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Conto Vivo – A memória das gentes.

1º Prémio do concurso “Descubra a sua terra.”

INATEL Faro 2000                                                               pai-foto-livro2.jpg

 

Algarve.

A Memória das Gentes

 

Sentei-me numa das mesas da biblioteca puxando a cadeira cuidadosamente de modo a não perturbar os meus parceiros de leitura que mergulhavam absortos nas suas pesquisas literárias.À minha frente erguia-se uma pilha de livros de estórias, lendas e contos algarvios, perdidos em milhares de páginas sem memória, que arrebanhei das prateleiras e me dispunha a vasculhar, na ideia de encontrar um qualquer fio de meada que me desencantasse o enredo de uma estória nova, ainda esquecida num qualquer recanto da serra, onde as gestas se obstinam mais vivas e duradouras à erosão dos tempos modernos.

Esvoaçaram-me moiras encantadas e mouros de paixões ardentes. Sereias de encantar pescadores e poços de águas escuras e profundas com vozes que ecoavam do além, reportando sons doridos de amores trágicos, ali guardados a sete chaves no cumprimento de outras tantas pragas que se cumpriram com rigor, à semelhança do que acontecia ali para os lados do Guadiana, terra de gente crente nas suas preces, fosse qual fosse o sentido da devoção.

No fim de grande e aturada busca, dei por mim sem ponta ou novelo onde continuar a esmiuçar um retalho miúdo que fosse de um conto novo ou fantasia de enfeitar a gesta enorme de uma terra cujo passado remonta a memórias distantes, amalgamando gentes e povos de múltipla feição e crenças.

Tudo antigo e rebatido.

Memórias gastas pela erosão dos tempos e sem repositório conhecido, por falta de contadores, ou ouvintes, que hoje mergulham – e se afogam – na torrente de ondas hertzianas, que lhes entram pela janela dentro, trazendo-lhes contos modernos com enredo e desenlace na mesma embalagem e à hora do jantar, num tempo certo e premeditado de alimentar o espírito em premeditada consonância com o estômago.

Hoje já não há tempo para contar e recontar, acrescentando um ponto por cada conto. Tudo se apaga no dia seguinte para dar lugar ao produto novo promovido na véspera.

Pobre memória a nossa se não for ela própria a desembaraçar-se do lixo que lhe martelam no subconsciente da ilusão do prazer, a troco do lucro que salda o novo pacote de sonhos do dia seguinte.

Já nem tempo temos para reter os heróis modernos, com os quais convivemos uma vida inteira e acabamos por deixar cair no esquecimento a que nos obrigam, distraindo-nos com futilidades descartáveis de heróis de papel com que nos querem povoar os sentidos e embriagar a alma.

Já não há tempo para novos guerreiros de carne e osso que perpetuem as vivências de um povo com séculos de história e de luta feita de quotidianos de amargura, que sobrevivia no engenho e na arte de casar a terra com o mar, lavrando a areia da praia com barcos à vela que trazem as redes a abarrotar de alfarroba e figo cheio de amêndoas doces, de mistura com sardinhas de escama brilhante de prata e charrinho pipi, que enche uma alcofinha de empreita por dez tostões de suor escorrido no mar, à luz das estrelas que iluminam as noites negras das madrugadas frias açoitadas por um vento norte que escorre da serra e os empurra mar afora para longe da praia.

Dou por mim numa encruzilhada como muitas outras que nos acontecem ao dobrar algumas esquinas da História, onde nos perdemos em busca de um sentido, caminho ou destino, que justifique ou esclareça a nossa existência enquanto passageiros ocasionais deste ponto celeste vadio e errante do Universo.

Decido por fim parar por momentos de pesquisar o passado longínquo encaixotado nos livros que enriqueceram a minha juventude e obrigo-me a folhear a minha memória recente, em busca de gente com história, perdida no meu imaginário cansado que me traz refém de mim mesmo.

Gente pequena mas com alma enorme que, mesmo não sabendo o valor e sentido das letras, é capaz de soletrar páginas de grandeza interior suficiente para nos fazer acreditar que a verdadeira dimensão do homem se mede por dentro e nunca por fora.

Desço aos tempos em que ainda éramos donos da nossa terra.

Terra de sol quente de memórias ainda presentes de lembranças de África, dourando figos e amêndoas, ou tingindo de negro a alfarroba que o cigano rabiscava ao pôr-do-sol para vender logo pela manhãzinha – renegando tudo a pés juntos, pelo amor dos filhinhos, ao GNR mal-encarado que lhe encravava o negócio.

Das carroças de cor garrida puxadas por mulas de pé ligeiro e guizos ao pescoço levadas pelos sons do corridinho, que atiçava o sangue nas veias aos moços e moças, quando aos domingos se agarravam no baile mandado por um mandador atrevido, de chapéu preto, colete e manga arregaçada, com volteios de graçolas que faziam corar, e ao mesmo tempo sorrir, as velhas de pele enrugada e boca sumida, mas de olhar vivo e irrequieto, sinal de que ainda lhe bailam e rodopiam nos sentidos, memórias de outros tempos e de outros bailes.

