Liberdade de imprensa e os desmandos da liberdade.

Quando se perdem duas lambadas e cai um ministro…

Não sei se evoluímos muito em termos da mediocridade do preconceito social desde a Idade Média até esta nossa Idade “Médica”. O homem tem evoluído muito por via de fatores externos a si, que ele próprio domina e promove. Contudo a sua imbecilidade endémica mantém uma espécie de imutabilidade confrangedora que distorce a auto propalada inteligência animal.

Este episódio político dilui uma certa mistura etílica com uma decrepitude insalubre a que praticamente todos estamos condenados pela ordem natural das coisas desta vida.

De repente fluíram da minha também já decrépita memória duas figuras lá da aldeia, cujas características distintas serviam um mesmo objetivo político, saciando o medo pelo silêncio. Um alcoolizado logo desde as primeiras sopas de “cavalo cansado”, cujo cavalo galopou com o freio nos dentes até que, depois de muito etilo acumulado, um simples fósforo o apagou… O outro um néscio que nunca chegou a perceber que a Terra era realmente redonda e o céu um embuste.

Eram estas duas figuras o instrumento político dos que pelo medo as usavam como marionetas de manobradores ocultos. Instigados, e instalados nos Speaker’s Corners da aldeia, dali invectivavam soltos e convictos fluxos de melenas (das intestinais) contra Salazar e camarilha, não havendo “ouvidos oficiais dos bons costumes” que lhes tolhessem o passo ou a verrina do discurso. Suponho que isto não terá nada a ver com o caso que aqui nos traz em contenda. Mas veio-me à ideia.

Também se me entrecruzou no pensamento a eventualidade de Stephen Hawking aparecer inusitadamente numa das muitas aldeias das brenhas deste nosso torrão, sem etiqueta de identidade (um Dr. mudaria tudo), nem uns “Lusíadas” numa das mãos. O acolhimento seria distante, uma mão cheia de benzeduras cumpririam a sua missão e remissão e, se oficial de igreja por perto e disposto ao exercício da arte, um exorcismo ou encomenda fariam o seu caminho para descanso das almas. E toda esta parafernália discursiva para concluir que a circunstância do Homem é bem capaz de valer bem mais que ele próprio, ou a sua existência. Tenhamos pois o devido respeito pelos “Speaker’s Corner’s” desta nossa aldeia… e pelas suas circunstâncias também…

 

P Cabrita

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