Açores – Ilha de S. Miguel

Açores – S. Miguel

 

Macaronésia – o nome é originário do grego para “ilhas abençoadas” ou “ilhas afortunadas”, utilizado pelos antigos geógrafos para as ilhas a oeste do estreito de Gibraltar (Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde).

Estive na ilha das “vacas felizes” e, embora não me tenha sido dado o privilégio de contemplar e de me embevecer com os seus sorrisos, não tenho dúvida de que elas só podem ser felizes.

Naquele verde único permanecem vinte e quatro sobre vinte e quatro horas e são rainhas absolutas onde os seus “servos” nem casa podem construir, porque em zona de pastagens é interdita a construção.

E então, a perder de vista, contemplamos o minifúndio, o microfúndio delimitado pelas hortênsias, soberbas em dimensão e em cor, sem que nada mais interrompa os vários cambiantes do luxuriante verde.

Esta é a principal fonte de riqueza e não mar que rodeia a ilha, como seria de supor.

E quase se nos aperta o coração que toda aquela felicidade se transforme nos 25 a 30 litros diários de leite, recolhidos de manhã e à noite e transportados em grandes camiões tanque que vemos a circular por toda a ilha, no delicioso queijo curado ou fresco (servido do com um toque de massa de pimentão) e no delicioso bife regional, que se derrete na boca.

Toda a ilha é um hino à beleza, mas também ao saber cuidar, à organização, ao aproveitamento turístico das suas potencialidades tão sabiamente exploradas que a natureza permanece intocada, apesar das vias rápidas recentemente construídas (benesse da CEE, segundo o guia).

A visita ao concelho de Nordeste, considerado o mais belo, proporciona paisagens de tirar o fôlego.

No silêncio do alto da Ponta do Sossego apetece, simplesmente, ficar sentada a olhar o mar imenso, vazar a cabeça de tudo e deixarmo-nos dominar pela tranquilidade até nos sentirmos parte integrante da natureza.

A Ponta do Arnel é o local mais a Leste da ilha e ao pararmos em Povoação sabemos que estamos no primeiro sítio a ser povoado, já lá vão mais de 500 anos!

O Parque natural da Ribeira dos Caldeirões, a beleza da queda de água, os percursos labirínticos, os moinhos de água que ainda funcionam, toda a beleza é realçada pelo cuidado da erva aparada como relva, das moitas espontâneas de hortênsias bordejadas como canteiros.

Nas estreitas estradas rasgadas através da acidentada ilha, as hortênsias disputam o lugar com as cascatas de exuberantes ponteiras, de flores amarelas e perfumadas – ambas consideradas plantas invasoras, enquanto as campânulas cor-de-rosa das beladonas (meninas que vão para a escola, porque surgem no início do ano lectivo) bordejam o caminho. Bosques frondosos de criptomérias e outras espécies obscurecem a estrada.

Cada recanto da paisagem rural é cuidado como se de um jardim se tratasse – a relva é erva aparada cuidadosamente pelos cantoneiros que vemos por toda a ilha e os jardins, estrategicamente cultivados junto à elevada costa são locais de lazer e convívio equipado com churrasqueiras (alguns com lenha à disposição) que os miguelenses utilizam habitualmente… e deixam impecavelmente limpo antes de se retirarem.

E em certas curvas da estrada, o mar, o azul intenso do mar, aparentemente tranquilo visto das altas arribas que caem a pique e terminam em pedregulhos negros de rocha vulcânica que são batidos pela água.

Então, constatamos que, apesar de ilha, tem poucas praias – as costas abruptas não o permitem.

De caminho para as Furnas, subida ao monte da Srª da Paz e julgamo-nos numa miniatura de Bom Jesus de Braga – cento e tal degraus encimados por um santuário muito singelo, demasiadamente singelo, mas donde se avista um panorama soberbo sobre Vila Franca do Campo. Em frente, um grande rochedo que afinal é um pequeno vulcão, a que o mar tem acesso e em cuja cratera se pode nadar.

É obrigatória paragem nas Piscinas Termais Poça de Dona Beija, também conhecida por Poça do Paraíso ou Poça da Juventude, aproveitamento da nascente de águas férreas termais cristalinas em vários tanques rodeados de exuberante vegetação, construções e passadiços em madeira.

Não se resiste à tentação de entrar na água a 40 graus. Há toalhas para alugar, vestiário e segurança que vigia a cesta com os nossos pertences. O fato de banho vai ficar manchado de vermelho, mas não nos apetece sair de lá. Poderíamos ter ido à noite – está aberto até às 23:00.

Depois do “paraíso”, descemos a cratera a caminho do “inferno”, do cheiro a enxofre das fumarolas, da lama fervente e borbulhante das Furnas.

Mas aí o cozido, cujas panelas vemos tirar das caldeiras naturais no chão, onde esteve a cozer pelo calor emanado da actividade vulcânica, tapado de terra durate 5 a 6h, transporta-nos de novo ao paraíso gastronómico pelo sabor único a que a qualidade das carnes açorianas empresta um paladar inconfundível.

Consta que beber a água azeda, que corre de várias bicas, ajuda a digestão. É fresca, cristalina e… azeda.

A Caldeira das Sete Cidades, nome proveniente das 7 pequenas crateras que existem no interior da grande cratera, é o bilhete-postal que todos conhecemos e falar da beleza das águas azuis e verdes de cada lagoa, apenas peca por excesso. É um local sempre belo!

 

Maria Herculana

2016/09/20

 

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