Terra de mares calmos e velas enfunadas de vento Norte, que davam folga a marinheiros de mãos calejadas por remos ressequidos ao sol e no sal, herdados na dura faina do mar, que de Sagres partindo um dia em busca do Oriente prometido, ali haveriam de regressar tão pobres quanto o eram na ida.

Terra brilhante. Terra viva. Terra com gente de alma imensa transbordando a fronteira da praia galgando as ondas do mar.

Ao meu amigo Joaquim António.

Em memória de uma dívida do mar e dos homens.

(Contém um léxico no final do texto)


O Joaquim António nasceu e morreu ali para as bandas da praia da Galé à comporta, com Armação de Pêra à vista – onde o sol tombava exausto todas as tardes – e um mar vasto defronte de casa, que distava da praia um cigarro Provisórios fumado ao canto da boca.

Todos os antepassados que a memória lhe abarcava ali viveram e dali fizeram o seu modo de vida arando a terra e revolvendo o mar.

Magro e de estatura baixa, tinha uns olhinhos de pisco sobrelevados por sobrancelhas russas do sol e do sal do mar, dos dias de fainas sem fim revirando a terra a golpes de rego de charrueco puxado pela mula castanha, ou manhas de rede que enchiam o saco de serapilheira de pexinho-rei, ou tremoços salgados no mar numa fenda de rocha escondida em segredo.

Sempre o conheci de chapéu preto pequeno enterrado na cabeça, estivesse em terra ou no mar.

Tinha uma alma enorme que mal lhe cabia no corpo franzino. Terá nascido por volta do ano de 1922, mas sempre o achei sem idade desde que o conheci nos anos 50, era eu garoto e já cúmplice do Joaquim António no empurrar do barco pela areia abaixo, alçando a proa temerária de encontro às primeiras ondas de espuma alva e fresca.

Os tempos sempre foram de míngua e o que havia para comer era a terra e as marés que o davam, quando davam.

As heranças haviam-lhe deixado umas pontas de terra de lavra, como lhes chamava, e algumas árvores de frutos secos, que no Verão davam uma entretenha de varejo e apanha da alfarroba, figo e amêndoa, um contributo precioso no alívio de algumas despesas na mercearia da Fabiana.

No Outono e Inverno as sementeiras variavam das favas aos griséus, ou uma boa seara de trigo que haveria de se tornar farinha para o ano inteiro e alimentar as galinhas e um bom suíno a farelo.

A vinha era uma outra forma de cultura que encontrava na região – de terreno seco e arenoso – condições especiais de micro clima para o seu cultivo. O vinho que daí saía era um néctar delicioso que poucos tiveram ensejo de provar.

Grande número destes pequenos agricultores fazia o seu próprio vinho, que dava guerras de provas de qualidade sem fim e inevitáveis consequências dos seus 13 e 14 graus de espírito.

Numa pontinha de terra que havia herdado tinha umas dezenas de cepas que quase entravam pela praia adentro, chegando a misturar-se com a areia do mar, que o Joaquim António dizia ser a melhor uva do mundo por apanharem ali o chêrinhe e a humidade da maresia.

Um dia, uma maré viva com mar forte de levante chegou a entrar pela vinha dentro, o que lhe proporcionou um excelente ensejo para criar uma peta – uma especialidade do J. António – que usou pela vida fora e lha ouvi vezes sem conta.

Sempre que apanhava um lisboeta à mão – para ele, lisboetas eram todos os que não eram algarvios – contava a estória do mar ter galgado a vinha e das consequências que daí tinham advindo.

O Joaquim António tem um português arreigado e único, difícil de entender à primeira. Apenas alguns de nós o conseguíamos interpretar com relativa fluidez e mesmo assim tirávamos umas por outras, ou deduzíamos pelos enfeites de braços, autênticos cotovelos falantes com que compunha o palavreio. Um linguarejar puro e sem contágios de vícios citadinos, que corrompem os sons, as maneiras e os gestos com séculos de pureza.

Nem todos estavam aptos a entendê-lo. Só um convívio longo e muito próximo das gentes da região permitia alguma sabedoria para o entendimento daquela riqueza melódica de sons e vocábulos, mistura de longínquos ecos arabescos e o portuguesismo próprio das gentes do Sul.

Depois falava numa voz baixa que se sumia para dentro como se receasse incomodar alguém.

– Veja lá o snhôr, que chegue aqui de manhão e atão na é que cada pé de vinha tinha um polve agarrade. E pior; é que os filhes da mãe dos biches já me tinhem papade metade das uvas.

De um modo geral todos os “lisboetas” caíam. Só que o coração bom e fraterno não permitia suportar a peta por muito tempo. Acabava rapidamente por desmontar a estória e até explicar a filosofia do polvo, que conhecia como ninguém, como forma de paga por ter usufruído de forma gratuita da ingenuidade alheia.

