a tal besta, depois de um par de meses antes ter sido considerado o bestial.

No primeiro ano será apertado construir apenas as bases da equipa e uma utopia exigir resultados de vulto; no segundo ano podem cimentar-se os diferentes sectores do grupo e com algum engenho e sorte podem aparecer alguns resultados que celebrem o trabalho produzido até aí. A partir do 3º ano pode alimentar-se a esperança de ombrear com os melhores e reabilitar o futuro.

Qualquer outra exigência de resultados sem este patamar de dois anos de construção é pura ilusão e a certeza de continuidade da contemplação do desmoronar do S.C.P., nesta altura já em fase de algum desespero.

Se esta perspectiva não colhe adeptos nem aquiescências, olhemos para trás e meditemos nos 30 anos que o Clube trás percorridos.

Mas o treinador não chega. Não há memória de um treinador ter entrado em campo e marcado golos. A política desportiva e de gestão da equipa principal são cruciais.

1-     A Academia e as 28 escolas espalhadas pelo país têm que ser questionadas quanto à sua rendibilidade.

2-     O clube tem que se decidir quanto à política e âmbito essencial de recrutamento de jogadores.

Ou o conceito e funcionalidade da formação está errado (ou é incompetente), ou há verdadeiros talentos que não cabem na equipa principal porque a política desportiva do clube opta pela via empresarial de aquisição de jogadores “já formados” vindos do exterior, dando de barato que a formação no clube é um fait-diver, ou um projecto que falhou e está em fase de abandono. Torna-se necessário esclarecer este ponto de forma definitiva.

Ganhar títulos nas camadas jovens é um prenúncio de racionalidade que tem obrigatoriamente que ter repercussões na equipa principal. A Academia não pode apontar o seu horizonte apenas para a descoberta de foras de série e mesmo esses de rendibilidade financeira muito duvidosa no acto da sua alienação para fora do país, ou mesmo cá dentro.

O quadro de títulos das camadas jovens repartido pelos três grandes nos últimos 10 anos é paradigmático:

                                                                  Títulos

                              Juniores                        Juvenis                  Iniciados

Sporting                      6                                  4                             4

F.C.Porto                    2                                  4                             3

Benfica                        1                                  2                             3

Totais

Sporting – 14 títulos

F.C.Porto – 9 títulos

Benfica –     6 títulos

O Sporting conquistou praticamente o mesmo número de títulos que a soma dos dois adversários directos.

Paralelamente a equipa principal soma, em 30 anos, 2 títulos contra 27 de Porto e Benfica juntos.

Algo aqui está profundamente errado.

Questões cuja pertinência urge responder:

1-     A função principal da Academia é apenas formar jogadores com vista a obter títulos nas competições jovens?

2-     A Academia funciona na perspectiva de descobrir foras de série (Figo, Nani, Ronaldo) e com eles efectuar bons negócios, mesmo tendo em conta que um atleta deste gabarito pode ocorrer em média a partir de um todo de 250 jogadores?

3-     É possível (em termos financeiros) suportar os custos duma Academia e em paralelo contratar o número de jogadores estrangeiros que o Clube vem contratando nos últimos anos?

4-     As mais que duvidosas contratações efectuadas pelos dirigentes de Clube não carecem de assunção de responsabilidades? Os erros (caros e consecutivos) que têm vindo a ser perpetrados enquadram o normal funcionamento de um Clube, provavelmente já para lá da ruptura financeira?

5-     Quem toma a decisão de aquisição de um jogador estrangeiro? O Presidente? O Director Desportivo? O treinador? Um comité de avaliação que considere o valor/interesse para o clube do jogador?

6-     Sendo humano errar será admissível errar consecutivamente cometendo sempre os mesmo erros?

Acrescentando a conjuntura social e política que o país atravessa, o S.C.P. corre sério risco de insolvência, desmoronando-se de seguida sem que seja muito previsível como renascer das cinzas.

O Sporting não carece de astros galácticos do futebol, nem de treinadores invencíveis.

Os primeiros, porque não os pode adquirir; os segundos, porque não existem.

O Sporting precisa apenas de um Conselho Directivo competente e experiente bem assessorado por gente que entenda de futebol, mas acima de tudo suficientemente humilde para ser capaz de construir uma nova casa de raiz com alicerces fortes e seguros que permitam sustentar projectos de médio e longo prazo.

No Sporting é urgente quebrar a máxima de que um verdadeiro sportinguista é condição primordial e quase exclusiva de competência e bravura para orientar os destinos da equipa.

A bravura, sendo importante e um lema de sportinguista, não é, infelizmente, sinónimo de competência e capacidade. O saber é incondicionalmente o valor imprescindível e a condição essencial para o êxito. O sportinguismo congrega ânimos, arrasta multidões mas não se compadece com a falta de experiência e a carência de conhecimento específico sobre a função.

No Sporting tudo anda à deriva. Neste momento a equipa não existe. São apenas onze em campo, ninguém quer a bola e os que entram preferiam ficar no banco. A equipa carrega às costas a insegurança e desnorte que escorre do Conselho Directivo, como se já não bastassem os seus próprios problemas em campo.

É tempo de assentar os pés no chão. É tempo da tão propalada vassourada, mas que limpe todos os cantos da casa.

É imprescindível um timoneiro que garanta uma linha de rumo da nau. Um pulso forte e determinado.

O imediato e todos os restantes órgãos de comando dependem do timoneiro.

O S.C.P. há muito que não tem um presidente de alto gabarito nem imediatos, de nada servindo a eventual qualidade dos que se sentam no banco. De resto todos eles foram perecendo ao longo dos referidos 30 anos, acabando muitos deles por arrastar o próprio timoneiro.

Dos imediatos apenas sabemos que vivem há muito à sombra do futebol, mas carecem de mostrar um único resultado palpável. Pior um pouco; é que parece que o tempo nem foi bom conselheiro, nem com ele aprenderam o que quer que fosse.

Venha a vassourada!

Se tivermos que olhar para exemplos de outros emblemas que o façamos sem complexos.

A realidade quando se nos depara viva e incontornável não deve ser ignorada.

O que temos é já terra queimada.

Diz-se que as cinzas funcionam como fertilizante. É tempo então de lançar uma semente. Uma semente nova. E entenda-se aqui a metáfora da semente como começar algo de novo, de raiz, de preferência bem diferente da extensa floresta queimada que se pode vislumbrar olhando o passado recente menos glorioso do Sporting Clube de Portugal.

Que se assuma com humildade 30 anos de erros que só a grandiosidade do S.C.P. permite suportar e manter direita uma espinha vergastada pelos erros da maioria dos seus dirigentes.

Esperemos não ter que nos submeter a uma atroz descida de divisão onde penitenciar os erros e excomungar o passado.

Ainda é tempo.

Mas há pouco tempo.

P. Cabrita

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  1. […] O fino aroma do café da manhã.- Vagabundo em liberdade… na avenida…Sporting – Um extenso cemitério de treinadores** SPORTING – O dealbar de mais um deserto.- Abstenho-me…!!- Ensaio sobre a […]

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