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A acidez da memória.

A propósito de um inqualificável lapso de memória de Sócrates.
Sem sombra de dúvida esta é a mentira política mais desconcertante de um ex-primeiro ministro.
Em memória não tenho sinal de uma tal cabala, mesmo com uma incursão aos circos do 3º mundo.
Inaudito será o termo mais apropriado.
Com esta mentira ele teria enganado o eleitorado e eleito duas vezes para dois mandatos.
Este “pinóquio” enganou ostensivamente meio mundo (incluindo os mercados e a União Europeia) ao ser capaz de afirmar que se lembra da epopeia da selecção nacional e dos feitos do Eusébio no Mundial de 66, com especial relevo para o jogo com a Coreia, algo que qualquer português nascido à altura regista de forma indelével na sua memória e faz perdurar para todo o sempre.
 
47 anos depois do evento, e ao recordá-lo, tem um terrível e inconcebível lapso de mera circunstância pontual, confundindo o percurso e o ponto de chegada (a escola) quando provavelmente terá sido a casa de um amigo, de um familiar, de uma associação juvenil ou qualquer outro ponto onde qualquer mentiroso compulsivo poderia chegar.
Inadmissível. 47 anos depois é inadmissível ter um lapso de memória deste quilate.
Esta de facto uma mentira imperdoável que iludiu o eleitorado e se constitui numa inadmissível postura de um político numa terra de gente politicamente culta e consciente que não se pode permitir inverdades deste jaez, que vêm conduzindo o país ao descalabro em que nos encontramos nesta altura.
 
Tudo porque o mentiroso, preocupadíssimo com a sua imagem e próxima campanha eleitoral, não se deu ao trabalho de tornar mais conciso o local exacto (e quiçá confirmado por GPS, uma exigência que não deve tardar) para onde se dirigia às 15:45 do dia 23 de Julho de 1966. Se me perguntarem a mim onde é que eu estava nesse dia e a essa hora tenho uma boa dúzia de possibilidades; mas não evocarei nenhuma com receio de um eventual fuzilamento de mil dedos de quem tem certezas com 47 anos de idade.
 
A memória é de facto traiçoeira e ácida; mas neste país é necessário todo o cuidado para evitar dislates desta natureza, podendo destruir a economia e o futuro das pessoas.
Este é um tipo de mentira que define tudo: os políticos em primeiro lugar, mas essencialmente a sociedade. Uma sociedade atenta que não se permite ser aldrabada com mentiras desta estirpe. Uma sociedade que não perde uma oportunidade para atirar uma última pedra a quem jaz condenado e já inerte, mas ousa levantar um dedo.
 
Esta mentira é intolerável.
Esta sociedade também.
 
Desta forma estou inclinado a aceitar que esta sociedade, atenta como parece estar, merece o primeiro ministro que tem hoje e todos os outros que nos trouxeram até aqui.
Merece igualmente o parlamento que tem, parte do qual não se coibiu de derrubar um governo socialista (talvez porque dirigido por um 1º ministro que erra onde estava no dia 23 de julho de 66 às 15:45…), permitindo eleger um governo de direita que a sufocará até à asfixia final.
Tudo em nome de desígnios políticos que, desta forma, me escapam. Mas certamente não em nome duma sociedade justa que não vislumbro com uma sociedade destas.
 
PC
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