No dia seguinte, voltava a tentar convencer os mesmos que as luzes que se viam de noite no mar, proveniente de barcos à lula, eram luzes de Marrocos que não ficava muito longe dali.

– … se mecêa fosse sempre a drêt naquela dréção, olhe, mecêa punha-se lá num estantinhe.

O Joaquim António nasceu agricultor e foi a arte de amanhar o campo que lhe ensinaram.

Mas a voz do mar foi-lhe irresistível.

Cedo, ainda muito moço, montou uma barreca rudimentar junto à praia onde guardava as artes de pesca e por aí ficava às vezes a dormir, quando muito tarde acabava uma pescaria e o corpo pedia descanso, ou o frio aconselhava a deixar nascer o sol para regressar a casa. Além disso, o mar era a sua paixão, a sua companhia de todas as horas do dia e da noite.

Por vezes ficava pelo prazer de ficar junto ao mar, a ouvir as ondas na praia preenchendo o silêncio escuro da noite em melodias suaves cadenciadas ao jeito de embalar.

Em noites quentes de Agosto adormecia na areia e por ali ficava até que o sol radioso irrompesse sobre a rocha da comporta e o acordasse.

– É cá casiu com o mar – dizia frequentemente sempre que falava daquela sua paixão.

Até ao início dos anos setenta todas aquelas praias, com cheiro a mato que se misturava com o aroma fresco dos limos da maré vazia, eram o seu reino. Dia em que não fosse ver o mar era um dia vivido pela metade e um faltar de qualquer coisa como uma ausência de ar para respirar.

Olha môce. Écá às vezes venhe à praia e ande aí dum lade p’ro outre que màs parêce aquele maluquinhe ali de Almfêra q’andava a correr pela praia fora fêt parve. Mas qé que queres; é só me sinte bem é aqui a ver e a ôvir o mar.

Naquela altura ainda o Algarve não era descoberta dos súbditos de sua majestade Britânica e alguns vikings de mais a Norte, que fugiam da inclemência dos gelos de Invernos rigorosos, procurando refúgio no sol e nas gentes acolhedoras do mar e da serra algarvios.

Chtrangêres qu’ aparecérem por aí e que ninguém percéb patavina do qu’ eles dizem, mó…!

Uma espécie de novos invasores, desde que o último árabe fora embarcado e remetido às origens, não sem deixar marcas de vivências imutáveis, transformadas em adornos culturais de perene existência, que ainda nos fundem com a terra, o mar e o sol de sabor a África.

Não resistindo aos contínuos apelos do mar, mandou fazer uma pequena chata, quando esgotou todos os pesqueiros de terra e quis entrar pelo mar adentro calcorreando o fundo rochoso em busca das mil e uma riquezas de moluscos e mariscos das praias da Galé, da Balbina e do Evaristo.

Mergulhava munido de nada, a não ser um calçãozinho preto com um cinto branco, muito em voga na época, que se lhe resistiu por longos anos. Naqueles tempos longínquos ainda ninguém por ali tinha visto uns óculos de mergulhar, barbatanas ou quaisquer outros apetrechos próprios da caça submarina. Era de olho aberto debaixo de água e mãos livres, que tacteava uma santola ou navalheira, ou sentia a cabeça de um safio entocade na rocha, ou mesmo um polvo amalhado no esconderijo.

Contava-me os cantos e recantos das rochas no fundo do mar e o que tinham as suas tocas, como cigana lendo a sina na palma da mão.

Há bem aí uns três quinze dias cande a ver se dêt a mão a um malvade dum lavagante que tá num buraco além naquele site. Já lh’ apanhê uma terquês mas o maldessoado raspou-se.

Das descrições que me fazia deixava-me a ideia que conhecia tão bem o fundo do mar como a toca da alfarrobeira da várzea de baixo, ou quantos ninhos as cotovias faziam na chapada de terra lavrada batida pelo sol inclemente, em tempo de curto pousio até à próxima sementeira.

Da mesma maneira que ia à capoeira buscar uma galinha para o almoço de domingo, ia ao mar ferrar dois ou três sargos de quilo, com uma cana tosca cortada no campo e cinco metros de fio de pesca, com um anzol na ponta e uma pedra a fazer de chumbada.

O isco apanhava-o a caminho do pesqueiro, debaixo duma pedra na maré vazia, ou rachava umas rochas a golpes de picareta rabiscando um determinado tipo de minhoca que o sargo e a safia achavam um pitéu de requinte.

Não me lembro de alguma vez ter referido que vendeu um peixe. Lembro-me, isso sim, de várias vezes apanhar dois e me oferecer um.

A mulher do Joaquim criava-lhe alguns problemas quando lhe censurava a excessiva bondade.

– Ele dá tude. Só na dá a rôpa que trás no côrpe porque na lha pedem.

E era assim.

