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Paulo Bento; um disciplinador ou um pequeno déspota…?

1OUT2008


Paulo Bento; um disciplinador ou um pequeno déspota…?


A novela P. Bento/Vukcevic tem vindo a alimentar paixões, a que a imprensa não se exime em atiçar, atirando achas para uma fogueira que lhe interessa ver bem ateada, porque, quer o fogo, quer o vento, correm a seu favor.


O início de época, aparentemente, fulgurante do Sporting (nestas coisas temos sempre dificuldade perceber que os nossos méritos funcionam na razão inversa dos deméritos dos adversários mais directos) foi deixando o benefício da dúvida para P. Bento sobre a razão da sua atitude em “castigar” o atleta, por via de posturas e palavras menos atinentes ao bem-estar e manutenção de um inusitado silêncio democrático que sempre vogou no seio das equipas de futebol em Portugal. Especificidades demasiado específicas da democracia…


No Sporting, o grande reforço do ataque para esta época foi Hélder Postiga. Um jogador em busca de um “tesouro perdido” que tarda em encontrar.

Quanto ao resto, consubstanciou-se no que ficou da época anterior, com Liedson em recuperação de uma lesão; Derlei a procurar demonstrar que ainda será capaz de ser útil, como o pareceu indicar no final da época transacta, onde se insinuou com algum fulgor (quando meio mundo já estava de pantanas…); e um Yanick que já demonstrou ser capaz de um ou outro rasgo interessante (contra adversários de menor valia), mas que claudica estrondosamente quando o nível de prestação se tem que elevar, sempre que no confronto com equipas de maior valia.


E Vukcevic…

Um jogador que se revelou de grande utilidade na época passada, a evidenciar ser capaz de voos mais altos, e de quem se esperava uma confirmação para este ano.

Mas, contra todas as expectativas, eclipsou-se; não por lesão, mas por via de um diferendo que foi extravasando os portões da Academia, fazendo incidir sobre si as atenções da tribo do futebol.


Começaram as avaliações e as sondagens. Quem tem razão?!

O Sporting comanda a classificação (mesmo com o… muda aos 5 e acaba aos 10 de Madrid… Era a feijões…) e as sondagens rondam os 80% para a razão do treinador.

Depois, já a sério, Barcelona, com um aroma a jogo para a Taça entre uma equipa da 2ª Liga contra outra da 1ª, e os números da causa P.B. desceram para os 67%.

O que continuava a soar era ainda o 1º lugar à frente de tudo o que é rival ancestral, um hábito que já vinha roçando um aroma a mofo de pouco uso, mesmo que Braga tenha passado bem perto de um canudo, que por certo teria alterado muito sentimento.


O jogo com o Benfica era uma recta de acelerar que culminaria numa pré vitória na Liga, mesmo com apenas quatro jogos disputados.

Um acidente “inesperado”, por culpa do Benfica e da incontinência verbal do técnico do Sporting que, em busca de modernas armas psicológicas de desgaste à distância, só encontrou espadas de gume rombo do tempo das suas Cruzadas enquanto atleta, e eis que o fulgor e a razão se começam a dissipar.


As sondagens inclinam-se agora para o equilíbrio (50-50) havendo, aqui e ali, vozes que questionam o caso Vukcevic, clamando por um melhor esclarecimento da situação e do seu cerne.

A razão de P.Bento não pode ser questionada numa mera avaliação da exigência da disciplina, ou exercício de autoridade. O que valerá a pena ponderar é a qualidade e a forma dessa mesma disciplina e autoridade. E nesse sentido várias são as questões que se podem formular:


1- Perante a manifestação de algum desagrado do atleta em não ser utilizado, promoveu o técnico o necessário e imprescindível diálogo com aquele de forma a esclarecer as suas opções, ou a sua resposta foi o distanciamento, sobranceria e exercício severo de autoridade (que aparentemente lhe parecem ser tão peculiares) consubstanciada no seu afastamento da equipa, como meio de lhe transmitir a sua avaliação e consequente castigo?


2- Tendo em conta o desnível genérico entre as equipas da Europa e as portuguesas, em termos de riqueza, dimensão e apetrechamento, e a circunstância do envolvimento do Sporting em competições europeias – onde a melhor prestação possível pode contribuir para solver de forma substancial os défices permanentes em que o futebol português se encontra – podem, o clube e a SAD, prescindir de um activo como Vukcevic por via de um diferendo desta natureza? A SAD acompanhou o diferendo e, ou, questionou ambas as partes, ou achou por bem não ter uma palavra a dizer, nem ter uma justificação a dar aos sócios e accionistas?


3- O castigo a aplicar a um jogador de futebol deve passar pelo seu afastamento da actividade laboral (para a qual é contratado e pago a peso de ouro), sendo certo que o “castigo” infunde a forma de uma diminuição da visibilidade do jogador – sendo inequívocos os prejuízos dos interesses do atleta – mas, por inerência e extensão, redunda igualmente num prejuízo para a entidade patronal, sintetizada na desvalorização de um activo?


É bem provável que as derrotas do Sporting em Barcelona e na Luz tenham obrigado P. Bento a uma reflexão e inversão dos conteúdos e opções disciplinares que vem adoptando. Não deixará, igualmente, de reflectir sobre os sinais de desagrado e incompreensão que vêm soando das bandas de alguns pesos pesados do Clube, com palco e auditório.

Mais tarde ou mais cedo, Vukcevic será reintegrado, aparentemente sem vencidos nem vencedores, contabilizando as duas partes do confronto directo.

Ficarão por avaliar os prejuízos do clube e da SAD.

Prejuízos acumulados, tendo em conta outra circunstância semelhante, como o foi o caso protagonizado por Miguel Veloso há dois anos, quando o atleta se vinha firmando como um esteio no centro do terreno e repentinamente foi atirado para o banco, tanto quanto se diz, por via de uma tentativa de interferência “inoportuna” de um familiar do jogador junto do treinador.

O jogador esteve no banco “de castigo” cerca de mês e meio. Nesse período o Sporting perdeu seis ou sete pontos, vindo a perder a Liga para o F.C. Porto, por um ponto apenas.


Ao longo dos tempos, pouco mudou relativamente à necessidade de determinar e sustentar a disciplina dos atletas.

Contudo, os tempos são outros.

Acautele-se a imprescindível disciplina. Mas que se revejam os códigos pela qual a mesma deve ser exercida porque, pior que a indisciplina, só um mau disciplinador.

PC

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One comment on “Paulo Bento; um disciplinador ou um pequeno déspota…?

  1. No caso Vukceviv o jogador-passados este ano- veio reconhecer a razão do treinador,pedindo desculpa. Mas isto não invalida uma certa inabilidade de lidar com este tipo de casos.
    25-4-17

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