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Prenderam o “gajo”.

Finalmente prenderam o “gajo”.

Para descanso de mães e alguns bons chefes de família que veem assim o futuro de filhos e netos naturalmente preservado.

Prenderam o “gajo”, finalmente.

Descansa a inesgotável justiceira Felícia Cabrita, qual versão feminina do nosso super-juiz Baltazar Garzon Real, ainda a contas com aquela constipação que, renitente, tarda em deixá-la, fruto certamente de noites a fio pelas esquinas da investigação “jornalista”; abraça finalmente a paz de espírito a enorme comediante Manuela Moura Guedes, a quem Marinho e Pinto, certamente por má informação, admitiu que ela nem carteira de jornalista tinha, ou se a tinha a teria obtida nas Novas Oportunidades.

Sabemos agora que há outra alma que tão bem tem conseguido disfarçar a sua sanha anti-“o gajo que foi finalmente preso”, a jornalista Cristina Esteves, que recentemente fulminou a laser faiscante expelido daqueles olhos tremeluzentes o antigo Procurador-Geral da República Pinto Monteiro, numa entrevista na RTP onde despudoradamente insinuou actos de protecção da justiça ao “gajo que foi agora finalmente preso”. Só a paciência de um beirão habituado desde pequeno a enfrentar o frio e o gelo das faldas da Serra da Estrela permitiram não reagir com duas palmatoadas bem assestadas no furor da autêntica e desconhecida leoa da RTP, que repetidamente puxava a juba para trás num autêntico desafio ao estilo… “olha bem para mim…!” ou “… are you talking to me…!?”

Prenderam finalmente o gajo.

E, quem sabe, o “gajo” tinha mesmo que ser preso, tendo em conta os crimes “que correm boca”, porque na verdade ninguém sabe concretamente de que crimes se tratam; excepto, claro está, a inexorável Felícia Cabrita e a putativa M. M. Guedes, entre outros comparsas menos exuberantes, que aguardam melhores oportunidades para se exercerem “Garzonamente”.

Atento o nosso 1º Ministro tratou logo nesse dia D de deixar um breve tirinho de feira, não fosse o juiz se descurar nalgum amolecimento, que às vezes os há, e, perguntado pela circunstância da detenção do “gajo”, com aquela voz de encantamento que nos vai entorpecendo, lá deixou a ladainha do “… à política o que é da política, à justiça o que é da justiça…!”. Sentindo que o momento era o de “… não temos pressa” (o “gajo” até já estava detido), achou que lhe ficaria bem colar na testa um epíteto que, na verdade, lhe assenta bem: “Os políticos não são todos iguais!”.

Mas não precisava; todos o sabemos. Basta rever o autêntico léxico de como enganar com a doçura e a suavidade da mentira proferida por um barítono frustrado, para entendermos que os políticos não são todos iguais. Fica a vincada recordação porque a memória anda cada vez mais diluída na voracidade de um tempo que nos esmaga por excesso de vulgaridades:

https://www.youtube.com/watch?v=gNu5BBAdQec

 

Neste filme, em que “prenderam o gajo”, corre por aí um clamor, por sinal de pessoas que nada têm a ver com o “gajo”, onde se estranha o mediatismo, o espetáculo, as fugas de informação, o desconhecimento completo dos dados da acusação, a arrogância e prepotência do nosso Garzon – caramba, era o que faltava que não tivéssemos um – o deprimente espetáculo do Campus da Justiça, a impunidade duma Felícia à solta e em roda livre, etc, etc.

Sinceramente não consigo entender onde está a novidade. Tenho um prémio para quem me descubra um caso relevante de justiça onde praticamente tudo isto não tenha acontecido. Mas não conta, para a reclamação do prémio, a novidade do anúncio da instauração dum inquérito (creio que é o 127º, os anteriores não acharam nada nem ninguém) à eventual fuga de informações do MP mandado instaurar pela Srª Procuradora Geral da República. Isto sim é quase uma novidade.

Mas trago por aqui uma enorme inquietação. É que fico com uma impertinente sensação de continuidade, repetição, um “déjá vu” em qualquer lado, que me deixa um sentimento de necessidade de colocar o tal pé atrás.

Onde é que eu já vi isto? Alguém me espetará um dedo na testa com um exuberante e triunfal “… ah, mas agora é diferente!”

Pois, por enquanto será; agora prenderam mesmo o “gajo”. E isso é diferente.

Atentemos. O filme é a preto e branco, mas o “gajo” é sempre o mesmo.

– Em 2003 rebenta o caso Casa Pia arrebanhando altas figuras do PS (atenção: só PS…), culminando com a prisão em directo de um deputado na A.R. por um emergente juiz justiceiro. Um escândalo que poderia ter destruído uma boa parte dos dirigentes do partido, de que foram figuras mais salientes Ferro Rodrigues e Jorge Sampaio. Paulo Pedroso viria a ser julgado saindo ilibado. Os prejuízos para o PS foram incalculáveis, mas o partido lá sobreviveu. Paulo Pedroso não. Esse foi mesmo “assassinado”.

– Em 2005, com eleições à vista, Santana Lopes insinua em directo na TV que o “gajo” seria homossexual. Uma flechada destas neste nosso país de marialvas, mata até um macaco do zoológico.