Repartir era o modo de vida do Joaquim António, um impulso natural que normalmente rematava com a sua lógica simples das coisas complexas.

– É cá, conde morrer vou dêtáde. E se Dés quiser na vou precisar desse pêxe que mecêa leva aí agora.

Não repartia apenas com amigos ou conhecidos. Bastava que estivessem por próximo para fazerem parte da repartição obrigatória dos despojos da pescaria.

– Iste dá pr’a tôdes.

Conhecia todas as artes e manhas da pesca. À rede (de cerco ou de amalhar) à linha (ao fundo, à bóia, ou a curricar) mas acima de tudo qual delas usar hoje porque:

– … os pêxes som munte manhôses. É precise a gente conhecer-lhes bem as manias.

As manias tinham a ver com o mar. Com um relance tirado de cima da rocha altaneira, ali a dois passos da barreca – após ter encostado o chapéu preto à nuca e a mão esquerda pousada na anca – fazia a leitura certa e concluía:

– Nã! Os gajes hoje na piquem. Nem val a pena perder tempe. Vou mas é aprovêtar e vô-me varejar umas amendoêritas que tenhe ali p’ra báche.

O seu espírito brincalhão estava sempre presente.

Um dia, um “lisboeta”, que frequentava com regularidade a praia da Galé na época balnear, e por consequência já tinha o Joaquim António como amigo, manifestou-lhe a vontade de fazer com ele uma pescaria à lula, ao que ele anuiu com uma recomendação.

Olhe! Atão teja aqui amanhão ó sol postinho. Ma na se esqueça que tem que trazer uma camisa branca e um espelhe.

O “lisboeta”, alheio aos preceitos de pesca, cumpriu com rigor, pensando que se tratava de instrumento e indumentária próprios para uma pescaria nocturna muito específica, como é a da lula.

Após as primeiras lulas terem saltado do mar e espirrado forrado negro em todas as direcções, o nosso Joaquim António, soluçando de riso, porque não ficaria bem rir à gargalhada, dizia:

Olhe! Agora já pode tirar o espelhe qué p’ra mecêa ver a figura que tá fazende.

Às vezes passávamos tardes à sombra da rocha, apaziguando os calores de Agosto, lembrando estórias com os amigos, especialmente as partidas (as partes) que pregavam uns aos outros.

E as arrachas que faziam, com o Joaquim a perder apenas uma em cada vinte, ou menos.

As arrachas era uma disputa local muito curiosa que funcionava do seguinte modo: os terrenos arenosos da zona eram também excelentes para o cultivo da melancia que posteriormente eram vendidas nas tabernas das redondezas. Os dois contendores escolhiam uma melancia, pesando-se as duas. Cortadas ao meio, a que apresentasse uma cor mais avermelhada ganhava. As melancias eram depois divididas por todos os presentes e pagas pelo contendor cuja melancia perdia.

As dúvidas quanto ao vencedor tinham por vezes que ser dirimidas por pessoas chamadas de propósito para o efeito, sempre que o vermelho se assemelhasse muito e os presentes não oferecessem garantias de isenção, já que nestas alturas as amizades se dividiam pelos dois opositores.

Como se calcula eram barrigadas de melancia a sugerir dores de barriga pela noite dentro. Cheguei a assistir a sete e oito melancias – belancias na sonoridade local – a repartir por seis ou sete circunstantes. Todos os que estivessem por perto comiam sem ter que pagar. Como era alimento gratuito e os tempos eram de míngua, havia que aproveitar.

Mas as maiores aventuras do Joaquim António tinham todas a ver com o mar.

Uma noite levantou-se um mar de levante e um pequeno barco fundeado na tarde anterior a duzentos metros da praia, voltou-se e perdeu o motor. O barco foi atirado pelas ondas de encontro às rochas.

Por volta das dez da manhã o Joaquim chega à praia e depara-se com a situação, com um grupo de quatro ou cinco pessoas que comentam o sucedido.

A praia é pequena e tudo se passa praticamente em família. Não chega a perguntar de quem é o barco. Para ele a questão não era o problema era a solução. Tenho perfeita ideia das suas primeiras palavras.

Má atão, como rai é que foi isse, hóm. Atão temos que ir buscar o motor ó funde do mar.

– Ó Joaquim António! Com um mar destes? Além das ondas que estão aí o mar está barrento de tal maneira que não se vê um palmo à frente do nariz. Nem o barco se consegue meter dentro de água homem – dizia-lhe eu em tom disuasor.

– Pois, e atão, o motor fica lá? Tem de ser. Tem que se ir buscar o motor.

Palavras não eram ditas e já o Joaquim começa a despir as calças e a arrumar o seu barco para o meter na água.

Antes de se meter às ondas ainda pergunta mais ou menos onde é que o barco tinha ficado fundeado na tarde anterior.

Ele só queria uma indeiazita do … site onde, más ó menos, o bárc táva onte.

O que se passou a seguir é difícil de acreditar. Mas eu vi!

