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Todos à rasca…!


Vão difíceis estes nossos tempos.

Já conseguimos descobrir uma geração rasca, uma geração à rasca e agora acabámos todos à rasca.

Não me lembro, como agora, de ver na TV tanto politólogo (como gosto desta nova designação “profissional”…) e tanto economista ainda de cueiros mal lavados a debitar conhecimento e soluções para esta crise. Nem percebo porque deixou o governo de fora tanta gente bem artilhada de conhecimento e soluções, mais parecendo que fez birra em escolher todos os que não interessavam.

Mas a crise aí está e a mim apetece-me fazer um breve exercício de exorcismo e procurar encontrar os verdadeiros culpados de modo a enviá-los para o inferno, se é que há outro inferno que não este onde nos depositaram.

É voz corrente que o país (leia-se a arraia miúda…) tem vindo a viver acima das suas possibilidades. Ou seja, temos andado a encher a barriga com dinheiro emprestado; dinheiro que não é nosso. Não podíamos ter mesa tão farta, tanto automóvel e tanta casa para habitar, mesmo que nos viessem politicamente enxameando os sentidos e até a própria alma com publicidade e dinheiro fácil que nos refastelasse o desejo.

Olho para o nosso percurso político e governamental do período democrático e o que se colhe à vista desarmada? Fomos derrubando governo após governo, naturalmente porque o governo que estava não nos interessava.

Ou seja, vínhamos comendo acima das nossas possibilidades, mas a malta não se contentava com o que comia e derrubava os que lá estavam, sempre em busca de outros que nos franqueassem a carteira e nos permitissem melhorar ainda mais as regalias a que nos sentimos sempre com direito.

E os que vinham saltavam para o poleiro prometendo sempre mais e melhor, ou não estariam lá se não o fizessem.

Esta dialéctica afigura-se-me simples:

O eleitor almeja a abastança, porque é humano que o faça.

O político percebe que o tem que prometer, ou então não será eleito.

O político é eleito e não cumpre as promessas porque não podia prometê-las.

O eleitor derruba o governo e procura outro que prometa o regabofe da abastança.

Eleito o próximo, com renovadas promessas de folgança, é alcunhado meses depois de mentiroso, porque afinal prometeu uma coisa e faz a sua contrária.

E o eleitor (que ainda não percebeu porque vive afinal acima das suas possibilidades) derruba o governo e assesta os ouvidos em outro prometedor de folia que lhe garanta o festim dos últimos 30 anos.

Vai à fila (que é enorme) e escolhe de forma cega o que estiver à mão, desde que prometa que o folguedo vai continuar.

… e um dia a promessa dura apenas dois dias porque o poço do nosso guloso refastelanço tinha afinal fundo. E viu-se finalmente que o fundo do poço estava vazio.

Caro leitor. Vamos então aos culpados.

E concluo, com alguma dor interior, que os culpados, afinal, somos nós: eu e o leitor.

Este inferno, onde nos depositaram, fomos nós que o criámos.

Porque os políticos não têm culpa da sua incompetência, ignorância e gula desmesurada pelo poder.

Somos nós que os elegemos. Fomos nós que os achámos competentes e honestos nas promessas que faziam. Ninguém nos obrigou. Ninguém nos poderia obrigar a sermos exigentes senão nós.

Fomos nós que não conseguimos, ou não quisemos, perceber que nos mentiam quando o fizeram vezes sem conta no assalto ao poder e nele se refastelaram com os amigos, num repasto que a democracia prometia ser para todos.

É tempo de não voltar a cometer o mesmo erro. É tempo de varrer este inferno.

É tempo de pegar em armas; a arma da exigência, da competência e da honestidade intelectual.

Por mim não voltarei a sentir-me culpado de mais um tiro no pé. Porque da próxima, quando der o tiro hei-de tirar o pé a tempo…

PC

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One comment on “Todos à rasca…!

  1. E o culpado… sou eu?????

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