– Ainda em 2005, descartada a jogada da homossexualidade do “gajo”, dá-se início ao caso Freeport. Como é do domínio público, um caso forjado no Montijo envolvendo um conhecido quadro do PSD, um elemento da Judiciária e um autarca. Uma fraude, segundo Marinho e Pinto e Pinto Monteiro, só para citar duas figuras opostas de uma eventual mesma moeda. É público, denunciado nos órgãos de comunicação e nunca desmentido. Colocaram 2 juízes no caso em exclusividade, os quais deram literalmente duas voltas ao planeta, e nada; não encontraram nada. Arrumado o caso, com seis anos de investigação, “… ficaram 27 perguntas por responder”. Faltou aqui apenas o sentido do ridículo que ninguém assumiu. É assim que funciona uma certa política.

Mas agora é diferente: o “gajo” está preso.

Agora a Procuradora é outra e as coisas são diferentes; claro, o “gajo” está preso. As coisas são diferentes porque no passado os juízes estiveram loucos durante seis anos a fio, os investigadores foram algemados nesses seis anos e o nosso Garzon esteve mais preocupado com o arranjo das flores do seu jardim, que com a investigação de casos complexos de justiça. Agora acordaram todos e agora é que é.

Mas alguém me explique: tendo Pinto Monteiro “algemado” todo o MP, logo que saído por que razão ninguém veio até agora à praça pública denunciar que esteve manietado todos estes anos? A casa da justiça não é capaz de denunciar tamanho vilipêndio sobre os seus profissionais agrilhoados de uma maneira torpe durante todo este tempo? Haja decoro e algum respeito pela nossa, diminuta, mas ainda desperta, inteligência.

Dois pontos finais.

Tendo em conta a sequência de casos que apontaram todos para o PS (alguns forjados) e os seus dirigentes, entre muitos outros, reservo-me o direito de admitir que nunca há duas sem três e, nesta circunstância, não há umas sete ou oito sem nove.

Da humilhação o “gajo” não escapa. Mesmo que eventualmente fiquemos por aí, para a nossa política mesquinha, chega.

Por fim.

Se forem provadas as acusações – sem dúvidas, nem grãos de areia – que cumpra a pena e que sirva de exemplo. Este o ponto mais importante, porque na verdade ninguém está acima da lei.

Mas se nada for provado em concreto, ou o que for encontrado for residual, fico para saber se desta vez há um ou mais responsáveis por mais uma farsa que substituam o “gajo” em Évora, onde coabita paredes meias com presos de delito comum, tal como o ex-cabo da GNR condenado pelo assassinato de três jovens em 2005/06, como convém.

Ficámos também hoje a saber, pela boca de um perspicaz jornalista da SIC com tenda montada à porta do instituto prisional de Évora, como comem frugalmente os nossos presos. Mas também, benesse certamente de um “gajo” que por acaso foi 1º Ministro, que este tem cela individual, mas sem esquecer que tem WC privativo com banho de água fria e tudo. Valha-nos o clima temperado de Évora no inverno.

No nosso país uma humilhação deve ser uma humilhação como deve ser. Mas não nos humilhem mais com esta vergonha de justiça que nem o próprio segredo de justiça que lhe cabe é capaz de guardar e garantir.

Como querem então que acreditemos em tudo isto, mesmo que venham a ter razão?

PS

Escutado hoje numa televisão. Circunstancialmente.

O juiz Carlos Alexandre decretou, não há muito, a prisão preventiva de um cidadão durante dois anos e meio. Findo esse tempo o cidadão foi julgado e ilibado.

Não tenho comentários a fazer porque … “dura lex, sed lex…!”

O juiz encontra-se bem. O cidadão não sei.

PC

2 comments on “Prenderam o “gajo”.

  1. Esteja inocente ou não dos crimes de que é acusado, a prisão de José Sócrates agrava ainda mais a opinião que os portugueses, sujeitos a tantos sacrifícios para « salvar» o País, têm dos políticos em geral e de outras personalidades das quais se devia esperar honestidade e responsabilidade. Por muito mal que a nossa Justiça funcione, não se acredita que, estando em prisão preventiva, José Sócrates não tenha revelado graves indícios de corrupção. O dinheiro não se multiplica por magia e infelizmente não estão a ser raros os casos de negócios « sujos » com fuga aos impostos. Será apenas um ataque da direita ao PS ? Não me parece…
    É que, o tipo de corrupção a que me refiro levou e leva o país a um maior endividamento. Não tenho dados concretos, mas outro dia num debate televisivo alguém dizia que metade da dívida pública poderia ser paga no ajuste de contas com esses senhores que têm prejudicado o Estado com as suas fraudes.
    E então o povo pergunta -se : – Porque temos nós que pagar pelos que enriquecem ilicitamente ? Como não acontece que o Estado, que não perdoa nada e até « trama» sempre que pode, o cidadão comum, «vá » aos muitos bens daqueles senhores para pagar a dívida portuguesa ? Não se vê que a Justiça funcione desse sentido ….
    Lamento o que se está a passar com Sócrates, mas espero que esta situação não leve a uma descrença maior da Justiça Portuguesa.
    A Ministra das Finanças dizia outro dia que tinham que recorrer aos outros para conseguir pagar a dívida, porque os ricos eram poucos … o que é certo é que o nº de ricos tem vindo a aumentar… e como, se cada vez há mais pobres ?
    E, é verdade,nunca os governantes falam nos milhões que o Estado tem recebido dos prémios do Euromilhões que têm vindo para Portugal !

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