No barco foram dois amigos aos remos. Passadas as primeiras ondas com dificuldade chegam ao local onde se supunha que o motor pudesse ter caído. O Joaquim António vai de pé à proa e vai dando instruções aos remadores do local exacto para onde devem conduzir o barco. Ele sabia que o motor a ter caído ficaria numa determinada zona. A profundidade do mar ronda os cinco ou seis metros. A ondulação é grande. O mar está tapado.

Depois de parado o barco, o Joaquim mergulha – sem óculos, ou qualquer outro apetrecho – uma única vez.

Volta um ou dois minutos depois para ir à borda do barco buscar uma ponta de corda e volta a mergulhar. Regressa e manda puxar a corda com o motor que sobe atado e intacto.

Perante a estupefacção das pessoas que assistiam da praia o Joaquim explicava as coisas com a simplicidade que caracterizava a sua forma de ser. Um senhor de idade abana a cabeça e não quer acreditar. Quando chegaram a terra abordou-os de imediato.

– Ó Joaquim, você ao menos bem que podia ter levado uns óculos. Sempre ajudava.

P’ra quê? Na se via nada. Só se fosse p’ra m’atrapalhar…??

– Mas como é que você conseguiu achar o motor naquela água se nem se sabia ao certo onde o motor tinha caído?

Olhe! Mecêa quer ôvir? Já tive mais deficuldade em dar palha à nha mula à nôte… reguingosa côm ela é.

Falar-se em pagar o trabalho era quase uma ofensa e de nada valia insistir. Beber uma cervejita na barreca da praia, vá que não vá. Agora mais do que isso era escusado.

Numa noite de Inverno tempestuoso, por volta do ano de 67 ou 68, terá tido a sua maior aventura. Aquela que mais o marcou.

Havia dias que o mar agitado rugia alteroso contra as rochas e a areia da praia.

Mas que raio fazia o Joaquim António às onze horas de uma noite de Inverno ali para os lados da Boca da Alagoa, a mais de dois quilómetros de casa com o mar fêt num cão ?

A explicação era simples.

É cá goste d’ ouvir o mar quando ele tá brábo. Goste d’ouvir aquela força toda. Parece qu’ arrebenta tude.

– Mas às onze horas da noite? E o frio? – insistia eu em busca de uma explicação aceitável para aquilo que me parecia inimaginável numa noite de tempestade em pleno Inverno.

Ó pé do mar nunca faz frio. O mar aquece agente. Mecêa nunca exprimentou?

Havia algum nevoeiro que escurecia ainda mais a noite. Chapéu na cabeça, fosse noite ou fosse dia, o Joaquim António percorre a praia a ouvir o mar.

De repente há uma batida de mar diferente. Não há rochas ali. A praia é lisa. A onda deveria enrolar forte na areia e correr veloz pela praia acima, marulhando nas pequenas pedras e conchas soltas.

Encosta o chapéu preto à nuca, um gesto instintivo, e apura o ouvido. Há algo na rebentação que altera a voz do mar que ele conhecia de cor.

Curioso caminha apressado em direcção ao som estranho, aumentado o ritmo da passada à medida que se aproxima.

É vi lógue qu’ havia ali coisa desquesita.

Um vulto enorme começa a desenhar-se na noite escura ali mesmo na rebentação forte. As ondas batem com estrondo atirando torrentes de espuma ao ar. Primeiro desenha-se um casco que oscila na batida da onda. Depois um mastro inclinado que bate no mar e se ergue de novo.

Nha mãe santíssema. Aquile é um bárc.

Um veleiro de grande porte naufragava ali aos pés do Joaquim António, coisa pouco comum nos mares do Algarve e jamais ouvida nas praias da Galé.

Não se via ninguém. Apenas o mar bramia a revolta das ondas enfurecidas de encontro ao casco da embarcação.

– Ó Môce. Vi-me ali sozinhe e encalacráde. Má atão, o qu’é qu’é vô-me fazer agora?

Em segundos está descalço de calças arregaçadas pelo joelho. O chapéu permanece na cabeça bem enterrado não fosse voar durante a empreitada que se adivinhava.

A aflição é enorme. Então e as pessoas? Não havia ninguém?

Desati a bradar p’ra ver se alguém m’ ouvia, e nada.– Morreu tude!?

É o primeiro pensamento do Joaquim.

E se está gente lá drente?

Num recuo de mar corre em direcção ao barco e já com água pela cintura bate freneticamente no casco do barco enquanto grita. De seguida tem que fugir porque já vem outra onda que bate com estrondo no casco.

Repete por mais duas, três vezes, a corrida e na última exagera no tempo de permanência a bater na madeira do barco.

É môce, vem de lá uma vaga. Olha vinhe de rableta um porradão de metros praia acima qu’ até o chapéu me saltou que nunca más lhe pus a vista incima.

Encharcado e desanimado já não sabe o que há-de fazer. Mas tinha um pressentimento que havia ali gente dentro.

