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Caminhos perigosos e um mau sinal.

 

Nas actuais circunstâncias, o pior que nos podia acontecer seria aplaudirmos a violência policial indiscriminada.

Reportando aos acontecimentos junto à Assembleia da República, o que vamos tendo são genericamente aplausos à actuação da força policial.

Observando os acontecimentos em bruto, reportados à minúcia por todos os canais televisivos, o que podemos observar foi a passividade da polícia sendo apedrejada durante mais de uma hora sem qualquer acção repressiva ou dissuasora da força ali instalada.

Um espectador comodamente instalado no seu sofá esteve uma hora a “encher o saco” e quase desejoso de entrar pelo ecrã adentro e arrear meia dúzia de bofetadas nos valentes energúmenos (pouco mais de meia dúzia) que ali não só destruíam a calçada, como apedrejavam insolentemente a força policial.

Obviamente que após uma hora de arrogância autorizada e quase incentivada pela passividade das forças ali instaladas, a carga policial foi um “alívio” e uma desforra a pedido pela raiva de todos os espectadores.

O que se passou a seguir foi facilmente apagado no nosso subconsciente pelo desejo insano de uma justiça atrasada.

Mas ficam-nos muitas dúvidas.

Sem muita elaboração ficam apenas interrogações:

1-     Tendo em conta o à-vontade e descontracção com que os “valentes” atiradores retiravam as pedras da calçada e as atiravam, era difícil uma intervenção rápida e de surpresa de meia dúzia de polícias da rectaguarda, dos que usavam equipamento leve, que procedessem à detenção da totalidade ou maioria dos prevaricadores, pondo assim termo num ápice àquela insolência gratuita?

2-     A ocorrer esta acção – lembrando que o risco para os agentes era nulo, tendo em conta a protecção da rectaguarda que permaneceria em alerta para o caso das coisas correrem mal – teria sido necessária a carga indiscriminada que ocorreu posteriormente?

3-     O comando policial competente deve ou não hierarquizar as acções a empreender no sentido de minimizar efeitos e obter resolução rápida e eficaz dos problemas?

4-     Nesta perspectiva, há ou não espaço para congeminar que a intenção foi premeditada e visou forjar um exemplo que condicione futuras manifestações pacíficas?

5-     Ao ser incentivado o aplauso à acção da força policial terá a tutela receado que qualquer atitude de condenação pudesse retirar agressividade ao corpo policial, que em futuras ocasiões pudesse proceder ostensivamente de forma pacífica, ou quem sabe, contra a própria tutela?

6-     Sabendo que naquele tipo de corpo policial ocorre uma certa acefalia que permite uma carga indiscriminada cuja violência nem sempre permite medir as consequências, aquele tipo de acção não deveria ficar confinado a excessos perpetrados pela generalidade dos manifestantes e não apenas por meia dúzia de activistas profissionais, que aparentemente a polícia se revela incompetente para neutralizar?

7-     Ao legitimarmos uma carga policial indiscriminada, não nos virá à memória tempos de um passado não muito distante a que não queremos regressar?

A história ensina-nos que o homem repete os seus erros de uma forma absurda não aprendendo aparentemente nada com eles.

De forma gratuita o governo actual teve um breve momento de glória com o incremento da aprovação generalizada de uma carga policial que agrediu de forma indiscriminada pessoas que se manifestavam de forma pacífica.

A seguir vamos ter o quê? Aceitar a proibição das manifestações porque os mesmos energúmenos continuam à solta, incontroláveis (uma dezena…) e podem prevaricar de novo…?

P.C.

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