Procura umas pedras que atira ao casco e continua a gritar. Por fim, um vulto agita-se no bordo superior do barco. O Joaquim António nem pensa em mais nada.

Mete-se mar adentro e já junto ao barco chega à fala com um homem com ar assustado que se agarra frenético ao resguardo meio destruído da embarcação.

Atão na é qu hóm era francês e agente na percebia patavina do que távamos p’ráli a gritar um ó outre?!

E um bom algarvio para que quer as mãos e os braços?

Fiz-lhe sinais p’ra ele sair; percebeu lóg.

Noite fora, o Joaquim tirou do barco um casal e uma criança e levou-os para casa, pedindo muita desculpa pela casinha pobre que tinha. Ainda voltou ao barco com uma corda de modo a amarrá-lo a uma estaca que enterrou na areia na ideia de o salvar. Não chegou a dormir nessa noite porque bem de madrugada meteu-se na bicicleta a pedal e foi à vila (Albufeira) avisar a Guarda e tomar as providências necessárias.

Com os amigos que arregimentou no dia seguinte, conseguiu pôr o barco a salvo das ondas. A embarcação viria a ser salva e transportada semanas mais tarde num enorme camião, para o qual foi necessário mandar vir uma máquina para abrir um caminho por onde coubesse, porque os que havia davam para uma carroça puxada por mula e pouco mais.

O Joaquim recusou gratificações de vulto que o abastado francês lhe quis dar.

Já táva contente por o barquinhe na se ter pordido.

Aceitou um fato completo de caça submarina, porque já os tinha visto ali pela praia, e achava que era capaz de lhe dar jeito. Os anos não perdoavam e já lhe doíam os ossos quando mergulhava muito tempo.

E foi com esse fato negro vestido, que ainda o tornava mais pequenino e franzino, que o vi anos mais tarde pronto para mergulhar às nove horas da noite junto à Pedra da Galé.

Trazia cinco pilhas à prova de água, atadas com um baraçinho, que lhe proporcionaria a luz necessária para perscrutar os buracos que tão bem conhecia.

Ande ali atrás dum malvade dum safio há p’raí uma semana. Vou-me ver se consigo inganar o gaje esta nôte.

– Mas às nove horas da noite Joaquim António? – perguntava-lhe eu incrédulo.

É que de dia anda munte lisboeta ali de roda dele a tomar banhe e o gaje entoca-se e na m’aparece. Tem de ser de nôte.

Já pelas onze horas fora, uma figurinha de chapéu preto aparece recortada ao longe sob o luar de Agosto, caminhando apressada pela praia fora. Passinho miúdo e rápido, trás às costas um safio com onze quilos arrastando a cauda no chão.

Num braçado, transporta do outro lado a espingarda, os óculos, as barbatanas e as pilhas. Naquela altura já o Joaquim António tinha aderido a todas aquelas modernices.

– Então Joaquim, como é que correu a pesca?

Olha; hoje ingani o gaje – dizia rindo-se, enquanto parava para uma hora de conversa se calhasse, na qual, provavelmente se esqueceria até de tirar o safio das costas e pousá-lo no chão.E logo de seguida:

Anda ali à barreca qu’ agente corta aqui umas postinhas p’ra mecês levarem p’ra casa. Este pexinho é munte sabroso.

– Ó Joaquim António. Então tiveste essa trabalheira toda e agora andas a distribuir o peixe aí pelo povo. Isso bem cortadinho, cabe tudo no frigorífico, homem.

Frigoríf? É na use disse! Nã. É na consigue cmer iste tude.

– Vendes amanhã na praça em Albufeira.

Nã. O pêxe qu’é apanhe é p’ra mim cmer más os més amigues.

Meio frustrado por não lhe aceitarmos a oferta, lá se foi praia fora arrastando uma noite de pescaria, num caminhar vivo como se a idade não lhe pesasse, naquela altura já nos seus 48 anos.

Voltaria a reencontrá-lo cinco anos depois, após a minha passagem pela guerra colonial.Com ele viria a conviver a espaços, e sempre que podia, por mais cerca de quinze anos, sempre com a mesma jovialidade, o mesmo chapéu atirado para a nuca em momentos especiais, a mesma paixão pelo mar e pelas pessoas.

Os estrangeiros, que começavam a construir casas perto da praia, adoravam o Joaquim António e nunca cheguei a perceber como se entendia com eles.Quando lhe perguntava como fazia para perceber o francês, o inglês e o alemão, a explicação vinha clara e simples.

Olha môce. Depois deles provarem o mé vinhe, ficames todes a falar a mêma língua.

Foi assim que aprendi que há meios de tradução, ou uniformização de idiomas, que desconhecia por completo.O Joaquim António era assim uma espécie de vizinho exclusivo e cicerone da terra e do mar da comunidade estrangeira, que se foi acomodando ali pelos arredores da Galé. Sem que ninguém entendesse uma única palavra do que diziam ambas as partes, depressa pressentiram que se tratava de um ser humano ímpar que todos adoravam e faziam por visitar.

As partes continuavam a suceder-se e algumas deixavam o Joaquim abismado, especialmente quando tinham a ver com as coisas do mar, de que ele julgava conhecer todos os segredos.

No remanso de duas cervejas que nos apaziguavam mais um calmeiro de Agosto, contava-me como foi convidado por um alemão, casade com uma alemôa munte simpática…, para comer umas sardinhas assadas, que ele próprio se ofereceu logo para levar.Até aí tudo bem. As sardinhas estavam óptimas e o vinho do Joaquim ajudou no problema do idioma.A questão foi quando sobraram umas doze sardinhas e o alemão as meteu, “… assim assadas e tude…”, numa travessa e as tapou com vinagre.Depois convidou-o para voltar lá cinco dias depois para comerem as sardinhas.

E ele a contar-me o problema interior que sentia em ter que ir para ser simpático com a famila e a não descortinar como ia comer “… aquela porquêra das sardinhas assadas amargulhadas em vinagre…”.

Aquil, com lecença, devia era saber a uma porquêra qualquer...

Claro que o Joaquim António foi, embora tivesse comido uma bucha em casa para prevenir a esperada dificuldade em deglutir as sardinhas, quando estava habituado a comê-las fresquinhas da noite.Levava até uma dor de barriga meio engatilhada para provar um lombinho de sardinha e por ali ficar.

O desenlace era rematado assim, depois do chapéu já ter caído para trás na hora do desfecho:

Olha môce. Aquile metia nôge. Má e atão, na é qu’é na cmi coisa má sabrosa in dias da nha vida?! Olha; é fiqui parve. Sardinhas assadas com cinque dias de vinagre. Ó môce. Só viste!

A vida na Galé foi correndo devagar com o namoro eterno das ondas do mar com a areia da praia.

Naquele dia, a manhã era outra vez quente.A água do mar estava lusa, boa para “lisboetas” tomarem banhe, mas mau prenúncio para pescarias de linha ao fundo.

O pêxe é esperte. Na se dêxa inganar.

Na falta de mar bom, o Joaquim António dá folga aos peixes e aproveita para varejar uma alfarrobeira ali perto de casa.A vara é curta dos tombos da vida que levou e a alfarrobeira é grande. É preciso subir à árvore para sacudir as alfarrobas nos ramos mais distantes.

A idade não pesa.

Sentado numa pernada, vai agitando a ponta da vara que sacode os frutos secos, que não chegará a apanhar do chão para dentro de uma alcofa meio gasta pelo sal do mar, salpicada aqui e ali por escamas de peixe das últimas pescarias.

A pernada onde se sentou anos a fio envelheceu primeiro, sem que o Joaquim António disso se apercebesse.Cedeu e partiu-se.

Desamparado caiu no chão.

Foi tudo muito rápido.Nem o mar teve tempo de se espraiar numa onda maior a amparar-lhe a queda. O mar que amou e respeitou uma vida inteira, faltou-lhe no último instante de vida.

Morreu em terra quando sempre disse que havia de morrer no mar e o mar o havia de trazer depois para a praia.

Por cinco dias se levantou um mar de levante de raiva que parecia querer galgar a terra e despedir-se do amigo de sempre, ou talvez resgatá-lo e sepultá-lo no mar.

Tingiu-se depois num verde-escuro de luto, marejando a praia em pequenas ondas exaustas de choro e lágrimas de espuma.

À noite paira no ar um silêncio de morte, cortado pelo piar sofrido de uma gaivota perdida que pousa na proa do barco tombado na areia que tem inscrito à popa J A.

A Galé ficou vazia.

Partiu o seu último guerreiro e o filho maior.Não haverá mais pureza da terra a invadir o mar num vocabulário de musicalidade límpida e pura, que se fazia entender em qualquer língua ou dialecto.

Nem figurinhas vivas de negro vestidas, recortadas na areia da praia em noites de luar, repartindo despojos de mar em pagelas de solidariedade e amor pelo próximo, sem esperar paga ou retorno.

Agora, nas noites escuras de Inverno, um pequeno vulto vagueia pela praia em busca de barcos perdidos, brincando com as ondas que se espraiam pela areia e lhe vêm beijar os pés.

Os peixes vêm-lhe comer à mão mergulhando de novo nas ondas de prata do mar.Um deles traz na boca um chapéu preto que deixa na areia aos seus pés, mergulhando na onda seguinte de volta ao mar.De chapéu caído na nuca e calça arregaçada, partirá de madrugada por entre as dunas de areia para voltar sempre na noite seguinte, sentando-se por vezes na Pedra da Galé, rindo dos “lisboetas” que olham pasmados as “luzes de Marrocos…” que se vêem ao fundo no horizonte distante e escuro.

Noutras, recosta-se numa duna de areia fina, que o protege do vento fresco do norte, mãos na nuca pousando os olhos no prateado das ondas, onde mil luas se reflectem e lhe embalam um sono fácil, que os raios de sol da manhã virão despertar, quando as gaivotas, sem se assustarem, já vagueiam por perto velando-lhe o sono ainda pesado, na manhã que já se espreguiça límpida na praia.

Os dias da Galé ficaram mais vazios e sem alma.

As noites não.

As noites estão cheias de figurinhas que labutam noite fora, praia acima praia abaixo, numa azáfama que perdurará para sempre na minha lembrança dos dias plenos de vida, onde batia e reinava – com armas de solidariedade e sentimentos de nobreza da simplicidade das gentes do campo – um coração que não cabia na praia da Galé, transbordando-a no amontoado de recordações que me deixaram a figura ímpar de simplicidade e candura do Joaquim António.

Não te deixarei morrer, meu amigo.

Pedro C.

Léxico

Almfêra – Albufeira

Amargulhadas – Mergulhadas

Atão – Então

Báche – Baixo

Baracinho – Pequena corda

Barreca – Barraca, casinhoto

Brábo – Bravo, agitado

Braçado – Rodeado por um braço, debaixo do braço

Bradar – Chamar por alguém

Cande – Que andoCasiu – Casei

Charrinho pipi – Carapau muito pequeno

Charrueco – Aparelho puxado por animais para lavrar

Chata – Pequeno barco de fundo plano

Chêrinhe – Cheirinho

Chtrangêres – Estrangeiros

Conde – Quando

Desquesita – Esquisita

Desati – Comecei

Dêt – Deito

Dêtáde – Deitado

Dréção – Direcção

Drente – Dentro

Drêt – Direito, a direito

Écá – Eu

Encalacrade – Apertado, atrapalhado

Entocade – Entocado. Metido na toca

(num) estantinhe – (num) instante

Famila – Família

Fêt num cão – Bravo, agitado, mau

Funde – Fundo

Gajes – Gajos, tipos

Griséus – Ervilhas

Hóm – Homem, mas também expressão de espanto

Incima – Em cima

Indeiazita – Pequena ideia

Ingani – Enganei

Lecença – Licença

Lusa – Limpa, transparente

Maldeçoado – Amaldiçoado

Malvade – Malvado

Manhão – Manhã

Manhôses – Manhosos, astutos

Mecêa – Você, vossemecê

Mó – Remate de reforço de exclamação de difícil tradução

Môce – Moço, pá

Munte – Muito

Nha – Minha

Nôge – Nojo

Nôte – Noite

Onte – Ontem

Pagelas – Pequenos montes de peixe, divididos por espécie ou tamanho, que antigamente eram vendidos na lota da praia mal chegavam do mar

Pexinho – Peixe pequeno

Porquêra – Porcaria

Rabiscava (rabiscar) – Apanhar alfarrobas, amêndoas ou figos caídos de maduros das árvores de alguém, que não do próprio

Rableta – Às cambalhotas, a rebolar

Raspou-se – Fugiu

Reguigosa – Mexida, nervosa, agitada

Patavina – Nada

Porradão – Grande quantidade

Site – Sítio

Sol postinho – Sol posto, mesmo ao fim da tarde

Tapado – sem visibilidade, água turva

Têja – Esteja

Terquês – Turquês, tenaz

Varejar – Deitar os frutos secos ao chão com o auxílio duma vara comprida

Vinhe – Vim

Vô-me – Vou

2 comments on “Conto Vivo – A memória das gentes.

  1. Isto é da mais pura antropologia, memória de um tempo que se foi e a visão de um Homem que sabe ver.
    Penso que este texto deveria ser acarinhado e distribuído pelas escolas do Algarve por quem de direito, para que as novas gerações possam ter memória do que foi um passado que parece já estar muito afastado!
    Com amizade e carinho
    B. Louro

  2. VAMOS VER SE O MEU COMENTÁRIO CHEGA A BOM PORTO.DIZIA EU QUE ESTE CONTO SOBRE O “REI” DA GALÉ ERA UMA NOBRE HOMENAGEM A QUEM,HUMILDEMENTE,SE AGIGANTOU PELOS SEUS VALORES DE AMIZADE,DESPRENDIMENTO,ENTREGA E ALEGRIA.MEU PAI ESTEVE A PRESTAR SERVIÇO,COMO GUARDA FISCAL,NA GALÉ ERA EU MUITO PEQUENINA E ERA O JOAQUIM ANTÓNIO,QUANDO O TRABALHO O DEIXAVA,QUE ATURAVA AS MINHAS TRAQUINICES E ME ENSINAVA A APANNHAR “BEIJINHOS”,”BURRIÉS” E LAPAS.ENTENDÍAMO-NOS LINDAMENTE DENTRO DO NOSSO LINGUAJAR.BEM HAJA,PEDRO,POR TER HONRADO O NOSSO AMIGO.UM ABRAÇO
    JUDITE

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